sexta-feira, 26 de julho de 2013

Na 309° edição do Alacazum palavras para entreter

Na 309° edição do Alacazum palavras para entreter que foi ao ar no dia 14 de julho de 2013, das 8 às 9 h da manhã de domingo, transmissão ao vivo Rio Una FM 87,9, cujo tema: Parlenda, apreciamos a seguinte parlenda retirado do livro: O jogo da parlenda da Heloísa Prieto.

Eu fui por um caminho...
Eu também
Encontrei um passarinho...
Eu também
Encontrei um dedo mindinho...
Eu também
Seu-vizinho,
Eu também
Pai-de-todos,
Eu também
Fura-bolos,
Eu também
Cata-piolhos.
Eu também...

Parlenda

Na 309° edição do Alacazum palavras para entreter que foi ao ar no dia 14 de julho de 2013 das 8 às 9 h da manhã de domingo, transmissão ao vivo Rio Una FM 87,9 cujo tema: Parlenda, apreciamos na interpretação da apresentadora Celeste Martinez, a seguinte parlenda retirada do livro: O Jogo da Parlenda da Heloísa Prieto.

Eu estou fazendo papa!
Para quem?
Para João Manco.
Quem o mancou?
Foi a pedra.
Cadê a pedra?
Está no mato.
Cadê o mato?
O fogo queimou.
Cadê o fogo?
A água apagou.
Cadê a água?
O boi bebeu.
Cadê o boi?
Foi buscar milho.
 Para quem?
Para a galinha.
Cadê a galinha?
Está pondo.
Cadê o ovo?
O padre bebeu.
Cadê o padre?
Foi dizer missa.
Cadê a missa?
Já se acabou.

CD: Ó bela Alice de Lydia Hortélio

Na 309° edição do Alacazum palavras para entreter que foi ao ar no dia 14 de julho de 2013, das 8 às 9 h da manhã de domingo, transmissão ao vivo Rio Una FM 87,9, cujo tema: Parlenda, escutamos várias cantigas contidas no CD: Ó Bela Alice de Lydia Hortélio.

Dica de leitura: O jogo da parlenda de Heloísa Prieto

Na 309° edição do Alacazum palavras para entreter que foi ao ar no dia 14 de julho de 2013, das 8 às 9 h da manhã de domingo, transmissão ao vivo Rio Una FM 87,9 cujo tema: Parlenda, a dica de leitura foi o livro: O Jogo da parlenda da Heloísa Prieto- livro que serviu de base para esta edição.

quarta-feira, 24 de julho de 2013

Cantiga: Balaio

Na 309° edição do Alacazum palavras para entreter que foi ao ar no dia 14 de julho de 2013, das 8 às 9 h da manhã de domingo, transmissão ao vivo Rio Uma FM 87,9, cujo tema:  Parlenda baseado no livro: O jogo da Parlenda de Heloisa Prieto. Apreciamos a cantiga popular: Balaio

Eu queria ser balaio, balaio eu queria ser
Pra ficar dependurado na cintura de ocê

Balaio meu bem, balaio sinhà
Balaio do coração
Moça que não tem balaio sinhá
Bota a costura no chão

Eu mandei fazer balaio, pra guardar meu algodão
Balaio saiu pequeno, não quero balaio não



O que é Parlenda?

Na 309° edição do Alacazum palavras para entreter que foi ao ar no dia 14 de julho de 2013, das 8 às 9 h da manhã de domingo, transmissão ao vivo Rio Uma FM 87,9, cujo tema:  Parlenda baseado no livro: O jogo da Parlenda de Heloisa Prieto.

Parlenda são versos de ritmo fácil e rápido. Não são cantados e sim declamados em forma de texto. Os Portugueses denominavam as parlendas de cantilenas ou lenga- lenga.

Parlenda Final

Na 309° edição do Alacazum palavras para entreter que foi ao ar no dia 14 de julho de 2013, das 8 às 9 h da manhã de domingo, transmissão ao vivo Rio Uma FM 87,9, cujo tema:  Parlenda baseado no livro: O jogo da Parlenda de Heloisa Prieto.

Entrou pela perna do pato
saiu pela perna do pinto
O rei mandou dizer
que quem quiser
que conte cinco.
Um,
Dois,
Três,
Quatro,
Cinco.

quinta-feira, 18 de julho de 2013

Na 308° edição do Alacazum palavras para entreter

Na 308° edição do Alacazum palavras para entreter que foi ao ar  no dia 7 de julho de 2013, das 8 às 9 h da manhã de domingo, transmissão ao vivo Rio Uma FM 87,9 cujo tema: Todos cantam sua terra também vou cantar a minha” baseado nos versos de Casimiro de Abreu, apreciamos o som da Zambiapunga de Taperoá .

Zambiapunga, de Maria Cláudia Rodrigues

Na 308° edição do Alacazum palavras para entreter que foi ao ar  no dia 7 de julho de 2013, das 8 às 9 h da manhã de domingo, transmissão ao vivo Rio Uma FM 87,9 cujo tema: Todos cantam sua terra também vou cantar a minha” baseado nos versos de Casimiro de Abreu, apreciamos a leitura da poesia: Zambiapunga de Maria Cláudia Rodrigues, contido no livro: Novos Valencianos,  organizada por Araken Vaz Galvão.

Zambiapunga

Do instrumento da lavoura, o som
Do papel de seda, as cores
Da noite de Todos os Santos, o zunido.

Lá vem o cortejo...

Hipnotizador, psicodélico, surreal.
O demônio abre alas para o grande acontecimento
Onde o luto não é permitido
E sim, o colorido do arco-íris.

Na batida do tambor o coração estremece.
No uivar dos búzios o som que se propaga ao vento.
Na junção do ferro, couro e cores.

O Zambiapunga pulsa.

