sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Casos de dengue crescem

Já passa de 4.242 o número de casos de dengue notificados no estado até o final de janeiro. São 2.280 a mais do que o mesmo período de 2008, o que representa um aumento de 116%. Jequié está no topo da lista dos municípios com maior registro da doença. São 2.637 casos, nada menos que 60% do total do estado.

Os dados foram divulgados ontem pela Secretaria Estadual de Saúde (Sesab). Para se ter uma ideia da proporção, na última sexta- feira (6), o estado do Rio de Janeiro, com uma população de 15,4 milhões, divulgou balanço da dengue: 567 casos de dengue, e seis mortes.O estado fluminense conseguiu reduzir em 96% o número de casos, que foram 17.647 no mesmo período de 2008.

Na Bahia, foram confirmadas as mortes de três crianças: uma em Jequié e duas em Porto Seguro. Nesta última há ainda uma suspeita de dengue hemorrágica, com a morte de um garoto de 11 anos, cuja causa ainda está em análise. No município, segundo dados da Vigilância Epidemiológica, dos 73 registros da doença, cerca de 60% são em crianças.

Fragmentos iniciais do conto SARAPALHA de João Guimarães Rosa

Tapera de arraial. Ali, na beira do rio Pará, deixaram largado um povoado inteiro: casas, sobradinho, capela: três vendinhas, o chalé e o cemitério: e a rua, sozinha e comprida, que agora nem mais é uma estrada, de tanto que o mato a entupiu.

Ao redor, bons pastos, boa gente, terra boa para o arroz. E o lugar já esteve nos mapas, muito antes da malária chegar.

Ela veio de longe, do São Francisco. Um dia, tomou caminho, entrou na boca aberta do Pará, e pegou a subir. Cada ano avançava um punhado de léguas, mais perto, mais perto, pertinho, fazendo medo no povo, porque era sezão da brava – da tremederia que não desamontava” – matando muita gente.

-Talvez que até aqui ela não chegue... Deus há-de...

Mas chegou; nem dilatou para vir. E foi um ano de tristezas.

Em abril, quando passaram as chuvas, o rio – que não tem pressa e não tem margens, porque cresce num dia mas leva mais de mês para minguar – desengordou devagarinho, deixando poços redondos num brejo de ciscos: troncos, ramos, gravetos, coivara; cardumes de mandis apodrecendo; tabaranas vestidas de ouro, encalhadas, curiimatãs pastando barra na invernada; jacarés, de mudança, apressados; canoinhas ao seco, no cerrado; e bois sarapintados, nadando como búfalos, comendo o murerê-de-flor-roxa flutuante, por entre as ilhas do melosal. Então, houve gente tremendo, com os primeiros acessos da sezão.

- Talvez que para o ano ela não volte, vá s´embora...

Ficou. Quem foi s´embora foram os moradores: os primeiros para o cemitério, os outros pro aí a fora, por esse mundo de Deus. As terras não valiam mais nada. Era pegar a trouxa a ir deixando, depressa, os ranchos, os sítios, as fazendas por fim. Quem quisesse, que tomasse conta.

Aí a beldroega, em carreirinha indiscreta – ora-pro-nobis! Ora-pro-nobis! – apontou caules ruivos no baixo das cercas das hortas, e, talo a talo, avançou. Mas o cabeça-de-boi e o capim-mulambo, já donos da rua, tangeram-na de volta; e nem pode recuar, a coitadinha rasteira, porque no quintal os joás estavam brigando com o espinho-agulha e com o gervão em flor. E, atrás da Maria-preta e da vassourinha, vinham urgentes, do campo – ôi-ái! – o amor-de-negro, com os tridentes das folhas, e fileiras completas, colunas espertas, do rijo assa-peixe. Os pasarinhos espalhavam sementes novas. A gameleira, fazedora de ruínas, brotou com o raizame nas paredes desbarrancadas. Morcegos das lapas se domesticaram na noite sem fim dos quartos, como artistas de trapézio, pendentes dos caibros. E aí, então, taperização consumada, quando o fedegoso em touças e a bucha em latadas puderam retomar seu velhíssimo colóquio, o povoado fechou-se em seus restos, que nem o coscorão cinzento de uma tribo de marimbondos estéreis.
Mas, é só andar três quilômetros para cima, brejo a-dentro , beira-rio, para se achar algum morador.

O mosquito fêmea não ferroa de-dia; está dormindo, com a tromba repleta de maldades; somente as larvas, à flor do charco, comem-se uma às outras, brincando com as dáfnias e com as baratas-d`água; as touceiras cheirosas do capim-gordura espantam para longe a urutu-coatiara; a jararaquinha-da-barriga-vermelha émasa, não morde; e essa outra oobras claras, que passam de cabeça alçada, em nado de campeonato, agora, mesmo que queiram, não pdoerão morder. Mas é bom não pisar forte naquelas esponjas verdes, que costuma haver uma cisterna profunda, por baixo das folhas dos aguapés.

É aqui, perto do vau da Sarapalha: tem uma fazenda, denegrida e desmantelada; uma cerca de pedra-seca, do tempo de escravos; um rego murcho, um moinho parado; um cedro alto, na frente da casa; e, lá dentro, uma negra, já velha, que capina e cozinha o feijão. Tudo é mato, crescendo sem regra; mas, em volta da enorme morada, pés demilho levantam espigas, no chiqueiro, no curral e no eirado, como se a roça se tivesse encolhido, para ficar mais ao alcance da mão.
E tem também dois homens sentados, juntinhos, num casco de cocho emborcado, cabisbaixos, quentando-se ao sol.


João Guimarães Rosa

Lucas Santtana



Na 114° edição do ALACAZUM, após leitura do conto: "Meninos do Mangue" de Roger Mello, escutamos a música: "Eu.com.você" com Lucas Santtana

Celulares

Na 114° edição do ALACAZUM, ofertamos como leitura o seguinte texto de Luís Fernando Veríssimo:


Meu celular, disse um, mostra quem está chamando, e se é um chato avisa.
O meu, disse o outro, acessa a internet, faz café e profetiza.
O meu é gravador, relógio, fax, macaco e granada de mão, e ainda faz logaritmos, disse um terceiro, é legal!
O meu, disse outro, codifica, decodifica e toca o hino nacional. E quando se perde, me chama.
E o meu? E o meu? Disse o quinto, pra não ficar atrás.
O seu o que que faz?
O meu, disse o quinto, me ama.

Leitura gratuita

De forma inovadora Google colocou a disposição dos usuários de forma gratuita mais de um milhão de livros com base nos Estados Unidos e mais de meio milhão, fora do país porém de domínio público.O novo produto, que já está operando, "Google Book Search" para fazer mais fácil a leitura de cerca de 1,5 milhões de obras que não estão protegidas por copyrigh, em sua totalidade e com suas ilustrações neste tipo de telefone móviles. Até o momento, esse serviço só permite o acesso aos volumes desde ordenadores, destacou a empresa em uma entrevista. Para ler estes volumes, é necessário acessar desde um Phone ou um móvel com o Android a la página http://books.google.com/m.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Intercâmbio Cultural ALACAZUM

O ALACAZUM recebeu correspondência eletrônica da artista Fernanda Melonio que diz o seguinte:

Semeando consciência, respeito e amor aos animais
Devido ao sucesso em sua primeira edição em Lajeado (RS), a Mostra Fotográfica "Bicho de Rua" agora chega ao município de Torres, no litoral norte do Rio Grande do Sul. Com o objetivo de conscientizar adultos e crianças, o evento procura mostrar um lado de nossas cidades a que geralmente não damos atenção: animais que vivem nas ruas, ou mesmo em casas, mas que não são tratados com o devido respeito e dignidade.

