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quarta-feira, 20 de maio de 2015

Só mesmo trepando em árvores de Rolando Boldrin


Na 401° edição do programa radiofônico Alacazum palavras para entreter, conduzido pela escritora Celeste Martinez, que foi ao ar no dia 3 de maio de 2015, das 8 às 9 h, transmissão ao vivo Rio Una FM 87,9, apreciamos o texto:Só mesmo trepando em árvores de Rolando Boldrin.

Só mesmo trepando em árvores

Esse é um causo muito antigo. Muito antigo, mas muito bom. Pois, como sempre, envolve a sagacidade do caipira que eu tanto gosto de contar.

Aconteceu na época da revolução dos mineiros e paulistas, que a gente não gosta de lembrar, porque irmão brigar com irmão é coisa muito feia. Onda já se viu? Mas naquele tempo, eles brigaram feio.

Pois bem. Vinha por uma estrada o nosso personagem. Um caipira que não queria nada com essa briga que eu falei. E ele era paulista. Estava, portanto, em território dele. Eis que surge um punhado de guerrilheiros, que o nosso caipira pensou ser de procedência paulista. Engano! Era uma turma de mineiros à procura de paulista pra móde descer, como lá diz o outro, o cacete!

Ao chegar perto do capiau, um dos integrantes do grupo de mineiros perguntou:
Mineiro- Ocê ai, capiau? Ocê é paulista ou mineiro?

Caipira- ( pensando que eram paulistas ) Uê. Eu sô polista quiném ocêis. Tô na minha terra.

Foi só falar que era paulista e já receber a primeira paulada da turma. E daí se seguiu um punhado de soco e pontapé, até deixarem o coitado estendido.

Dali a pouco, já refeito e cheio de hematomas, lá vai o nosso caipira pela estrada, quando surge agora outro grupo. Desta vez, de paulista.

Paulista- Ocê ai, caipira duma figa. Ocề é paulista ou mineiro?

Caipira- ( pensando que era outro grupo de mineiros ): Eu? Eu sô das Minas Gerais, uai!

Foi só falar e receber uma pancada surda de cacete bem dada. E, como antes, porrada pra cá e pra lá, de todo o jeito. Lá ficou o nosso bom capiau quase que desacordado.

Dali a pouco, lá estava ele, pela estrada, andando até com certa dificuldade, quando avista outro grupo de guerrilheiros se aproximando. Mais do que depressa, procura uma árvore frondosa e nela se atrépa pra se esconder da turma, pois já não saberia se era um grupo de paulista ou de mineiros. E apanhar de novo era o que ele não queria.

Pois bem. Ficou ali atrepado, escondido, esperando que os marvados passassem direto. Mas qual! Pararam justamente embaixo da tal árvore para descansar ou fumar um  cigarro de palha.

De repente, um dos guerrilheiros, olhando distraidamente para o alto, ali descobre o nosso capiau atrepado. Chama a atenção do grupo e, em voz de comando, pergunta ao capiau asperamente:

Guerrilheiro: Ocê ai! Oh, caṕiau duma figa. Diga pra gente aqui: ocê é paulista ou mineiro? Heim?

Para a surpresa de todos- e alegria de quem gosta muito de um causo - nosso capiau responde com voz tremida:

Caipira: Heim? Eu... eu.... sou.... sou... Eu sou FRUITA!

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Um caso de Viajante de Rolando Boldrin

Na 244° edição do programa radiofônico ALACAZUM PALAVRAS PARA ENTRETER que foi ao ar no dia 06 de novembro de 2011, das 8 às 9 da manhã de domingo, transmissão Rio Una FM 87,9 apreciamos o causo: Um caso de viajante de Rolando Boldrin, retirado do livro: Proseando.