A meia noite de 31 de outubro,
Desperta do sono no mundo dos mortos
Trazendo alegria aos mortais
E paz para os espíritos que vagam.

Oh, oh, tahna, tahna, tahna, tahna, oh, oh,

A careta não assusta
Pois o colorido alegra
A música entorpece
O coração de quem vê o Zambiapunga pulsa em ritmo frenético.

Ver o Zambiapunga passar
E beber da água da cultura popular
Onde o som, o ritmo, a dança
Tudo em perfeita harmonia.
Feito por mãos, braços e coração.
Do povo que tanto ama a cultura genuína de sua terra.

Maria Cláudia Rodrigues

Escutamos: Banda de lata de Ituberá


Na 308° edição do Alacazum palavras para entreter que foi ao ar  no dia 7 de julho de 2013, das 8 às 9 h da manhã de domingo, transmissão ao vivo Rio Una FM 87,9 cujo tema: Todos cantam sua terra também vou cantar a minha” baseado nos versos de Casimiro de Abreu, apreciamos a banda de lata de Ituberá.

Têxtil, de Cadu Oliveira

Na 308° edição do Alacazum palavras para entreter que foi ao ar  no dia 7 de julho de 2013, das 8 às 9 h da manhã de domingo, transmissão ao vivo Rio Uma FM 87,9 cujo tema: Todos cantam sua terra também vou cantar a minha” baseado nos versos de Casimiro de Abreu, apreciamos a leitura da poesia: Têxtil de Cadu Oliveira contido no livro: Novos Valencianos,  organizada por Araken Vaz Galvão.

Na trama de algodão cru
cruzam-se a marisqueira
pobre diaba dos confins do Mutá.
e o pescador preto, envelhecendo,
qual caranguejeira,
entranhado em suas teias de nylon.

Nessa trama que o tecelão da Companhia compõe á maquina,
há uma Maria de pele curtida por sal,
cuja beleza
(por causa da lama)
a anticosmética escondeu,
e um Pedro cansado,
que fez da mureta do cais
sua cabeceira.

Esses dois que a genética chamaria de mulher e homem
são, primeiro, duas entidades do folclore vivo,
que a antropologia chamaria certissima de sobreviventes
Toda a Valença, é, portanto, um tear
e, em seu pano grosso de aspecto rudimentar
Amparo, a Bordadeira virá aplicar fibra.

Será linda a fazenda incrustada de pérola
do sururu que a valenciana catará.
Será forte como o braço do Pedro
quando puxa sua peça de pescar.
Seria como se bichos-da-seda no bagaço de dendê cosessem casimira!
A trama corada de urucum,
quem se atreveu a dar ponto sem nó?
Quem ousará descosturar?

Cadu Oliveira

domingo, 7 de julho de 2013

Escutamos a música: Garapuá, de Flávio Venturini

Na 308° edição do Alacazum palavras para entreter que foi ao ar no dia 30 de junho de 2013, das 8 às 9 h da manhã de domingo, transmissão ao vivo Rio Uma FM 87,9, cujo tema: Todos cantam a sua terra, também vou cantar a minha, baseado na poesia de Casimiro de Abreu; apreciamos a música: Garapuá, composição do cantor e compositor Flávio Venturini.


Garapuá

Se fosse um teatro, diante da cena
o povo decerto iria aplaudir
tem coisa na vida que a gente tem pena
de deixar de lado porque vai dormir
na beira da praia passava a morena
na ponta da nuvem nascia o luar
Um quadro perfeito, uma fotografia
e o dia morria no fundo do mar
ôo Garapuá
Ficou na cabeça aquele cinema
nos olhos molhados o ardido do sal
o gosto do peixe, a visão da morena
mostrando seu corpo queimado de sol
O porto distante, a barca pequena
a ilha que some, um adeus pra se dar
Me bate tristeza na tarde serena
tem mais remédio, vou ter que voltar
ôo Garapuá  me diz quado será
não dá mais para esperar
ôo Garapuá

Poesia: Tecido , de Cynara Novaes

Na 308° edição do Alacazum palavras para entreter que foi ao ar no dia 30 de junho de 2013, das 8 às 9 h da manhã de domingo, transmissão ao vivo Rio Uma FM 87,9, cujo tema: Todos cantam sua terra, também vou cantar a minha" baseado na poesia de Casimiro de Abreu, apreciamos a poesia de Cynara Novaes, intitulada: Tempo, que foi publicada no livro: Novos Valencianos, organizada por Arazen Vaz Galvão.


Tempo

O tecido chamou-se cetim
O cetim, vestido
O vestido chamou-se
de festa, de domingo
Missas e festas depois,
a moça viu-se fazendo no tecido
um bordado,
mais tarde, um remendo
Chamou-se roupa de casa,
pano de fundo para o avental
Com o tempo,
chamou-se passado.

Cynara Novaes

Na 307° edição do Alacazum palavras para entreter


Na 307° edição do Alacazum palavras para entreter que foi ao ar no dia 30 de junho de 2013, das 8 às 9 h da manhã de domingo, transmissão ao vivo Rio Uma FM 87,9, apreciamos na finalização do programa a música: Liberdade, na elegante, belíssima interpretação de Mateus Aleluia. 

História do 2 de julho de 1823 por Celeste Martinez

Na 307° edição do Alacazum palavras para entreter que foi ao ar no dia 30 de junho de 2013, das 8 às 9 h da manhã de domingo, transmissão ao vivo Rio Uma FM 87,9, escutamos a história do 2 de julho de 1823 contado pela escritora Celeste Martinez. O texto foi lido nas homenagens do 2 de julho na cidade de Valença-BA, quando a escritora foi nomeada oradora oficial do município. 

