
Brindando o quinto momento do programa radiofônico ALACAZUM PALAVRAS PARA ENTRETER em sua 94° edição, após dicas para um planeta sustentável, escutamos a música: Vá morar com o diabo, na interpretação da cantora Cássia Eller.
Reconhecido pelo governo federal como Ponto de Leitura no Brasil, passando a fazer parte da Rede Biblioteca Viva.Integra o Programa Nacional do Livro e Leitura (PNLL)conforme publicação no Diário Oficial da União, portaria n° 92 de 18 de dezembro de 2008.Por um País de leitores cidadãos!
Água: Ela até cai do céu, mas é um recurso esgotável e raro em muitos lugares do mundo. Se, em apenas cinco minutos, você escovar os dentes com a torneira escancarada, 12 litros de água potável serão desperdiçados.
Energia elétrica: O consumo cada vez maior requer a construção de mais usinas hidrelétricas e mais florestas vão desaparecer para dar lugar a elas. O simples gesto de desligar as luzes dos ambientes, quando estiverem vazios, pode ajudar a evitar isso.
Combustíveis: A queima dos fósseis, como o diesel e a gasolina, é a maior responsável pela emissão de gases do aquecimento global. Segundo o urbanista e ex-prefeito de Curitiba Jaime Lerner, “nas grandes cidades são produzidos 75% de todo o CO2 jogado na atmosfera”. Pense nisso antes de entrar no carro só para ir à padaria da esquina.

Nesta 94° edição oferecemos como dica de leitura: As viagens "Il Milione" de Marco Polo. Escrito por volta de 1.300, em plena Idade Média, As viagens é um dos relatos mais fascinantes da história. O livro é precursor da geografia moderna sobre os países da Ásia e serviu de guia a vários navegadores, inclusive a Cristovão Colombo.
Certa vez, um Tietê-de-coroa*, que estava pousado à sombra de frondosa jaqueira, sentindo a carícia do vento em suas plumagens, questionou sobre o prazer. Perguntava a si mesmo se cada sensação provocada pelo vento desinteressadamente em seu pequeno corpo poderia ser considerado como elemento de satisfação. Estava tão envolvido em seus pensamentos que cogitou em voz alta:
- O que é o prazer?
Foi aí que uma folha caindo naquele instante à superfície de um rio que passava perto, interviu:
- O prazer é um bem dos ímpetos!
E o rio ao receber a folha que caiu em seu corpo silenciosamente, prosseguiu:
-É um bem do acaso!
E o vento que a todos visita, soprando à superfície do rio, disse:
- O prazer é um sopro sem destino!
- Pode acometer a todos indiscriminadamente... acrescentou a libélula.
-Prazer. Prazer. Prazer. Repetiu o papagaio pousando na jaqueira.
- O prazer é uma desgraça – refletiu a terra
- Uma pequena semente que cresce debaixo das sombras e nunca frutifica, retorquiu uma planta recém-nascida.
-Ah! Suspirou uma borboleta da família das Papiliomidae.
E este suspirar que acumulava muito mais sensação que palavras, incomodou a terra.
- Você só sabe suspirar, caríssima borboleta?
-Não, senhora terra. Sei me embriagar da seiva e alimentar outras sementes. Ah! Voltou a suspirar a borboleta batendo suas coloridas asas.
- Você não passa de um inseto desatento. Pousa aqui e acolá. Estamos falando do prazer e você só sabe dizer: Ah! Ah!
- Quem aqui não entende de prazer é vossa senhoria, dizendo que o prazer é uma desgraça.
- E tenho razão com o que digo. O prazer não enxerga nada a sua volta. Invade os sentidos, sufoca a razão e quando menos se espera atraí todas as desgraças.
-Ha! ha! ha!, debochou o rio.
- De que rir, senhor dono das águas? Perguntou a terra.
- Rio de tua ingenuidade. O prazer assumi a si mesmo. Por isso é assim designado. E a senhora não me diga que não sente prazer ao receber a semente dentro do teu corpo?
- Ora, meu caro senhor dono das águas, estamos falando do prazer despretensioso. O que ocorre no interior do meu corpo são fenômenos naturais. O prazer é um estímulo externo.
-Provocado por outros estímulos externos a nós. A semente em tuas entranhas é um estimulo do prazer. Você não sente? Prosseguiu o rio.
-Sentir? Lógico que sinto mais isto não me desconcerta, não cria tumultos, não me desespera.
-Desesperar? Quem disse que o prazer desespera? Alguém aqui falou em desespero?
-Não! Não! Não! Repetiu em coro, a jaqueira, o Tietê-de-coroa, o vento, a folha, o papagaio, a borboleta e a libélula.
-Parem com esta algazarra, gritou a terra. Parece que todos estão contra mim.
-Que é isto senhora terra? Não é nada disto. Estamos espairecendo prazerosamente o prazer que sentimos. Relaxa!
-Relaxa. Relaxa. Relaxa. Repetiu insistentemente o papagaio e partiu.
-Ah! Ah! Ah! Suspirou a borboleta e vôo.E enquanto o vento mais uma vez sacudia os galhos da frondosa jaqueira, colhendo-lhe algumas folhas... o que afugentou o pequeno Tietê-de-coroa, que ao fugir foi dizendo:
- O que é o prazer?
As folhas arrancadas da jaqueira ao caírem na superfície do rio repetiram:
- O prazer é um bem dos ímpetos!
E o rio para demonstrar essa sensação, criou muitos círculos que se agigantaram até sutilmente desaparecerem de sua superfície.Foi-se o vento. Calou-se o rio. Desapareceu o Tietê-de-coroa, a libélula, o papagaio. Adormeceu a planta recém-nascida. E todas as prematuras folhas foram arrastadas pelas águas do rio. E a jaqueira, como sábia que é, para não alimentar o mau humor da terra, resolveu tirar uma soneca.Ficou a terra solitária, refletindo as palavras do pequeno passarinho:
- O que é o prazer?
Foi aí, neste momento, que a terra sentiu a presença da garoa que começava a lhe salpicar o ventre, caindo lentamente entre a paz do entardecer e a presença de algumas estrelas pálidas que brilhavam longe. Se aquela sensação que circundava a escuridão tão próxima, poderia ser considerada prazer, então que permanecesse até quando durasse a noite. E se esse tal prazer que não anuncia a hora para instalar-se e que chega imperativamente fazendo-nos crer na eternidade... Então que seja! Que se revele! Que permaneça até o penúltimo sentir, revelado na pronuncia da última palavra.