Longe de ser apenas uma exposição fotográfica, "Bicho de Rua" é uma campanha de cidadania que procura mostrar às pessoas a importância da adoção de um bicho de rua e o quanto este ato requer responsabilidade, amor e consciência. Ao sair de uma situação de abandono e desprezo para o convívio e aceitação em um lar, os animais conseguem demonstrar, tanto quanto os seres humanos, a felicidade, gratidão e paz de um relacionamento respeitoso.

A Mostra conta com fotografias de Carolina Leipnitz, Fernanda Melonio, Ivânia Trento, Eduardo Costa, Aline Gobbi, Heinz Schnack e Daniele Spohr. Como na primeira edição, o evento auxiliará uma instituição local protetora dos animais: ATPA – Associação Torrense de Proteção aos Animais.

Quadro: Despertando os sentidos



Na 114° edição do ALACAZUM oferecemos como estímulo aos sentidos, o som de uma garrafa de vidro, seguido de informações a respeito do objeto:


Vidro: a lenda conta que o vidro foi descoberto ocasionalmente há 4 mil anos por navegadores fenícios, ao fazerem uma fogueira na praia: com o calor, a areia, o salitre e o calcário das conchas reagiram, formando o vidro.As embalagens de vidro são usadas para bebidas, produtos comestivíveis, medicamentos, perfumes, cosméticos e outros artigos. Garrafas, potes e frascos superam a metade da produçaõ de vidro no Brasil. Usando em su formulação areia, calcário, barrilha e feldspato, o vidro é durável, inerte e tem alta taxa de reaproveitamento nas residências. A metade dos recipientes de vidro fabricados no país é retornável. Além disso, o material é de fácil reciclagem: pode voltar à produção de novas embalagens, substituindo totalmente o produto virgem sem perda de qualidade. A inclusão de casco de vidro no processo normal de fabricação de vidro reduz o gasto com energia. Para cada 10% de caco de vidro na mistura economiza-se 2,5% da energia necessária para a fusão nos fornos industriais.

Quadro: Hora do Conto

Manguezal
A sorte avançou na Preguiça:

- Mentira mentirosíssima. O sujeito da história anterior engoliu essa ai?

-Não só engoliu, como se encheu de lágrimas.

-Muito trouxa neste mundo! Tenho outra versão, bem melhor: antes de mais nada, a mãe nunca foi de carne e osso, não se casou e siri também nunca foi pastel. Vê se esquece essa bobajada toda! A maré foi uma coisa in-vem-ta-da.

-Há, há.

-Silêncio! Foi inventada, sim, senhora. Para acabar com a tal divisão do dia em dois. Essa coisa ultrapassada de sol e lua, noite e dia. Nada disso! A partir de então, o dia se dividiria em quatro marés: maré alta- maré baixa, maré alta- maré baixa E tem mais, quem criou a maré foi uma assembléia. Decreto-lei, assinado e registrado em cartório, a quem interessar possa, obrigado, não há de quê, ponto final.

-Essa é a sua versão.

-Agora, mudando de assunto... Quem vai trocar a água do balde dos siris?

-Aqui só estamos eu e você. E eu é que não vou.

Chega uma hora em que é preciso traçar algumas considerações sobre as manias da sorte. De uma coisa todo mundo já sabe: a sorte pensa que tudo se resolve com um passe de mágica. Mas ela morre de medo do sobrenatural, preferindo atribuir alguns feitios às artimanhas do Acaso. Quer ver só? Quem acorda mais cedo e assopra a nata do leite? Quem elabora a trama dos sonhos? Quem corta a melancia em cubos e elimina os caroços? Quem? O acaso, ela pensa, uma vez que todas essas coisas já deveriam vir prontinhas da fábrica. Se a sorte pudesse escolher um funcionário assistente, escolheria o Acaso. Muito competente, muito bem-humorado e discreto, muito discreto, o acaso. Ninguém repara nele, tem gente que acha até que ele não existe. Quando se vê, algo de extraordinário já aconteceu.

Mas voltemos à pergunta que ficou esperando:

-Quem vai trocar a água do balde dos siris?

-Aqui só estamos eu e você. E eu é que não vou – Isso foi a preguiça que disse:

-Vamos tirar no palito, então.

-Nunca mais faço aposta com a sorte.

-Medrosa.Quer saber de uma coisa?

Pegou o balde e se levantou. Pela primeira vez, a sorte, elazinha da silva, toma a iniciativa, deixando o acaso de molho. Depois arregaçou a barra da calça e desceu da ponte.
Maré baixando, beira do rio, a sorte com água até os tornozelos. A calça pescando siri, a água dos siris na mesma temperatura da água de fora. O balde boiando no rio, tão perto, tão longe, para desespero desse crustaceozinhos azuis.
Mas o que interessa é a sorte, seus pés, os olhos brincando de fazer foco aqui no balde, lá adiantee, lá adiante, aqui no balde...

A preguiça reclamou da demora.

-Só mais um minuto, preguiça, meus pés estão na água.

Como se isso servisse de justificativa.

Quer saber? Que justificativa melhor do que esta? Uma gostosura de água morna em volta dos pés, desafiando a curva mais inatingível, a dobra, a linha mais inescrutável, aquela entre o dedo mindinho e o seu-vizinho. Um peixe modiscando de vez em quando... Silêncio, por favor! Naquele lugarzinho, a sorte sentiu um arrepio esquisito como se decifrasse um enigma indecifrável.
Ali bestamente.

A preguiça que aguardasse mais um pouco. Quem mandou? Podiam muito bem te esperado a hora em que a maré encostasse novamente na ponte para trocar a água do balde, não podiam?
Mas os dedos dos pés da sorte começaram a enrugar, culpa da mesma água morna gostosa de antes. Ou seja, hora de voltar para a ponte, hora de encher o balde, hora de levar os siris para cozinhar.

Foi só por descaso do acaso que a sorte e a preguiça vieram ao mangue.

Entre a cheia e a vazante, homens e mulheres se ocupam com seus afazeres. A maré se ocupa de seis em seis horas. Meninos se ocupam com aratus, chies, qualquer tipo de vida pequena. E todos, na falta do que fazer, se ocupam da vida dos meninos.
Depois de um punhado de histórias, a preguiça e a sorte deixaram o mangue famintas, debaixo da tarde de mosquitos.
Saíram ainda agora, à procura de uma lata furada e um bocado de brasas, levando dois siris para cozinhar.


Roger Mello- Livro: Meninos do Mangue




quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

A energia que vem da chuva


Quando se fala de novas alternativas de energia sempre surgem na cabeça a eólica e a solar.

Existem várias outras, mas alguém já pensou na chuva como fonte de energia?

E ainda para carregar lâmpadas dentro de um guarda-chuva?

O designer Sang-Kyun Park desenvolveu um guarda-chuva com lâmpadas LED que são abastecidas pela energia que as gotas provocam quando atingem o tecido do produto. Park usou uma membrana feita de poli(fluoreto de vinilideno) (PDVF, na sigla em inglês), que produz energia cinética provocada pelo choque das gotas. Quanto mais forte a chuva, mais energia se terá e mais clara as lâmpadas ficarão.O site Inhabitat ainda foi mais longe e lembrou de uma pesquisa realizada pelo Georgia Institute of Technology que desenvolveu um tecido que gerava energia apenas pelo movimento ou pelo contato com uma brisa ou vento. O grande problema, porém, era que o tecido se degradava quando em contato com a água (se você pegasse uma chuva, por exemplo, sua camiseta perdia toda a força).