Escutamos: Tempo com Siba



Na 307° edição do Alacazum palavras para entreter que foi ao ar no dia 30 de junho de 2013, das 8 às 9 h da manhã de domingo, transmissão ao vivo Rio Uma FM 87,9, escutamos a música: Tempo na interpretação de Siba. 

O Pequenique das tartarugas de Millô Fernandes

Na 307° edição do Alacazum palavras para entreter que foi ao ar no dia 30 de junho de 2013, das 8 às 9 h da manhã de domingo, transmissão ao vivo Rio Uma FM 87,9, apreciamos a fábula: O pequenique das tartarugas de Millô Fernandes.

 O pequenique das tartarugas- Millô Fernandes

"Uma família de tartarugas decidiu sair para um piquenique. As tartarugas, sendo naturalmente lentas, levaram Sete anos preparando-se para o passeio. 
Passados Seis meses, após acharem o lugar ideal, ao desembalarem a cesta de piquenique descobriram que estavam sem sal. 
Então, designaram a tartaruga mais nova para voltar em casa e pegar o sal, por ser a mais rápida. 
A pequena tartaruga lamentou, chorou e esperneou, mas concordou em ir com uma condição: que ninguém comeria até que ela retornasse. 
Três anos se passaram... Seis anos... E a pequenina não tinha retornado. 
Ao sétimo ano de sua ausência, a tartaruga mais velha já não suportando mais a fome, decidiu desembalar um sanduíche. 
Nesta hora, a pequena tartaruga saiu de trás de uma árvore e gritou: 
'Viu! Eu sabia que vocês não iam me esperar. Agora que eu não vou mesmo buscar o sal. "

BG: O Guarani com a Orquestra Brasileira de Música Jamaicana


Na 307° edição do Alacazum palavras para entreter que foi ao ar no dia 30 de junho de 2013, das 8 às 9 h da manhã de domingo, transmissão ao vivo Rio Uma FM 87,9, apreciamos como BG a música O Guarani com a Orquestra Brasileira de Música Jamaicana. 

Hino Nacional Brasileiro interpretado por Celeste Martinez


Na 307° edição do Alacazum palavras para entreter que foi ao ar no dia 30 de junho de 2013, das 8 às 9 h da manhã de domingo, transmissão ao vivo Rio Uma FM 87,9, apreciamos o Hino Nacional Brasileiro interpretado pela escritora Celeste Martinez, uma gravação de 2009 e que pode ser visto  em forma de vídeo.

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Na 306° edição do Alacazum palavras para entreter

Na 306° edição do Alacazum palavras para entreter que foi ao ar no dia 23 de junho de 2013, das 8 às 9 h da manhã de domingo, transmissão ao vivo Rio Una FM 87,9 cujo tema: Tradições Populares - Festas Juninas ou Joaninas - apreciamos fragmento do Livro: Os meus Romanos de Ina Von Binzer.

São Francisco, 25 de julho de 1881.

Grete, querida.
Agora, quando evocar vocês em pensamento, você, sua felizarda que ainda conhece a palavra "férias", terei de situá-los em Elgersburg, esse lindo recanto da Turíngia. Para sua pobre Ulla essas coisas estão se transformando em conceitos sem conteúdo - a liberdade, o descanso, a frescura do verão... Não! Tratando-se de frescura, faço-lhe concorrência, pois declaro solenemente que há dias passados tiritei muitas vezes de frio e estou escrevendo ainda com os dedos enregelados. E tenho sério motivo para isso, visto que ontem foi o dia de temperatura mais baixa de todo ano, dia de S. João Batista. Senti um frio bárbaro, para gáudio da família que nega esse direito a uma álgida alemã. Bendigo hoje o carinhoso apego que demonstrei pela minha velha jaqueta de inverno, quando fazia minhas malas em Berlim. Inexplicavelmente, os brasileiros não sentem tanto frio, como se podia notar ontem à noite, na festa de S. João, santo muito querido neste país.

Comentários sobre a 306° edição

Esta foi uma das melhores edições do Alacazum palavras para entreter cujo tema: Tradições Populares - Festas Juninas ou Joaninas - pois a partir de uma simples pergunta: Quem ou quais pessoas em nossa cidade mantem viva as tradições das Festas Juninas ou seja as novenas de Santo Antonio, as quadrilhas e a Festa de São Pedro. Foram muitas as participações populares onde pessoas deram depoimentos da existência de várias mulheres a exemplo de D. Calú, D. Moçazinha, D. Glorinha da Vila, D. Celidalva entre outras já falecidas. Teve também o depoimento do professor Marcos - residente na capital baiana - mas que vem para a cidade de Valença -BA para aproveitar os festejos juninos. O professor Marcos ressaltou a importância do Alacazum inclusive que deveria ser de Utilidade Pública. O grande contratempo foi a emissora Rio Una FM 87,9 não emitir a gravação o que compromete o trabalho de pesquisa e o resgate da memória local.

Escutamos: Sabiá na bananeira

Na 306° edição do Alacazum palavras para entreter que foi ao ar no dia 23 de junho de 2013, das 8 às 9 h da manhã de domingo, transmissão ao vivo Rio Una FM 87,9 cujo tema: Tradições Populares - Festas Juninas ou Joaninas, escutamos a música: Sabiá na Bananeira contido na Coletânea: O fino da roça ( 1979 ).

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Dica de Leitura: A descoberta do Mundo de Clarice Lispector


Na 306° edição do Alacazum palavras para entreter que foi ao ar no dia 23 de junho de 2013, das 8 às 9 h da manhã de domingo, transmissão ao vivo Rio Una FM 87,9 cujo tema: Tradições Populares - Festas Juninas ou Joaninas, indicamos como leitura o livro: A descoberta do mundo de Clarice Lispector.

