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sábado, 5 de outubro de 2013

Sonata, de João da Cruz e Sousa





 João da Cruz e Sousa 

Sonata

Do imenso Mar maravilhoso, amargos,
Marulhosos murmurem compungentes
Cânticos virgens de emoções latentes,
Do sol nos mornos, mórbidos letargos...

Canções, leves canções de gondoleiros,
Canções do Amor, nostálgicas baladas,
Cantai com o Mar, com as ondas esverdeadas,
De lânguidos e trêmulos nevoeiros!

Tritões marinhos, belos deuses rudes,
Divindades dos tártaros abismos,
Vibrai, com os verdes e acres electrismos
Das vagas, flautas e harpas e alaúdes!

Ó Mar supremo, de fragrância crua,
De pomposas e de ásperas realezas,
Cantai, cantai os tédios e as tristezas
Que erram nas frias solidões da Lua...






Seios de Cruz e Sousa


Na 320º edição do Alacazum palavras para entreter que foi ao ar no dia 29 de setembro de 2013, de 8 às 9 h da manhã de domingo, edição especialmente gravada e transmitida pela Rio Uma FM 87,9 , prestigiamos o poeta Cruz e Sousa, representante do Simbolismo no Brasil. 

Seios

Magnólias tropicais, frutos cheirosos
Das árvores do mal fascinadoras,
Das negras mancenilhas tentadoras,
Dos vagos narcotismos venenosos,

Óasis brancos e miraculosos
Das frementes volúpias pecadoras
Nas paragens fatais, aterradoras
Do tédio, nos desertos tenebrosos...

Seios de aroma embriagador e langue,
Da aurora de ouro do esplendor do sangue,
A alma de sensações tantalizando.

Ò seios virginais, tálamos vivos,
Onde do amor nos êxtases lascivos

Velhos faunos febris dormem sonhando....