"Embalos de Sábado a Noite"

John Travolta
Na 114° edição do ALACAZUM retornamos ao tempo "da brilhantina" desfrutamos da música tema do filme: "Embalos de sábado a noite" com John Travolta
Sabe como surgiu o título deste filme da década de 70?

Segundo o jornalista NIK COHN, no jornal NEW YORK POST de junho de 1976, ele diz que este sucesso deve-se a influência na época de jovens do BROOKLYN que toda semana se reuniam numa discoteca local. O artigo de NIK, intitulado: RITOS TRIBAIS DA NOVA NOITE DE SÁBADO” virou filme em 1977, estrelado por JOHN TRAVOLTA e KAREN GORNEY ou seja os EMBALOS DE SÁBADO A NOITE. O filme faturou 108 milhões de dólares até o final de 1978. Por volta de abril daquele ano, a trilha sonora do filme já tinha vendido mais de 10 milhões de cópias, tornando-se o álbum mais vendido da época. O LP duplo apresentava basicamente sucessos novos e anteriores dos BEE GEES, TAVARES, YVONNE ELLIMAN, K.C e THE SUNSHINE BAND e outros. O álbum permaneceu num total de 24 semanas no primeiro das paradas e vendeu mais de 30 milhões de cópias tornando-se um dos álbuns mais vendidos de todos os tempos. Detalhe: ainda é a trilha sonora mais vendida da história. Fez alavancar a carreira dos BEE GEES. O nome do filme é o nome da música feita pelos BEE GEES para o filme. A sequência da abertura do filme: OS EMBALOS DE SÁBADO A NOITE” é uma das mais famosas e instantaneamente reconhecidas do cinema, onde JOHN TRAVOLTA caminha com seu gingado característico ao som de STAYIN ALIVE. A letra fala do efeito de Nova York sobre os seres humanos.

Coco raízes de arcoverde


Na 114° edição do ALACAZUM após leitura do poema de Wally Salomão escutamos a música: "Folguedos de Roda" com Coco raízes de Arcoverde.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Wally Salomão


Filho de pai sírio e mãe baiana, Waly Salomão nasceu em Jequié, na Bahia, e nos anos 60 aproximou-se de artistas que se identificaram com o movimento tropicalista, como Torquato Neto, Gal Costa, Maria Bethânia, Caetano Veloso, Gil e Jards Macalé. Atuou em diversas áreas da cultura brasileira. Seu primeiro livro foi Me segura qu'eu vou dar um troço, de 1972. Em 1997, ganhou o Prêmio Jabuti de Literatura com o livro de poesia Algaravias. Foi letrista de canções de sucesso, como Vapor Barato, em parceria com Jards Macalé. Amigo do poeta Torquato Neto, editou seu único livro, Os Últimos Dias de Paupéria, lançado postumamente. Suas canções foram intérpretadas por Maria Bethânia, Caetano Veloso, Adriana Calcanhotto e Gal Costa, entre outros. Trabalhou no Ministério da Cultura, como assessor de Gilberto Gil, no início de seu mandato, e uma de suas propostas era a inclusão de um livro na cesta básica dos brasileiros.Seu último livro foi Pescados Vivos, publicado em 2004, após sua morte.

AMANTE DA ALGAZARRA

Não sou eu quem dá coices ferradurados no ar.
É esta estranha criatura que fez de mim seu encosto.
É ela !!!
Todo mundo sabe, sou uma lisa flor de pessoa,
Sem espinho de roseira nem áspera lixa de folha de figueira.

Esta amante da balbúrdia cavalga encostada ao meu sóbrio ombro
Vixe!!!
Enquanto caminho a pé, pedestre -- peregrino atônito até a morte.
Sem motivo nenhum de pranto ou angústia rouca ou desalento:
Não sou eu quem dá coices ferradurados no ar.
É esta estranha criatura que fez de mim seu encosto
E se apossou do estojo de minha figura e dela expeliu o estofo.

Quem corre desabrida
Sem ceder a concha do ouvido
A ninguém que dela discorde
É estaSelvagem sombra acavalada que faz versos como quem morde.


Wally Salomão


Cordel do Fogo Encantado



Na 114° edição do ALACAZUM PALAVRAS PARA ENTRETER, que foi ao ar no dia 8 de fevereiro de 2009, transmissão pela rádio clube de Valença 650 Khz AM, após leitura do conto:"A Gazela Cega" do escritor uruguaio, Horacio Quiroga, escutamos a música:"Foguete de reis" na interpretação do Cordel do Fogo Encantado.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Horacio Quiroga



Na 114° edição do ALACAZUM, que foi ao ar no dia 8 de fevereiro de 2009, transmissão pela Rádio Clube de Valença 650 Khz AM, desfrutamos da leitura do conto:"A Gazela Cega" do escritor Uruguaio, Horacio Silvestre Quiroga Forteza, que nasceu na cidade de Salto no dia 31 de dezembro de 1879 e faleceu em Buenos Aires , em 31 de dezembro de 1937. Foi um escritor uruguaio famoso por seus contos, que geralmente tratavam de eventos fantásticos e macabros na linha de Edgar Allan Poe e de temas relacionados à selva, sobretudo da região das Missões, onde passou parte da vida.
Sua obra mais famosa são os Cuentos de amor de locura y de muerte (1917; título sem vírgula no original), na qual se encontra o célebre conto A Galinha Degolada.
Quiroga é considerado um dos maiores escritores uruguaios.

A Gazela Cega

Gazela
Era uma vez, um cervo e uma gazela, que tiveram dois filhos gêmeos, coisa rara entre os cervos. Um gato montês comeu um deles, ficando apenas a fêmea. As outras gazelas gostavam muito dela e faziam sempre cosquinhas em suas costas. Sua mãe lhe obrigava a repetir todas as manhãs, ao raiar do dia, a oração dos cervos que diz assim:

Primeiro se tem que olhar bem as folhas antes de comé-las por que algumas são venenosas. Há que olhar bem o rio e ficar quieto antes de descer a beber para certificar-se de que não há jacarés. A cada meia hora há que levantar bem alto a cabeça e olhar o vento para sentir o cheiro do tigre. Quando se come pasto há que olhar sempre antes as folhas para ver se tem cobras.

Este é o pai nosso dos cervos pequenos. Quando a gazelinha aprendeu bem o pai nosso dos cervos, sua mãe a deixou andar sozinha.

Uma tarde, entretanto enquanto a gazelinha seguia ao monte comendo as folhas tenras, viu de repente diante dela, em um buraco de uma árvore que estava podre, muitas bolinhas juntas que dançavam. Tinham a cor escura como dos quadros negros da escola. O que seria? Ela tinha um pouco de medo, mas como era muito travessa, deu uma cabeçada naquilo e saiu correndo. Viu então que as bolinhas se romperam e saiam gotas. Havia saído também muitas mosquinhas loiras de cintura fina que caminhavam apressadas por cima. A gazela se aproximou e as mosquinhas a picaram. Então bem devagarinho, muito devagarinho, a gazela provou uma gota com a ponta da língua e desfrutou com grande prazer àquelas gotas de mel. Um saboroso mel, porque as bolinhas de cor estranha era uma colméia de abelhas que não picavam por que não tinham ferrão. Existem abelhas assim. Em dois minutos a gazela bebeu todo o mel. Mais sua mãe reclamou severamente:

- Tenha muito cuidado minha filha com os ninhos de abelhas. O mel é muito saboroso mais é muito perigoso de tirar. Nunca entres nas colméias que encontrares. A gazela disse contente:

- Elas não picam mamãe! As vespas picam. As abelhas não.

- Você está enganada minha filha- continuou a mãe- Hoje você teve sorte só isso. Existem abelhas e vespas muito ruins. Cuidado minha filha por que você vai se decepcionar.