Para acabar de " Fundir a Cuca" de Clarice Lispector

Na 306° edição do Alacazum palavras para entreter que foi ao ar no dia 23 de junho de 2013, das 8 às 9 h da manhã de domingo, transmissão ao vivo Rio Una FM 87,9 cujo tema: Tradições Populares- Festas Juninas ou Joaninas; apreciamos o texto: Para acabar de " Fundir a Cuca" da Clarice Lispector.

- Ninguém ignora que sal no fogo ou uma vassoura escondida atrás da porta ocasionam a partida imediata de visitas cacetes.
- Ninguém ignora que uma fita encarnada amarrada no corpo do doente impede o progresso da erisipela.
- Do mesmo modo, um pano vermelho pendurado no quarto de dormir faz brotar sarampo encruado.
- Para soluço, nada melhor que tomar nove golinhos de água, sem respirar. Ou então dobrar a manga. Para soluço em criança pequena não há  nada como colocar sobre sua testa um pedacinho de algodão molhado.
- Chuchu enterrado de manhã bem cedo faz caírem verrugas.
- Quem derrubar açúcar na mesa, é só pôr uma pitadinha no seio que vem dinheiro na certa.
- E sal é má notícia quando derramado, a menos que se jogue um pouquinho dele por trás do ombro esquerdo.
- Tocar na madeira para " isolar" todo o mundo sabe.
- Pato para ficar saboroso tem que ser depenado num silêncio absoluto. E para que uma galinha fique bem mole, bem macia, a receita é pôr na panela três grãos-de-bico ou um prego.
- Enquanto isso cavalo-marinho alivia asma.
- Para quem sua nas mãos é só segurar um sapo durante uns minutinhos que sara logo.
- Como todo mundo sabe, faca cruzada é sinal de briga e que não se passa pelo mesmo motivo sal na mesa.
- Espelho quebrado se atira no mar.
- Não se bota chapéu em cima da cama e sapato em cima de cadeira.
- É sempre melhor calçar o pé direito antes do esquerdo.
- Deve-se esconder um fio de cabelo na barra dos vestidos de noiva.
- Para sair de um lugar nunca se deve tomar uma porta que não seja aquela por onde se entrou.
- Quem varre casa de noite jogando fora o lixo também joga fora a fortuna.
- Quando se vira por acaso a bainha do vestido é conveniente mordê-lo para ganhar outro noivo.
- Amarelo é cor de ano bissexto.
- Para garantir a boa saúde de criancinhas é ótimo pendurar-lhes no peito um saco pequeno cheio de rabinhos de lagartixas.
- Que um Santo Antonio roubado leva ao altar qualquer solteirona desanimada.
- Coceira na mão direita é dinheiro chegando.
- Que se deve pagar um tostão quando se ganha um lenço ou uma faca.
-Boa defesa para mau-olhado é um copo de água fresca com três  pitadas de sal.
- Há olhares que secam pimenteira.
Bem creio que a essa altura, e sobretudo com a prática dos preceitos acima citados - a cuca está fundida para sempre.

Clarice Lispector

Escutamos: Sebastiana com Jackson do Pandeiro

Jackson do Pandeiro

Na  306° edição do Alacazum palavras para entreter que foi ao ar no dia 23 de junho de 2013, das 8 às 9 h da manhã de domingo, transmissão ao vivo Rio Una FM 87,9 cujo tema: Tradições Populares- Festas Juninas ou Joaninas; apreciamos a música: Sebastiana com Jackson do Pandeiro.

Na 305° edição do Alacazum palavras para entreter

Na 305° edição do Alacazum palavras para entreter que foi ao ar no dia 16 de junho de 2013, das 8 às 9 h da manhã de domingo, transmissão ao vivo, Rio Una FM 87,9 cujo tema: Literatura e Futebol, apreciamos o texto: O jogador e sua bola de Affonso Romano de Sant ´Anna.

A  bola não é um mero artefato de couro. É um ser alado, de ouro, ave sagrada, que rompe as traves da gaiola, isto quando não é uma flor que ao abrir-se em gols nos mostra a luz de sua corola.
A bola difere do diamante. Não tem arestas. E, no entanto, arisca, risca a pele em ritmo de festa. Não tem arestas, porque é polida, não pela mão, mas pelo pé do ourives, caso se chame Zico ou Pelé.
Se na Espanha a bola fosse um touro, no gol, um toureiro faria da rede a capa ou estola. Mas, sendo no Brasil, ela é samba que o sambista cantarola, é toque na cuíca e caçarola e a bandeira que o passista na avenida desenrola.
O jogador não é só mestre. É um aluno, que carrega consigo a escola. E para ele o mundo é a bola. E sendo a bola seu coração, ele sabe a lição de cor, não cola.
O jogador é um ator. Ele joga, encena a paixão no estádio, tornando público o seu caso de amor com a bola. Mas pode ser dramático ou histrião. Nesse caso o "ser" ou não "ser" é um chavão.
A bola é um raio que, quando cai no gol, vira trovão de bombas, gritos e alaridos da multidão.
A bola também tem sua contradição: pede que a persigam e ri da perseguição.
O bom jogador é como o cantor: não sabe mais o limite entre sua voz e a canção.
Ao mau jogador a bola parece um cacto roliço, um porco-espinho que a canela ou a alma esfola. Ataca como um pivete que quando passa não se consegue pegar pelo pescoço ou gola.
A bola é como o tigre no zoológico da grama. E o jogador é o domador do fero instante sem usar chicote ou chama.
Mais que amante que no campo da cama nos traz o corpo sempre inaugural, o jogador é a cartomante e sua bola de cristal, jogando com o nosso ser, a nos trazer o bem e o mal.
Se a bola é bala, o corpo do jogador é a pistola, e, quando atira furioso, o adversário cai e sai de padiola.
A bole é bela? A bola é a fera que nos abala e desespera? Ou a bola é como a bula, ambígua, veneno e remédio, que nos mata e consola, mulher fatal que nos ama e desola?
Não, a bola não é a lua, pálida e quimera. Mais que a solitária esfera, a bola é um cometa, que de quatro em quatro anos nos assola.
Pensamos olhar a bola, mas é a bola com seu olho é que nos olha.
A bola é como a terra: redonda e humana. É como o homem: cheia de ar, pura arrogância. A bola é nossa errância.
A bola não é coisa de adulto. É o que sobrou da infância.
Se o campo é um labirinto de pernas, a bola é um fio de novelo que desenrola. Nos foi dado por Ariadne, contra o Minotauro e a degola.
O jogador é um prestidigitador, que na última hora ante a torcida aflita tira um gol de sua cartola.
Também é um ilusionista, coisa de artista de circo, que faz da bola argola, causando no estádio espanto e sobre a cabeça do atleta a bola se faz auréola fazendo do homem um santo.
O jogador, emfim é um escritor. Ele joga com o instante e a glória.Tem os pés no chão e a cabeça nas nuvens, para cabecear a história.
O jogador é um poeta.  E como poeta um fingidor. E joga tão perfeitamente que nos faz pensar que é poesia o que é jogo simplesmente.

