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domingo, 31 de agosto de 2014

Na 365° edição do Alacazum Palavras Para Entreter

Na 365° edição do Alacazum Palavras Para Entreter, apresentação da escritora e locutora, Celeste Martinez e que foi ao ar no dia 24 de agosto de 2014, das 8 às 9 h  transmissão ao vivo 87,9 Rio Una FM, apreciamos a poesia: Impressionista de Adélia Prado, no livro: Bagagem.

Impressionista

Uma ocasião,
meu pai pintou a casa toda
de alaranjado brilhante.
Por muito tempo moramos numa casa,
como ele mesmo dizia,
constantemente amanhecendo.

Adélia Prado

domingo, 11 de março de 2012

Na 258° edição do ALACAZUM PALAVRAS PARA ENTRETER

Na 258° edição do programa radiofônico ALACAZUM PALAVRAS PARA ENTRETER que foi ao ar no dia 4 de março de 2012 das 8 ás 9 da manhã de domingo, transmissão Rio Una FM 87,9 apreciamos a poesia: Com licença poética de Adélia Prado.


Quando nasci um anjo esbelto,
desses que tocam trombeta, anunciou:
vai carregar bandeira.
Cargo muito pesado pra mulher,
esta espécie ainda envergonhada.
Aceito os subterfúgios que me cabem,
sem precisar mentir.
Não sou tão feia que não possa casar,
acho o Rio de Janeiro uma beleza e
ora sim, ora não, creio em parto sem dor.
Mas o que sinto escrevo. Cumpro a sina.
Inauguro linhagens, fundo reinos
- dor não é amargura.
Minha tristeza não tem pedigree,
já a minha vontade de alegria,
sua raiz vai ao meu mil avô.
Vai ser coxo na vida é maldição pra homem.
Mulher é desdobrável. Eu sou.

Adélia Prado

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Briga no beco, de Adélia Prado


Na 223° edição do programa radiofônico ALACAZUM PALAVRAS PARA ENTRETER que foi ao ar no dia 12 de junho de 2011, transmissão pela Rio Una FM 87,9 apreciamos a divina expressão do poema: Briga no beco de Adélia Prado.

Encontrei meu marido às três horas da tarde
com uma loura oxidada.
Tomavam guaraná e riam, os desavergonhados.
Ataquei-os por trás com mão e palavras
que nunca suspeitei conhecer.
Voaram três dentes e gritei, esmurrei-os e gritei,
gritei meu urro, a torrente de impropérios.
Ajuntou gente, escureceu o sol,
a poeira adensou como cortina.
Ele me pegava nos braços, nas pernas, na cintura, sem me reter, peixe-piranha, bicho pior, fêmea ofendida, uivava.
Gritei, gritei, gritei, até a cratera exauris-se,
Quando não pude mais fiquei rigida,
as mãos na garganta dele, nós dois petrificados,
eu sem tocar o chão. Quando abri os olhos,
as mulheres abriam alas, me tocando, me pedindo graças.
Desde então faço milagres.

Crédito da imagem: inspiracoesreunidas.blogspot.com