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quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Jornal da Amargura de Sérgio Vaz

Na 254° edição do programa radiofônico ALACAZUM PALAVRAS PARA ENTRETER que foi ao ar no dia 5 de fevereiro de 2012 das 8 às 9 da manhã de domingo, transmissão Rio Una FM 87,9 desfrutamos da leitura de Sérgio Vaz.

Jornal da Amargura


Neste sábado pela manhã, a tropa de elite do mau humor, fortemente armada, conseguiu prender o poeta Augusto, 44, que estava sorrindo, sem autorização, deliberadamente em maus uma manhã terrivelmente ensolada.

Acusado de idiota, o poeta foi enquadrado na lei n° 777, denominada "Tristeza não tem fim" e imediatamente levado ao Departamento das Caras Amarradas, no Centro das Mágoas, em São Paulo.

O poeta Augusto tinha acabado de acordar e saiu para uma pequena caminhada, cheio de alegria, conforme testemunhas, e começou a sorrir parta todos que estavam em sentido contrário, literalmente. Aí foi abordado por uma viatura que fazia ronda no local.

Antes de fugir, trocou olhares sem maldades com a tropa do mau humor e saiu em disparada pela Rua Esperança. Depois da perseguição com disparos de insultos de grosso calibre (não por parte do poeta, que fique bem claro), ele foi preso em flagrante, ainda com duas ou três risadas que iria usar mais tarde.

Ao ser interrogado, Augusto não entregou quem lhe havia fornecido a alegria, e ainda revelou, de forma risonha e irônica, que ele era o dono da boca.

O mau humor confirmou sua prisão temporária por 30 dias, e que no final da tarde o poeta seria transferido para o presidio de solidão máxima, enquanto aguarda o julgamento.

O secretário-geral das mesquinharias, coronel José Bicudo Guerra, 98, informou em entrevista coletiva que o governo vai investir pesado na luta contra o bom humor, e que dentro de dois ou três anos, vai erradicar a alegria do país.

Da redação: Pessoinha da Cruz Pesada.


Sérgio Vaz é poeta e fundador da Cooperifa

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Na 250° edição do ALACAZUM PALAVRAS PARA ENTRETER

Na 250° edição do programa radiofônico ALACAZUM PALAVRAS PARA ENTRETER que foi ao ar no dia 8 de janeiro de 2012, das 8 às 9 da manhã de domingo, transmissão Rio Una FM 87,9 apreciamos a belíssima poesia de Sérgio Vaz, Oração de um vira-lata, retirado da revista CAROS AMIGOS, ano XV, N° 169, DE 2011.

ORAÇÃ DE UM VIRA-LATA

A música Wake un everybody (acordem pessoal) de John Legend e Roots ainda me faz acreditar no ser humano, no sonho de um mundo mais justo e melhor. Há dias eu a ouço, como um mantra, antes de sair pras batalhas das ruas, antres de enfrentar os leões que no espreitam nas dificuldades do cotidiano, nas vielas das incertezas e na cruz da mediocridade que nos assombra.
Esta música tem sido a minha biblia, meu alcorão e meu torá, isso, é claro, sem desrespeitar a religião de ninguém, digo porque há muito tempo não sou sintonizado em algo tão sagrado e honesto. Porque muitas vezes ter juizo, é a prova de que já se está no final.
Aliás, falando em religião, queria aproveitar pra dizer que sigo um Deus chamado "Amor" e é só pra ele que ajoelho, que rezo.
E este Deus que habita meu coração, só me ilumina quando amo outras pessoas, quando amo o que faço. E ele só se manifesta quando as mentiras que conto pra mim não afeta o coração de outras pessoas.
E que o Deus que mora em mim, não deixa que seja escravizado, nem que escravize, porque a palavra liberdade está contida em todos os versículos dos meus dias. Para recitá-la em forma poema, não em sermão de montanhas inacessíveis, mas no riso que aquece a poesia do povo que tem fé no amanhã.
O Deus todo poderoso chamado AMOR faz com que o sal de minha lágrimas transforme-se em calos nas mãos, para que nunca esqueça que nada cai do céu, e que minhas derrotas e vitórias também nascem dele, e que o medo de lutar é um inferno com mil areias movediças em que o covarde se atola.
O Amor que está em mim e você, não sabe o que faz, por isso muitas vezes é cruscificado, por isso não deve ser seguido. Quem ama erra.
Quem segue o Amor sabe que o milagre não está na vida, mas na coragem de viver.
Quem acredita no amor rencarna todos os dias no paraíso. Amém.

