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domingo, 28 de fevereiro de 2016

Poema de Manoel de Barros


Na 435° edição do programa radiofônico Alacazum Palavras Para Entreter, apresentado pela escritora Celeste Martinez e que foi ao ar no dia 31 de janeiro de 2016, das 8 às 9 h de domingo, transmissão ao vivo Rio Una FM 87,9 apoio cultural: Colégio Social, Pizzaria Os Martinez e Jornal Valença, foi o retorno do Alacazum depois de 1 mês fora do ar. O tema escolhido foi a expressão do amor através da música. Foram selecionadas as músicas: Drão de Gilberto Gil; Tarde em Itapuã de Vinicius de Moraes; Último Desejo de Noel Rosa; Travessia do Eixão de Nicolas Behr, O barquinho de Ronaldo Bôscoli. A abertura foi o poema de Manoel de Barros.


Este é um caderno de haver frases nele.
Um rio passa perto.
Estou sentado no barranco do rio.
Emas noo pátio engolem cobras.
Uma formiga está de boca aberta para a tarde.
As quatro patas da formiga tentam abraçar o sol.
Na verdade, não sei se são as patas da formiga que tentam abraçar o sol
Ou se são minhas frases que desejam fazer esse trabalho
Agora uma brisa me garça.
E os arrebóis latejam.

Manoel de Barros do livro: Meu quintal é maior que o mundo


segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Manoel de Barros


Poema de Manoel de Barros sendo interpretado pela escritora Celeste Martinez

quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Na 430° edição do Alacazum Palavras Para Entreter

Na 430° edição do programa radiofônico Alacazum Palavras Para Entreter, apresentação da escritora Celeste Martinez e que foi ao ar no dia 22 de novembro de 2015 das 8 às 9 h de domingo, transmissão ao vivo Rio Una FM 87,9 cujo tema: Incêndios, apreciamos o poema de Manoel de Barros.


Carrego meus primórdios num andor.
Minha voz tem um vício de fontes.
Eu queria avançar para o começo.
Chegar ao criançamento das palavras.
Lá onde elas urinam na perna.
Antes mesmo que sejam modeladas pelas mãos.
Quando a criança garatuja o verbo para falar o que não tem,
Pegar no estame do som.
Ser a voz de um lagarto escurecido
Abrir um descortínio para o arcano.

Manoel de Barros - Meu quintal é maior do que o mundo- Antologias