 Affonso Romano de Sant ´Anna.

sexta-feira, 21 de junho de 2013

Leitura: O riso de Nelson Rodrigues

Na 305° edição do Alacazum palavras para entreter que foi ao ar no dia 16 de junho de 2013, das 8 às 9 h da manhã de domingo, transmissão ao vivo, Rio Una FM 87,9 cujo tema: Literatura e Futebol, apreciamos a crônica: O riso de Nelson Rodrigues.

O riso de Nelson Rodrigues

Eis a verdade: — o que sustenta, o que nutre, o que dinamiza o futebol é a vaidade. Vejamos o juiz. É um crucificado vitalício. Seja ele o próprio Abrahão Lincoln, o próprio Robespierre, e a massa ignara e ululante o chamará de gatuno. Dirá alguém que ele percebe um bom salário. Nem assim, nem assim. Não há dinheiro que o compense e redima, nenhum ordenado que o lave, que o purifique. E, no entanto, ele não renuncia às suas funções nem por um decreto. Pergunto: — por que esta obstinação? Amigos, a vaidade o encouraça, a vaidade o torna inexpugnável, a vaidade o ensurdece para as 200 mil bocas que urram: — “Ladrão! Ladrão! Ladrão!”. 

O mesmo acontece com o craque, com o paredro, com o técnico. O futebol os projeta e pendura nas manchetes, e esta publicidade histérica constitui uma delícia suprema. E ninguém é modesto, ninguém. Qualquer jogador, ou qualquer dirigente, ou qualquer técnico tem a torva e a vaidade de uma prima-dona gagá, cheia de pelancas e de varizes. Eu disse que ninguém é modesto no futebol. Em tempo retifico: — há, sim, uma única e escassa figura, que, no meio do cabotinismo frenético e geral, constitui uma exceção franciscana. Refiro-me ao esquecido, ao desprezado, ao doce massagista. 

A imprensa e o rádio falam de tudo, numa sádica e minuciosa cobertura. Jamais, porém, um locutor, um repórter lembrou-se de mencionar a atuação de um massagista. Ele não merece, ao menos, uma citação desprimorosa. Um bandeirinha consegue ser vaiado. Não o massagista, que não inspira nada: — nem amor, nem ódio. Dir-se-ia que o gandula é mais importante. E, no entanto, apesar da humildade sufocante de suas funções, o massagista pode ser uma dessas figuras capitais, que resolvem o destino das batalhas. Para não ir muito longe, citarei o exemplo de Mário Américo. 

Tudo na sua figura de ex-boxeur justifica uma simpatia universal, a começar pela cabeça minuciosamente raspada, até o último vestígio de cabelo. Esse coco lustroso e negro já o distingue dos demais, em violento destaque. Pois bem: — simples e humilde massagista, Mário Américo influi mais nos fatos do campo, na evolução das partidas, que muito jogador, muito paredro, muito técnico. E não é com massagens platônicas, não é fazendo seu métier, que o homem tem decidido vários jogos. Mário Américo age pelo riso, apenas pelo riso. Sim, amigos: — quando ele se abre, quando se escancara, quando se alarga no seu riso incoercível, não há força que o contenha e que lhe resista. Mário Américo sério é um pobre ser, duma esplendorosa nulidade como todos nós. Mas a gargalhada o transfigura, dá-lhe uma nova dimensão racial, uma grandeza inesperada e terrível, o equipara a certos negros da ficção e da vida: — Paul Robeson, José do Patrocínio, Otelo, imperador Jones etc. 

Sobretudo nas pelejas internacionais, tudo, nesse homem de cor, é um riso só: — riem os lábios, as gengivas, os dentes, as ventas e até a careca retinta. Foi o que aconteceu no Brasil x Argentina*, em Montevidéu. Luizinho deu um corte num adversário de forma tão espetacular que Mário Américo não resistiu: — nunca o seu riso foi tão largo, nunca o seu riso teve, como naquele momento, uma dilatação de parto. E aquela cara que ria alucinou os nossos adversários. Como vencer uma gargalhada cósmica? Se pudessem, os argentinos teriam atravessado aquele riso com uma lança, como nas gravuras de São Jorge. 

[Manchete Esportiva, 8/3/1956] 

Desafio Musical: Fio maravilha na voz de Maria Alcina



Na 305° edição do Alacazum palavras para entreter que foi ao ar no dia 16 de junho de 2013, das 8 ás 9 h da manhã de domingo, transmissão ao vivo, Rio Una FM 87,9 apresentamos como desafio musical: Fio Maravilha na belíssima interpretação da cantora brasileira Maria Alcina.

