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terça-feira, 15 de julho de 2014

Soneto Futebolístico, de Glauco Mattoso


Na 359° edição do Alacazum Palavras Para Entreter, apresentação da escritora e locutora Celeste Martinez, que foi ao ar no dia 13 de julho de 2014, das 8 às 9 h, transmissão ao vivo 87,9 Rio Una FM, cujo tema: Final da Copa do Mundo 2014, tivemos como convidado, o artista visual argentino Horacio Martinez, em um bate papo descontraído a respeito de futebol. Na abertura do programa fizemos a leitura do texto: Soneto Futebolístico de Glauco Mattoso.



Soneto Futebolístico de Glauco Mattoso

Machismo é futebol e amor aos pés.
São machos adorando pés de machos,
e nesse mundo mágico me acho
em meio aos fãs de algum camisa dez.

Invejo os massagistas dos Pelés
nps lúdicos momentos de relaxo,
servindo-lhes de chanca e de capacho,
levando a língua ali, do chá no rés.

É lógico que um cego como eu
não pode convocar o titular
dum time brasileiro ou europeu.

Contento-me em chupar o polegar
do pé de quem ainda não venceu
sequer a mais local preliminar.

Do livro: Os cem melhores poemas brasileiros do século


domingo, 25 de maio de 2014

Confessional, de Glauco Mattoso

Na 352° edição do Alacazum Palavras para Entreter, apresentação da escritora e locutora Celeste Martinez e que foi ao ar no dia 25 de maio de 2014, das 8 às 9 h da manhã de domingo, transmissão ao vivo 87,9 Rio Una FM, cujo tema: Escritores e poetas que perderam a visão; apreciamos o poema:  Confessional, do poeta paulistano, Glauco Mattoso.


Confessional

Amar, amei. Não sei se fui amado,
pois declarei amor a quem odiara
e a quem amei jamais mostrei a cara
de medo de me ver posto de lado.

Ainda odeio quem me tem odiado:
devolvo agora aquilo que declara
mas quem amei mão volta, e a dor não sara
não sobra nem a crença do passado.

Palavra voa, escrito permanece,
garante o adágio vindo do latim.
escrito é que nem ódio, só envelhece.

se serve de consolo, seja assim:
amor nunca se esquece, é que nem parece
tomara, pois, que alguém reze por mim..


Pedro José Ferreira da Silva - Glauco Mattoso - nasceu no dia 29 de junho de 1951, em São Paulo. Perdeu a visão progressivamente devido ao glaucoma.
No ano de 2008 completou 2.300 sonetos de uma série iniciada no ano de 1999, superando a histórica marca do italiano Giuseppe Delli ( 1791 - 1863 ) que em 1849 teria composto seu soneto número 2.279. 

segunda-feira, 8 de setembro de 2008


Glauco Mattoso é poeta, ficcionista, ensaísta e articulista em diversas mídias. Pseudônimo de Pedro José Ferreira da Silva (paulistano de 1951), o nome artístico trocadilha com "glaucomatoso" (portador de glaucoma, doença congênita que lhe acarretou perda progressiva da visão, até acegueira total em 1995), além de aludir a Gregório de Matos, de quem é herdeiro na sátira política e na crítica de costumes.

Soneto 200 ao pé da letra

Mulheres são mulheres:
traduzindo,
são como as traduções:
se são fiéis não são belas;
se belas, infiéis;
E quanto ao tradutor, nenhum é lindo.
Algumas belas damas vivem rindo
apenas desempenham seus papéis.
Têm sempre um par de homens a seus pés,
mas cada um chupando um dedo mindo.
E os outros dedos, quem os vai chupar?
E a sola? Tão sedosa, quem lambeu?
E o peito? O tornozelo? O calcanhar?
De minha parte digo: não sou eu
não sou de belas damas desdenhar,
mas mais do que a Julieta, sou Romeo.
Glauco Mattoso