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sexta-feira, 8 de abril de 2016

Fragmentos do livro: Viagem ao céu de Monteiro Lobato



Na 437° edição do Alacazum Palavras para Entreter apresentado pela escritora Celeste Martinez no dia 14 de fevereiro de 2016, transmissão ao vivo 87,9 Rio Una FM o tema foi: Lua; apreciamos fragmentos da obra: Viagem ao céu de Monteiro Lobato.

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Dica de Leitura: Peter Pan de Monteiro Lobato



Na 313° edição do Alacazum palavras para entreter que foi ao ar no dia 11 de agosto de 2013, das 8 às 9 horas da manhã de domingo, transmissão ao vivo Rio Uma Fm  87,9 sugerimos como dica de leitura: Peter  Pan do Monteiro Lobato.

sábado, 15 de setembro de 2012

Na 279° edição do ALACAZUM PALAVRAS PARA ENTRETER

Na 279° edição do programa radiofônico ALACAZUM PALAVRAS PARA ENTRETER que foi ao ar no dia 2 de setembro de 2012 das 8 às 9 da manhã de domingo, transmissão ao vivo Rio Una FM 87,9 apreciamos como leitura de abertura do programa fragmentos do texto: A cartinha do Pequeno Polegar do Monteiro Lobato.

O Sítio de Dona Benta foi se tornando famoso tanto no mundo de verdade como no chamado Mundo de Mentira. O mundo de mentira, ou mundo da fábula, é como a gente grande costuma chamar a terra e as  coisas do País das Maravilhas, lá onde moram os anões e os gigantes, as fadas e os sacis, os piratas como o Capitão Gancho e os anjinhos como Flora das Alturas. Mas o Mundo da Fábula não é realmente nenhum mundo de mentira, pois o que existe na imaginação de milhões e milhões de crianças é tão real como as páginas deste livro. O que se dá é que as crianças logo que se transformam em gente grande fingem não mais acreditar no que acreditavam.

Fragmentos do livro: O Picapau Amarelo do Monteiro Lobato

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Dica de Leitura: Sítio do Pica-Pau-Amarelo

Na 276° edição do programa radiofônico ALACAZUM PALAVRAS PARA ENTRETER que foi ao ar no dia 29 de julho de 2012 das 8 às 9 da manhã de domingo, transmissão ao vivo Rio Una FM 87,9 oferecemos como dica de leitura: Sítio do Pica-Pau-Amarelo do Monteiro Lobato.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Na 215° edição do ALACAZUM PALAVRAS PARA ENTRETER

Na 215° edição do programa radiofônico ALACAZUM PALAVRAS PARA ENTRETER que foi ao ar no dia 17 de abril de 2011, transmissão pela Rio Una FM 87,9 apreciamos na abertura do programa a fábula: As aves de rapina e os pombos de Monteiro Lobato, retirado do livro: Sítio do Pica-Pau Amarelo.

As aves de rapina e os pombos


A guerra dos rapinantes - quando isto foi? Há séculos. Há mil anos. Mas foi guerra tão terrível que até hoje se fala nela.
Brigaram as aves de rapina - águias, abutres, gaviões, milhafres, por causa de um veadinho novo. E separaram-se em campos contrários, rompidos em guerra franca. Durante meses o azul do céu virou arena de luta. Ora duelos singulares; ora ataques de um bandido contra outro; ora um grupo que agredia um inimigo escoteiro.
E adeus, paz do azul! Volta e meia era um corpo que caía, espedaçado a unhaços; ou penas que desciam em aspirais, ou gotas de sangue a pingar.
As aves pacíficas da terra, assustadas com aqueles horrores, deliberam intervir. E escolheram como mensageiro a pomba.
-Vá você que é sinaleira da paz, e reduza à razão aqueles loucos furiosos.
A pombinha foi conferenciar com os chefes, e com tanta eloquência falou que eles a ouviram e assinaram um tratado, comprometendo-se a nunca mais se devorarem uns aos outros.
Mas o que depois disso sucedeu degenerou em calamidade para os apaziguadores. Harmonizados entre si, os rapinantes pouparam-se uns aos outros, mas deram de empregar toda a força dos bicos e todo o fio das unhas contra as pobres pombas. E foi uma chacina sem tréguas que dura até hoje e durará eternamente.
E as pombinhas entraram a murmurar, num queixume triste:
-Que tolice a nossa de restabelecer a harmonia entre os rapinantes! A boa política mandava fazer justamente o contrário- dividi-los ainda mais....