BG: Toninho Cerezo com Pepeu Gomes

Na 305° edição do Alacazum palavras para entreter que foi ao ar no dia 16 de junho de 2013, das 8 ás 9 h da manhã de domingo, transmissão ao vivo Rio Una FM 87,9 apreciamos como BG a música: Toninho Cerezo na interpretação de Pepeu Gomes.

Literatura e futebol, combina?

Segundo o professor e pesquisador de literatura brasileira, Mauro Rosso: " deveriam combinar mas não o fazem adequadamente ou pelo menos como deveria ser, uma vez que constituindo-se o futebol verdadeira paixão nacional, ao mesmo tempo abriga elementos lúdicos e até mesmo oníricos.

Dica de Leitura

Na 305° edição do Alacazum palavras para entreter que foi ao ar no dia 16 de junho de 2013, das 8 às 9 h da manhã de domingo, transmissão ao vivo Rio Una FM 87,9, cujo tema: Literatura e Futebol, informamos sobre livros sobre futebol.

1- Minha bola, minha vida - Biografia de Nilton Santos
2- A estrela solitária de Ruy Castro
3- História ilustrada do futebol brasileiro da Editora Documentação Brasileira
4- Histórias do Flamengo de Mário Filho- Jornalista esportivo e irmão de Nelson Rodrigues
5- A sombra das chuteiras imortais - Crônicas de futebol de Nelson Rodrigues


O Futebol Brasileiro evocado da Europa de João Cabral de Melo Neto

Na 305° edição do Alacazum palavras para entreter que foi ao ar no dia 16 de junho de 2013, das 8 às 9 h da manhã de domingo, transmissão ao vivo Rio Una FM 87,9, cujo tema: Literatura e Futebol, apreciamos a  leitura do texto de João Cabral de Melo Neto.

A Bola não é a inimiga
como o touro, numa corrida;
e embora seja um utensílio
caseiro e que se usa sem risco,
não é o utensílio impessoal
sempre manso, de gesto usual:
é o utensílio semivivo
de reações próprias como bicho,
e que, como bicho, é mister
( mais que bicho, como mulher)
usar com malícia e atenção
dando aos pés astúcias de mão.


segunda-feira, 17 de junho de 2013

Na 304° edição do Alacazum palavras para entreter

Na 304° edição do Alacazum palavras para entreter que foi ao ar no dia 9 de junho de 2013, das 8 às 9 da manhã de domingo, transmissão ao vivo Rio Una FM 87,9, apreciamos: A lenda das Areias.

Vindo desde as suas origens, nas distantes montanhas, após passar por inúmeros acidentes de terreno nas regiões campestres, um rio finalmente alcançou as areias do deserto. Do mesmo modo como vencera as outras barreiras, tentou atravessar esta de agora, mas deu-se conta que, mal suas águas tocavam a areia, nela desapareciam.
Estava convicto, no entanto, de que fazia parte de seu destino cruzar aquela tórrida vastidão, embora encontrasse dificuldades em fazê-lo. Então, uma voz misteriosa, saída da própria imensidão arenosa, sussurrou:
- O vento cruza o deserto, o rio pode fazer o mesmo.
Ele objetou estar arremessando-se contra as areias, sendo, assim, absorvido, enquanto o vento podia voar, conseguindo, desta maneira, passar incólume.
- Arrojando-se com violência, como vem fazendo, não conseguirá cruzá-lo. Assim, desaparecerá ou irá transformar-se num pântano. Deve permitir que o vento o conduza ao seu destino.
- Mas como isso pode acontecer?
- Consentindo em se absorvido.
Tal sugestão sera inaceitável para o rio. Deixar-se absorver/ Não desejava perder a sua individualidade. Caso isto acontecesse como saber se a recuperaria mais tarde?
- O vento desempenha essa função - Disseram as areias - Eleva a água e a conduz, deixando-a cair depois, na forma de chuva, para converter-se em rio outra vez.
- Como posso ter certeza?
- Pois assim é. Se não acredita, jamais será outra coisa, a não ser um pãntano e, mesmo isto, levaria muitos e muitos anos. E um pãntano não é, certamente, a mesma coisa que um rio.
- Mas não posso continuar sendo o mesmo rio que sou agora?
- Você não pode, em caso algum, permanecer assim- Retrucou a voz.
Ao ouvir tais palavras, certos ecos começaram a ressoar nos pensamentos mais profundos do rio. Recordou vagamente um estágio em que ele, ou uma parte dele, não sabia qual, fora transportada nos braços do vento. Também lembrou, ou lhe pareceu assim, de que era isso o que devia fazer, conquanto não lhe parecesse a coisa mais natural.
Então, o rio elevou seus vapores nos acolhedores braços do vento, que suave e facilmente o conduziu para o alto e para bem longe, deixando-se cair tranquilamente, tão logo tinham alcançado o topo de uma montanha, milhas e milhas mais adiante. E, porque tivera suas dúvidas, o rio pode recordar e gravar com mais firmeza em sua mente os detalhes daquela experiência. E ponderou:
- Sim. Agora conheço minha verdadeira identidade.
O rio estava fazendo seu aprendizado, mas as areias sussurraram:
- Nós temos o conhecimento porque vemos essa operação ocorrer dia após dia. Nós, as areias, nos estendemos por todo o caminho que vai desde as margens do rio até as montanhas.
E é por isso que se diz que o caminho do rio da vida está escrito nas areias.


Paz de Pablo Dominguez

Na 304° edição do Alacazum palavras para entreter que foi ao ar no dia 9 de junho de 2013, das 8 às 9 h da manhã de domingo, transmissão ao vivo Rio Una FM 87,9 escutamos a música: Paz na voz de Pablo Dominguez.

