Mostrando postagens com marcador angola. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador angola. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Sobre AMÊSA sob AMÊSA soube AMÊSA

Celeste Martinez (ALACAZUM) Heloisa Jorge atriz angola que vive intensamente o espetáculo AMÊSA (dia 18 de outubro de 2009)

Após ter apreciado o espetáculo AMÊSA posto em cartaz nos dias 17 e 18 de outubro de 2009 ocorrido no Centro Cultural Olívia Barradas na cidade de Valença Bahia, Direção da jovem talentosa Suelma Costa e vivido divinamente pela atriz angola Heloisa Jorge, impossível não escrever algo sobre AMÊSA sob AMÊSA soube AMÊSA.

Compreender a mensagem cênica do espetáculo AMÊSA é antes de tudo se entregar ao sentir. Evidente que a prévia de conhecimentos históricos sobre Angola contribui para o engrandecimento da concepção em entender o que a personagem AMÊSA diz, contribui para abstrair a paisagem que as palavras de AMÊSA trazem a todo instante da África mais precisamente de Angola e os laços afetivos da personagem.


A principio um canto. Uma evocação. Iniciação. A iniciação para o que há de vir. E o que há de vir é cruel. É trágico. AMÊSA se prepara para o momento tão esperado e ao mesmo tempo tão adiado. Ela não deseja fugir. Não quer. É a iniciação. A mesma que passara quando por obrigação, fora forçada a memorizar sua descendência.

Eu sou AMÊSA! É o sinal para embarcar na viagem, aliás, é a frase para abrir o cenário da memória e retornar no tempo. As distorções de voz, as contorções do corpo, a iluminação, a música, são complementos da magia deste ato ou reconhecimento do lugar, único à AMÊSA. Só ela pode adentrar. Só ela pode reconhecer. E o som do atabaque é o veículo para vislumbrar o campo, o verde, que revigora a massa, que sustenta AMÊSA que vai à mesa. Mas também não o suficiente para aplacar todas as necessidades. A menina que ao se tornar mulher não compreende por que a fragilidade em se deixar levar pela sedução todavia não lhe traz mais prazer e sim dores e temores. Este é talvez o momento mais longo (no sentido das elucubrações do personagem ) No sentido do questionamento e também este é o momento de transição. O corpo contorce-se. Sai da mesa e toca o chão. Dá os primeiros passos apesar de trêmulos, incertos, porem inevitáveis. Não há outro caminho digo não há outra opção a não ser prosseguir embora este prosseguir seja a vereda sobre o mar sem salva-vidas sem ao menos saber nadar. AMÊSA caminha, não é o tempo de buscar nada. Não é a hora! Este é o momento de descobertas. E o desencanto é doloroso, longo. Como uma metamorfose. A performance do corpo de cabeça para baixo num 3X4 sobre a mesa mostra não o ser humano mas um ser mutante. O enquadramento do rosto de AMÊSA e suas lágrimas que correm para a terra e seus braços submissos, sua boca proferindo dores... É o perfeito estado da voluntariedade. Estado da permissividade. Tal fragilidade que um sopro, apenas um sopro e põem em risco a imagem de AMÊSA. AMÊSA se desintegra, flui como o éter, voa como uma pluma. Entretanto o estado latente do público por que afinal a platéia também é parte do espetáculo. Este público não interfere para a desmaterialização do personagem ao contrário há uma comunhão no respirar, no silêncio. Todos desejam presenciar o final. Todos desejam participar da vitória tão almejada. E AMÊSA como um lagarto, lentamente desfaz o corpo em posição contrária e ergue-se. Nota-se agora em seu rosto a contração dos músculos, nota-se crueldade em seus olhos. Não a crueldade do algoz ante seus semelhantes mais a crueldade da vida que insiste em prosseguir, resistir as tempestades. Ela agora transpira mais que antes. Ela agora levanta a cabeça em direção ao sol, frente a ele. Não uma postura de oferenda. Postura de consciência! E AMÊSA ergue os braços. Levanta-os! Analisa-os! Observa lentamente cada cicatriz em seus braços agora ornada em pintura ante os reflexos do sol. O sol de sua convicção. Os pulsos, agora cerrados, energizados com o sangue que pulsa em soluções, sangue que se revitaliza. Agora o corpo de AMÊSA não é o corpo da menina nem o corpo da adolescente. É o corpo da mulher. E esta mulher cansada, transpirada, deseja apenas sentir-se parte deste universo conscientemente parte de uma ação, de uma evolução.


