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terça-feira, 6 de maio de 2014

Na 348° edição do Alacazum palavras para entreter

Na 348° edição do Alacazum palavras para entreter apresentação da escritora e locutora Celeste Martinez, que foi ao ar no dia 27 de abril de 2014 das 8 às 9 h transmissão ao vivo 87,9 Rio Una FM , cujo tema: Transgênicos, fizemos a leitura do texto: O touro e o homem, contos tradicionais do Brasil para jovens de Luís da Câmara Cascudo. O livro foi uma conquista do edital lançado pelo MinC no ano de 2008 sobre os Pontos de Leitura no Brasil onde o Alacazum foi contemplado.

O touro e o homem

Um touro, que vivia nas montanhas, nunca tinha visto o homem. Mas sempre ouvia dizer por todos os animais que era ele o animal mais valente do mundo. Tanto ouviu dizer isso que, um dia, se resolveu a ir procurar o homem para saber se tal dito era verdadeiro. Saiu das brenhas e, ganhando uma estrada, seguiu por ela. Adiante encontrou um velho que caminhava apoiado a um bastão.
Dirigindo-se a ele perguntou-lhe:
- Você é o bicho homem?
-Não! Respondeu-lhe o velho. Já fui, mas não sou mais!
O touro seguiu e adiante encontrou uma velha:
- Você é o bicho homem?
- Não! Sou a mãe do bicho homem.
Adiante encontrou um menino:
-Você é o bicho homem?
- Não! Ainda hei de ser, sou o filho do bicho homem.
Adiante encontrou o bicho homem que vinha com um bacamarte no ombro.

- Você é o bicho homem?
-Está falando com ele!
- Estou cansado de ouvir dizer que o bicho homem é o mais valente do mundo, e vim procurá-lo para saber se é mais do que eu!
- Então, lá vai! - disse o homem, armando o bacamarte e disparando-lhe um tiro nas ventas.
O touro, desesperado de dor, meteu-se no mato e correu até sua casa onde passou muito tempo se tratando do ferimento.
Depois, estando ele numa reunião de animais, um lhe perguntou:
-Então, camarada touro, encontrou o bicho homem?
- Ah! meu amigo, só com um espirro que ele me deu na cara, olhe em que estado fiquei!


quinta-feira, 1 de setembro de 2011

O sapo com medo d´água, contos tradicionais do Brasil de Câmara Cascudo

Na 234° edição do programa radiofônico ALACAZUM PALAVRAS PARA ENTRETER que foi ao ar no dia 28 de agosto de 2011, transmissão Rio Una FM 87,9 apreciamos o conto: O sapo com medo d´água de Luis da Câmara Cascudo na interpretação de Lucas Mendonça de Souza , Licencaindo em Computação pelo Instituto Federal de Educação Ciência e Tecnologia da Bahia.

O sapo é esperto. Uma feita o homem agarrou o sapo e levou-o para os filhos brincar. Os meninos judiaram dele muito tempo e, quando se fartaram, resolveram matar o sapo. Como haviam de fazer?
- Vamos jogar o sapo nos espinhos!
- Espinho não fura meu couro - dizia o sapo.
- Vamos queimar o sapo!
-Eu no fogo estou em casa!
-Vamos sacudir ele nas pedras!
-Pedra não mata sapo!
-Vamos furar de faca!
-Faca não atravessa!
-Vamos botar o sapo dentro da lagoa!
Aí o sapo ficou triste e começou a pedir, com voz de choro:
-Me bote no fogo! Me bote no fogo! N´água eu me afogo! N´água eu me afogo!
-Vamos para a lagoa! gritaram os meninos.
Foram, pegaram o sapo por uma perna e t´xim bum, rebolaram lá no meio. O sapo mergulhou, veio em cima d´água, gritando, satisfeito:
- Eu sou bicho d´água" Eu sou bicho d´água!
Por isso quando vemos alguém recusar o que mais gosta, dizemos:
- É sapo com medo d´água....

Contado por Ana da Câmara Cascudo em Natal, Rio Grande do Norte.


quinta-feira, 7 de julho de 2011

O Caboclo e o Sol


Na 226° edição do programa radiofônico ALACAZUM PALAVRAS PARA ENTRETER que foi ao ar no dia 3 de julho de 2011, transmissão Rio Una FM 87,9 apreciamos o conto: O caboclo e o sol de Luis da Câmara Cascudo, retirado do livro: Contos tradicionais do brasil para jovens, livro que faz parte do KIT PONTOS DE LEITURA do ALACAZUM conquistado em edital de 2008 em I CONCURSO PONTOS DE LEITURA homenagem a MACHADO DE ASSIS do Governo Federal.

Um fazendeiro apostou com um caboclo tantos para quem em primeiro lugar visse, de manhã, o primeiro raio de sol nascente. Ambos foram de madrugada para o terreiro da fazenda. Estava escuro. O branco ficou de pé, olhando o nascente, à espera. O caboclo sentou-se numa pedra de costas para ele, olhando o poente. Intimamente, o fazendeiro ria da asneira do outro. De repente, o caboclo grita:
- Meu amo, o sol! O sol!
Espantado que o outro visse o sol nascer no poente, o fazendeiro volta-se e, com efeito, um brilho de luz clareava ao longe, vindo do nascente por sobre as nuvens amontoadas, os talhados de granito das serras. Era o primeiro raio do sol. O caboclo ganhou a aposta.

Registrado por Gustavo Barroso em Ao som da Vida, p. 415, Rio de Janeiro: 1921.