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sábado, 3 de março de 2012

Na 257° edição do ALACAZUM PALAVRAS PARA ENTRETER

Na 257° edição do programa radiofônico ALACAZUM PALAVRAS PARA ENTRETER que foi ao ar no dia 26 de fevereiro de 2012 das 8 às 9 da manhã de domingo, transmissão Rio Una FM 87,9 apreciamos o belo poema de Konstantinos Kaváfis, intitulado: Ìtaca.


Ítaca

Se partires um dia rumo a Ítaca,
faze votos de que o caminho seja longo,
repleto de aventuras, repleto de saber.
Nem Lestrigões nem os Ciclopes
nem o colérico Posídeon te intimidem;
Eles no teu caminho jamais encontrarás
se altivo for teu pensamento, se sutil
emoção teu corpo e teu espírito tocar.
Nem Lestrigões nem os Ciclopes
nem o bravio Posídeon hás de ver,
se tu mesmo não os levares dentro da alma,
se tua alma não os puser diante de ti.

Faze votos de que o caminho seja longo.
Numerosas serão as manhãs de verão
nas quais, com que prazer, com que alegria,
tu hás de entrar pela primeira vez num porto
para correr às lojas dos fenícios
e belas mercancias adquirir
madrepérolas, corais, âmbares, ébanos
e perfumes sensuais de toda espécie,
quando houver, de aromas deleitosos.
A muitas cidades do Egito peregrina
para aprender, para aprender dos doutos.

Tem todo o tempo Ítaca na mente.
Estás predestinado a ali chegar.
Mas não apresses a viagem nunca.
Melhor muitos anos levares de jornada
e fundeares na ilha velho enfim,
rico de quanto ganhaste no caminho,
sem esperar riquezas que Ítaca te desse.
Uma bela viagem deu-te Ítaca
Sem ela não te ponhas a caminho.
Mais do que isso não lhe cumpre dar-te.
Ítaca não te iludiu, se a achas pobre.
Tu te tornaste sábio, um home de experiência,
e agora sabes o que significam Ítacas.


sexta-feira, 25 de março de 2011

Na 211° edição do ALACAZUM PALAVRAS PARA ENTRETER

Na 211° edição do programa radiofônico ALACAZUM PALAVRAS PARA ENTRETER que foi ao ar no dia 20 de março de 2011, transmissão pela Rio Una FM 87,9 apreciamos o belíssimo poema de Konstantivos Kaváfis (1863- 1933 ) não publicou nenhum livro em vida, à exceção de dois pequenos volumes de poemas com 16 e 24 folhas, respectivamente. Sua única obra é póstuma e reune os 154 pomes que ele reescreveru repetidas vezes enquanto viveu. De poesia moderna da Grécia (seleção, tradução do grego, préfacio, textos críticos e notas de José Paulo Paes) Ed. Guanabara, 1986.

Á ESPERA DOS BÁRBAROS



O que esperamos na ágora reunidos?

É que os bárbaros chegam hoje.

Por que tanta apatia no senado?
Os senadores não legislam mais?

É que os bárbaros chegam hoje.
Que leis hão de fazer os senadores?
Os bárbaros que chegam as farão.

Por que o imperador se ergueu tão cedo
e de coroa solene se assentou
em seu trono, à porta magna da cidade?

É que os bárbaros chegam hoje.

O nosso imperador conta saudar
o chefe deles. Tem pronto para dar-lhe
um pergaminho no qual estão escritos
muitos nomes e títulos.

Por que os diis cônsules e os pretores
usam togas de púrpura, bordadas,
e pulseiras com grandes ametistas
e anéis com tais brilhantes e esmeraldas?
Por que hoje empunham bastões tão preciosos
de ouro e prata finamente cravejados?

É que os bárbaros chegam hoje,
ais coisas os deslumbram.

Por que não vêm os dignos oradores
derramar o seu verbo como sempre?

É que os bárbaros chegam hoje
e aborrecem arengas, eloquências.

Por que subitamente esta inquietude?
(Que seriedade nas fisionomias")
Por que tão rápido as ruas se esvaziam
e todos voltam para casa preocupados?

´Por que é já noite, os bárbaros não vêm
e gente récem-chegada das fronteiras
diz que não há mais bárbaros.

Sem bárbaros o que será de nós?
Ah! eles eram uma solução.

Konstantinos Kaváfis (1863-1933)