quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Tela: Saudade de Almeida Júnior

Saudade (1899) de Almeida Júnior

Quando a saudade se expressava na ausência física e as cartas eram os caminhos do encontro...


Presença de Mário Quintana


Na 230° edição do programa radiofônico ALACAZUM PALAVRAS PARA ENTRETER que foi ao ar no dia 31 de julho de 2011, transmissão Rio Una Fm 87,9 cujo tema: SAUDADE, apreciamos o poema: Presença do Mário Quintana.

PRESENÇA

É preciso que a saudade desenhe tuas linhas perfeitas,
teu perfil exato e que, apenas, levemente, o vento
das horas ponha um frêmito em teus cabelos...
É preciso que a tua ausência trescale
sutilmente, no ar, a trevo machucado,
as folhas de alecrim desde há muito guardadas
não se sabe por quem nalgum móvel antigo...
Mas é preciso, também, que seja como abrir uma janela
e respirar-te, azul e luminosa, no ar.
É preciso a saudade para eu sentir
como sinto - em mim - a presença misteriosa da vida...
Mas quando surges és tão outra e múltipla e imprevista
que nunca te pareces com o teu retrato...
E eu tenho de fechar meus olhos para ver-te.

Mário Quintana


terça-feira, 2 de agosto de 2011

BG: Chega de Saudade de Tom Jobim e Vinicius de Moraes

Na 230° edição do programa radiofônico ALACAZUM PALAVRAS PARA ENTRETER que foi ao ar no dia 31 de julho de 2011, transmissão Rio Una FM 87,9 cujo tema: Saudade, apreciamos a bela música instrumental do tema: Chega de saudade de Tom Jobim e Vinicius de Moraes.


Vai minha tristeza,
e diz a ela que sem ela não pode ser,
diz-lhe, numa prece
Que ela regresse, porque eu não posso Mais sofrer.
Chega, de saudade
a realidade, É que sem ela não há paz,
não há beleza
É só tristeza e a melancolia
Que não sai de mim, não sai de mim, não sai
Mas se ela voltar, se ela voltar
Que coisa linda, que coisa louca
Pois há menos peixinhos a nadar no mar
Do que os beijinhos que eu darei
Na sua boca,
dentro dos meus braços
Os abraços hão de ser milhões de abraços
Apertado assim, colado assim, calado assim
Abraços e beijinhos, e carinhos sem ter fim
Que é pra acabar com esse negócio de você longe de mim
Não quero mais esse negócio de você viver sem mim

Era tanta saudade com Djavan

Na 230° edição do programa radiofônico ALACAZUM PALAVRAS PARA ENTRETER que foi ao ar no dia 31 de julho de 2011, transmissão Rio Una FM 87,9 cujo tema: SAUDADE, escutamos após leitura do poema: Ars Poética de Wally Salomão, a música: Era tanta saudade de Chico Buarque e Djavan, na belíssima interpretação de Djavan.

Era tanta saudade
É pra matar
Eu fiquei até doente
Eu fiquei até doente, menina
Se eu não mato a saudade
É, deixa estar
A saudade mata a gente
A saudade mata a gente

Quis saber o que é o desejo
De onde ele vem
Fui até o centro da terra
E é mais além
Procurei uma saída
O amor não tem
Estava ficando louco
Louco, louco de querer bem
Quis chegar até o limite
De uma paixão
Baldear o oceano
Com a minha mão
Encontrar o sal da vida
E a solidão
Esgotar o apetite
Todo o apetite do coração

Mas voltou a saudade
É, pra ficar
Ai, eu encarei de frente
Ai, eu encarei de frente, menina
Se eu ficar na saudade
É, deixa estar
A saudade engole a gente
A saudade engole a gente, menina

Ai amor, miragem minha
Minha linha do horizonte
É monte atrás de monte, é monte
A fonte nunca mais que seca
Ai, saudade, inda sou moço
Aquele poço não tem fundo
É um mundo e dentro um mundo
E dentro um mundo e dentro um mundo
E dentro é o mundo que me leva



segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Ars Poética/ Operação Limpeza de Wally Salomão

Na 230° edição do programa radiofônico ALACAZUM PALAVRAS PARA ENTRETER que foi ao ar no dia 31 de julho de 2011, transmissão Rio Una FM 87,9 cujo tema: saudade recordamos a poesia de Wally Salomão.

Ars Poética/Operação Limpeza


Assi me tem repartido extremos, que não entendo...