terça-feira, 19 de abril de 2011

Fábula: A garça velha de Monteiro Lobato

Na 215° edição do programa radiofônico ALACAZUM PALAVRAS PARA ENTRETER que foi ao ar no dia 17 de abril de 2011, transmissão pela Rio Una FM 87,9 apreciamos a fábula: a garça velha de Monteiro Lobato retirado do livro : Sítio do Pica Pau Amarelo.

A garça velha


Certa garça nascera, crescera e sempre vivera á margem duma lagoa de águas turvas, muito rica em peixe. Mas o tempo corria e ela envelhecia. Seus músculos cada vez mais emperrados, os olhos cansados - com que dificuldade ela pescava!
- Estou mal de sorte, e se não topo com um bom viveiro de peixes em águas bem límpidas, certamente que morrerei de fome. Já se foi o tempo feliz em que meus olhos penetrantes zombavam ddo turvo desta lagoa...
E de pé bum pé nsó, o longo bico pendurado, pôs-se a matutar naquilo até que lhe ocorreu uma ideia.
- Caranguejo, venha cá- disse ela a um caranguejo que tomava sol à porta do seu barraco.
-Às ordens.Que deseja?
- Avisar a você duma coisa muito séria. A nossa lagoa está condenada. O dono das terras anda a convidar os vizinhos para assistirem ao seu esvaziamento e o ajudarem a panhar a peixaria toda. Veja que desgraça! Não vai escapar nem um miserável guaru.
O caranguejo arrepiou-se com a má notícia. Entrou na água e foi contá-la aos peixes.
Grandes rebuliço. Graúdos e pequeninos, todos começaram a pererecar às tontas sem saberem como agir. E vieram para a beira dágua.
- Senhora dona do bico longo, dê-nos um conselho, por favor, que nos livre da grande calamidade.
- Um conselho? e a matreira fingiu refletir. Depois respondeu. Só vejo um caminho. É mudarem-se todos para o poço da Pedra Branca.
-Mudar-se como, se não há ligação entre a lagoa e o poço?
- Isso é o de menos. Cá estou eu para resolver a dificuldade. Transporto a peixaria inteira no meu bico.
Não havendo outro remédio, aceitaram os peixes aquele alvitre - e a garça os mudou a todos para o tal poço, que era um tanque de pedra, pequenino, de águas sempre límpidas e onde ela sossegadamente poderia pescá-los até o fim da vida.


Ninguém acredite em conselho de inimigo.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

18 de abril, Dia Nacional da Literatura Infantil!

O dia 18 de abril foi instituido o Dia Nacional da Literatura Infantil em homenagem a Monteiro Lobato.

domingo, 17 de abril de 2011

Na 214° edição do ALACAZUM PALAVRAS PARA ENTRETER

Na 214° edição do programa radiofônico ALACAZUM PALAVRAS PARA ENTRETER que foi ao ar no dia 10 de abril de 2011, transmissão pela Rio Una FM 87,9 apreciamos na abertura do progrma a fábula: A onça doente do Monteiro Lobato, retirado do livro: Sítio do Pica Pau Amarelo.

A onça doente

A onça caiu da árvore e por muitos dias esteve de cama seriamente enferma. E como não pudesse caçar, padecia fome das negras. Em tais apuros imaginou um plano.
- Comadre irara - disse ela- corra o mundo e diga à bicharada que estou a morte e exijo que venham visitar-me.
A irara partiu, deu o recado e os animais, um a um, principiaram a visitar a onça.
Vem o veado, vem a capivara, vem a cotia, vem o porco do mato.
Veio também o jabuti.
Mas o finório jabuti, antes de penetrar na toca, teve a lembrança de olhar para o chão. Viu na poeira, só rastors ENTRANTES, não viu, nenhum rasto SAINTE. E desconfiou.
- Hum... Parece que nesta casa, quem entra não sai. O melhor, em vez de visitar a nossa querida onça doente, é ir rezar por ela.
E foi o único que se salvou.

