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quinta-feira, 21 de abril de 2016

Fábula de Esopo: O carvalho e o caniço

Celeste Martinez, interpretando a fábula: O carvalho e o caniço de Esopo no livro da Ruth Rocha

Na 439° edição do programa radiofônico Alacazum Palavras Para Entreter, apresentado pela escritora Celeste Martinez, que foi ao ar no dia 28 de fevereiro de 2016, das 8 às 9 h, transmissão ao vivo Rio Una FM 87,9 apoio cultural: Jornal Valença Agora, Colégio Social e Pizzaria Os Martinez. O tema versou sobre: O que há de errado com a minha cara? Baseado no projeto homônimo criado por produtores agrícolas franceses para promover a venda de frutas que não agradam visualmente o consumidor.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Fábula: O sabiá e o urubu de Monteiro Lobato

Celeste Martinez- apresentadora do programa radiofônico ALACAZUM PALAVRAS PARA ENTRETER lendo a fábula: O sabiá e o urubu de Monteiro Lobato. 214° edição do ALACAZUM.



Era à tardinha. Morria o sol no horizonte enquanto as sombras se alongavam na terra. Um sabiá cantava tão lindo que até as laranjeiras pareciam absortas à escuta.
Estorce-se de inveja o urubu e queixa-se.
-Mal abre o bico este passarinho e o mundo se enleva. Eu, entretanto, sou um espantalho de que todos fogem com repugnância... Se ele chega, tudo se alegra; se eu me aproximo, todos recuam... Ele, dizem, traz felicidade; eu, mau agouro... A natureza foi injusta e cruel para comigo. Mas está em mim corrigir a natureza; mato-o e desse modo me livro da raiva que seus gorjeios me provocam.
Pensando assim, aproximou-se do sabiá, que ao vê-lo armou as asas para a fuga.
-Não tenha medo, amigo! Venho para mais perto a fim de melhor gozar as delícias do canto. Julga que por ser urubu não dou valor á obras -primas da arte? Vamos lá, cante! Cante ao pé de mim, aquela melodia com que há pouco você extasiava a natureza.
O ingênuo saiá deu crédito àqueles mentirosos grasnos e permitiu que dele se aproximasse o traiçoeiro urubu. Mas este, logo que o pilhou ao alcance, deu-lhe tamanha bicada que o fez cair moribundo.
Arquejante, com os olhos já envidrados, geme o passarinho:
- Que mal fiz eu para merecer tanta ferocidade?
- Que mal fez? É boa! Cantou... Cantou divinamente bem, como nunca urubu nenhum há de cantar. Ter talento: eis o grande crime!

A inveja não admite o mérito

quarta-feira, 23 de março de 2011

Fábula: O carvalho e o Caniço

Na 211° edição do programa radiofônico ALACAZUM PALAVRAS PARA ENTRETER que foi ao ar no dia 20 de março de 2011, transmissão pela Rio Una FM 87,9 apreciamos aco readaptação da Ruth Rocha, 'O carvalho e o caniço".


O carvalho, que é sólido e imponente, nunca se curva com o vento.
Vendo que o caniço se inclinava todo quando o vento passava, o carvalho lhe disse:
-Não se curve, fique firme, como eu faço.
O caniço respondeu:
-Você é forte, pode ficar firme. Eu, que sou fraco, não consigo.
Veio então um pé-de-vento. O carvalho, que resistiu ao vento, foi arrancado com raízas e tudo. Já o caniço dobrou-se todo, não opôs resistência ao vento e ficou de pé.

sábado, 11 de setembro de 2010

A gralha enfeitada com penas de pavão

Na 187° edição do programa radiofônico ALACAZUM PALAVRAS PARA ENTRETER que foi ao ar no dia 05 de setembro de 2010, transmissão pela Rádio Clube de Valença 650 KHZ AM, apreciamos a seguinte fábula de Monteiro Lobato, retirado do livro: Sítio do Pica Pau Amarelo.


Como os pavões andassem em época de muda, uma gralha teve a ideia de aproveitar as penas caídas.
-Enfeito-me com ests penas e viro pavão!
Disse e fez. Ornamentou-se com as lindas penas de olhos azuis e saiu pavoneando por ali a fora, rumo ao terreiro das gralhas, na certeza de produzir um maravilhoso efeito.
Mas o trunfo lhe saiu às avessas. As gralhas perceberam o embuste, riram-se dela e enxotaram-na à força de bicadas.
Corria assim dali, dirigiu-se ao terreiro dos pavões pensando lá consigo:
-Fui tola. Desde que tenho penas de pavão, pavã sou e só entre pavões poderei viver.
Mau cálculo. No terreiro dos pavões coisa igual lhe aconteceu. Os pavões de verdade reconheceram o pavão de mentira e também a correram de lá sem dó.
E a pobre tola, bicada e esfolada, ficou sozinha no mundo. Deixou de ser gralha e não chegou a ser pavão, conseguindo apenas o ódio de umas e o desprezo de utros.

Amigos: lé com lé, cré com cré.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

O corvo e o Pavão


Na 187° edição do programa radiofônico ALACAZUM PALAVRAS PARA ENTRETER que foi ao ar no dia 05 de setembro de 2010, transmissão pela Rádio CLube de Valença 650 KHZ AM apreciamos a fábula: O corvo e o pavão de Monteiro Lobato retirado do livro Sitio do Pica Pau Amarelo.

