quinta-feira, 11 de junho de 2015
Poema: A Ideia de Augusto dos Anjos
sábado, 7 de junho de 2014
Poema: A Lágrima, de Augusto dos Anjos
sábado, 15 de outubro de 2011
Vandalismo, de Augusto dos Anjos
Na 240 edição do programa radiofônico ALACAZUM PALAVRAS PARA ENTRETER, que foi ao ar no dia 9 de outubro de 2011, transmissão Rio Una FM 87,9 apreciamos os versos de Augusto dos Anjos.Vandalismo
Meu coração tem catedrais imensas
templos de priscas e longíncuas datas,
onde um nume de amor, em serenata
canta a aleluia virginal das crenças.
Na ogina fúlgida e nas colunatas
vertem lustrais irradiações intensas
cintilações de lâmpadas suspensas
e as ametistas e os florões e as pratas.
Como os velhos templários medievais
entrei um dia nessas catedrais
e nesses templos claros e risonhos
E erguendo os gládios e brandindo as hastas
no desespero dos iconoclastas
quebrei a imagem dos meus próprios sonhos.
Augusto dos Anjos
sábado, 4 de setembro de 2010
NA 186° edição do ALACAZUM PALAVRAS PARA ENTRETER
Na 186° edição do programa radiofônico ALACAZUM PALAVRAS PARA ENTRETER que foi ao ar no dia 29 de agosto de 2010, transmissão pela Rádio Clube de Valença 650 KHZ AM apreciamos os versos de Augusto dos Anjos intitulado: Versos de Amor.Parece muito doce aquela cana.
Descasco-a, provo-a, chupo-a... ilusão treda!
O amor, poeta, é como a cana azeda,
A toda a boca que o não prova engana.
Quis saber que era o amor, por experiência,
E hoje que, enfim, conheço o seu conteúdo,
Pudera eu ter, eu que idolatro o estudo,
Todas as ciências menos esta ciência!
Certo, este o amor não é que, em ânsias, amo
Mas certo, o egoísta amor este é que acinte
Amas, oposto a mim. Por conseguinte
Chamas amor aquilo que eu não chamo.
Oposto ideal ao meu ideal conservas.
Diverso é, pois, o ponto outro de vista
Consoante o qual, observo o amor, do egoísta
Modo de ver, consoante o qual, o observas.
Porque o amor, tal como eu o estou amando,
É Espírito, é éter, é substância fluida,
É assim como o ar que a gente pega e cuida,
Cuida, entretanto, não estar pegando!
E a transubstanciação de instintos rudes,
Imponderabilíssima e impalpável,
Que anda acima da carne miserável
Como anda a garça acima dos açudes!
Para reproduzir tal sentimento
Daqui por diante, atenta a orelha cauta,
Como Mársias - o inventor da flauta -
Vou inventar também outro instrumento!
Mas de tal arte e espécie tal fazê-lo
Ambiciono, que o idioma em que te eu falo
Possam todas as línguas decliná-lo
Possam todos os homens compreendê-lo!
Para que, enfim, chegando à última calma
Meu podre coração roto não role,
Integralmente desfibrado e mole,
Como um saco vazio dentro d'alma!
Fonte: www.biblio.com.br