-Sim mamãe. Sim mamãe- respondeu a gazelinha. Mais a primeira coisa que fez logo pela manhã, foi seguir o caminho que os seres humanos abriram no monte para ver com mais facilidade os ninhos de abelhas. Até que encontrou um. Desta vez o ninho tinha abelhas escuras, com uma faixa amarela na cintura e voavam por cima do ninho. O ninho também era diferente mais a gazela pensou que devido ao tamanho das abelhas, o mel também deveria ser mais delicioso.

Foi aí que recordou as palavras de sua mãe mais logo pensou que sua mãe havia exagerado, como exageram sempre as mães das gazelas. Então deu uma grande cabeçada no ninho. Oxalá não tivesse feito. Pois saíram em seguida as vespas. Mil delas que picaram todo o corpo da gazelinha. Enchendo todo o corpo de picadas. Na cabeça, na barriga, na cauda e o que é pior: nos olhos. Foram mais de dez picadas nos olhos. A gazela, louca de dor, correu e correu, gritando, até que de repente teve que parar por que não enxergava nada. Estava cega. Cega totalmente. Os olhos haviam inchado enormemente e não via mais. Então permaneceu quieta, tremendo de dor e medo e só podia chorar desesperadamente.

-Mamãe, mamãe.

Sua mãe saiu a procurá-la, pois era muito tarde, ficou desesperada quando encontrou sua gazelinha cega. A levou passo a passo com a cabeça de sua filha recostada em seu pescoço e os bichos do monte que encontrava no caminho se aproximava para olhar a infeliz gazela. A mãe não sabia o que fazer. Que remédio podia dar? Ela sabia bem que no povoado que estava do outro lado do rio, vivia um homem que tinha remédios. O homem era caçador. E caçava também cervos, mas era um homem bom. A mãe tinha medo de levar sua filha a um homem que caçava gazelas. Mais como estava desesperada decidiu arriscar. Antes porem foi pedir uma carta de recomendação ao urso formigueiro que era um grande amigo do homem. Saiu, depois de deixar a gazelinha bem escondida e atravessou correndo o monte, onde o tigre quase a pega. Quando chegou a casa do amigo, estava exausta de tanto correr. Este amigo, era, como havia dito, um urso formigueiro, mais uma espécie pequena, cujos indivíduos tem uma cor amarelada e por cima da cor amarelada uma espécie de camiseta negra composta por duas faixas que passam por cima dos ombros.

- De onde virá a amizade estreita entre o urso formigueiro e o caçador? Ninguém sabia no monte mais um dia se saberá qual o motivo. A pobre mãe, pois, chegou até a cabana do urso formigueiro.

-Tan, tan, tan- bateu ofegante

-Quem é? Perguntou o urso.

-Sou eu, a gazela.

-Ah! O que você quer?

-Venho te pedir uma carta de recomendação para o caçador. Minha filha, a gazelinha está cega.

- Ah! A gazelinha? Indagou o urso formigueiro. Ela é uma boa pessoa. Se for por ela lhe dou a carta de recomendação. Porem não é necessário escrever nada. Mostre ao caçador isto e ele lhe atenderá. E com a ponta do rabo, o urso formigueiro lhe entregou a cabeça de uma cobra, que estava completamente seca.

-Mostre-lhe isto- disse- não precisará de mais nada.

- Muito obrigada, urso formigueiro- falou a gazela. Você também é uma boa pessoa. E saiu correndo por que era muito tarde e logo amanheceria. Ao chegar na gruta, pegou sua filha que já reclamava da demora da mãe e saíram juntas em busca do povoado onde morava o caçador. Tiveram que caminhar bem devagarinho e encostar-se nas paredes a fim de despistar os cachorros. Já estavam próximos a casa do caçador.
- Tan, tan, tan- bateram.

- Quem é? – perguntou o homem, lá de dentro.

- Somos, nós as gazelas. Temos a cabeça da cobra. A mãe se adiantou por dizer isso para que o homem soubesse que elas eram amigas do urso formigueiro.

-Ah, ah, disse o homem, abrindo a porta. O que aconteceu?

- Viemos para que você cure minha filha, a gazelinha que está cega.

-Hum, vamos ver o que tem esta senhorita- falou o caçador. Pegou antes uma cadeira alta e pediu que a gazelinha se sentasse para que ele a examinasse melhor. Aproximou-se com um vidro redondo bem grande.

-Isto não é grave- disse o caçador- e ajudou a gazelinha a descer da cadeira. Porém você tem que ter paciência. Ponha esta pomada nos olhos de sua filha todas as noites e a deixe na escuridão por vinte dias. Após faça-a usar estes óculos amarelos e ela ficará curada.

-Muito obrigada, caçador- disse a mãe- quanto custa?

-Não é nada- respondeu o caçador sorrindo. Tenha cuidado apenas, ao sair, com os cachorros. Por que na outra rua vive um homem que tem cachorros que seguem a trilha dos cervos.

As gazelas ficaram com medo e saíram devagar, parando a todo o momento. Mesmo assim os cachorros conseguiram farejar e saíram correndo atrás delas. Mais estas correram meia légua monte adentro e conseguiram chegar do outro lado do monte.

Tal como disse o caçador, aconteceu a cura da gazelinha. Mais foi difícil para a mãe manter a gazelinha por vinte dias trancada dentro do buraco de uma grande árvore. Lá dentro não se via nada.

Até que em uma bela manhã quando a mãe colocava ramas no buraco da árvore para que a luz não entrasse, foi aí que viu a gazelinha com seus óculos amarelos saindo e gritando:

- Mamãe, mamãe, já vejo tudo.

E a gazela, apoiou a cabeça no galho e chorou de alegria por ver sua filha curada. Se curou de tudo. Mais a gazelinha, mesmo curada e contente, guardava um segredo que a entristecia. Ela queria a todo custo pagar ao caçador por sua extrema bondade. Pensou, pensou, até que um dia encontrou. Começou a juntar na beira do rio, plumas de garças para ofertar para o caçador. Do outro lado do rio, o caçador também se recordava da gazelinha. Até que em uma noite, chuvosa, enquanto o caçador estava lendo em seu quarto, escutou alguém chamar. Abriu a porta e viu a gazelinha que trazia amarrado umas plumas de garças. O caçador começou a rir e a gazela ficou envergonhada por que pensou que o caçador estava rindo do presente que ela havia levado para ele. Foi embora muito triste. Mais não desistiu de ofertar as plumas de garças para o caçador. Desta vez, foi ao rio e começou a recolher plumas maiores. E uma semana depois voltou. Quando o caçador abriu a porta, não rio mais, por que compreendeu que a gazelinha não havia entendido que o sorriso dele foi um sorriso carinhoso. Convidou-a a entrar em sua casa e lhe ofertou uma tigela transbordante de mel que a gazela bebeu imediatamente.

A partir daí a gazelinha e o caçador se tornaram grandes amigos. Ela se encarregava de levar plumas de garças em troca de longas conversas com o caçador. E ele sempre lhe ofertava uma tigela cheia de mel e arrumava a cadeira alta para a amiga. Ficavam assim longas horas. Por medo aos cachorros, a gazelinha não ia em noites de tempestades. E quando caia a tarde e começava a chover, o caçador colocava na mesa uma tigela de mel, começava a ler e tomar café, esperando escutar na porta o tan, tan bem conhecido de sua amiga gazela.