O Corvo e o Pavão


O pavão, de roda aberta em forma de leque, dizia com desprezo ao corvo:
- Repare como sou belo! Que cauda, hein? Que cores, que maravilhosa plumagem! Sou das aves a mais formosa, a mais perfeita,não?
-Não há dúvida que você é o mais belo bicho- disse o corvo. Mas, perfeito? Alto lá!
- Quem quer criticar-me! Um bicho preto, capenga, desengraçado e, além disso, ave de mau agouro... Que falha você vê em mim, ó tição de penas?
O corvo respondeu:
-Noto que para abater o orgulho dos pavões a natureza lhes deu um par de patas que, faça-me o favor, envergonharia até a um pobre diabo como eu...
O pavão, que nunca tinha reparado nos próprios pés, abaixou-se e contemplou-os longamente. E desapontado, foi andando o seu caminho sem replicar coisa nenhuma.


Tinha razão o corvo: não há beleza sem senão.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Fãbulas de Monteiro Lobato: A rã sábia

Na 187° edição do programa radiofônico ALACAZUM PALAVRAS PARA ENTRETER que foi ao ar no dia 05 de setembro de 2010, transmissão pela Rádio Clube de Valença 650 KHZ AM em comemoração aos 4 anos do ALACAZUM PALAVRAS PARA ENTRETER, completos no dia 03 de setembro, homenageamos os ouvintes-leitores com as fábulas de Monteiro Lobato, retiradas do livro: Sítio do Pica Pau Amarelo.


A rã sábia


Como a onça estivesse para casar-se, os animais todos andavam aos pulos, radiantes, com olhos na festa prometida. Só uma velha rã sabidona torcia o nariz àquilo.
O marreco observou-lhe o trejeito e disse:
- Grande enjoada! Que cara feia é essa, quando todos nós pinoteamos alegres no antegozo do festão?
-Por um motivo muito simples- respondeu a rã. Porque nós, como vivemos quietas, a filosofar, sabemos muito da vida e enxergamos mais longe do que vocês. Responda-me a isto: se o sol se casasse e em vez de torrar o mundo sozinho o fizesse ajudado por dona sol e por mais vários sóis filhotes? Que aconteceria?
-Secavam-se todas as águas, está claro.
- Isto mesmo. Secavam-se as águas e nós, rãs e peixes, levaríamos a breca. Pois calamidade semelhante vai cair sobre vocês. Casa-se a onça, e já de começo será ela e mais o marido a perseguirem os animais. Depois aparecem as oncinhas- e os animais terão que aguentar com a fome de toda a família. Ora, se um só apetite já nos faz tanto mal, que será quando forem três, quatro e cinco?
O marreco refletiu e concordou:
-É isso mesmo...


Pior que um inimigo, dois; pior que dois, três

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Hora da Fábula: A cigarra e a Formiga de Ruth Rocha



Na 182° edição do programa radiofônico ALACAZUM PALAVRAS PARA ENTRETER que foi ao ar no dia 25 de julho de 2010, transmissão pela Rádio Clube de Valença 650 KHZ AM usufruimos da belíssima fábula: A cigarra e a formiga versão de Ruth Rocha.

A cigarra passou todo o verão cantando, enquanto a formiga juntava seus grãos.
Quando chegou o inverno, a cigarra veio à casa da formiga para pedir que lhe desse o que comer.
A formiga então perguntou a ela:
- E o que é que você fez durante todo o verão?
-Durante o verão eu cantei- disse a cigarra.
E a formiga respondeu:
- Muito bem, pois agora dance!

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Os dois pombinhos



Leitura feita na 126° edição do programa radiofônico ALACAZUM PALAVRAS PARA ENTRETER que foi ao ar no dia 3 de maio de 2009, transmissão pela Rádio Clube de Valença 650Khz AM.
Eram felizes. Queriam-se muito e contentavam-se com o que tinham. Mas um deles perdeu a cabeça e, farto de tanta paz, encasquetou na cabeça a idéia de correr mundo.

-Para quê?- advertiu o companheiro. Não é tão sossegado aqui este remanso?

-Quero ver terras novas, respirar novos ares.

-Não vá! Há mil perigos pelo caminho, incertezas, traições. Além disso, o tempo não é próprio. Época de temporais.

De nada valeram os bons avisos. O pombinho assanhado beijou o companheiro e partiu.

Nem de propósito, uma hora depois o céu se tolda, os ventos rugem. O imprudente viajante agüenta o temporal inteiro fora de abrigo, encolhido numa árvore seca. Sofre horrores; mas salva-se, e quando veio a bonança pôde continuar a viagem. Dirigiu-se a um lindo arrozal, pensando:

-Que vidão irei passar neste mimoso tapete de verdura!

Ai!... Nem bem pousou e já se sentiu preso num laço.

Uma hora de desespero, a debater-se...

Foi feliz ainda. O laço apodrecido pelas chuvas rompeu-se e o pombinho safou-se. E fugiu, exausto, com várias penas de menos e um fio de barbante aos pés, a lhe embaraçar o vôo.
Nisto um gavião surge que se precipita sobre ele com rapidez de flecha. O mísero pombinho, atarantado, mal tem tempo de abrigar-se no terreiro dum casebre de lavradores. Desse modo livrou-se do rapinante, mas não pôde livrar-se dum menino que de bodoque em punho correu para cima dele e espoleteou-o.

Corre que corre perereca que perereca, o mal-aventurado pombinho conseguiu ainda uma vez escapar, oculto num oco de pau.

E ali, curtindo as dores da asa quebrada, esperou pacientemente que o inimigo se fosse. Só então, com mil cautelas, pôde fugir para o ninho.

“Ao vê-lo chegar, arrastando a asa, depenado, moído de canseira, o companheiro beijou-o por entre lágrimas e disse:” Bem certo o ditado: “Boa romaria faz quem em casa fica em paz”

Fábula de Monteiro Lobato retirado do Livro: Sítio do PicaPau Amarelo