domingo, 15 de junho de 2008

13 de junho - dia de Fernando Pessoa

Retrato de Fernando Pessoa feito por João Luiz Roth.

Fernando António Nogueira Pessoa nasceu em Lisboa, no dia 13 de Junho de 1888 e faleceu em Lisboa, em 30 de Novembro de 1935. Considerado o maior poeta da língua portuguesa do seu tempo. Na 85° edição do ALACAZUM PALAVRAS PARA ENTRETER privilegiamos a leitura de um de seus poemas.

XII. Prece

Senhor, a noite veio e a alma é vil.
Tanta foi a tormenta e a vontade!
Restam-nos hoje, no silêncio hostil,
O mar universal e a saudade.

Mas a chamma, que a vida em nós creou,
Se ainda há vida ainda não é finda.
O frio morte em cinzas a ocultou:
A mão do vento pode erguel-a ainda.

Dá o sopro, a aragem, - ou desgraça ou anciã-,
Com que a chamma do esforço se remoça,
E outra vez conquistamos a Distância –
Do mar ou outra, mas que seja nossa!
31-12- 1921 / 1- 1-1922

13 de junho - dia de Santo Antonio

Na 85° edição do ALACAZUM PALAVRAS PARA ENTRETER recebemos via MSN o poema que segue, enviado deLisboa, pelo escritor português, Euclides Cavaco.
SANTO ANTÓNIO


Santo António de Lisboa
Tem honras de padroeiro
E a tradição lhe conferiu
Ser Santo casamenteiro...

No seu nome de baptismo
Era Fernando Bulhões
Na fé, o nome de António
O Santo das multidões...

Nasceu na velha Lisboa,
Passou a vida a pregar
E ficou dos portugueses
O Santo mais popular...

Pregou pelo mundo inteiro
Fez do mundo a sua igreja
Só por ter morrido em Pádua
Querem que Ele de lá seja !...

Mas Santo António é bem nosso
Muito embora peregrino
Padroeiro de Lisboa...
É português genuíno.

Seu dia treze de Junho
É sempre um dia invulgar
Que leva por tradição
Muitas noivas ao altar...


Por isso essas donzelas
Devotas de Santo António
Realizam neste dia
Seu sagrado matrimónio.


E a noite de Santo António
De tradições seculares
Culmina por toda a parte
Com as marchas populares!…

Euclides Cavaco

Enquete

A enquete realizada pelo programa radiofônico ALACAZUM PALAVRAS PARA ENTRETER entre os dias 08 a 15 de junho de 2008, fez a seguinte pergunta:
Qual o nome da deusa romana da agricultura?
O ALACAZUM ofereceu 4 opções:
1-Deméter
2-Perséfone
3-Ceres
4-Minerva
88% dos internautas assinalaram o ítem n° 03
outros 11% assinalaram o ítem n° 04
Parabéns aos internautas que optaram pelo ítem n° 03. Na mitologia romana, Ceres é considerada a deusa da agricultura.
PARABÉNS e OBRIGADA pela audiência.

ALACAZUM PARA VOCÊ!

Ceres

DEMÉTER / CERES
A introdução do culto a Ceres em Roma data de 496 A.C. e parece provir do cerco da cidade pelos Etruscos, enquanto Roma era ameaçada pela fome.

Deusa grega da agricultura, era filha de Krónos (=Saturno) e de Réia (Cibele). Em Roma, foi identificada como Ceres.
Há autores que relacionam o nome de Deméter com o substantivo grego “demos”, cujo sentido primitivo é o de “terra comunal”.
Outros autores, com mais razão, vêem na primeira sílaba da palavra o nome da deusa pré-helênica DA (=TERRA).
O nome Deméter significa “TERRA MÃE”.
Na época clássica, Deméter era venerado principalmente como deusa da terra cultivada.
Em Elêusis, cidade perto de Atenas, anualmente era celebrada uma festa em sua homenagem.
A mitologia latina a denomina CERES, cujo nome está relacionado com a raiz do verbo latino CRESCERE (cresco, -crevi, cretum 3ª conjugação) = crescer, brotar. De Ceres originou-se o adjetivo latino cerealis, -e = relativo ao trigo, relativo a Ceres, consagrado a Ceres. Há na língua portuguesa o adjetivo e no substantivo “cereal”.

Deuses do Olimpo

Os doze principais deuses gregos no Olimpo por Nicolas-André Monsiau.

Os Deuses Olímpicos são os 12 deuses principais da mitologia grega, que vivem no Monte Olimpo, de onde vem seu nome. São eles:
1-Zeus, deus dos deuses, do céu e da terra, senhor do Olimpo;
2-Hera, esposa de Zeus, deusa dos deuses, protetora do casamento;
3-Posídon, deus dos oceanos e mares;
4-Hades, deus do mundo dos mortos;
5-Atena,deusa da guerra justa, da justiça, da sabedoria;
6-Apolo, deus do Sol, das artes e das profecias;
7-Ártemis, deusa da lua e da caça;
8-Afrodite, deusa do amor e da beleza;
9-Ares, deus da guerra;
10-Hefesto, deus do fogo e da metalurgia;
11-Hermes, o mensageiro de Zeus, protetor dos ladrões e comerciantes;
12-Dionísio, deus do teatro, do vinho e das festas.
DEUSES MENORES
Deméter, deusa da agricultura;
Eros, deus do amor;
Héstia, deusa da família;
Éolo, deus dos ventos;
Héracles, depois de morto, foi aceito entre os olímpicos.

domingo, 8 de junho de 2008

Quadro: a hora do conto


Na 84° edição do ALACAZUM PALAVRAS PARA ENTRETER desfrutamos a leitura do primeiro capítulo do conto: "A Igreja do Diabo"do livro: "Histórias sem data" de Machado de Assis. No próximo domingo, 15 de junho, continuaremos com a leitura do segundo capítulo.