Conto: A Gazela Cega de Horacio Quiroga, escritor Uruguaio. Traduzido do Castellano para o português por Celeste Martinez


Sopão de Plástico

Imagine um prato de sopa à sua frente. Daqueles caldos cheios de pedacinhos de legumes diferentes. Agora imagine que para cada pedaço de legume boiando dentro deste prato, há outros 6 pedaços de plásticos. É esta a comparação comparação que fazemos com os oceanos e os alimentos oferecidos aos animais marinhos. Os oceanos são este prato de sopa onde muitos residuos são depositados, entre ele plásticos.Você seria capaz de comer tudo sem engolir um único pedaço dessas bolinhas de plásticos? O albatroz e a tartaruga marinha, que se alimentam de moluscos, medusas e algas, não conseguem. Eles não sabem identificar o que seja alga ou o que seja plástico. E sabe o que acontece após a ingestão destes pequenos pedaços de plásticos? As tartarugas e os albatrozes morrem por desnutrição. O estomago fica entulhado que fica impossível ingerir ou absorver qualquer nutriente.

Artes Visuais: Chu Yun

O New Museum de New York está contratando mulheres de 18 a 40 anos para participarem de performance do artista chinês Chu Yun, a 10 dólares/hora - as contratadas terão que dormir por pelo menos 6 horas em cama instalada no Museum. A exposição que abrigará a performance e as adormecidas terá o título de “The Generational: Younger Than Jesus” (7/4 - 28/6/2009), e será uma das expo's de uma "Trienal" que integra a programação da instituição e tem foco na produção emergente contemporânea - selecionada por grupo de curadores.

sábado, 7 de fevereiro de 2009

113° edição do ALACAZUM PALAVRAS PARA ENTRETER

Na 113° edição do programa radiofônico ALACAZUM PALAVRAS PARA ENTRETER que foi ao ar no dia 1 de fevereiro de 2009, transmissão pela Rádio Clube de Valença 650 khz AM, apreciamos muitos textos referentes ao tema:MAR inclusive fizemos alusão a festa de Iemanjá, terceira maior festa popular do estado da Bahia, só perdendo para a lavagem do Bonfim e Carnaval. A seleção musical ficou a cargo de Gugui Martinez. A participação do público ouvinte-leitor cresce a cada domingo, o que demonstra a qualidade da proposta cultural e a aceitação popular indiscriminadamente, já que o atinge de jovens a adultos em diferentes camadas da sociedade , até internacionalmente. Até o próximo programa e ALACAZUM PARA VOCÊ!!!!

Quadro: Despertando os sentidos


Na 113° edição do ALACAZUM, oferecemos como estímulo sensorial o som da água no copo seguida do seguinte texto: A vida e a água são dois temas indissosiáveis. Nenhum ser vivo pode prescindir da água, por isso esta relação marca as possibilidades de vida que temos como espécie humana, juntamente com as demai espécies que habitam planeta terra. Por ser um elemento fundamental para a vida, a água é o centro articulador entre a natureza e a sociedade.

Quadro: Desafio Musical



Na 113° edição do ALACAZUM, oferecemos como desafio musical, o enredo da escola de samba Império Serrano: 'Lendas das sereias- Rainha do Mar" que foi apresentada na avenida por primeira vez no ano de 1976.

Maria Bethânia



Na 113° edição do ALACAZUM, após leitura do conto: Meninos do Mangue de Roger Mello, escutamos a música: Iemanjá, rainha do Mar, na interpretação da cantora baiana, Maria Bethânia.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Guarda Vidas

Na 113° edição do ALACAZUM informamos sobre os cuidados ao visitar as praias e a função dos Salva-vidas, guarda-vidas (português brasileiro) ou nadador-salvador ou banheiro (português europeu) que são as designações utilizadas para pessoas que se encarregam em evitar afogamentos e assim preservar a vida de quem se vê envolvido em uma situação crítica no mar, em rios ou piscinas. Também se pode dar o nome de salva-vidas às bóias de sinalização.
Informamos também sobre as bandeiras colocadas em postos ou cadeirões que funcionam como indicadoras das condições de banho no dia, são de três cores diferentes:
Verde que indica mar bom.
Amarela que indica atenção.
Vermelha mar ruim.
Funcionam na equivalência de um semáforo.

Mares

Geograficamente, são chamados mares certas porções dos oceanos que possuem algumas características relacionadas aos continentes, como os mares fechados (Morto, Cáspio e outros), originados de uma retração do domínio marítimo; os mares abertos ou costeiros (Antilhas, Mancha e outros), que se comunicam largamente com os oceanos; e os mares interiores, que se ligam aos oceanos através de estreitos, como é o caso do Mediterrâneo. Os oceanos dividem-se em Pacífico (165 milhões de quilômetros quadrados), Atlântico (82 milhões), Índico (75 milhões) e Ártico (14 milhões). Oceano Glacial Antártico - definido em 2000 pela Organização Hidrográfica Internacional, da qual Brasil e Portugal são membros. As fronteiras entre os oceanos são estabelecidas pela Organização Hidrográfica Internacional. Regiões menores dos oceanos são conhecidas como mares, golfos, estreitos, etc.

Você sabe qual a diferença entre oceanos e mares?

Os mares são diferentes dos oceanos pela dimensão e posição geográfica. São considerados partes dos oceanos, localizando-se entre limites continentais. Também são menos profundos. O mar é salgado porque em suas águas há predomínio de cloreto de sódio, o sal de cozinha (aquele que a mamãe usa para temperar a comida) e também de cloreto de magnésio. A cor do mar varia entre azul e outras cores, como o verde e o cinza escuro. As causas dessas variações se devem ao reflexo do céu, à temperatura das águas, ou ainda, à presença de sedimentos coloridos ou substâncias no fundo do mar. As ondas do mar são causadas pelo vento e a velocidade delas varia muito, dependendo sempre da velocidade e intensidade da ventania.

Já os oceanos...

São divididos por dorsais, formando cadeias de montanhas submarinas que se estendem por mais de 65.000 km ao redor dos oceanos possuindo altura média de 2,5 km acima do solo submerso que o cerca. Estas dorsais são normalmente o primeiro ponto onde os terremotos atingem. É nesta região que o novo solo oceânico aparece com o constante subir de magma e seu resfriamento (este processo aumenta o solo oceânico em cerca de 2 km²).

Umbuzeiro ou Imbuzeiro - (Spondias tuberosa)

Umbú
Na 113 ° edição do ALACAZUM, informamos sobre o Umbuzeiro ou Imbuzeiro - Spondias tuberosa, L., Anacardiaceae, árvore de pequeno porte (mede até seis metros de altura) de copa larga (até quinze metros de largura) originária dos chapadões semi-áridos do Nordeste brasileiro, que se destaca por sombra e aconchego. Nos tempos do Brasil Colônia era chamado de ambu, imbu, ombu, corruptelas da palavra tupi-guarani "y-mb-u", que significava "árvore-que-dá-de-beber". Dada a importância de suas raízes, foi chamada "árvore sagrada do Sertão" por Euclides da Cunha. Sua raiz conserva água e produz uma batata, que em época de grande estiagem, é utilizada como alimento. O Umbuzeiro vive mais ou menos 100 anos, e é um símbolo de resistência.

Suas folhas, de grande valor alimentício, com gosto "azedinho", também são usadas como alimento pelos seres humanos. O fruto do umbuzeiro é denominado umbu.

Por ser símbolo de resistência o programa radiofônico ALACAZUM PALAVRAS PARA ENTRETER adota o umbuzeiro como árvore-símbolo do projeto.

D. Edite do Prato



Na 113° edição do ALACAZUM após leitura do conto de Franz Kafka, apreciamos a música:"Marinheiro Só" na interpretação de D. Edite do Prato, sambista baiana, da cidade de Santo Amaro, que faleceu no dia 9 de janeiro de 2009, aos 93 anos de idade. O talento artístico de D. Edite foi divulgado para o mundo por meio dos conterrâneos Caetano Velloso e Maria Bethânia. Caetano incluiu uma participação da sambista no seu disco Araçá Azul, da década e 70, e mais tarde em um filme dirigido por ele. Já Maria Bethânia, produziu o único disco gravado por D. Edite do Prato.

