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quinta-feira, 25 de junho de 2015

Na 407° edição do ALACAZUM PALAVRAS PARA ENTRETER


Na 407° edição do programa radiofônico ALACAZUM PALAVRAS PARA ENTRETER apresentado pela escritora Celeste Martinez, que foi ao ar no dia 14 de junho de 2014 das 8 às 9 h transmissão ao vivo 87,9. apreciamos a poesia de Patativa do Assaré.

Triste Partida

Setembro passou, com oitubro e novembro
Já tamo em dezembro.
Meu Deus, que é de nós?
Assim fala o pobre do seco Nordeste,
Com medo da peste,
Da fome feroz.

A treze de mês ele fez a experiença
Perdeu sua crença 
Nas pedra de sá.
Mas nôta experiença com gosto se agarra,
pensando na barra
Do alegre Naté.

Fragmentos da poesia: Triste Partida de Patativa do Assaré

domingo, 22 de janeiro de 2012

Na 251° edição do ALACAZUM PALAVRAS PARA ENTRETER

Na 251° edição do programa radiofônico ALACAZUM PALAVRAS PARA ENTRETER que foi ao ar no dia 15 de janeiro de 2012, das 8 às 9 da manhã de domingo, transmissão Rio Una FM 87,9 apreciamos na abertura do programa a poesia: Caboclo Roceiro de Patativa do Assaré.


Caboclo roseiro das plagas do norte,
Que vives sem sorte, sem terras e sem lar,
A tua desdita é tristonho que canto,
Se escuto o teu pranto, me ponho a chorar.

Ninguém te oferece um feliz lenitivo,
És rude, cativo, não tens liberdade,
A roça é teu mundo e também tua escola,
Teu braço é a mola que move a cidade.

De noite, tu vives na tua palhoça,
De dia, na roça, de enxada na mão,
Julgando que Deus é um pai vingativo,
Não vês o motivo da tua opressão.

Tu pensas, amigo, que a vida que levas,
De dores e trevas, debaixo da cruz
E as crises cortantes quais finas espadas,
São penas mandadas por Nosso Jesus.

Tu és nesta vida, um fiel penitente,
Um pobre inocente no banco do réu.
Caboclo não guardes contigo esta crença
A tua sentença não parte do céu.

O Mestre Divino, que é Sábio Profundo
Não fez, neste mundo, o teu fado infeliz
As tuas desgraças, com tuas desordens
Não nascem das ordens do Eterno Juiz.

A lua te afaga sem ter empecilho,
O sol o seu brilho jamais te negou,
Porém, os ingratos com ódio e com guerra
Tomaram-te a terra que Deus te entregou.

De noite, tu vives na tua palhoça
De dia na roça, de enxada na mão
Caboclo roceiro, sem lar, sem abrigo
Tu és meu amigo, tu és meu irmão.