Paz

Só peço paciência mãe...
Só peço paciência pai...
se a vida é doida eu não sei...
se for, a gente corre atrás...
Só peço paciência mãe...
Só peço paciência pai...
tá tudo tão difícil, eu sei,
nas logo vai ficar em paz.


BG: Gotan Project

Na 304° edição do Alacazum palavras para entreter que foi ao ar no dia 9 de junho de 2013, das 8 às 9 h da manhã de domingo, transmissão ao vivo Rio Una FM 87,9 apreciamos como BG, a música: Queremos Paz com o grupo musical Gotan Project, formado em Paris pelos músicos: Phillippe Cohel Solal (francês) Eduardo Makaroff (argentino) Chistoph H. Muller (suíço). A sua música inseri-se no estilo do tango, mas com elementos eletrônicos que dão ao seu estilo uma nova forma de fazer tango: tango eletrônico.

Dica de Leitura: Jornal Andada




Na 304° edição do Alacazum palavras para entreter que foi ao ar no dia 9 de junho de 2013, das 8 às 9 h da manhã de domingo, transmissão ao vivo Rio Una FM 87,9 sugerimos como dica de leitura o Jornal Andada, publicação bimestral, organizada pelo amigo Carlos Eduardo Alves da Rocha Passos.

Escutamos: Nossa senhora da paz com Cordel do Fogo encantado



Na 304° edição do Alacazum palavras para entreter que foi ao ar no dia 9 de junho de 2013, das 8 às 9 h da manhã de domingo, transmissão ao vivo Rio Una FM 87,9 apreciamos a música: Nossa senhora da Paz na voz de Cordel do Fogo Encantado.

Nossa Senhora da Paz


Nossa Senhora da Paz
A bailarina do circo
Vem beijar a pele da cidade
As feridas
Os jardins
A pressão
E o motor

Nossa Senhora dos Sonhos
A trapezista do circo
Venha descansar na minha cama
Traga toda a luz que há no céu
Traga toda a luz que há no chão
Leva meu atalho e minha sorte
No movimento da rua
As feridas
Os jardins
A pressão
E o motor


Eu sei mas não devia da Marina Colasanti


Na 304° edição do Alacazum palavras para entreter que foi ao ar no dia 9 de junho de 2013, das 8 às 9 h da manhã de domingo, transmissão ao vivo Rio Una FM 87,9 apreciamos a leitura do texto: Eu sei mas não devia da Marina Colasanti.

Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia.

A gente se acostuma a morar em apartamentos de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor. E, porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E, porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. E, porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E, à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.

A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora. A tomar o café correndo porque está atrasado. A ler o jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem. A comer sanduíche porque não dá para almoçar. A sair do trabalho porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.

A gente se acostuma a abrir o jornal e a ler sobre a guerra. E, aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja números para os mortos. E, aceitando os números, aceita não acreditar nas negociações de paz. E, não acreditando nas negociações de paz, aceita ler todo dia da guerra, dos números, da longa duração.

A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisava tanto ser visto.

A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o de que necessita. E a lutar para ganhar o dinheiro com que pagar. E a ganhar menos do que precisa. E a fazer fila para pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagar mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas em que se cobra.

A gente se acostuma a andar na rua e ver cartazes. A abrir as revistas e ver anúncios. A ligar a televisão e assistir a comerciais. A ir ao cinema e engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.

A gente se acostuma à poluição. Às salas fechadas de ar condicionado e cheiro de cigarro. À luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam na luz natural. Às bactérias da água potável. À contaminação da água do mar. À lenta morte dos rios. Se acostuma a não ouvir passarinho, a não ter galo de madrugada, a temer a hidrofobia dos cães, a não colher fruta no pé, a não ter sequer uma planta.

A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada, a gente molha só os pés e sua no resto do corpo. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito o que fazer a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado.

A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele. Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se de faca e baioneta, para poupar o peito. A gente se acostuma para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e que, gasta de tanto acostumar, se perde de si mesma.
(1972)

Marina Colasanti
 nasceu em Asmara, Etiópia, morou 11 anos na Itália e desde então vive no Brasil. Publicou vários livros de contos, crônicas, poemas e histórias infantis. Recebeu o Prêmio Jabuti com Eu sei mas não devia e também por Rota de Colisão. Dentre outros escreveu E por falar em Amor; Contos de Amor Rasgados; Aqui entre nós, Intimidade Pública, Eu Sozinha, Zooilógico, A Morada do Ser, A nova Mulher, Mulher daqui pra Frente e O leopardo é um animal delicado. Escreve, também, para revistas femininas e constantemente é convidada para cursos e palestras em todo o Brasil. É casada com o escritor e poeta Affonso Romano de Sant'Anna.

O texto acima foi extraído do livro "Eu sei, mas não devia", Editora Rocco - Rio de Janeiro, 1996, pág. 09.

Escutamos: Luzes na voz de Arnaldo Antunes

Na  304º edição do Alacazum palavras para entreter que foi ao ar no dia 9 de junho de 2013 das 8 às 9 h da manhã de domingo, transmissão ao vivo Rio Una FM 87,9, apreciamos a música: Luzes, poema de Paulo Leminsk, traduzido em música na voz de Arnaldo Antunes.

Luzes

Acendo a lâmpada às seis horas da tarde
Acenda a luz dos lampiões
Inflame as chamas dos salões
Fogos de línguas de dragões
Vagalumes
Numa nuvem de poeira de neon
Tudo claro
Tudo claro á noite, assim que é bom
A luz
Acesa na janela lá de casa
O fogo
O foco lá no beco e um farol
Essa noite
Essa noite vai ter sol

Paulo Leminski

Leitura da crônica de Celeste Martinez


Na 304° edição do Alacazum palavras para entreter que foi ao ar no dia 9 de junho de 2013 das 8 às 9 h da manhã de domingo, transmissão ao vivo Rio Una FM 87,9 apreciamos a leitura da crônica da escritora e apresentadora do Alacazum, Celeste Martinez, publicada no Jornal Andada.