Fábula: A onça doente de Monteiro Lobato

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Mais Fábulas de Monteiro Lobato


Na 214° edição do programa radiofônico ALACAZUM PALAVRAS PARA ENTRETER que foi ao ar no dia 10 de abril de 2011, transmissão pela Rio Una FM 87,9 apreciamos mais uma fábula de Monteiro Lobato, retirado do livro: Sítio do Pica Pau Amarelo.


O leão e o ratinho


Ao sair do buraco viu-se um ratinho entre as patas do leão. Estacou, de pêlos em pé, paralisado pelo terror. O leão, porém, não lhe fez mal nenhum.
-Segue em paz, ratinho; não tenhas medo de teu rei.
Dias depois o leão caiu numa rede. Urrou desesperadamente, debateu-se, mas quanto mais se agitava mais preso no laço ficava.
Atraído pelos urros, apareceu o ratinho.
-Amor com amor se paga - disse ele la consigo e pôs-se a roer as cordas. Num instante conseguiu romper uma das malhas. E como a rede era das tais que rompida a primeira malha as outras se afrouxam, pôde o leão deslindar-se e fugir.


Mais vale paciência pequenina do que arrancos de leão.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Fábula: O sabiá e o urubu de Monteiro Lobato

Celeste Martinez- apresentadora do programa radiofônico ALACAZUM PALAVRAS PARA ENTRETER lendo a fábula: O sabiá e o urubu de Monteiro Lobato. 214° edição do ALACAZUM.



Era à tardinha. Morria o sol no horizonte enquanto as sombras se alongavam na terra. Um sabiá cantava tão lindo que até as laranjeiras pareciam absortas à escuta.
Estorce-se de inveja o urubu e queixa-se.
-Mal abre o bico este passarinho e o mundo se enleva. Eu, entretanto, sou um espantalho de que todos fogem com repugnância... Se ele chega, tudo se alegra; se eu me aproximo, todos recuam... Ele, dizem, traz felicidade; eu, mau agouro... A natureza foi injusta e cruel para comigo. Mas está em mim corrigir a natureza; mato-o e desse modo me livro da raiva que seus gorjeios me provocam.
Pensando assim, aproximou-se do sabiá, que ao vê-lo armou as asas para a fuga.
-Não tenha medo, amigo! Venho para mais perto a fim de melhor gozar as delícias do canto. Julga que por ser urubu não dou valor á obras -primas da arte? Vamos lá, cante! Cante ao pé de mim, aquela melodia com que há pouco você extasiava a natureza.
O ingênuo saiá deu crédito àqueles mentirosos grasnos e permitiu que dele se aproximasse o traiçoeiro urubu. Mas este, logo que o pilhou ao alcance, deu-lhe tamanha bicada que o fez cair moribundo.
Arquejante, com os olhos já envidrados, geme o passarinho:
- Que mal fiz eu para merecer tanta ferocidade?
- Que mal fez? É boa! Cantou... Cantou divinamente bem, como nunca urubu nenhum há de cantar. Ter talento: eis o grande crime!

A inveja não admite o mérito

sábado, 11 de setembro de 2010

A gralha enfeitada com penas de pavão

Na 187° edição do programa radiofônico ALACAZUM PALAVRAS PARA ENTRETER que foi ao ar no dia 05 de setembro de 2010, transmissão pela Rádio Clube de Valença 650 KHZ AM, apreciamos a seguinte fábula de Monteiro Lobato, retirado do livro: Sítio do Pica Pau Amarelo.