A Igreja do Diabo

Conta um velho manuscrito beneditino que o diabo, em certo dia, teve a idéia de fundar uma igreja. Embora os seus lucros fossem contínuos e grandes, sentia-se humilhado com o papel avulso que exercia desde séculos, sem organização, sem regras, sem cânones, sem ritual, sem nada. Vivia, por assim dizer, dos remanescentes divinos, dos descuidos e obséquios humanos. Nada fixo, nada regular. Por que não teria ele a sua igreja? Uma igreja do Diabo era o meio eficaz de combater as outras religiões, e destruí-las de uma vez.


- Vá, pois, uma igreja, concluiu ele. Escritura contra Escritura, breviário contra breviário. Terei a minha missa, com vinho e pão à farta, as minhas prédicas, bulas, novenas e todo o demais aparelho eclesiástico. O meu credo será o núcleo universal dos espiritos, a minha igreja uma tenda de Abraão. E depois, enquanto as outras religiões se combatem e se dividem, a minha igreja será única; não acharei diante de mim, nem Maomé, nem Lutero. Há muitos modos de afirmar, há só um de negar tudo.


Dizendo isto, o Diabo sacudiu a cabeça e estendeu os braços, com um gesto magnífico e varonil. Em seguida, lembrou-se de ir ter com Deus para comunicar-lhe a idéia, e desafiá-lo; levantou os olhos, acesos de ódio, ásperos de vingança, e disse consigo: - Vamos, é tempo. E rápido, batendo as asas, com tal estrondo que abalou todas as províncias do abismo, arrancou da sombra para o infinito azul.

Dica de leitura

Na 84° edição do ALACAZUM PALAVRAS PARA ENTRETER, oferecemos como dica de leitura o livro: Macunaíma de Mário de Andrade. Escrita em 1927 e publicada em 1928. O livro pertence ao modernismo - movimento literário que teve seu ápice em 1922, com a Semana de Arte Moderna e Mário de Andrade foi um dos seus mentores. O livro: Macunaíma de Mário de Andrade você só encontra na LIVRARIA CRIATIVA, rua Conselheiro Cunha Lopes, n° 17, Centro, Valença- Bahia. Telefax (75) 3643 - 1858

ALACAZUM em: o que degustará a família MARTÍNEZ?

Na foto: Pastelão de Bacalhau

Na 84° edição do ALACAZUM PALAVRAS PARA ENTRETER o artista plástico Horacio Martinez que nas horas vagas tem como habilidade a culinária, falou para o público ouvinte-leitor ALACAZUM o que faria para o almoço. Segue receita enviada pelo artista. Aguarde! Próximo domingo o que degustará a família MARTINEZ ?
PASTELÃO DE BACALHAU
MASSA FOLHADA:
1 Xícara (chá) de maisena
2 Xícaras (chá) de farinha de trigo
1 colher (chá) de sal
2 Xícaras (chá) de margarina
RECHEIO:
300 g de bacalhau
700 g de batata
3 colheres (sopa) de azeite
1 cebola média, picada
2 dentes de alho
3 tomates maduros, picados
1/2 pimentão vermelho, picado
10 azeitonas pretas, descaroçadas
2 ovos cozidos, picados
1 colher (sopa) de salsa, picada
Pimenta, a gosto
1 gema, para pincelar
MASSA:
Misture a maisena com a farinha e faça uma cova no centro. Coloque aí o sal, 1 colher (sopa) de margarina e adicione aos poucos 1 xícara (chá) de água fria. Misture bem e trabalhe a massa até ela ficar lisa e macia. Faça uma bola, cubra com um guardanapo e deixe descansar na parte baixa da geladeira por 20 minutos. Após este tempo, abra a massa sobre a mesa enfarinhada, formando um retângulo com cerca de 1 cm de espessura. Espalhe a margarina restante, dobre as duas pontas da massa dos lados menores, para o centro, cobrindo totalmente a margarina. Passe o rolo ligeiramente, cubra a massa com um guardanapo e leve à geladeira novamente por 20 minutos. Estenda a massa em um retângulo de cerca de 3 cm de espessura e dobre em três. Repita a operação mais duas vezes. Deixe a massa descansar na geladeira, no mínimo 20 minutos antes de rechear.
RECHEIO:
Cozinhe o bacalhau (que deverá ter ficado de molho de um dia para o outro), retire a pele, as espinhas e desfi-o. Reserve. Cozinhe as batatas e passe-as pelo espremedor. Reserve. À parte, aqueça o azeite e refogue a cebola, o alho e o tomate. Adicione o pimentão, o bacalhau e a batata reservados. A seguir, junte as azeitonas, os ovos, a salsa e a pimenta. Misture bem e retire do fogo.
Estenda a massa com o rolo sobre uma mesa enfarinhada e recorte um disco do tamanho da fôrma. Reserve. Forre o fundo e as laterais de uma fôrma média desmontável com a massa restante. Coloque o recheio dentro e cubra com o disco reservado. Prenda a beirada com as bordas das laterais, apertando bem. Pincele com a gema e leve ao forno médio, por cerca de 50 minutos. E bom apetite!

Quadro: artes visuais

Auto-retrato de Horacio Martinez
Na 84° edição do ALACAZUM PALAVRAS PARA ENTRETER, o artista plástico Horacio Martinez teceu comentários a respeito do artista francês, Paul Cézanne, nascido em Aix-en-Provence, em 19 de janeiro de 1839 e falecido em Aix-en-Provence, em 22 de outubro de 1906.

