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domingo, 9 de março de 2008

QUEM FOI JUDITE?

Na 71º edição do ALACAZUM PALAVRAS PARA ENTRETER fizemos a leitura do texto sobre a personagem bíblica Judite, uma colaboração do Pe. Almir Urbano, vigário da Paroquia do Sagrado Coração de Jesus, na cidade de Valença, Bahia, Brasil. O texto foi transcrito na integra.


JUDITE


Antes de mais nada, gostaria de deixar claro, que a personagem Judite é uma história fictícia que representa uma outra realidade além daquela que lemos no seu livro na Bíblia. Portanto, é uma obra de ficção.
Para entendermos a personificação dessa mulher conhecida por nome Judite é preciso conhecer algo do contexto histórico e geográfico presente nessa obra.
O livro começa dizendo que a história aconteceu no décimo segundo ano do reinado de Nabucodonosor, rei da Assíria, em Ninive. Ele se tornou também rei da Babilônia lugar onde o povo de Deus foi levado como escravo- Exílio.
Na Babilônia começa a história dessa grande mulher.
O nome Judite, significa "mulher Judia", representa todo povo Judeu oprimido e escravizado, representa também o protagonismo das mulheres e todos aqueles que lutam resistindo contra todo tipo de dominação. Representa toda pessoa corajosa, resistente e lutadora.

Entendamos:
O livro Judite conta a história da pequena nação Judaíca que num tempo de sofrimento, perseguição política, cultural e religiosa enfrenta o poderoso exército enviado pelo rei Nabucodonosor com a missão de que todo o povo Judeu prestasse culto a ele. Os Judeus considerados desobedientes ao rei que desejava ser cultuado como um deus ficam sitiados em uma cidade por nome Betúlio -"Casa de Deus" sem receber mantimentos e com água cortada. Diante disso, o povo se rende ao rei.

Nessa situação aparece Judite. Uma jovem viúva, bela, esperta, piedosa e dedicada, que vencerá o desalento do povo e o exército do rei. Ela reprova os chefes do povo, por sua falta de confiança em Deus. Recolhe-se em sua casa, num clima de penitência e oração. Depois se arruma toda e sai da sua casa acompanhada de duas empregadas. Ela entra no acampamento inimigo e faz-se conduzir perante ao militar do rei que a convida para banquetear-se com ele. Ela faz valer o seu poder de sedução e o conquista. Judite aceita o convite, mas evita comer das comidas servidas pelo militar e só se alimenta com a comida levada pelas empregadas delas. Ao ficar sozinha com o militar embriagado, ela pega da espada dele e, depois de uma oração suplicando que Deus lhe dê forças, corta-lhe a cabeça. Tomados de pânico, o exército todo foge de medo e o povo exalta a Judite e se dirige a Jerusalém para uma solene ação de graças.

A partir da atitude de Judite os judeus tomam consciência que Deus será sempre aliado daqueles que lutam para conquistar a liberdade e a vida.

No momento em que ninguém oferece uma alternativa, que já não tem mais esperança e que acreditava que Deus havia abandonado a eles, a mulher por nome Judite oferece algo novo, colocando em risco sua própria vida. Ela simboliza a fé, que não dispensa os meus políticos na luta para eliminar os mecanismos centrais de repressão. Alguém capaz de levantar a moral e o animo do povo em momentos de riscos e angustias. Ela demonstra que o inimigo é vencido pela fidelidade, confiança e obediência a Deus. Armadas dessas virtudes, os frageis vencerão os fortes.

Assim como Judite, encontramos na Bíblia outras mulheres defensoras da vida, como as parteiras do Egito, Débora, Jael e Ester e etc.

Pe. Almir Urbano, vigário da Paroquia do Sagrado Coração de Jesus, Valença, Bahia. Religioso da Congregação dos Missionários Seletinos. 05 anos de sacerdote.