(Sá de Miranda)

I-

SAUDADE é uma palavra

Da língua portuguesa

A cujo enxurro

Sou sempre avesso

SAUDADE é uma palavra

A ser banida

Do uso corrente

Da expressão coloquial

Da assembléia constituinte

Do dicionário

Da onomástica

Do epistolário

Da inscrição tumular

Da carta geográfica

Da canção popular

Da fantasmática do corpo

Do mapa da afeição

Da praia do poema

Pra não depositar

Aluvião

Aqui nesta ribeira.

II-

Súbito

Sub-reptícia sucurijuba

A reprimida resplandece

Se meta-formoseia

Se mata

O q parecia pau de braúna

Quiçá pedra de breu

Quiçá pedra de breu

CINTILA

Re-nova cobra rompe o ovo

Da casca velha

SIBILA

III-

SAUDADE é uma palavra

O sol da idade e o sal das lágrima

(da Revista Imã)



sábado, 30 de julho de 2011

Ameaça real de Amália Grimaldi

Na 229° edição do programa radiofônico ALACAZUM PALAVRAS PARA ENTRETER que foi ao ar no dia 24 de julho de 2011, transmissão Rio Una FM 87,9 apreciamos a poesia da poetiza e artista visual Amália Grimaldi.


Ameaça real

Decidi fazer o mesmo

Os dias da monarquia

Estão contados. Atenção

Ameaça real em Tel-Aviv

Vegetais dormem

Sob tendas de nylon

Ao deserto estéril da paz

Cobrem cabeças o véu

Permissivo Califa

Dançarei em Andaluzia

A complacência do mundo

À terra do outro

Paraíso de vida nômade

Onde becos tem saída

E as distâncias são curtas

Em desvios de atenção

Ameaça real.

Orlando Dias, Jardineira!


Na 229° edição do programa radiofônico ALACAZUM PALAVRAS PARA ENTRETER que foi ao ar no dia 24 de julho de 2011, transmissão RIO UNA FM 87,9 oferecemos como desafio musical a música: Jardineira na voz de Orlando Dias.

Crédito da imagem: site allmusic.com

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Algemas de Alfredo Neto

Na 229° edição do programa radiofônico ALACAZUM PALAVRAS PARA ENTRETER que foi ao ar no dia 24 de julho de 2011, transmissão Rio Una FM 87,9 informamos sobre o lançamento do livro: Os encantos da morte do médico Alfredo Neto e apreciamos uma de sua poesia retirado do livro: Valenciando- antologia dos escritores da cidade de Valença-Bahia.

ALGEMAS

O meu gesto em teu silêncio ponho
como a contê-lo, vulto exíguo
e nele, a descobrir teu seixo
venho apenas colorir-te o medo.
No exausto afago o movimento cede
e frágil tomba no ombro suicida
que ao tê-lo na sombra transparente
ao tato, se desmancha em pura ausência.
Se ao verter-te em tão sombria essência
dela não sorver o teu veneno.
como morder-te, serpente que me mata?
O gesto em teu destino ponho
e senti-lo dela acostumaste,
que não contê-lo, o outro sonho inventaste
que abandoná-lo é o mesmo que morreste.

Alfredo Neto
Livro Valenciando- antologia de escritores da cidade de Valença-Bahia

terça-feira, 26 de julho de 2011

Os encantos da morte de Alfredo Neto


Na 229° edição do programa radiofônico ALACAZUM PALAVRAS PARA ENTRETER que foi ao ar no dia 24 de julho de 2011, transmissão Rio Una FM 87,9 divulgamos o lançamento do livro: Os encantos da morte de Alfredo Neto.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Na 228° edição do ALACAZUM PALAVRAS PARA ENTRETER



Na 228° edição do programa radiofônico ALACAZUM PALAVRAS PARA ENTRETER que foi ao ar no dia 17 de julho de 2011 transmissão Rio Una FM 87,9 apreciamos o tango: la cumparcita na romântica e inesquecível voz de Carlos Gardel, uma homenagem do ALACAZUM ao aniversário de Horacio Martinez.

LA CUMPARCITA- Julio Sosa por Carlos Gardel

Si supieras que aún dentro de mi alma
Conservo aquel cariño que tuve para ti
Quien sabe si supieras
Que nunca te he olvidado
Volviendo a tu pasado
Te acordarás de mí.

Los amigos ya no vienen
Ni siquiera a visitarme
Nadie quiere consolarme
En mi aflicción.

Desde el da que te fuiste
Siento angustias en mi pecho,
Decí percanta: ¿Qué has hecho
De mi pobre corazon?
Al cuartito abandonado.

Ya ni el sol de la mañana
Asoma por la ventana,
Como cuando estabas vos
Y aquel perrito compañero.

Que por tu ausencia no comía
Al verme solo, el otro día
También me dejó.

Si supieras... ... ... ...