Como os pavões andassem em época de muda, uma gralha teve a ideia de aproveitar as penas caídas.
-Enfeito-me com ests penas e viro pavão!
Disse e fez. Ornamentou-se com as lindas penas de olhos azuis e saiu pavoneando por ali a fora, rumo ao terreiro das gralhas, na certeza de produzir um maravilhoso efeito.
Mas o trunfo lhe saiu às avessas. As gralhas perceberam o embuste, riram-se dela e enxotaram-na à força de bicadas.
Corria assim dali, dirigiu-se ao terreiro dos pavões pensando lá consigo:
-Fui tola. Desde que tenho penas de pavão, pavã sou e só entre pavões poderei viver.
Mau cálculo. No terreiro dos pavões coisa igual lhe aconteceu. Os pavões de verdade reconheceram o pavão de mentira e também a correram de lá sem dó.
E a pobre tola, bicada e esfolada, ficou sozinha no mundo. Deixou de ser gralha e não chegou a ser pavão, conseguindo apenas o ódio de umas e o desprezo de utros.

Amigos: lé com lé, cré com cré.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

O corvo e o Pavão


Na 187° edição do programa radiofônico ALACAZUM PALAVRAS PARA ENTRETER que foi ao ar no dia 05 de setembro de 2010, transmissão pela Rádio CLube de Valença 650 KHZ AM apreciamos a fábula: O corvo e o pavão de Monteiro Lobato retirado do livro Sitio do Pica Pau Amarelo.

O Corvo e o Pavão


O pavão, de roda aberta em forma de leque, dizia com desprezo ao corvo:
- Repare como sou belo! Que cauda, hein? Que cores, que maravilhosa plumagem! Sou das aves a mais formosa, a mais perfeita,não?
-Não há dúvida que você é o mais belo bicho- disse o corvo. Mas, perfeito? Alto lá!
- Quem quer criticar-me! Um bicho preto, capenga, desengraçado e, além disso, ave de mau agouro... Que falha você vê em mim, ó tição de penas?
O corvo respondeu:
-Noto que para abater o orgulho dos pavões a natureza lhes deu um par de patas que, faça-me o favor, envergonharia até a um pobre diabo como eu...
O pavão, que nunca tinha reparado nos próprios pés, abaixou-se e contemplou-os longamente. E desapontado, foi andando o seu caminho sem replicar coisa nenhuma.


Tinha razão o corvo: não há beleza sem senão.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Fãbulas de Monteiro Lobato: A rã sábia

Na 187° edição do programa radiofônico ALACAZUM PALAVRAS PARA ENTRETER que foi ao ar no dia 05 de setembro de 2010, transmissão pela Rádio Clube de Valença 650 KHZ AM em comemoração aos 4 anos do ALACAZUM PALAVRAS PARA ENTRETER, completos no dia 03 de setembro, homenageamos os ouvintes-leitores com as fábulas de Monteiro Lobato, retiradas do livro: Sítio do Pica Pau Amarelo.


A rã sábia


Como a onça estivesse para casar-se, os animais todos andavam aos pulos, radiantes, com olhos na festa prometida. Só uma velha rã sabidona torcia o nariz àquilo.
O marreco observou-lhe o trejeito e disse:
- Grande enjoada! Que cara feia é essa, quando todos nós pinoteamos alegres no antegozo do festão?
-Por um motivo muito simples- respondeu a rã. Porque nós, como vivemos quietas, a filosofar, sabemos muito da vida e enxergamos mais longe do que vocês. Responda-me a isto: se o sol se casasse e em vez de torrar o mundo sozinho o fizesse ajudado por dona sol e por mais vários sóis filhotes? Que aconteceria?
-Secavam-se todas as águas, está claro.
- Isto mesmo. Secavam-se as águas e nós, rãs e peixes, levaríamos a breca. Pois calamidade semelhante vai cair sobre vocês. Casa-se a onça, e já de começo será ela e mais o marido a perseguirem os animais. Depois aparecem as oncinhas- e os animais terão que aguentar com a fome de toda a família. Ora, se um só apetite já nos faz tanto mal, que será quando forem três, quatro e cinco?
O marreco refletiu e concordou:
-É isso mesmo...