Paul Cézanne

Auto-retrato de Paul Cézanne

Les joueurs de cartes (1892)

Mont Sainte-Victoire (1904-1906)

Baigneuses (1906)

Sophia de Mello Breyner Andresen

Na foto:Sophia de Mello Breyner Andresen

Na 84° edição do ALACAZUM PALAVRAS PARA ENTRETER prestigiamos a produção literária da escritora Sophia de Mello Breyner Andresen nascida na cidade do Porto (Portugal) no ano de 1919 e falecida no dia 02 de julho, na cidade de Lisboa aos 84 anos.


Poema de Helena Lanari*

Gosto de ouvir o português do Brasil
Onde as palavras recuperam sua substância total
Concretas como frutos,
Nítidas como pássaros
Gosto de ouvir a palavra com suas sílabas todas
Sem perder sequer um quinto de vogal.
Quando Helena Lanari dizia o "COQUEIRO"
O Coqueiro ficava muito mais vegetal.

*Helena Lanari era uma figura destacada entre a “beautiful people” do Rio de Janeiro (casada com um industrial riquíssimo, conhecida pelas suas actividades mecenáticas) que Sophia conheceu numa viagem pelo Brasil, em 1966, salvo erro.
Sophia deve por isso ter tido em mente o sotaque fluminense, com as vogais muito mais abertas do que em Portugal (todas elas, o que também vale para o ditongo “ei”) e com um “r” muito “rolado”.
Comentário de mesquita no blog: http://www.fazendocaminho.blogspot.com/

Expressão Popular

Na 84° edição do ALACAZUM PALAVRAS PARA ENTRETER, comentamos sobre a expressão popular:

A EMENDA SAIU PIOR DO QUE O SONETO
Significado: O conserto ficou pior que o original.
Histórico: Querendo uma avaliação, certo candidato a escritor apresentou soneto de sua lavra ao poeta português Manuel Maria Barbosa du Bocage (1765- 1805) pedinho-lhe que marcasse com cruzes os erros encontrados. O escritor leu tudo, mas não marcou cruz nenhuma, alegando que elas seriam tantas que a emenda ficaria pior do que o soneto. A autoridade do mestre era incontestável. Bocage levou essa forma poética a tal perfeição que fazia o que queria com um soneto, tornando-se muito popular, principalmente em improvisos satíricos e espirituosos, pelos quais é conhecido.

Soneto de Bocage


Vós crédulos mortais, alucinados
De sonhos, de quimeras, de aparências,
Colheis por uso erradas consequências
Dos acontecimentos desastrados:
Se à perdição correis precipitados
Por cegas, por fogosas impaciências,
Indo cair, gritais que são violências
D (e) inexoráveis céus, de negros fados:
Se um celeste poder, tirano e duro,
As vezes extorquisse as liberdades,
Que prestava, ó Razão, teu lume puro?
Não forçam corações as divindades;
Fado amigo não há, nem fado escuro:
Fados são as paixões, são as vontades.
Retirado do livro: Sonetos de Bocage

O que escutamos?



MOÇAMBIQUE

Igreja de S. Antônio, na Ilha de Moçambique, deixada pela colonização portuguesa e ao estilo da época.

Moçambique é um país da costa oriental da África Austral, limitado a norte pela Zâmbia, Malawi e Tanzania, a leste pelo Canal de Moçambique e pelo Oceano Índico, a sul e oeste pela África do Sul e a oeste pela Suazilândia e pelo Zimbabwe. No Canal de Moçambique, tem vários vizinhos, as Comores, Madagáscar, a possessão francesa de Mayotte e o departamento também francês de Reunião, através das suas dependências Juan de Nova, Bassas da Índia e Ilha Europa.
Esta antiga colônia e província ultramarina de Portugal, teve a sua independência a 25 de junho de 1975. Faz parte da CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa), da SADC, da Commonwealth, da Organização da Conferência Islâmica e da ONU. Sua capital e maior cidade é Maputo.

Poesia Africana Lusófona - MOÇAMBIQUE

Na foto: Armando Emílio Guebuza, atual presidente de Moçambique

Na 84° edição do ALACAZUM PALAVRAS PARA ENTRETER prestigiamos a poesia do escritor moçambicano Armando Emílio Guebuza, atual presidente de Moçambique.

SE ME PERGUNTARES

Se me perguntares
Quem sou eu
Cavada de bexiga de maldade
Com um sorriso sinistro
Nada te direi
Nada te direi
Mostrar-te-ei as cicatrizes de séculos
Que sulcam as minhas costas negras
Olhar-te-ei com olhos de ódio
Vermelhos de sangue vertido durante séculos
Mostrar-te-ei minha palhota de capim
A cair sem reparação
Levar-te-ei às plantações
Onde sol a sol
Me encontro dobrado sobre o solo
Enquanto trabalho árduo
Mastiga meu tempo
Levar-te-ei aos campos
Cheios de gente
Onde gente respira miséria em toda a hora
Nada te direi
Mostrar-te-ei os corpos do meu povo
Tombados por metralhadoras traiçoeiras
Palhotas queimadas por gente tua
Nada te direi
E saberá por que luto.
MOÇAMBIQUE, 1977

Moçambique, 1977.


CABO VERDE

Cabo Verde é um país africano, arquipélago de origem vulcânica, constituído por dez ilhas. Está localizado no Oceano Atlântico, a 640 km a oeste de Dacar, Senegal. Outros vizinhos são a Mauritânia, a Gâmbia e a Guiné-Bissau, ou seja, todos na faixa costeira ocidental da África que vai do Cabo Branco às ilhas Bijagós. Curiosamente, o Cabo Verde que dá nome ao país não se situa nele, mas a centenas de quilômetros a oeste, no Senegal.
Foi descoberto em 1460 por Diogo Gomes ao serviço da coroa portuguesa, que encontrou as ilhas desabitadas e aparentemente sem indícios de anterior presença humana. Foi colónia de Portugal desde o século XV até sua independência em 1975.