Ninguém conhece e conta mais piadas do que os chamados viajantes. Aqueles representantes de empresas, que saem pelo interior do Brasil, fazendo suas visitas aos clientes e renovando seus pedidos.
Como eles passam por muitos lugares e convivem com muita gente, é bem explicável o carrroção de histórias engraçadas que eles passam a contar. Essa gente maravilhosa deixa suas famílias pra trabalhar viajando por este país grande e, pra empurrar a vida, tem que aprender histórias engraçadas para repassá-las pra adiante.
Conheci um viajante japonês que era um verdadeiro artista na arte de contar piadas e fazer imitações. Tem uma história dele que quero contar agora.
Um viajante, seguindo por uma estrada, tenta localizar uma pousada, pois já passava da meia-noite. Sem encontrar uma casa especializada, arrisca pedir pouso numa casa de um caipira que já ia para o quinto sono.
Viajante (bate na janela da casinha) - Ô de casa? O senhor poderia deixar eu dormir esta noite em sua casa? Eu pago bem. Não consigo nenhuma pensão por esta estrada.
Caipira ( de dentro da casa, meio sonolento) - O sinhô por acaso trouxe coberto
Viajante - Não, senhor. Não tenho cobertor comigo, não.
Caipira - O sinhô por acaso trouxe lençôr?
Viajante- Claro que não, meu amigo. Estou viajando apenas para trabalho.
Caipira- O sinhô trouxe então trabicêro?
Viajante- Meu senhor. Por favor. Eu preciso de uma noite de sono e não trouxe nada disso que o senhor está falando.
Caipira ( na bucha) Què dizê que de drumi, o sinhô só trouxe os óio, né?

sábado, 3 de julho de 2010

Hora dos Causos

Na 180° edição do programa radiofônico ALACAZUM PALAVRAS PARA ENTRETER que foi ao ar no dia 27 de junho de 2010, transmissão pela Rádio Clube de Valença 650 KHZ AM oferecemos o causo: O medo de onça, de Rolando Boldrin. O livro utilizado faz parte do KIT PONTOS DE LEITURA conquistado pelo ALACAZUM quando do I CONCURSO PONTOS DE LEITURA 2008: HOMENAGEM A MACHADO DE ASSIS DO GOVERNO FEDERAL.

O medo de onça


Dentre todos os mentirosos que eu conheci, o mais engraçado deles era o Zé Farol. Esse tinha um jeito especial de inventar suas histórias incríveis.
Como todo mentiroso, causo de onça era o que não faltava ao Zé Farol. Tinha um punhado de mentira, cada uma melhor do que a outra.
Nesse causo que passo a contar agora, ao contrário de todo mentiroso que começa contando vantagem, ele começou falando pra gente assim:
ZÉ FAROL- Óia gente. Esta que eu vou contar agora foi fogo, por que eu sempre tive muito medo de onça. E num é que justamente uma das grande foi a que apareceu um dia que eu fui caçá? Apois bem: quando eu vi a marvada, carpi os pé. Larguei espingarda, larguei tudo ali mêmo e saí desembestado mata afora.
OUVINTE; E daí, Zé? Conseguiu se livrar da onça?
ZÉ FAROL: Que nada. Pois num é que a mardita garrô corrê atrás de mim feito uma doida. E eu lá no meio daquele mato... correndo. E a onça atráis, pega num pega... tava chegando nos meu carcanhá.
OUVINTE 2- Conta logo, Zé! Quero vê como ocê se livrô dessa bitela...
ZÉ FAROL- Carma, gente. Eu chego lá. Pois bem, corre que corre, a onça quase me arcançando... De repente, eu trupiquei nus gravetos e tium... Caí de boca no chão. Daí, eu desesperado me virei de barriga para riba, par móde num morrê cumo um covarde bruço pro chão. A onça veio vindo... vindo... me oiando... me oiando... e quando chegou pertinho de mim, que tremia... ela ponhô a pata direita em riba do meu peito... abriu aquele boção bem na minha cara e roncô bem arto... anssim... GREEEEEEEEE (Zé imitando a onça). O baruio do ronco bravo dela acho que dava pra ouví no arraiá.
TODOS- (muito interessados) - E daí, Zé? O que que ocê fez?
ZÉ FAROL- Me borrei tudo! Me sujei na carça.
OUVINTE 1- Pois agora gostei de vê, Zé. Agora ocê provou que num mente. Pois com uma onça dessas com a pata no meu peito, até eu borrava. Me sujava as carça também.
ZÉ FAROL- (calmo) - Não gente. Eu tô falando que me borrei, mas foi agora quando eu imitei o ronco arto da onça: GREEEEEEEEEEEE