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sexta-feira, 20 de julho de 2012

Na 273° edição do ALACAZUM PALAVRAS PARA ENTRETER

Na 273° edição do programa radiofônico ALACAZUM PALAVRAS PARA ENTRETER que foi ao ar no dia 8 de julho de 2012 das 8 às 9 da manhã de domingo, transmissão ao vivo Rio Una FM 87,9 apreciamos a belíssima poesia de Adélia Prado.

A meio pau

Queria mais um amor. Escrevi cartas,
remeti pelo correio a copa de uma árvore,
pardais comendo no pé de um mamão maduro
- coisas que não dou a qualquer pessoa -
e mais que tudo, taquícardias,
um jeito de pensar com a boca fechada,
os olhos tramando um gosto.
Em vão.
Meu bem não leu, não escreveu,
não disse essa boca é minha.
Outro dia perguntei a meu coração:
o que que há durão, mal de chagas te comeu?
Não, ele disse: é desprezo de amor.

Adélia Prado


Crédito da imagem:http://um-sentir.blogspot.com.br

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Clareira, de Adélia Prado



Na 254° edição do programa radiofônico ALACAZUM PALAVRAS PARA ENTRETER que foi ao ar no dia 5 de fevereiro de 2012 das 8 às 9 da manhã de domingo, transmissão Rio Una FM 87,9 desfrutamos da beleza da poesia de Adélia Prado.


Clareira



Seria tão bom, como já foi,

as comadres se visitarem nos domingos.

Os compadres fiquem na sala, cordiosos,

pitando e rapando a goela. Os meninos,

farejando e mijando com os cachorros.

Houve esta vida ou inventei?

Eu gosto de metafísica, só pra depois

pegar meu bastidor e bordar ponto de cruz,

falar as falas certas: a de Lurdes casou,

a daas Dores se forma, a vaca fez, aconteceu,

as santas missões vêm aí, vigiai e orai

que a vida é breve.

Agora que o destino do mundo pende do meu palpite,

quero um casal de compadres, molécula de santidade,

pra eu sobreviver.


Adélia Prado retirado do livro Bagagem