Mais de 10 bibliotecas rurais


Famílias rurais paranaenses receberam na primeira semana do mês de fevereiro de 2009, mais dez bibliotecas rurais, dentro do programa Arca das Letras, do Ministério do Desenvolvimento Agrário. Instalada na casa de um morador ou na sede de uma associação rural, cada biblioteca é composta por cerca de 200 livros, escolhidos pela própria comunidade dentre obras nas áreas de literatura, saúdes, agricultura, meio ambiente e didáticos. Há também um trabalho de capacitação de agentes de leitura. Já foram implantadas 5.825 bibliotecas rurais em mais de 1,7 mil municípios desde 2003.
Boletim do PNLL - Edição nº 141 - 02 a 08/02/2009‏

O CANTO DAS SEREIAS de Franz Kafka

Publicado na Folha de S.Paulo, domingo, 6 de maio de 1984. Tradução de Modesto Carone

Prova de que até meios insuficientes - infantis mesmo podem servir à salvação:
Para se defender das sereias, Ulisses tapou os ouvidos com cera e se fez amarrar ao mastro. Naturalmente - e desde sempre - todos os viajantes poderiam ter feito coisa semelhante, exceto aqueles a quem as sereias já atraíam à distância; mas era sabido no mundo inteiro que isso não podia ajudar em nada. O canto das sereias penetrava tudo e a paixão dos seduzidos teria rebentado mais que cadeias e mastro. Ulisses porém não pensou nisso, embora talvez tivesse ouvido coisas a esse respeito. Confiou plenamente no punhado de cera e no molho de correntes e, com alegria inocente, foi ao encontro das sereias levando seus pequenos recursos.
As sereias entretanto têm uma arma ainda mais terrível que o canto: o seu silêncio. Apesar de não ter acontecido isso, é imaginável que alguém tenha escapado ao seu canto; mas do seu silêncio certamente não. Contra o sentimento de ter vencido com as próprias forças e contra a altivez daí resultante - que tudo arrasta consigo - não há na terra o que resista.
E de fato, quando Ulisses chegou, as poderosas cantoras não cantaram, seja porque julgavam que só o silêncio poderia conseguir alguma coisa desse adversário, seja porque o ar de felicidade no rosto de Ulisses - que não pensava em outra coisa a não ser em cera e correntes - as fez esquecer de todo e qualquer canto.
Ulisses no entanto - se é que se pode exprimir assim - não ouviu o seu silêncio, acreditou que elas cantavam e que só ele estava protegido contra o perigo de escutá-las. Por um instante, viu os movimentos dos pescoços, a respiração funda, os olhos cheios de lágrimas, as bocas semi-abertas, mas achou que tudo isso estava relacionado com as árias que soavam inaudíveis em torno dele. Logo, porém, tudo deslizou do seu olhar dirigido para a distância, as sereias literalmente desapareceram diante da sua determinação, e quando ele estava no ponto mais próximo delas, já não as levava em conta.
Mas elas - mais belas do que nunca - esticaram o corpo e se contorceram, deixaram o cabelo horripilante voar livre no vento e distenderam as garras sobre os rochedos. Já não queriam seduzir, desejavam apenas capturar, o mais longamente possível, o brilho do grande par de olhos de Ulisses.
Se as sereias tivessem consciência, teriam sido então aniquiladas. Mas permaneceram assim e só Ulisses escapou delas.
De resto, chegou até nós mais um apêndice. Diz-se que Ulisses era tão astucioso, uma raposa tão ladina, que mesmo a deusa do destino não conseguia devassar seu íntimo. Talvez ele tivesse realmente percebido - embora isso não possa ser captado pela razão humana - que as sereias haviam silenciado e se opôs a elas e aos deuses usando como escudo o jogo de aparências acima descrito.

Mitologia Iorubá

Segundo a enciclopédia eletrônica:


Iemanjá, é um orixá africano, cujo nome deriva da expressão Iorubá "Yèyé omo ejá" ("Mãe cujos filhos são peixes"), identificada no jogo do merindilogun pelos odu ejibe e ossá.
A mitologia dos iorubás engloba toda a visão de mundo e as religiões dos iorubás, tanto na África (principalmente na Nigéria e na República do Benin) quanto no Novo Mundo, onde influenciou ou deu nascimento várias religiões, tais como a Santería em Cuba e o Candomblé no Brasil em acréscimo ao transplante das religiões trazidas da terra natal. A mitologia Iorubá é definida por Itans de Ifá.
Na mitologia iorubá o deus supremo é Olorun, chamado também de Olodumare. Não aceita oferendas, pois tudo o que existe e pode ser ofertado já lhe pertence, na qualidade de criador de tudo o que existe, em todos os nove espaços do Orun.
Olorum criou o mundo, todas as águas e terras e todos os filhos das águas e do seio das terras. Criou plantas e animais de todas as cores e tamanhos. Até que ordenou que Oxalá criasse os seres humanos.
Oxalá criou o homem a partir do ferro e depois da madeira, mas ambos eram rígidos demais. Criou o homem de pedra - era muito frio. Tentou a água, mas o ser não tomava forma definida. Tentou o fogo, mas a criatura se consumiu no próprio fogo. Fez um ser de ar que depois de pronto retornou ao que era, apenas ar. Tentou, ainda, o azeite e o vinho sem êxito.
Triste pelas suas tentativas infecundas, Oxalá sentou-se à beira do rio, de onde Nanã emergiu indagando-o sobre a sua preocupação. Oxalá fala sobre o seu insucesso. Nanã mergulha e retorna da profundeza do rio e lhe entrega lama. Mergulha novamente e lhe traz mais lama. Oxalá, então, cria o homem e percebe que ele é flexível, capaz de mover os olhos, os braços, as pernas e, então, sopra-lhe a vida.
Na mitologia iorubá, Olodumare também chamado de Olorun é o Deus supremo do povo Yoruba, que criou as divindades, chamadas de orixás no Brasil e irunmole na Nigéria, para representar todos os seus domínios aqui na terra, mas não são considerados deuses, são considerados ancestrais divinizados após à morte.
Dentre os inúmeros orixás encontra-se : Iemanjá ou Yemanjá, orixá feminino dos lagos, mares e fertilidade, mãe de todos os Orixás de origem yorubana.
Pierre Verger no livro Dieux D'Afrique, registrou: "Iemanjá, é o orixá dos Egbá, uma nação iorubá estabelecida outrora na região entre Ifé e Ibadan, onde existe ainda o rio Yemoja. Com as guerras entre nações iorubás levaram os Egbá a emigrar na direção oeste, para Abeokuta, no início do século XIX. Não lhes foi possível levar o rio, mas, transportaram consigo os objetos sagrados, suportes do axé da divindade, e o rio Ògùn, que atravessa a região, tornou-se, a partir de então, a nova morada de Iemanjá.