Poesia Africana Lusófona - CABO VERDE

Na 84° edição do ALACAZUM PALAVRAS PARA ENTRETER prestigiamos a poesia do poeta Ovído Martins nascido em São Vicente, Cabo Verde, no ano de 1928 e falecido no ano de 1999.
POEMA SALGADO
Eu nasci na ponta-da-praia
Por isso trago dentro de mim
Todos os mares do mundo.
Meu coração são as ondas
Que me trazem e levam
Regados e segredos
E meus bilhetes
(meus bilhetinhos de saudade)
São suspiros salgados
Que as sereias recolhem
Da crista das ondas.
Nas conchas e búzios
De todos os mares do mundo
Ficaram encerradas
Minhas canções de amor.
Que eu nasci na ponta-da-praia
Por isso trago dentro de mim
Todos os mares do mundo.

ANGOLA


Angola é um país da costa ocidental de África, cujo território principal é limitado a norte e a leste pela República Democrática do Congo, a leste pela Zâmbia, a sul pela Namíbia e a oeste pelo Oceano Atlântico. Angola inclui também o enclave de Cabinda, através do qual faz fronteira com a República do Congo, a norte. Para além dos vizinhos já mencionados, Angola é o país mais próximo da colónia britânica de Santa Helena. Uma antiga colônia de Portugal, foi colonizada no século XV, e permaneceu como sua colónia até à independência em 1975. O primeiro Europeu a chegar a Angola foi o explorador português Diogo Cão. Sua capital é Luanda.

Poesia Africana Lusófona - ANGOLA

Na foto: Manuel de Sousa

Na 84° edição do ALACAZUM PALAVRAS PARA ENTRETER prestigiamos a poesia de Manuel de Sousa, poeta angolano, muito atuante na internet através de release que usa para difundir seus poemas e textos de sentido crítico e social.

“A Parede Meias…”

Atirar-me-ei à parede
Jogarei primeiro os olhos
Chocarei nela com toda a força
Tentarei derrubar a resistência da matéria

Fluirei em direcção à estratosfera
Evitarei abrir as asas em demasia
Irei ao ápice da realidade absoluta
Tomarei medidas resolutas para não desistir

Lerei desobrigado e desabrigado qualquer palavrinha solta
Interpretarei pequenos e profundos significados enigmáticos
Apanharei barcos fantasmas que naveguem perdidos e à toa
Farei parte da tripulação mais invisível e indelével possível

Tocarei em qualquer superfície oca empíricos ritmos
Passarei a mão pelas cordas com a roupa lavada à máquina
Levantarei tantas poeiras e pós do passado quanto necessário
Tomarei qualquer boa virtude boca abaixo com um copo de água

Soprarei flautas e trompetes até me cansar
Apitarei o apito de chamada para o recreio
Serei o primeiro a pular à corda e a jogar à cabra cega
Levarei tudo com prazer e satisfação excepcionais

Içarei véus e lenços ao cume do monte das oliveiras
Pendurá-los-ei à volta do pescoço de uma girafa faminta
Farei deles símbolos de uma visão quase caótica
Rirei de pernas para o ar e rebolarei sem parar

Cantarei hinos à alegria para me livrar de alergias eventuais
Serei transportado a épocas distintas e vazias da realidade abstracta
Passarei a ler livros sem fim e nunca iniciarei pelo princípio de nada
Estarei pronto para qualquer meta ou para cortar fitas sucessivas

Mandarei o tempo dar uma volta a si mesmo
Enrolarei as questões mais difíceis a um poste ensebado
Atirarei de propósito todas as setas virtuais ao ar
Deixá-las-ei cair de forma desorganizada e dispersa

Criarei raízes para novas árvores e para outras esperanças
Lavarei o deserto com um esfregão cheio de germes da vida
Distribuirei a mensagem do génesis aos cantos do Globo
Porei em marcha as forças indeléveis do globalismo edificante…

Construirei paredes meias e civilizações no interior de mim mesmo
Edificarei novas faces nas reflexões que vejo ao espelho pela manhã
Mudarei semblantes e encantamentos cantando durante o banho
Semearei sementes de caras mais sorridentes e positivas pelas ruas da urbe…


Escrito em Luanda, Angola, a 30 de Maio de 2007, por manuel de Sousa, em Dedicação à Culturização Global da Humanidade, na esperança de que isso a venha a tornar, talvez num futuro próximo, menos xenófoba e mais humanizada, partilhadora, tolerante, homogénea e cosmopolita, em sua maneira de aceitar e compreender uns e outros, seja qual for filosofia ou origem!...

A Língua Portuguesa e o MERCOSUL

O Mercosul (em português: Mercado Comum do Sul, castelhano: Mercado Común del Sur, Mercosur) é a União Aduaneira (livre comércio intrazona e política comercial comum) de cinco países da América do Sul. Em sua formação original o bloco era composto por quatro países: Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai. Desde 2006, a Venezuela depende de aprovação dos congressos nacionais para que sua entrada seja aprovada.
Os idiomas oficiais do Mercosul são o português, o castelhano e o guarani. A versão oficial dos documentos de trabalho tem a do idioma do país sede de cada reunião.
Atualmente está prevista não só a implantação de programas de trabalho para o fomento do ensino de espanhol e português como segunda língua, mas também a realização de um programa de ensino dos idiomas oficiais do Mercosul, incorporados às propostas educacionais dos países com o objetivo de inclusão nos currículos. O plano prevê, ainda, o funcionamento de planos e programas de formação de professores de espanhol e português em cada país-membro.
Os ministérios de Cultura do Mercosul aprovaram, a pedido do Paraguai, a inclusão do guarani como idioma oficial do bloco. A decisão foi um dos resultados da 23ª Reunião de Ministros do Mercosul Cultural, no Rio de Janeiro, sancionada na XXXII cúpula do Mercosul, e igualou o guarani em condições com o português e castelhano. Contudo o guarani, ainda que goze do status de língua oficial do bloco, carece de propagação no mesmo.