Pior que um inimigo, dois; pior que dois, três

sexta-feira, 18 de junho de 2010

DICA DE LEITURA: URUPÊS DE MONTEIRO LOBATO



Na 179° edição do programa radiofônico ALACAZUM PALAVRAS PARA ENTRETER que foi ao ar no dia 13 de junho de 2010, transmissão pela Rádio CLube de Valença 650 KHZ AM oferecemos como dica de leitura o livro: Urupês de Monteiro Lobato.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Viagem ao céu

Texto: “Viagem ao céu” de Monteiro Lobato, lido na 132° edição do programa radiofônico ALACAZUM PALAVRAS PARA ENTRETER que foi ao ar no dia 14 de junho de 2009, transmissão pela Rádio Clube de Valença 650 Khz AM.
A negra sentiu um calafrio. Se a maioria tinha decidido que estavam na Lua, então estavam mesmo na Lua. E isso de estar na Lua parecia-lhe um enorme perigo. A única coisa que tia Nastácia sabia da Lua era que lá morava São Jorge a cavalo, sempre ocupado em espetar na sua lança o dragão. Com São Jorge, que era um santo, ela poderia arranjar-se. Mas que fazer com o dragão? E a pobre negra pôs-se a tremer.
- Meu Deus! Suspirou ela.- Tudo é possível neste mundo...
- Como sabe? – perguntou Emília espevitadamente. – Se você nunca esteve neste mundo, como sabe que nele tudo é possível?
- Quando eu digo este mundo, falo do meu mundo, do mundo onde nasci e sempre morei- explicou a preta.
- Bom. Se você se refere ao mundo em que nasceu e sempre morou, deve dizer naquele mundo, porque este mundo é a lua, e neste mundo da lua não sabemos se tudo é possível.
Enquanto Emília argumentava com a preta, Pedrinho afastou-se para examinar a paisagem. Sim, tudo exatamente como Dona Benta dissera. Aparentemente, nada de água e, portanto, nada de vegetação e vida animal como na Terra. Sem água não há vida. Todas as vidas são filhas da água. E o número de crateras não tinha fim.
Pedrinho ia levando o burro pelo cabresto e com ele trocava impressões.
- Se não há água neste astro, então também não há capim –dizia o pobre animal. – Não haver capim!... Que absurdo! O capim é o maior encanto da natureza. É uma coisa que me comove mais que um poema.
- E qual é a sua opinião, burro, sobre a formação da Lua? Há várias hipóteses.
- Sim. Uns sábios acham que a Lua foi um pedaço da Terra que se desprendeu no tempo em que a terra ainda estava incandescente. Outros acham que o planeta Saturno foi vítima duma tremenda explosão causada pelo choque dum astro errante. Fragmentos de Saturno ficaram soltos no céu, atraídos por este ou aquele astro. Um dos fragmentos foi atraído pela Terra e ficou a girar em seu redor.
- E sabe que tamanho tem a Lua?
- O volume da Lua é 49 vezes menor que o da Terra. A superfície é 13 vezes menor. A superfície da Lua é de 38 milhões de quilômetros quadrados.- mais que a superfícies da Rússia, dos Estados Unidos e do Brasil somadas.
Pedrinho admirou-se da ciência do burro. Não havia lido astronomia nenhuma e estava mais afiado que ele, que era um Flammarionzinho... Mas não querendo ficar atrás, disse:
-Pois eu também sei uma coisa da Lua que quer ver se é certa. O peso de tudo aqui é mais de seis vezes menor que lá na Terra. Um quilo lá na Terra pesa aqui 154 gramas. Eu, por exemplo, que lá em casa peso 46 quilos, aqui devo pesar 7 quilos! É pena não termos uma balança para verificar isso.
-Há um jeito- lembrou o burro.- Dê um pulo e veja se pula seis vezes mais longe que lá no sítio.
Pedrinho achou excelente a idéia. Os melhores pulos que ele havia dado no sítio foram: pulo de altura, 1 metro e 20; e de distância, 5 metros. Se ali na Lua ele pulasse 6 vezes e pouco mais longe que no sítio, então estavam certos os cálculos dos astrônomos.
Pedrinho amarrou o burro numa ponta de pedra, marcou um lugar no chão, deu uma carreira e pulou – e foi parar exatamente a 33 metros de distância, mais de 6 vezes o seu pulo recorde lá no sítio! E no pulo de altura alcançou mais de 8 metros. Um assombro!
Depois de feitas as medições, Pedrinho ficou radiante.
- É verdade, sim! – gritou ele- Aqui na Lua eu pulo melhor que qualquer gafanhoto da Terra. – e começou a brincar de pular. Deu vinte pulos de altura; e depois em cinco pulos chegou ao ponto onde estavam os outros – uma distância total de 165 metros.
- Que é isso, Pedrinho?- exclamou a menina. – Virou pulga?
-Aqui toda gente vira pulga- respondeu ele.- Experimente pular. Veja que gostosura.
Narizinho pulou e viu que estava levíssima. Emília também pulou como um grilo. E ainda estavam entretidos naquele pula-pula, quando tia Nastácia apareceu, muito aflita, com a pacuera batendo.
- Um bufo!- exclamou a pobre preta, toda sem fôlego.- Ouvi um bufo! Há de ser do dragão...
Pedrinho riu-se.
-Dragão nada, boba. Isso de dragão é lenda. Como poderia um dragão vir da Terra até aqui, se na Terra não há dragões? Tudo é fábula. E se acaso pudesse um dragão vir da Terra até aqui, como viver num astro que não tem água nem vegetação? Isso de dragão na Lua não passa de caraminhola de negra velha....
Apesar dessas palavras, novo bufo soou. Todos voltaram-se na direção do som e com o maior dos assombros viram sair de dentro duma das crateras a monstruosa cabeça do dragão de São Jorge.