A palavra crônica deriva do Latim chronica que significava, no início da era cristã, o relato de acontecimentos em ordem cronológica (a narração de histórias segundo a ordem em que se sucedem no tempo). Era, portanto, um breve registro de eventos. No século XIX, com o desenvolvimento da imprensa, a crônica passou a fazer parte dos jornais. Ela apareceu pela primeira vez em 1799, no Journal de Débats, publicado em Paris
Em resumo, podemos determinar cinco pontos:
1-Narração histórica pela ordem do tempo em que se deram os fatos.
2-Seção ou artigo especial sobre literatura, assuntos científicos, esporte etc., em jornal ou outro periódico.
3-Pequeno conto baseado em algo do cotidiano.
4-Normalmente possuiu uma crítica indireta.
5-Muitas vezes a crônica vem escrita em tom humorístico. Exemplos deste tipo de crônica são Fernando Sabino, Millôr Fernandes, Leon Eliachar..

Adroaldo Ribeiro Costa, diplomado Bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais em 1936 pela Faculdade de Direito da Bahia. Educador, jornalista, cronista, radialista bahiano. Criador da "Hora da Criança". Iniciado como um programa de rádio artístico e pedagógico voltado para os pais, professores e, sobretudo, para as crianças, e levada ao ar aos domingos pela manhã através da PRA 4 - Rádio Sociedade da Bahia, dos Diários e Emissoras Associados- sob a chancela da Secretaria de Educação, para que ficasse inequívoco o seu intuito pedagógico, a nova atividade empolgou-o completamente, unindo, num mesmo objetivo, o educador e o comunicador do grande público
Modificando a linguagem
No departamento da linguística [...] outra equipe, ainda mais avançada, queria simplesmente extinguir as palavras para aumentar a vida média do homem. Cada vez que proferimos uma palavra, afirmavam seus membros, o ar sai dos pulmões e a vida se encurta. Com a extinção dos vocábulos, o homem deixaria de falar e viveria muito mais tempo. Como as palavras servem apenas para representar objetos, as pessoas passariam a levar numa bolsa reduzidas miniaturas dos elementos indispensáveis à conversação e as mostrariam simplesmente aos amigos, em vez de pronunciar palavras inúteis e encurtar tolamente a vida.
Esse projeto, exaustivamente discutido, apresentava ligeiro inconveniente: as pessoas ricas, donas de muitos objetos, precisariam carregar um número exagerado de miniaturas quando fossem visitar os amigos. O departamento de linguística, depois de várias reuniões, encontrou brilhante alternativa para o problema: ou os ricos contratariam empregados para carregar as miniaturas - o que não representaria qualquer problema- ou deixariam várias sacolas nas residências dos amigos mais íntimos, frequentadas, naturalmente, com mais regularidade.
Na opinião dos seus inventores, o novo sistema linguístico já teria sido adotado no mundo inteiro se houvesse mais empenho dos governadores, pois os objetos indispensáveis à vida são mais ou menos o mesmo em toda parte, e o moderno idioma acabaria certamente servindo de língua universal.