Este rio Ògùn não deve, entretanto, ser confundido com Ògún, o orixá do ferro e dos ferreiros."
A tradicional Festa de Iemanjá na cidade de Salvador, capital da Bahia, tem lugar na praia do Rio Vermelho todo dia 2 de Fevereiro. Na mesma data, Iemanjá também é cultuada em diversas outras praias brasileiras, onde lhe são ofertadas velas e flores, lançadas ao mar em pequenos barcos artesanais. Uma das maiores festas ocorre em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, devido ao sincretismo com Nossa Senhora dos Navegantes.
A festa católica acontece na Igreja de Nossa Senhora da Conceição da Praia, na Cidade Baixa, enquanto os terreiros de Candomblé e Umbanda fazem divisões cercadas com cordas, fitas e flores nas praias, delimitando espaço para as casas de santo que realizarão seus trabalhos na areia.
No Brasil, Iemanjá na versão de Pierre Verger, representa a mãe que protege os filhos a qualquer custo, a mãe de vários filhos, ou vários peixes, que adora cuidar de crianças e animais domésticos.
Em Cuba, Yemayá também possui as cores azul e branca, é uma rainha do mar negra, assume o nome cristão de La Virgen de la Regla e faz parte da Santeria como santa padroeira dos portos de Havana.

Lenda da sereia da praia

Na 113° edição do ALACAZUM, tecemos comentários a respeito da lenda da sereia da praia que é uma tradição oral da ilha de Santa Maria, no arquipélago dos Açores, sobre a forma como o povo dava nome aos lugares em que vivia.

A lenda passa-se no tempo do povoamento dos Açores, quando os lugares ainda não tinham nome. Numa noite de lua cheia foi avistada a boiar calmamente sobre as águas, em direcção à praia, uma mulher de longos cabelos louros como o ouro, que ondulavam como o mar na aragem. Nua da cintura para cima, o seu corpo era de uma beleza única e esplendorosa, com um rosto de extrema suavidade.

Um pescador que se encontrava no areal ficou deslumbrado com tão rara visão. O encanto da mulher seminua nas águas não tinha qualquer lascívia que lhe perturbasse o encanto. Espantado e curioso, o pescador aproximou-se para averiguar, e quando já estava muito perto da mulher, que brincava nas águas envoltas em luar, percebeu com algum medo que o pescoço da mulher se encontrava desfigurado pelo que lhes pareciam guelras. Da cintura para baixo, apresentava a anatomia de um peixe. Uma sereia!, exclamou o homem espantado com a visão.

Perdido entre o medo e a aflição de não saber o que fazer, e consciente das histórias que se contavam das sereias que encantavam os homens e que os levavam para nunca mais serem vistos, o pescador julgou ser obra do diabo e começou a esconjurar a aparição. Mal o fez, a mulher presa no corpo de sereia voltou a ser simplesmente mulher, saindo das águas nua e pura, envolta em luar.

A lenda não informa se os dois foram felizes para sempre, mas está na origem do nome atribuído a esta praia no mapa feito pelo cosmógrafo real Luís Teixeira em 1584, para D. Filipe I de Portugal, aquando da sua viagem aos Açores nesse ano, que lhe atribuiu o nome de Plaia Hermosa - Praia Formosa.

Marisa Monte



Na 113° edição do ALACAZUM após leitura do poema: "Prece à rainha do mar" de Luis Goulart, escutamos a música: "Lenda das sereias rainha do mar" na interpretação de Marisa Monte.

Prece à rainha do mar


Senhora mãe do céu e mãe das águas,
do mar que entre marolas chora
Mãe, leva nas ondas minhas dores e mágoas,
tu que a todos triste consolas.

Venho trazer-te as flores
de minha gratidão
por tirares minhas dores
e deixares o sonho de paz
na casa de meu coração.
Oferto-te meu canto,
beijando as areias
onde, ao passar com teu manto,
fizeste ressurgir a esperança
de quem teve a proteção de teu carinho,
tornando minha alma sofredora
em alma pura de criança.
Luis Goulart

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Poluição sonora nas profundezas dos mares

Muita gente, mas muita gente mesmo ainda não tem ideia de quanto os mares estão poluídos. Ouvem falar, mas não imaginam o que está ocorrendo abaixo da superfície. Voce, por exemplo, sabia que a poluição sonora está arruinando a vida marinha? Um navio de carga emite, pelo estouro das bolhas que seus propulsores criam na água, ruídos de 150 a 195 decibéis, mais do que os 120 de uma britadeira. Imagine então o barulho produzido por 100 mil cargueiros que cruzam os mares durante o ano inteiro! Os animais marinhos usam a audição para quase tudo - para encontrar o lugar de procriação, o parceiro sexual, a comida. Cientistas concluíram que a baleia azul está ficando surda - escuta a distâncias até 90% menores do que antes. Outras aparecem mortas nas praias após testes militares com sonares caça-submarinos, pois os 235 decibéis desses sonares causam hemorragia nos ouvidos e nos olhos dos animais.

Mariene de Castro



Na 113° edição do ALACAZUM após leitura da crônica: "Mar de Palavras" de Luis Fernando Verissimo, escutamos a música:"Prece de Pescador" na interpretação da cantora baiana Mariene de Castro.

Crônica: Mar de Palavras

Na 113° edição do ALACAZUM apreciamos a crônica:"Mar de Palavras" de Luis Fernando Verissimo.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Poluição nos mares

Tartaruga comendo plástico

Chegamos ao plástico, o grande vilão dos mares. O aumento da quantidade de lixo plástico nas águas do Pacífico na última década foi de 200%. Quer dizer, o mar virou a grande lixeira do planeta. O albatroz e a tartaruga-marinha, que se alimentam de moluscos, medusas e algas comem esses alimentos e engolem junto o lixo sólido que flutua no mar. O mais comum é morrerem de desnutrição, com o estômago que, de tão entulhado, fica incapaz de ingerir ou absorver nutrientes. Se você tiver estômago, pode ver a cena de uma necropsia no estômago de um albatroz mostrada num vídeo do You Tube. Com o bisturi, a bióloga cutuca e tira de dentro do bicho duas mãos cheias de lixo: 5 tampinhas de garrafa, uma caneta, 1 pedaço de tela e até uma escova de roupa! Esses pedaços de lixos sólidos levados pela corrente marinha desde a Antártida até a Groenlândia vitimaram até agora 267 espécies da fauna marinha, segundo o Greenpeace. Em todo o mar, 60 a 80% desse lixo são plástico. Você já ouviu falar do Grande Lixão do Pacífico? É uma área pouco maior que o estado de Minas Gerais, feita de 3,5 milhões de toneladas de lixo sólido, a meio caminho entre a Califórnia e o Havaí. Quem sabe não estejam por lá alguns saquinhos dos supermercados de Marataízes, ou então, boa parte do cocô do meu cachorro, ecologicamente recolhido e acondicionado em saquinhos plásticos? Esse lixo todo foi transportado pelas próprias correntes marinhas que carregaram tudo para um tipo de redemoinho, os vórtices, onde eles ficam presos e se concentram cada vez mais. Esses vórtices existem em vários lugares dos oceanos, mas nenhum é tão entulhado quanto o Grande Lixão.

Dica de leitura: Lei Orgânica

Na 113° edição do ALACAZUM oferecemos como dica de leitura a Lei Orgânica do Municipio de Valença, Bahia. A lei orgânica, é uma lei genérica, de caracter constitucional, elaborada no âmbito do município e consoante as determinações e limites impostos pela constituição federal e do respectivo estado. O ouvinte-leitor ALACAZUM que vive em outro município pode participar enviando informações a respeito da lei orgânica de seu município em um verdadeiro intercâmbio cultural.

O que faço com o óleo da fritura?


Na 113° edição do ALACAZUM que foi ao ar no dia 1 de fevereiro de 2009 através da Rádio Clube de Valença AM 650 Khz, alertamos sobre um dos grandes problemas da poluição de manaciais que é o hábito de jogar o óleo usado em fritura no encanamento. "Um litro de óleo pode contaminar até 1 milhão de litros de água. Não provoque esse impacto. Armazene o óleo em garrafas para doá-lo a instituições que fazem biodiesel e sabão com ele", informa Hélio Mattar, diretor do Instituto Akatu.