Por quê aprender o PORTUGUÊS?

Língua Portuguesa
Olavo Bilac

Última flor do Lácio, inculta e bela,
És, a um tempo, esplendor e sepultura:
Ouro nativo, que na ganga impura
A bruta mina entre os cascalhos vela...

Amo-te assim, desconhecida e obscura,
Tuba de alto clangor, lira singela,
Que tens o trom e o silvo da procela
E o arrolo da saudade e da ternura!

Amo o teu viço agreste e o teu aroma
De virgens selvas e de oceano largo!
Amo-te, ó rude e doloroso idioma,

Em que da voz materna ouvi: "meu filho!"
E em que Camões chorou, no exílio amargo,
O gênio sem ventura e o amor sem brilho!


portuguesembadajoz.wordpress.com/.../

DIA DE CAMÕES

Na foto: Luis Vaz de Camões

10 de Junho é o 161º dia do ano no calendário gregoriano (162º em anos bissextos). Faltam 204 para acabar o ano. É também o dia de Portugal - Oficialmente Dia de Camões, de Portugal e das Comunidades Portuguesas. A data do falecimento de Luís Vaz de Camões em 1580 é utilizada para relembrar os feitos passados.

O ALACAZUM PALAVRAS PARA ENTRETER em sua 84° edição, honrou esta data, homenageando aquele que é considerado como o maior poeta da Língua Portuguesa e dos maiores da humanidade. Segue o soneto declamado pela escritora e também apresentadora Celeste Martinez.
* A data de homenagem foi antecipada por que o ALACAZUM é um programa dominical.


O FOGO QUE NA BRANDA CERA ARDIA
VENDO O ROSTO GENTIL QUE EU N' ALMA VEJO
SE ACENDEU DE OUTRO FOGO DO DESEJO
POR ALCANÇAR A LUZ QUE VENCE O DIA.


COMO DE DOUS ARDORES SE ENCENDIA,
DA GRANDE IMPACIÊNCIA FEZ DESPEJO,
E, REMETENDO COM FUROR SOBEJO,
VOS FOI BEIJAR NA PARTE ONDE SE VIA.


DITOSA AQUELA FLAMA, QUE SE ATREVE
A APAGAR SEUS ARDORES E TORMENTOS
NA VISTA DE QUE O MUNDO TREMER DEVE.


NAMORAM-SE, SENHORA, OS ELEMENTOS
DE VÓS, E QUEIMA O FOGO AQUELA NEVE
QUE QUEIMA CORAÇÕES E PENSAMENTOS.


Luis Vaz de Camões (1525-1580) datas prováveis do nascimento, talvez em Lisboa.

84° edição

Na 84° edição do ALACAZUM PALAVRAS PARA ENTRETER contamos com a participação via internet dos seguintes ouvintes-leitores. Você pode agregar o MSN do ALACAZUM: alacazum@hotmail.com e teclar conosco.
ALACAZUM PARA VOCÊ!
Erik Martinez - Argentina
Etevaldo Santos- vocalista da banda ET2- Valença
Fábio Costa -Técnico em Informática- Amargosa-Bahia
Cecílio Bastos- estudante de jornalismo (Juazeiro- Bahia)
Rogério Bastos- Salvador
Devson- Valença

ENQUETE

A enquete realizada pelo programa radiofônico ALACAZUM PALAVRAS PARA ENTRETER entre os dias 01 de junho a 08 de junho de 2008, fez a seguinte pergunta:
Quais os países da ÁFRICA cuja língua oficial é o Português?
O ALACAZUM ofereceu 4 opções:
1-Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Principe
2-Angola, Cabo Verde, Guiné-Equatorial, Moçambique e São Tomé e Principe
3-Nambia, África do Sul, Guiné-Equatorial, Argelia e Zâmbia
4-Nambia, África do Sul, Guiné-Bissau, Argelia e Zâmbia
100% dos internautas assinalaram corretamente.
Os países da ÁFRICA cuja língua oficial é o português, são: Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe.
PARABÉNS e OBRIGADA pela audiência. ALACAZUM PARA VOCÊ!

Na 84° edição do ALACAZUM


A língua portuguesa é a única língua oficial de Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal e São Tomé e Príncipe. É também uma das línguas oficiais da Guiné Equatorial (com o Espanhol e o Francês), Timor-Leste (com o tétum) e Macau (com o Chinês). É bastante falada, mas não oficial, em Andorra, Luxemburgo e Namíbia. Crioulos de base portuguesa são a língua materna da população de Cabo Verde e Guiné-Bissau.
Mais informações, visite o site:

sábado, 7 de junho de 2008

Bandeiras dos países da CPLP representadas na logomarca da organização.
Imagem: wikipédia

O Manifesto da Associação Galega da Língua (AGAL) pelos direitos lingüísticos individuais e coletivos dos galegos vai seguir até o dia 10 de junho de 2008, que é o período da chamada TEMPORADA DAS LETRAS que começa com o 17 de maio, aniversário da publicação de Cantares Galegos de Rosália de Castro e 10 de junho aniversário de Luis Vaz Camões. Dia em que Portugal e em outros países lusófonos fazem o dia das letras e do livro e ligam com a idéia de lusofonia*.