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Os dois pombinhos



Leitura feita na 126° edição do programa radiofônico ALACAZUM PALAVRAS PARA ENTRETER que foi ao ar no dia 3 de maio de 2009, transmissão pela Rádio Clube de Valença 650Khz AM.
Eram felizes. Queriam-se muito e contentavam-se com o que tinham. Mas um deles perdeu a cabeça e, farto de tanta paz, encasquetou na cabeça a idéia de correr mundo.

-Para quê?- advertiu o companheiro. Não é tão sossegado aqui este remanso?

-Quero ver terras novas, respirar novos ares.

-Não vá! Há mil perigos pelo caminho, incertezas, traições. Além disso, o tempo não é próprio. Época de temporais.

De nada valeram os bons avisos. O pombinho assanhado beijou o companheiro e partiu.

Nem de propósito, uma hora depois o céu se tolda, os ventos rugem. O imprudente viajante agüenta o temporal inteiro fora de abrigo, encolhido numa árvore seca. Sofre horrores; mas salva-se, e quando veio a bonança pôde continuar a viagem. Dirigiu-se a um lindo arrozal, pensando:

-Que vidão irei passar neste mimoso tapete de verdura!

Ai!... Nem bem pousou e já se sentiu preso num laço.

Uma hora de desespero, a debater-se...

Foi feliz ainda. O laço apodrecido pelas chuvas rompeu-se e o pombinho safou-se. E fugiu, exausto, com várias penas de menos e um fio de barbante aos pés, a lhe embaraçar o vôo.
Nisto um gavião surge que se precipita sobre ele com rapidez de flecha. O mísero pombinho, atarantado, mal tem tempo de abrigar-se no terreiro dum casebre de lavradores. Desse modo livrou-se do rapinante, mas não pôde livrar-se dum menino que de bodoque em punho correu para cima dele e espoleteou-o.

Corre que corre perereca que perereca, o mal-aventurado pombinho conseguiu ainda uma vez escapar, oculto num oco de pau.

E ali, curtindo as dores da asa quebrada, esperou pacientemente que o inimigo se fosse. Só então, com mil cautelas, pôde fugir para o ninho.

“Ao vê-lo chegar, arrastando a asa, depenado, moído de canseira, o companheiro beijou-o por entre lágrimas e disse:” Bem certo o ditado: “Boa romaria faz quem em casa fica em paz”

Fábula de Monteiro Lobato retirado do Livro: Sítio do PicaPau Amarelo