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sábado, 5 de outubro de 2013

Olhos, de Cruz e Sousa


Na 320º edição do Alacazum palavras para entreter que foi ao ar no dia 29 de setembro de 2013, de 8 às 9 h da manhã de domingo, edição especialmente gravada e transmitida pela Rio Uma FM 87,9 , prestigiamos o poeta Cruz e Sousa, representante do Simbolismo no Brasil. Para este programa foram consultados os livros. Broquéis,  Faróis  e Antologia Poética de Cruz e Sousa.



Olhos

A Grécia d´Arte, a estranha claridade
Daquela Grécia de beleza e graça,
Passa, cantando, vai cantando e passa
Dos teus olhos na eterna castidade.

Toda a serena e altiva heroicidade
Que foi dos gregos a imortal couraça,
Aquele encanto e resplendor de raça
Constelada de antiga, majestade,

Da Atena flórea todo o viço louro
E as rosas e os mirtais e as pompas douro,
Odisséias e deuses e galeras...

Na sonolência de uma lua aziaga
Tudo em saudade nos teus olhos vaga,
Canta melancolias de outras eras!



Siderações de Cruz e Sousa


Quando no ano de 1896, teve que cuidar da esposa que enlouquecera ele não desistiu de escrever. Mesmo com o golpe da morte do pai no mesmo ano ele não desistiu da literatura. E quando faleceu no ano de 1898,  nos deixou a belíssima obra Faróis, onde estão guardadas os poemas que apreciamos na 320° do Alacazum palavras para entreter, especialmente gravado e transmitido pela Rio Una FM 87,9. 


Mesmo desfeitas as ilusões da fama, Cruz e Sousa persistia em sua arte. E os dilemas pessoais se somavam: em 1896, sua esposa enlouquece e é o poeta que cuida dela. No mesmo ano, morre o pai. Nos anos que se seguiam ate a sua morte – 1898, Cruz e Sousa, produziu o melhor de sua obra: Farois entregue a Nestor Vitor com o titulo definido e o conjunto dos poemas já organizados. Nos longos poemas e nos sonetos de Farois, Cruz e Sousa já abandonou o pendor parnasiano e seu simbolismo ganha feição muito particular. Permanecem as aliterações, as assonâncias, as sinestesias, as associações de imagens em encadeamentos livres, as repetições de palavras, os versos construídos apenas com advérbios ou adjetivos, os deslocamentos rítmicos criados pelos prolongamentos sintáticos de um verso ao verso seguinte, a recusa dos conteúdos referenciais.


Os poemas aqui declamados fazem parte do livro Farois.

Siderações

Para as estrelas de cristais gelados
As ânsias e os desejos vão subindo,
Galgando azuis e siderais noivados,
De nuvens brancas a amplidão vestindo

Num cortejo de cânticos alados
Os arcanjos, as cítaras ferindo,
Passam, das vestes nos troféus prateados,
As asas de ouro finamente abrindo...

Dos etéreos turíbulos de neve
Claro incenso aromal, límpido e leve,
Ondas nevoentas de visões levanta...

E as ânsias e os desejos infinitos
Vão com os arcanjos formulando ritos
De eternidade que nos astros canta....

Dica de Leitura: Broquéis e Faróis de Cruz e Sousa


Na 320º edição do Alacazum palavras para entreter que foi ao ar no dia 29 de setembro de 2013, de 8 às 9 h da manhã de domingo, edição especialmente gravada e transmitida pela Rio Uma FM 87,9 , prestigiamos o poeta Cruz e Sousa, representante do Simbolismo no Brasil. Para este programa foram consultados os livros. Broquéis,  Faróis  e Antologia Poética de Cruz e Sousa.

O livro Broquéis,  deu inicio concreto ao simbolismo no Brasil.  Os poemas de Broquéis foram compreendidos como palavras sem sentido ou imitação sem valor. Mas a critica não apenas recusou Broquéis, como também tornou a obra objeto de parodias, com a imitação das maiúsculas, das reticências, dos neologismos, dos advérbios, dos excessos de adjetivos e de imagens, que haviam se tornado a marca das técnicas poéticas de Cruz e Sousa.  

Fonte: Livro Broquéis e Faróis. 

Seios de Cruz e Sousa


Na 320º edição do Alacazum palavras para entreter que foi ao ar no dia 29 de setembro de 2013, de 8 às 9 h da manhã de domingo, edição especialmente gravada e transmitida pela Rio Uma FM 87,9 , prestigiamos o poeta Cruz e Sousa, representante do Simbolismo no Brasil. 

Seios

Magnólias tropicais, frutos cheirosos
Das árvores do mal fascinadoras,
Das negras mancenilhas tentadoras,
Dos vagos narcotismos venenosos,

Óasis brancos e miraculosos
Das frementes volúpias pecadoras
Nas paragens fatais, aterradoras
Do tédio, nos desertos tenebrosos...

Seios de aroma embriagador e langue,
Da aurora de ouro do esplendor do sangue,
A alma de sensações tantalizando.

