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sábado, 9 de novembro de 2013

Na 325° edição do Alacazum palavras para entreter

Na 325º edição do Alacazum palavras para entreter que foi ao ar no dia 3 de novembro de 2013, das 8 às 9 h da manhã de domingo, transmissão ao vivo  87,9  Rio Una FM falamos da Festa Literária Internacional de Cachoeira – Flica 2013 – e apreciamos um trecho da história: O velho da praça de Antonieta Dias de Moraes, ilustração Ciça Fittipaldi.


Ele só queria água!

Fazia calor. João estacou diante da primeira casa de caboclo que encontrou no caminho. Apeou, atou as rédeas do cavalo no tronco de uma árvore que havia em frente e começou a bater palmas. Ninguém atendia. Nos fundos, apareceu uma mulher com um pano amarrado na cabeça e um balde na mão. Ela ia de um lado a outro e nem olhava para João. Ele gritou, chamou e nada! A mulher nem se virava. Ele abriu a porteira, entrou, pegou no braço dela e pediu água para o cavalo, por favor.
A mulher olhou para ele muito espantada e chamou o marido; disse que estava ali um moço para comprar galinhas. João explicou que não queria comprar nada, só queria água para o cavalo. A mulher correu para os fundos da casa; a seguir João ouviu a voz do marido: - Aqui não se vende leite, seu moço! Pode tocar pra frente...
A mulher voltou correndo: - Meu marido falou pro senhor esperar.
- Dona, eu só quero água pro meu cavalo! Água! ÁGUA!... Não quero leite nem galinha; quero água. Á – GUA!...
O homem apareceu, espiou e veio andando meio derreado.
- Anda, marido, vem cá! O moço está com pressa!
Ele se aproximou: - Aqui não se vende leite, não, moço! O senhor está enganado!
- Eu só quero água pro meu cavalo!
- Ah! O senhor quer café? Mulher, vá buscar café pro moço... – e empurrou a mulher. – Vá, mulher...
Ela foi lá para os fundos e voltou com uma galinha: co-có-có, de cabeça para baixo, presa pelas pernas. A essa altura João já queria ir embora, mas resolveu fazer a última tentativa. Apontou para o cavalo.
- Ele está com sede; água, por favor. Que custa me dar um pouco de água?
- O quê? Trocar o meu cavalo pelo seu? Tá louco! Nem pense! O seu é bom, mas o meu é melhor! Se é!
A mulher empurrava a galinha nas mãos de João, para ele ver como estava gorda. João disse não, não e não. Fez gestos negativos. Ela entendeu e soltou a galinha, que saiu em disparada, cacarejando, de asas abertas.
- Diz pra ele, marido, que não pode pousar aqui não! Não tem cama!
João pensou que estivesse ficando maluco. Sapateou e berrou: - Não quero nada! Só quero água! ÁGUA! ... Que gente surda! – tirou o revólver e ameaçou dar um tiro para o ar.
O homem recuou e estendeu  os braços: - Calma! Calma, seu moço! O senhor tem um cavalo, pra que quer o meu?  Será que o senhor é ladrão de cavalos? Se é, espere ai.
Não é que o homem saiu correndo e logo voltou com uma espingarda apontada para João?
Não adiantava falar, o homem e a mulher eram surdos de pedra. João guardou o revólver, e apertou a mão do homem: - O senhor é o primeiro que não tem medo de mim. Fique sossegado, não quero seu cavalo – bateu no peito – Não sou ladrão, sou João Valente! – e foi saindo.
- Bom, bom... No meu cavalo ninguém toca!
João montou em Relâmpago e acenou para ambos, num gesto de despedida. Ouviu-se falar, cada qual para si mesmo, já que não ouvia o outro.
- Que é que está pensando? Que é só chegar e levar o cavalo da gente? Vê lá!
- Tanta discussão por causa da compra de uma galinha! Nem que fosse a tal que bota ovos de ouro!... Olhe, marido, todo mundo anda maluco! – Nisso, ela se lembrou de alguma coisa e saiu correndo atrás de João. – Moço! Moço! Será que o senhor não quer água para dar a seu cavalo? Esqueci de oferecer, e com esse calor!...
João, que já estava montado e ia saindo, apeou e voltou puxando Relâmpago pelas rédeas. A mulher já trazia um balde cheio de água. O cavalo bebeu até não poder mais. João também bebeu água. Agradeceu.
O marido afastara-se resmungando: - e ainda por cima gritava como se eu fosse surdo!

Antonieta Dias de Moraes Ilustração de Ciça Fittipaldi

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Dica de Leitura: O velho da Praça de Antonieta Dias de Moraes



Na 325º edição do Alacazum palavras para entreter que foi ao ar no dia 3 de novembro de 2013, das 8 às 9 h da manhã de domingo, transmissão ao vivo  87,9  Rio Uma FM falamos da Festa Literária Internacional de Cachoeira – Flica 2013 –  sugerimos como dica de leitura o livro: O velho da praça  de Antonieta Dias de Moraes.

domingo, 22 de abril de 2012

Na 263° edição do ALACAZUM PALAVRAS PARA ENTRETER


Na 263° edição do programa radiofônico ALACAZUM PALAVRAS PARA ENTRETER que foi ao ar no dia 15 de abril de 2012 das 8 às 9 da manhã de domingo, transmissão Rio Una FM 87,9 apreciamos na abertura do programa, Lendas e Fábulas da África, de Rogério Andrade Barbosa, e ilustrações de Ciça Fittipaldi.

