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domingo, 5 de junho de 2011

Na 221° edição do ALACAZUM PALAVRAS PARA ENTRETER

Celeste Martinez declamando a poesia de Moacir Eduão Farias de Irecê-Bahia

Na 221° edição do programa radiofônico ALACAZUM PALAVRAS PARA ENTRETER que foi ao ar no dia 29 de maio de 2011, transmissão pela Rio Una FM 87,9 apreciamos a beleza da poesia do amigo Moacir Eduão Farias lá de Irecê Bahia.


PARTEIRA DE ESPINHOS, MÃE DE TEUS FILHOS

Salvo o sabor que a boca deduz,

a sedução é um tormento

aos póros úmidos.

A pele diz de si a seu amante.

A cor faz-se bela como é.

Do tempero, o reino que apimenta.

Suco vermelho de malagueta

no colo pulsante que atordoa...

Ah! E o perfume?

Rasga a penumbra,

enebria o crepúsculo,

faz a lua trêmula no espaço

como se reflete no mar.

E se cheira assim, que avance

rosa, crisálida, nasciso, margarida.

O jardineiro inquieto sorri,

meio abismado com a cena:

A flor lia Dostoiévski como

compunha uma lira.

A porta estandarte balançava

o lábaro e esperava Rainer Maria Rilke.

Pronto. A noite estava completa em Berlim,

fitada entre espinhos de quiabento,

filosofia de guris que com propriedades de um

Dom Quixote faziam moinhos de vento.

O sertão vai muito além dos retalhos,

das esteiras, do cangaço, do xique-xique.

Os sertanejos - filhos de parteiras - sabem partir pra bem perto:

Das mães parideiras para o mundo!




sábado, 4 de junho de 2011

Paletó de couro de Moacir Eduão Farias

Na 221° edição do programa radiofônico ALACAZUM PALAVRAS PARA ENTRETER que foi ao ar no dia 29 de maio de 2011, transmissão pela Rio Una FM 87,9 apreciamos o poema: Paletó de Couro do poeta Moacir Eduão Farias lá de Irecê Bahia.

Arre! Dê o teu aboio.
Na crina do teu cavalo,
na cristalina do olho.
...Arre! Risque a estrada.

Antes que espinho te crave
vista o gibão, na caatinga.
A chuva na trave não pinga,
mas escorre no rosto.

Arre, diacho!
Que sombra morna no lombo.
Do jumento, tenho dó.

Vergado, o umbuzeiro em cacho...
sopra vesgo, em bruto tombo,
sobra-lhe este paletó.