Ò seios virginais, tálamos vivos,
Onde do amor nos êxtases lascivos

Velhos faunos febris dormem sonhando....

Inez de Cruz e Sousa

Na 320º edição do Alacazum palavras para entreter que foi ao ar no dia 29 de setembro de 2013,  edição especialmente gravada, prestigiamos o poeta Cruz e Sousa, representante do Simbolismo no Brasil. Complementando cada poema declamado pela apresentadora Celeste Martinez, escutou-se a poesia musicada Inez pelo Projeto Sinfonia Dormente.

Inez  

Tem teu nome a estranha graça
De uma galga verde, estranha.
Certo langor te adelgaça,
Certo encanto te acompanha.

És velada, quebradiça
Como teu nome é velado.
Certa flor curiosa viça
No teu corpo edenizado.

Chamam-te a Inez dos quebrantos,
A galga verde, a felina,
Amaranto de amaratos,
Das franzinas a franzina.

Teus olhos, langues aquários
Adormecidos de cisma,
Vivem mudos, solitários
Como uma treva que abisma.

Tua boca, vivo cravo
Sanguíneo, púrpuro, ardente,
De certa forma tem travo
Embora veladamente

És lírio de velho outono,
Meiga Inez, e de tal sorte
Que já vives no abandono,
Meio enevoada da morte.

Teu beijo, do rosmaninho
Tem o sainete amargoso...
Lembra a saudade de um vinho
Secreto, mas venenoso.

Por um mistério indizível
Não te é dado amar na terra.
Vem de longe o Indefinível.
Que os teus silêncios encerra!

Deus fechou-te a sete chaves
O coração lá no fundo...
Mas deu-te as asas de aves

Para irradiares no mundo.

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Luar de Lágrimas de Cruz e Sousa

Na 288° edição do programa radiofônico ALACAZUM PALAVRAS PARA ENTRETER que foi ao ar no dia 18 de novembro de 2012 das 8 às 9 da manhã de domingo, transmissão ao vivo Rio Una FM 87,9 apreciamos a poesia de Cruz e Sousa.

Luar de Lágrimas

Nos estrelados, límpidos caminhos
Dos céus que um luar criva de prata e de ouro,
Abrem-se róseos e cheirosos ninhos,
E há muitas messes do bom trigo louro.

Os astros cantam meigas cavatinas
E na frescura as almas claras gozam
Alvoradas eternas, cristalinas,
E os Dons supremos, divinais esposam.

Lá, a florescência dos Desejos
Tem sempre um novo e original perfume,
Tudo rejuvenesce dentre harpejos
E dentre palmas verde se resume.

As próprias mocidades e as infâncias
Das coisas tem um esplendor infindo
E as imortalidades e as distâncias
Estão sempre florindo e reflorindo.


quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Na 246° edição do ALACAZUM PALAVRAS PARA ENTRETER


Na 246° edição do programa radiofônico ALACAZUM PALAVRAS PARA ENTRETER que foi ao ar no dia 20 de novembro de 2011, das 8 às 9 da manhã de domingo, transmissão Rio Una FM 87,9 dando continuidade ao tema sobre Novembro Negro, apreciamos a poesia: Supremo desejo de Cruz e Sousa.

Supremo Desejo


Eternas, imortais origens vivas
Da luz, do Aroma, segredantes vozes
Do mar e luares de contemplativas,
Vagas visões volúpizas, velozes...

Aladas alegrias sugestivas
De asa radiante e branca de albornozes,
Tribos gloriosas, fúlgidas, altivas,
De condores e de águias e albatrozes.

Espiritualizai nos Astros louros,
Do sol entre os clarões imorredouros
Toda esta dor que na minh´alma clama...

Quero vê-la subir, ficar cantando
Na chama das Estrelas dardejando
Nas luminosas sensações da chama.

Cruz e Sousa

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Siderações de Cruz e Sousa

Celeste Martinez- idealizadora, produtora e apresentadora do programa radiofônico ALACAZUM PALAVRAS PARA ENTRETER - Reconhecido pelo Governo Federal como Ponto de Leitura no Brasil

Na 220° edição do programa
radiofônico ALACAZUM PALAVRAS PARA ENTRETER que foi ao ar no dia 22 de maio de 2011, transmissão pela Rio Una Fm 87,9 apreciamos o poema : Siderações de Cruz e Sousa.

Para as estrelas de cristais gelados
As ânsias e os desejos vão subindo
Galgando azuis e siderais noivados,

De nuvens a amplidão vestindo
Num cortejo de cânticos alados
Os arcanjos, as cítaras ferindo,

Passam, das vestes nos troféus prateados,
As asas de ouro finamente abrindo...
Dos etéreos turíbulos de neve

Claro incenso aromal, límpido e leve,
Ondas nevoentas de visões levanta...
E as ânsias e os desejos infinitos

Vão com os arcanjos formulando ritos
De eternidade que nos astro canta...

Siderações de Cruz e Sousa- Livro: Broquéis Faróis