A mosca prudente

O avô Ussumane se sentou ao redor das crianças para contar a história da boa noite.
Como sempre fez um breve silêncio e começou:
-Hoje vou contar a história da mosca prudente:
Certo dia, a mosca, em sua vagareza pousou em cima do mais alto pedaço de lenha juntado pelos lenhadores. Acontece que este tronco não era áspero mais brilhante, suave e macio. Foi então que se deu conta que estava em cima de uma serpente. Com seu peculiar zumbido, acordou a cobra e disse:
- Escute, dona víbora, saía logo daqui porque alguém pode matá-la!
A serpente acato o conselho da mosca e afastou-se indo esconder-se no buraco de um rato. Ao vê-la, sentiu um frio de medo, congelando os seus bigodes e escapou pela saída de emergência.
Tão louco que ia, tropeçou com a pata em um faisão muito orgulhoso. Que também gritou ( talvez de dor ).
Tanto alvoroço acordou o macaco que dormia em um galho de árvore. De tão assustado caiu sobre a cabeça de um elefante.
O tranquilo elefante, assustado saiu trotando. Pisando tudo que encontrava. Até que teve a má sorte de pisar o ninho do pássaro Nietie.
O Nietié é uma ave de plumas vermelhas como o fogo.
Furioso cuspiu faíscas, incendiando a planície. Entretanto essa série de desastres não terminou. Pois um veado que passava, queimou as patas e saiu disparado até o rio para refrescar-se. Na pressa, esqueceu de algo que fazia sempre. Avisar, que se dirigia ao rio, para que as mulheres da aldeia, que ali se banhavam, tivesse tempo de vestir-se.
De modo, que estas mulheres, indignadas foram reclamar ao chefe da aldeia.
O chefe, furioso, mandou chamar o veado. Exigia explicação. O veado, como bom discípulo botou a culpa no pássaro. Que também teve que comparecer. E se defendeu acusando o elefante. A partir daí, todos os animais envolvidos, tiveram que se apresentar diante do chefe, para explicação.
Cada um, em seu depoimento, botou a culpa no outro. Até que chegou a vez da mosca. Olhou para trás. Não encontrou ninguém a quem culpar. Respirou fundo e assumiu a culpa por tantos desastres provocado. Isso sim, por ser prudente em querer salvar a cobra. Então os sábios se reuniram, colocaram na balança os prós e os contra e decidiram inocentar a mosca. E hoje, ela vive zumbindo em nossos narizes de tanta ingratidão. Principalmente quado sai o sol.
O avô Ussumane, bocejou e levantando-se com dificuldade disse:
- Isso é tudo crianças! Que durmam bem!
-Boa noite, avô! responderam em coro.
E as crianças foram dormir com as cabeças cheias de imagens para sonhar.

Traduzido do espanhol para o português por Celeste Martinez


quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Fábula Africana: A tartaruga e o Leopardo

Na 203° edição do programa radiofônico ALACAZUM PALAVRAS PARA ENTRETER que foi ao ar no dia 09 de janeiro de 2011, transmissão pela Rádio Clube de Valença 650 Khz AM, apreciamos a fábula africana: A tartaruga e o Leopardo de Rogério Andrade Barbosa e ilustração de Ciça FIttipaldi, edição espanhol e traduzida para o português por Celeste Martinez.

Enquanto o avó Ussumane fumava seu cachimbo, as crianças falavam sobre o caçador que havia passado pela aldeia naquela manhã. O que mais lhe havia impressionado era a quantidade de amuletos que o caçador levava ao redor do corpo e sua espingarda.

- Quando cresça, serei caçador- disse Malafi.

- Para isso - interrompeu seu avó - precisa aprender muito- o caçador tem que conhecer entre muitas coisas, os hábitos dos animais e as horas que saem para comer e beber, além de saber construir armadilhas.

- Nos conte uma história sobre armadilhas para animais - pediram as crianças em coro. E Ussumane não tardou em alegra-los.

- Creio que a história da tartaruga vocês vão gostar. Preste atenção.

A tartaruga distraída como sempre, voltava para casa, observando e parando para colher flores silvestres. Acontece que era um pouco tarde e se não se apressasse, a noite iria cobrir com seu obscuro manto todo o bosque antes que ela chegasse a sua habitação.

De repente sentiu que o solo se abria inexplicavelmente. Havia caido em uma armadilha, um poço profundo coberto com folhas de palmeiras que os caçadores da aldeia haviam cavado no meio da mata.

Graças a sua couraça a tartaruga não se machucou. Mas como faria para escapar dali? Tinha que encontrar uma solução antes do amanhecer porque se não, ai! Iria parar nas mãos dos caçadores. Eles iriam come-la em sopa!

Estava pensando quando zas! Um leopardo esbelto e ágil caiu na mesma armadilha, bem em frente a ela, fina e lânguida. A tartaruga deu um salto e fingindo ter sido incomodada em sua casa com voz parecida a senhora inglesa, disse:

- Que fazes aqui? Isso são maneiras de entra em minha residência e sem ser convidado?
O leopardo olhava para ela atônito.

-Não sabes que me incomoda receber visitas a estas horas da noite? Saia daqui, desrespeitoso e mal educado!

A última palavra foi suficiente para que o leopardo não aguentasse e bufando de tanto atrevimento, agarrou a tartaruga e a arremessou para fora da armadilha com toda a sua força, exclamando:

- Saía você, velha enrugada!

Era exatamente isso que ela queria. A caminho de casa, satisfeita da vida, a tartaruga ria, porque havia se livrado do homem e do leopardo.