*Lusofonia vem de luso, que por sua vez vem a significar português. O que tem o som português.Portanto, lusofonia, som português, som emitido em Língua Portuguesa.

A Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) é uma organização assinada entre países lusófonos, que instiga a aliança e a amizade entre os signatários. A sua sede fica em Lisboa.A CPLP foi criada em 17 de Julho de 1996 por Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal e São Tomé e Príncipe. No ano de 2002, após conquistar independência, Timor-Leste foi acolhido como país integrante.


quinta-feira, 5 de junho de 2008

5 de junho - DIA MUNDIAL DO MEIO AMBIENTE

O dia mundial do meio ambiente é comemorado em 5 de junho. A data foi recomendada pela Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente realizada em 1972, em Estocolmo, na Suécia. Por meio do decreto 86.028, de 27 de maio de 1981, o governo brasileiro também decretou no território nacional a Semana Nacional do Meio Ambiente.

quarta-feira, 4 de junho de 2008

Teste os seus conhecimentos de Meio Ambiente e Ecologia!
A qualidade de vida do nosso planeta, de nossos filhos e netos depende de cada um de nós.
Vamos ao jogo? Clique aqui.

Paleontólogo acha "Avô" de peixe-boi da Amazônia, com 45 mil anos

Dentes maiores indicam forma de transição entre bichos marinhos e fluviais (Foto: Divulgação)

O peixe-boi que hoje vive nos rios da Amazônia é um bicho plácido, chegando mesmo a ser lerdo. Mas fósseis recém-descobertos de um ancestral desse mamífero aquático sugerem que ele passou por um surto evolutivo um bocado apressadinho para se adaptar ao ambiente amazônico. Para ser mais exato, a espécie atual do bicho teria surgido há menos de 45 mil anos -- quase nada para a evolução.

domingo, 1 de junho de 2008

A "mãe dos peixes" tem 380 milhões de anos

Materpiscis attenborough


A mãe mais antiga da Terra, um peixe com cerca de 380 milhões de anos, foi descoberta no litoral noroeste da Austrália, ainda com seu embrião ligado pelo cordão umbilical, revelou a revista britânica Nature.O fóssil, batizado "Materpiscis attenborough", não é apenas o primeiro embrião fóssil encontrado com seu cordão umbilical, como também a criatura mais antigua a dar a luz.
Este tipo de nascimento, no qual um peixe produz um filhote que já foi formado (vivíparo) e não um ovo, se assemelha às atuais práticas de reprodução de algumas espécies como os tubarões e as arraias.
"A descoberta é claramente uma das mais extraordinárias jamais realizadas de um fóssil e modifica a compreensão sobre a evolução dos vertebrados", indicou John Long, do departamento de Ciências do Museu australiano Victoria e co-descobridor do espécime.Long e seus colegas Kate Trinajstic, Gavin Young e Tim Senden ficaram surpresos ao constatar este processo de reprodução em um peixe antigo, que fez retroceder em 200 milhões de anos a primeira prova de reprodução vivípara.
"Isso nos demonstra que a reprodução vivípara acontece ao mesmo tempo que a colocação dos ovos, e que estes mecanismos evoluíram em paralelo, ao invés de sucessivamente", explica Trinajstic.
A descoberta do embrião e do cordão umbilical na "mamãe peixe" oferece o primeiro exemplo de fertilização interna, ou seja, de penetração sexual, segundo o estudo.
O fóssil de 25 cm pertence a um grupo de vertebrados chamados placodermos, que habitaram os mares no período Devoniano e devem seu nome a sua coraça de placas dérmicas.
Entre 350 e 420 milhões de anos, foram os grandes predadores, por isso são conhecidos como os "dinossauros do mar".O fóssil encontrado na Austrália é uma criatura extraordinariamente bem conservada, que contém um embrião único conectado por um cordão calcificado.
Embrião e cordão quase passaram despercebidos, escondidos em sua carapaça de osso e pedra, quando uma dúvida tomou conta dos pesquisadores.
"John e eu estávamos a ponto de classificar o peixe, quando decidimos dar um último banho de ácido para ver se podíamos limpá-lo melhor", recorda Trinajstic, da Universidade de Crawley.
Uma decisão arriscada: algumas gotas de ácido a mais e o conjunto teria sido reduzido a migalhas."Quando o retiramos do banho, o embrião estava lá, tão bem preservado que não podia se tratar de outra coisa", concluiu.

O QUE ESCUTAMOS?


Quadro: artes visuais

Na 83° edição do ALACAZUM PALAVRAS PARA ENTRETER, o artista plástico Horacio Martinez teceu comentários sobre Amedeo Clemente Modigliani (Livorno, 12 de Julho de 1884 - Paris, 24 de Janeiro de 1920) foi um artista plástico e escultor italiano que viveu em Paris.

Amedeo Modigliani

Amedeo Modigliani
Portrait of Maude Abrantes, 1907
'Woman's Head', limestone sculpture by Amedeo Modigliani, 1912


Self-portrait, 1919, oil on canvas

ALACAZUM EM: o que degustará a família MARTÍNEZ?