Muito além de um reino óptico onde as palavras são alimento para o sonho, existe alguém. E próximo a cada um de nós existe um desejo pronto a eclodir. Ponho-me frente ao reluzente vidro polido e ora é a mim que identifico noutras personagens indefinidos.
O mundo foi reduzido a uma janela que jamais se fechará e nem devolverá Alice de sua aventura.
Tentáculos de ilusão acaricia-nos por inteiro. Dia e noite. Noite e dia. E a primeira e única lição é não cerrar os olhos. Entregar-se!
Sim, muito além da relatividade - tempo e espaço - existe: " uma longa conversa sem fim, que deverá durar mil e uma noites".
Nesse idílio em que palavras tomam formas oníricas, em que palavras, são lavras do idelével após pronunciadas... Aí neste reduto, não-identificado, perceptível apenas aos imperativos, forjam-se ILÍADAS E ODISSÉIAS. Mata-se o Minotauro. Liberta-se Helena. E Ulisses mais uma vez retorna para sua Penélope.
Não conheço os teus olhos, nem qual cor eles reluzem ao fixar uma palavra minha em teu espelho de cristal. Ambos conhecemos a visualidade do sistema e sua maneira binária em decodificar palavras em signos.
Lá se vai um pensamento em busca de repouso. Pousa em tua lembrança e lá faz silenciosa morada por alguns segundos. Após voa. Junta-se a nuvens - inter-conexões-. Conexões e des-conexões. Entre uma conexão e outra.
E bebo o verbo que de tua boca transborda imperativamente: Faça! Vá! Fique! Prossiga! Deseje!
Deixo-os ficar por alguns segundos à margem de minha abstração. Dissolvo-os! Coagulo-os! Destilo-os pormenorizadamente através de minhas retinas e emfim deslumbro a figura paradísiaca do bem estar que só Sherazade é capaz de produzir em sua terapia da palavra.
Este é o espaço, além do reino óptico, onde me encontro. Janela escancarada para o INSTANTE.
Antes do antes. O Agora! O Já! A ação do verbo em transformar o beijo em mais uma palavra e a palavra em desejo.
Sim, muito além do reino da relatividade, existe " uma longa conversa sem fim que deverá durar mil e uma noites"

SENHORA PREPOTÊNCIA
Celeste,
Gostei muito de seu texto sobre o grande médico anarquista Fábio Luz.
Sou membro da Federação Anarquista do Rio de Janeiro e um dos fundadores da Biblioteca Social Fábio Luz.
Esta última, fundada em 18/11/2001, funciona na sede da extinta Associação Bahiana Beneficente (da qual FábioLuz foi sócio por algum tempo), em Vila Isabel (Rua Torres Homem, 790) e conta com um acervo dedicado ao anarquismo, bem como outros temas políticos e literários.
Temos algum acervo do Fábio Luz, como livros e cópia digital do material disponível no Arquivo Nacional.
Faz alguns anos, conheci o filho mais novo de Fábio Luz, Dr. Braulio Luz, já muito idoso.
Ele me emprestou para copiar o volume do romance social"Ideólogo", com uma dedicatória do pai para ele. Há uma Tese de Mestrado sobre o Fábio Luz, escrita por Josely Tostes nos anos 90, pela PUC-SP. Temos em nosso acervo.
Há também um livro de Edgar Rodrigues chamado "Os Libertários", com um capítulo sobre Fábio Luz.
Podemos trocar informações sobre essa figura tão interessante.
Também temos aqui no Rio o Núcleo de Pesquisa Marques da Costa, dedicadoao resgate da história do anarquismo e do movimento operário aqui do RJ.
Me mande um endereço postal seu para que possa mandar algum material.
Um fraternal abraço,
Este conto é um brinde em louvor a uma espécie rara de borboleta, única no mundo: Jhozi Iphitas, da família Papiliomidae (Makina, 2008)
*O Tietê-de-coroa ou Calyptura cristata (Vieillot, 1818), da Família Cotingidae, é uma espécie de pássaro, da fauna brasileira, provavelmente extinto.
Cada poema foi acompanho das seguintes músicas:
A seleção musical e edição do programa ficou a cargo do Artista Poser Gugui Martinez - http://www.guguimartinez.blogspot.com/
Celeste Martinez – escritora
Celeste Martinez - escritora (retirado do livro: Valenciando- Antologia de escritores de Valença - Bahia - Brasil)
Celeste Martinez - escritora (retirado do livro: Valenciando- Antologia de escritores de Valença - Bahia - Brasil)
Celeste Martinez - escritora (retirado do livro: Valenciando- Antologia de escritores de Valença - Bahia - Brasil)