A atriz Heloisa Jorge, fora do espaço sagrado do palco é uma jovem comum. Mas ao ingressar no recinto legado aos deuses e deusas ela se torna um plasma, um ícone da divindade. Ela se transporta aquela paisagem. Ela é AMÊSA! Canta, dança, contorce-se, destorce-se, alonga-se, recolhe-se, mutila-se, reconstroe-se, lástima-se, purifica-se.


A diretora Suelma Costa já demonstra neste inicio de trabalho a grandiosa ceara que nos brindará em futuras estações.


Vi o espetáculo por duas vezes seguidas. Se tivesse oportunidade apreciaria quantas vezes fosse necessário para vislumbrar mais o sentir. Mas este foi o tempo suficiente para que eu abstraísse a obra e registrasse a imagem de AMÊSA no espaço secreto de minhas gavetas.



Valença, 20 de outubro de 2009 Celeste Martinez - escritora e apresentadora do ALACAZUM PALAVRAS PARA ENTRETER


terça-feira, 20 de outubro de 2009

ALACAZUM prestigiou a Peça Teatral AMÊSA em companhia da poetiza Luiza Alves

Na noite 17 de outubro de 2009, exatamente às 20 horas a apresentadora do programa radiofônico ALACAZUM PALAVRAS PARA ENTRETER, a escritora Celeste Martinez, prestigiou o espetáculo teatral: AMÊSA em companhia da poetiza valençana Luiza Alves. Parabéns a diretora Suelma Costa e equipe mais ainda parabéns à atriz Heloisa Jorge pela divina atuação.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

DIAS 17 e 18 de outubro de 2009: Espetáculo teatral AMÊSA no Centro Cultural na cidade de Valença Bahia. EU VOU!

Nos dias 17 e 18 de outubro de 2009, às 20 horas, a cidade de Valença receberá o belíssimo espetáculo teatral: AMÊSA. O ALACAZUM IRÁ NO DIA 17 !


Dramaturgia angolana dirigida por Suelma Costa, “Amêsa” tem interpretação de Heloisa Jorge, atriz angolana radicada há 15 anos no Brasil. O espetáculo participou em março deste ano do Festival Internacional de Teatro de Curitiba; realizou em julho nove apresentações em Angola-Luanda, a convite do autor; e venceu os prêmios de Melhor Atriz, Melhor Texto e Melhor Iluminação no Festival Ipitanga de Teatro 2009.



“Amêsa”, ou a canção do desespero, é um texto de José Mena Abrantes, escritor angolano que viveu alguns anos da guerra pela independência de Angola e toda a guerra civil que se estabeleceu após. Por isso, é impossível pensar esse texto distinto da história de Angola, ou mesmo separá-lo da história do próprio autor.



No espetáculo, a personagem Amêsa conta sua história. Sua narrativa parte, entretanto, não dos fatos, mas das marcas que ficaram em seu corpo e em sua alma. Simbolicamente, Amêsa revela as marcas e lembranças de uma Angola que ainda grita e sente, na pele de seus filhos, a dor da guerra. A personagem embarca em um rio de lembranças e numa intensa busca pela sua própria identidade. Ao longo dessa procura, ela vai se deparando com as cicatrizes que ficaram tatuadas em sua pele, e também com a sua força, suas fraquezas e fantasias. Amêsa rasga suas próprias máscaras e se encara na sua condição humana e limitada.


A proposta de montar o espetáculo neste formato surgiu do diálogo existente entre o próprio texto, a história da atriz, que também é de Angola, e o desejo da diretora de partir do sensorial para o racional, o que numa linguagem teatral significaria: do dionisíaco para o apolíneo. O espetáculo traz na sonoplastia o cantor e compositor angolano Wiza.

Ficha técnica Direção e cenário: Suelma Costa
Interpretação: Heloisa Jorge
Texto: José Mena Abrantes
Concepção de Luz: Everton Machado
Preparador corporal, design gráfico e fotografia: Aldren Lincoln
Trilha Sonora: Wiza e Elisa Bunga
Figurino: Suelma Costa e Heloisa Jorge
Atabaque: Everton Machado
Maquiagem: Heloisa Jorge