O ALACAZUM a partir de sua 82° edição criou um momento de descontração em que a apresentadora instiga o artista plástico Horacio Martinez para que ele diga qual o prato do dia, já que o artista tem a habilidade na culinária doméstica principalmente em sua casa. Neste domingo 1 de junho, o artista plástico Horacio Martinez revelou para o público leitor do ALACAZUM o que faria para o almoço. Segue receita enviada pelo artista. Aguarde! Próximo domingo o que degustará a família MARTINEZ ?
Nhoque Gigante

Massa:
1/2 Kg de batata, cozida em água e sal
1 colher (sopa) de margarina
Noz-moscada e pimenta-do-reino, a gosto
1 ovo
3 colheres (sopa) de maizena
5 colheres (sopa) de farinha de trigo
2 colheres (sopa) de queijo ralado

Recheio:
200 g de presunto, em fatias
200 g de mozarela, em fatias
2 ovos cozidos, picados

Passe as batatas ainda quentes no espremedor. Junte a margarina, a noz-moscada, a pimenta-do-reino, o ovo e amasse. Adicione, aos poucos, a maizena, a farinha e o queijo ralado. Abra a massa com as mãos sobre uma mesa enfarinhada, formando um rocambole. Coloque sobre um guardanapo e amarre as duas pontas do lado (como bombom).Cozinhe em bastante água fervente com sal por 35 minutos. Retire o rocambole do guardanapo e coloque sobre uma travessa. Cubra com molho de tomate quente e sirva a seguir. Bom apetite!

De Cantares Gallegos

Na foto: Rosalía de Castro*

de Cantares Gallegos (1863)
Campanas de Bastabales,
cando vos oio tocar,
mórrome de soidades.
I
Cando vos oio tocar,
campaniñas, campaniñas,
sin querer torno a chorar.
Cando de lonxe vos oio
penso que por min chamades
e das entrañas me doio.
Dóiome de dór ferida,
que antes tiña vida enteira
e hoxe teño media vida.
só media me deixaron
os que de aló me trouxeron,
os que de aló me roubaron.
Non me roubaron, traidores,
¡ai!, uns amores toliños,
¡ai!, uns toliños amores.
Que os amores xa fuxiron,
as soidades viñeron...
de pena me consumiron.
V
Corre o vento, o río pasa.
Corren nubes, nubes corren
camiño da miña casa.
Miña casa, meu abrigo,
vanse todos, eu me quedo
sin compaña nin amigo.
Eu me quedo contemprando
as laradas das casiñas
por quen vivo sospirando.
..............................
Ven a noite,
morre o día,
as campanas tocan lonxe
o tocar do Ave María.
Elas tocan pra que rece;
eu non rezo que os saloucos
afogándome parece
que por mín tén que rezar.
Campanas de bastabales,
cando vos oio tocar,
mórrome de soidades.
*Rosalia de Castro (Santiago de Compostela, 21 de fevereiro de 1837 — Padrón, 15 de julho de 1885) foi uma escritora e poeta galega.
Considerada como a fundadora da literatura galega moderna, o 17 de Maio, Dia das Letras Galegas é feriado por causa de ser a data de edição da sua primeira obra em idioma galego Cantares Galegos.

Literatura

O livro infantil "Conto de Escola", de Machado de Assis, publicado no Brasil pela Cosac Naify, será adotado na França. De acordo com a informação, a obra foi selecionada pelo Ministério da Educação Nacional, para alunos de oito a dez anos.

Fonte: Folha on line

Cinema

A atriz brasileira Sandra Corveloni foi premiada neste domingo, 25 de maio de 2008, como melhor atriz no 61º Festival de Cannes, por sua atuação no filme “Linha de passe”, dirigido por Walter Salles e Daniela Thomas. Apesar de ser seu primeiro trabalho no cinema, ela desbancou atrizes como Angelina Jolie, que concorria pelo longa "The exchange", Arta Dobroshi, do elogiado "O silêncio de Lorna", e Catherine Deneuve, que ficou com um prêmio especial pelo conjunto da obra.
Fonte: G1

Expressão popular

VÁ PENTEAR MACACOS!
Esta frase é adaptação brasileira de um provérbio português que diz: "Mau grado haja a quem asno penteia". Na tradição de Portugal, pentear burros e jumentos seria tarefa menor, quase desnecessária. Provavelmente o verbo significava "escovar" - um luxo para animais de carga- mais no século XVIII o animal já havia sido substituido por bugio em Portugal e por macaco no Brasil, tal como aparece em documentos de 1756 assinado pelo rei Dom José (1714 - 1777). A expressão: Vá pentear macacos!, está registrada por Luis da Câmara Cascudo, estudioso brasileiro, em seu livro: Expressões populares do Brasil.
E lembre-se: Se alguém disser para você "VÁ PENTEAR MACACOS! acredite, é ofensa. O mesmo não quer você por perto. Está te mando para bem longeeeeeeee!

Participação do ouvinte-leitor ALACAZUM

Na 83° edição do ALACAZUM PALAVRAS PARA ENTRETER, recebemos via MSN a produção literária do estudante Etevaldo Santos, residente na cidade de Valença- Bahia- Brasil e privilegiamos fazendo a leitura do texto. Você também pode enviar a sua produção literária para o seguinte endereço:
Comércio de almas de isopores
Crianças com enormes pedras nas mãos tentam quebrar suas próprias cabeças, juventude renegada se aproxima das mesas e perdem suas vidas em portas de banheiro de bar, os velhos se sentam e assistem aos novos reclames do plin, plin e obedecem a um novo sistema.
Um novo paraíso tropical com mensagens de inferno ocidental
Cigarros contrabandeados dentro de Mônaco e trocado por roupas de camelô brasileiro para serem vendidas como alimento em lojas francesas, águas que são contaminadas pelo suor dos foguetes da china dão idéias às camisas escritas EUA vestidas por duas judias que é atração em um museu Alemão chicletes argentinos cuspidos por duas crianças sujas de mãos amarradas no Líbano.
Programas inteligentes criados por analfabetos com mais de setenta anos de idade, calcinhas de tamanhos pequenos, protegidas dentro de cofres de segurança com senhas número zero e um dentro do cofre haviam lixos reciclado em território americano sendo o prato mais caro e comido com bastante prazer e desperdício no vaticano.
By Etevaldo Santos