Cada cabeça um mundo ou o mundo de cabeça pro ar
Evidente que o ritmo da vida está cada dia mais dinâmico, empurrando indiscriminadamente as pessoas à execução de tarefas exaustivas e programadas. O espaço físico nos sufoca. Diminuem-se as áreas de lazer. As ruas feitas para humanos são residências permanentes de automóveis, motocicletas, bicicletas, carros alegóricos de camelôs e vendedores de CDs piratas. Passeios se estreitam e pedestres têm que conviver com o descompasso em andar com um pé na calçada e o outro na pista. Os quintais paulatinamente desaparecem dando lugar a longos corredores cimentados que se alongam longitudinalmente e ascendentemente. A temperatura eleva-se devido a excessivos desmatamentos. Sufoca-nos o ar porque além de aspirar monóxido de carbono, absorvemos traumas ocasionados pela desumanização e o oportunismo do mercado converte em palavra comercial a isto que se intitulou “violência”. O relógio biológico é modificado a cada estação em detrimento da regularidade dos serviços prestados. Até a maturação dos alimentos é acelerada em função do mercado. Crianças “pecam” tornando-se pigméias adolescentes. Jovens infladas de hormônios e silicones metamorfoseiam-se em fictícias mulheres. Mulheres, descamam, despelam, depilam, ingerem, escalpelam e injetam multi laboraticidas para mascarar a velhice inaceitável. Idosos, são facilmente iludidos com falsos favorecimentos de fila preferencial, passagem gratuita e medíocres elogios de melhor idade.
As comunicações excederam o tempo e o espaço. Tudo se descontrolou em função desta vertiginosa rapidez. Até o vocabulário mudou. Mutila-se a língua madre e novos assessórios gráficos são introduzidos para uma efêmera comunicação na janela virtual. Diante da tela estamos seguros. É o espaço que te garante um milhão de amigos e a solidão ao mesmo tempo. Internalizou-se facilmente o conceito de que o tempo urge que o tempo é ouro, que o tempo é dinheiro, em não se perder tempo. Daí a impaciência e não aceitar nanos atrasos. Tudo está a serviço da máquina de consumo que produz em série. Esterilizam-se os touros; ordenham-se freneticamente as vacas; desmamam-se precocemente os bezerros para abate. Somos produtos do mercado e produtos para o mercado. O lixo vai além da capacidade dos espaços de armazenamento por que alimentamo-nos do supérfluo ou quando nos alimentamos com o conteúdo da virtualidade, o prazer é sempre a fome.
Alguns aguardam o apocalipse com o livro sagrado nas mãos. Outros esperam que o grito lançado a mais de dois mil anos seja escutado.  E há os que não se deixam iludir por falsas promessas de paraíso. Em meio a esta nebulosa massa humana, a vida continua a bailar seu ritmo. E eu, a poetizar meu cântico.
Celeste Martinez
 Escritora, Idealizadora, produtora e apresentadora do programa radiofônico Alacazum palavras para entreter, que vai ao ar aos domingos das 8 às 9 da manhã, transmissão ao vivo Rio Una FM 87,9 / Blog: alacazum.blogspot.com


Na 303° edição do Alacazum palavras para entreter

Na 303° edição do Alacazum palavras para entreter que foi ao ar no dia 2 de junho de 2013, das 8 às 9 h da manhã de domingo, transmissão ao vivo Rio Una FM 87,9, elegemos como fundo musical o forró de camponês e como BG para leitura dos textos: Waldir Azevedo.

Apreciamos Literatura de Cordel



Na 303° edição do Alacazum palavras para entreter que foi ao ar no dia 2 de junho de 2013, das 8 às 9 h da manhã de domingo, transmissão ao vivo Rio Una FM 87,9, apreciamos a literatura de cordel de Jurivaldo Alves da Silva e Patrícia Oliveira.

Escutamos: São João na roça com Luiz Gonzaga



Na 303° edição do Alacazum palavras para entreter que foi ao ar no dia 2 de junho de 2013, das 8 às 9 h da manhã de domingo, transmissão ao vivo Rio Una FM 87,9, escutamos : São João na Roça na voz de Luiz Gonzaga.

Informe Cultural

Na 303° edição do Alacazum palavras para entreter que foi ao ar no dia 2 de junho de 2013, das 8 às 9 h da manhã de domingo, transmissão ao vivo Rio Una FM 87,9, informamos sobre as produções cinematográficas de jovens da cidade de Valença-Ba a exemplo do Murilo Deolino.

 O curta metragem, intitulado: O menino invisível do Murilo Deolino, foi selecionado para mostra competitiva do Festival de Cinema de Ouro Preto; Festival de Cinema Baiano ( Ilhéus ) e Mostra de Cinema Infantil Florianópolis. Tendo a participação de Lorena Sales.

Desafio Musical: Quero ver na voz de Clemilda

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Na 303° edição do Alacazum palavras para entreter que foi ao ar no dia 2 de junho de 2013, das 8 às 9 h da manhã de domingo, transmissão ao vivo Rio Una FM 87,9, oferecemos como desafio musical:  Eu quero ver na voz de Cremilda Ferreira da Silva ou simplesmente Clemilda, uma das cantoras mais requisitadas para shows nas festas juninas nordestinas. Conhecida como a “rainha do forró”. 

Dica de Leitura: Gibis da turma da Mônica do Mauricio de Sousa



Na 303° edição do Alacazum palavras para entreter que foi ao ar no dia 2 de junho de 2013, das 8 às 9 h da manhã de domingo, transmissão ao vivo Rio Uma FM 87,9 sugerimos como dica de leitura: Gibis da turma da Mônica do Mauricio de Sousa.