Na cidade de Santo André, São Paulo, existe o Instituto Triângulo, uma organização de sociedade de interesse público (OSCIP), certificada pelo Ministério da Justiça, desde março de 2004, que tem como objetivo mobilizar a população para a prática ecológica urbana.
O ALACAZUM sugeriu, nesta edição, a possibilidade da secretaria de meio ambiente do municipio de Valença-Bahia em cooperação com a associação de municipios do baixo sul (AMUBS) uma integração de esforços para uma campanha que motivasse a população da região a coleta do óleo de origem vegetal. Com a coleta seletiva do óleo de cozinha você contribui, para que esse material não contamine os rios de sua região. O material recolhido é transformado num produto ecoeficiente, o sabão ecológico, manufaturado em uma usina de reciclagem própria, gerando emprego para jovens.


Quer saber mais: http://www.triangulo.org.br/

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

As pessoas sensíveis

Teseu e o Minotauro
As pessoas sensíveis não são capazes
De matar galinhas
Porém são capazes
De comer galinhas
O dinheiro cheira a pobre e cheira
Á roupa do seu corpo
Aquela roupa que depois da chuva secou sobre o corpo
porque não tinha outra.
O dinheiro cheira a pobre e cheira a roupa
que depois do suor não foi lavada por que não tinha outra.
"Ganharás o pão com o suor do teu rosto"
Assim nos foi imposto:
E não: "Com o suor dos outros ganharás o pão".
Ó vendilhões do templo
Ó construtores das grandes estátuas balofas e pesadas
Ó cheios de devoção e de proveito
Perdoai-lhes Senhor
por que eles sabem o que fazem.
Sophia de Mello Breyner Andresen

Clara Nunes



Na 113° edição do ALACAZUM, após leitura da lenda brasileira da IARA do Câmara Cascudo, escutamos a música: "MAR ES" na interpretação da cantora brasileira Clara Nunes.

Lenda da Iara


Na 113° edição do ALACAZUM, apreciamos a leitura da lenda brasileira da IARA de Câmara Cascudo.

Como se formam as marés?

Outro movimento conhecido dos oceanos são as marés. As mesmas sucedem todos os dias, as marés correspondem ao vai e vem das águas em relação ao litoral. O fenômeno em questão surge a partir da influência dos astros, Sol e Lua, que provocam uma força de atração sobre a Terra. Quando as águas se encontram em um nível mais elevado em relação ao litoral, chamamos de maré alta e quando o mesmo diminui, denominamos de maré baixa. A dinâmica de avançar e recuar das águas ocorre periodicamente a cada seis horas. Quando as águas se encontram em um nível mais elevado, o fenômeno é chamado de cheia ou fluxo. Já, quando se dá a diminuição do nível das águas, é denominado de refluxo ou vazante.

Como se formam as ondas?

As ondas são formadas a partir da influência eólica (vento), que sopra sobre a superfície das águas oceânicas, forçando o movimento. No momento em que as ondas se aproximam do litoral, a profundidade tende a diminuir, desse modo, elas se dobram e quebram em áreas de praias ou rochedos. As maiores ondas ocorrem em regiões de mar aberto, neste quesito o lugar que apresenta as mais elevadas do mundo é no Havaí, onde elas chegam a superar os 10 metros de altura.

Dorival Caymmi



Na 113° edição do ALACAZUM após leitura do fragmento do romance: "Mar Morto" do escritor baiano Jorge Amado, apreciamos a música:"Um bem do Mar", na interpretação do cantor e compositor baiano Dorival Caymmi.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Mar Morto

Fotografia de Pierre Verger

Na 113° edição do programa radiofônico ALACAZUM PALAVRAS PARA ENTRETER, cujo tema foi: ”MAR”; as influências nocivas da ação humana nos ambientes marinhos; aproveitamos para homenagear a festa de Iemanjá, comemorada no dia 2 de fevereiro, considerada em termos de manifestação, a terceira maior festa popular da Bahia, perdendo apenas para a lavagem do Senhor Do Bomfim e Carnaval. Elegemos para brindar um dos momentos do programa, fragmentos do romance: “MAR MORTO” de Jorge Amado, escritor baiano, um dos mais famosos e traduzidos escritores brasileiros, falecido no dia 6 de agosto de 2001. Autor de inúmeros livros: Gabriela cravo e canela, País do Carnaval, Capitães de Areia, Mar Morto, etc..


FRAGMENTOS DO ROMANCE: “MAR MORTO”


As estrelas tinham desaparecido. Também a lua não veio nessa noite e por isso não havia cânticos no mar, não se falava de amor. As ondas corriam umas sobre as outras. Isso dentro da baía, antes mesmo do quebra-mar. Como não estaria então lá fora, adiante da barra, onde o mar fosse livre?


O “Valente” se afasta com dificuldade do cais. Guma procura ver o que está diante de si. Mas é tudo negro em redor. O difícil é atravessar esse pedaço de mar, o vento contra. Depois será uma carreira doida, a favor do vento enfurecido, por um mar que já não é dos saveiros e das canoas: o mar dos grandes navios.


Guma ainda enxerga as sombras do cais. Aquela que agita a mão é Rosa Palmeirão, a mulher mais valente e mais doce que ele já viu. Guma só tem vinte anos mas já amou várias mulheres. E nenhuma delas soube ser ainda como Rosa Palmeirão nos dias de barulho. O mar estava cor de chumbo. Um peixe salta sobre as ondas. Para ele a tempestade não tem importância. Até impede os pescadores na sua faina. O saveiro aos poucos atravessa as águas do cais. O quebra-mar está perto. O vento corre em redor do forte velho, entra pelas janelas abandonadas, brinca com os velhos canhões inúteis. Guma já não vê os vultos no cais. É possível que Rosa Palmeirão esteja chorando.


(...) O saveiro salta sobre as ondas. Avança dificilmente. O quebra-mar parece se conservar sempre à mesma distância. Tão próximo e tão longe. Guma arranca a camisa molhada. A onda atravessa o saveiro de lado a lado. Como estará então fora da barra?


(...) A verdade – pensa Guma- é que é difícil chegar com vida. Hoje será o seu dia. Pensa isso sem medo. Chegou mais cedo que ele esperava mas tinha mesmo que chegar, ele não escaparia. Tinha pena somente de ainda não haver amado uma mulher como a que pedira certa noite a dona Janaína. Uma mulher que lhe desse um filho para herdar seu saveiro, para ouvir as histórias do velho Francisco. Também não tinha corrido outros portos como pensara. Não fora como Chico Tristeza por outros mares para as terras do sem fim. Iria agora com Iemanjá, dona Janaína dos canoeiros. Princesa de Aiocá dos negros, correr por baixo das águas. Talvez ela o levasse para a terra de Aiocá, que era a sua terra. É a terra de todos os marítimos, onde dona Janaína é princesa. Terras de Aiocá, longínquas, perdidas na linha do horizonte, de onde vinha Iemanjá nas noites de lua.


(...)Guma maneja o leme. Também Jeremias não tem mais esperanças de vê-lo. Não espera mais ver o “Valente” atravessar o quebra-mar. Nunca mais Jeremias cantará para Guma. É Jeremias quem, à noite, diz que “é doce morrer no mar”. Agora será uma corrida doida. Está com o vento a favor. Quase o saveiro emborca na manobra para mudar de rumo. Agora o vento o arrasta, joga água sobre o saveiro, empasta o seu cabelo, canta nos seus ouvidos. O vento passeia por todo o saveiro. Apaga a sua lanterna. As luzes da cidade, cada vez mais distantes, passam velozes. Agora é uma corrida sem fim, todo virado de um lado, agarrado ao leme. Para onde o arrasta este vento?