Sérgio Vaz é poeta e fundador da Cooperifa
poetavaz@ig.com.br

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Literatura, pão e poesia de Sérgio Vaz

Luan, Lucas e Vanessa

Na 234° edição do programa radiofônico ALACAZUM PALAVRAS PARA ENTRETER que foi ao ar no dia 28 de agosto de 2011, transmissão Rio Una FM 87,9 apreciamos a leitura do texto: Literatura, pão e poesia de Sérgio Vaz na interpretação de Vanessa Mendes Brito Licencianda em Matemática pelo Instituto Federal de Educação Ciência e Tecnologia da Bahia.

A literatura na perifeeria não tem descanso, a cada dia chega mais livros. A cada dia chega mais escritores, e, por consequência disso, mais leitores. Só os cegos não querem enxergar este movimento que cresce a olho nu, neste inicio de século. Só os surdos não querem ouvir o coração deste povo lindo e inteligente zabumbando de amor pela poesia. Só os mudos, sempre eles, não dizem nada. Esses, custam a acreditar.

Não quero nem falar dos saraus que estão acontecendo aos montes, pelas quebradas de São Paulo. Isto me tomaria muito tempo. Haja visto as dezenas de encontros literários, pipocando nas noites paulistanas. Cada qual do seu jeito, cada qual com seu tema, cada qual a sua maneira de cortejar as palavras.

Mas eu quero falar mesmo é da poesia que se espalhou feito um vírus no cérebro dos homens e mulheres da periferia. Pois é, essa mesma poesia que há tempos era tratada como uma dama pelos intelectuais, hoje vive se esfregando pelos cantos dos subúrbios à procura de novas emoções.

O tal poema, que desfilava pela academia, de terno e gravata, proferindo palavras de alto calão para platéias desanimadas, hoje, anda sem camisa, feito moleque pelos terreiros, comendo miudinho na mão da mulherada.

Vocês, por acaso, já ouviram falar do tal poema concreto? Pois é, os trabalhadores e desmpregados estão construindo bibliotecas com eles, nas favelas. E o lobo mau pode assoprar que não derruba. Apesar da pouca roupa que lhe deram está se sentindo todo importante com sua nova utilidade.

A periferia nunca esteve tão violenta, pelas manhãs é comum ver, nos ônibus, homens e mulheres segurando armas de até 400 páginas. Jovens traficando contos, adultos, romances. Os mais desesperados, cheirando crônicas sem parar. Outro dia um cara enrolou um soneto bem na frente da minha filha. Dei-lhe um acróstico bem forte na cara. Ficou com a rima quebrada por uma semana.

A criançada está muito louca de história infantil. Umas já estão tão viciadas, que, apesar de tudo e de todos, querem ir para as universidades. Viu, quem mandou esconder ela da gente, agora a gente quer tudo de vez!

Dizem por aí que alguns sábios não estão gostando nada de ver a palavra bonita beijando gente feia. Mas neste país de pele e osso, quem é o sábio? Quem é o feio? E olha que a gente nem queria o café da manhã, só um pedaço de pão. Que comam brioches!
Não, não é Alice no país da maravilha, mas também não é o inferno de Dante.
É só o milagre da poesia.


Sérgio Vaz é poeta e fundador da Cooperifa
poetavaz@ig.com.br

Retirado da revista Caros Amigos n° 173, ano XV