Dica de leitura

Livro "Quando" da escritora Amália Grimaldi

Livro "Histórias sem data" de Machado de Assis


Na 83° edição do ALACAZUM PALAVRAS PARA ENTRETER sugerimos a leitura de 2 livros: "Histórias sem data", contos de Machado de Assis e "Quando" da escritora Amália Grimaldi.
Para você que vive na região do baixo sul da Bahia, poderá adquirir estes dois exemplares na LIVRARIA CRIATIVA-Rua Conselheiro Cunha Lopes, n° 17 Centro Valença- Bahia Telefax (75) 3643- 1858

Quadro: a hora da poesia

Na foto: José Régio


José Régio
Cântico Negro

"Vem por aqui" — dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!
"Eu olho-os com olhos lassos,(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
A minha glória é esta:
Criar desumanidades!
Não acompanhar ninguém.
— Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe
Não, não vou por aí!
Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?
Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.
Como, pois, sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...
Ide!
Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tetos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém!
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.
Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onda que se alevantou,
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou,
Sei que não vou por aí!

José Régio, pseudônimo literário de José Maria dos Reis Pereira, nasceu em Vila do Conde em 1901. Licenciado em Letras em Coimbra, ensinou durante mais de 30 anos no Liceu de Portalegre. Foi um dos fundadores da revista "Presença", e o seu principal animador. Romancista, dramaturgo, ensaísta e crítico, foi, no entanto, como poeta. que primeiramente se impôs e a mais larga audiência depois atingiu. Com o livro de estréia — "Poemas de Deus e do Diabo" (1925) — apresentou quase todo o elenco dos temas que viria a desenvolver nas obras posteriores: os conflitos entre Deus e o Homem, o espírito e a carne, o indivíduo e a sociedade, a consciência da frustração de todo o amor humano, o orgulhoso recurso à solidão, a problemática da sinceridade e do logro perante os outros e perante a si mesmos.

Enquete

A enquete realizada pelo programa radiofônico ALACAZUM PALAVRAS PARA ENTRETER entre os dias 25 de maio de 2008 a 01 de junho de 2008, fez a seguinte pergunta:
A quem pertence a floresta AMAZÔNICA?
O ALACAZUM ofereceu 3 opções:
1- E.U.A.
2- investidores internacionais
3-ao povo brasileiro
13% dos internautas optaram pelo ítem n° 02
86% dos internautas optarama pelo ítem n°03
Obrigada a todos os participantes. ALACAZUM PARA VOCÊ!

A AMAZÔNIA PERTENCE AO POVO BRASILEIRO

Durante debate em uma Universidade, nos Estados Unidos, o ex-governador do Distrito Federal, Cristovam Buarque, foi questionado sobre o que pensava da internacionalização da Amazônia. O jovem americano introduziu sua pergunta dizendo que esperava a resposta de um humanista e não de um brasileiro. Esta foi a resposta de senhor Cristovam Buarque:
"De fato, como brasileiro eu simplesmente falaria contra a internacionalização da Amazônia. Por mais que nossos governantes não tenham o devido cuidado com esse patrimônio, ele é nosso. Como humanista, sentindo o risco da degradação ambiental que sofre a Amazônia, posso imaginar a sua internacionalização, como também de tudo o mais que tem importância para a Humanidade.
Se a Amazônia, sob uma ótica humanista, deve ser internacionalizada, internacionalizemos tambéma as reservas de petróleo do mundo inteiro. O petróleo é tão importante para o bem-estar da humanidade quanto a Amazônia para o nosso futuro. Apesar disso, os donos das reservas sentem-se no direito de aumentar ou diminuir a extração de petróleo e subir ou não o seu preço.
Da mesma forma, o capital financeiro dos países ricos deveria ser internacionalizado. Se a Amazônia é uma reserva para todos os seres humanos, ela não pode ser queimada pela vontade de um dono, ou de um país. Queimar a Amazônia é tão grave quanto o desemprego provocado pelas decisões arbitrarias dos especuladores globais. Não podemos deixar que as reservas financeiras sirvam para queimar países inteiros na volúpia da especulação.
Antes mesmo da Amazônia, eu gostaria de ver a internacionalizãção de todos os grandes museus do mundo. O Louvre não deve pertencer apenas a França. Cada museu do mundo é guardião das mais belas peças produzidas pelo gênio humano. Não se pode deixar que esse patrimônio cultural, como o patrimônio natural amazônico, seja manipulado e destruído pelo gosto de um proprietário ou de um país. Não faz muito tempo, um milionário japonês, decidiu enterrar com ele, um quadro de um grande mestre. Antes disso, aquele quadro deveria ter sido internacionalizado.
Durante este encontro, as Nações Unidas estão realizando o Fórum do Milênio, mas alguns presidentes de países tiveram dificuldades em comparecer por constrangimentos na fronteira dos EUA. Por isso, eu acho que Nova York, como sede das Nações Unidas, deve ser internacionalizada. Pelo menos Manhatam deveria pertencer a toda a humanidade. Assim como Paris, Veneza, Roma, Londres, Rio de Janeiro, Brasília, Recife, cada cidade, com sua beleza específica, sua história do mundo, deveria pertencer ao mundo inteiro.
Se os EUA querem internacionalizar a Amazônia, pelo risco de deixá-la nas mãos de brasileiros, internacionalizemos todos os arsenais nucleares dos EUA. Até porque eles já demonstraram que são capazes de usar essas armas, provocando uma destruição milhares de vezes maior do que as lamentáveis queimadas feitas nas florestas do Brasil.
Nos seus debates, os atuais candidatos a presidência dos EUA tem defendido a idéia de internacionalizar as reservas florestais do mundo em troca da divida. Comecemos usando essa dívida para garantir que cada criança do mundo tenha possibilidade de COMER e de ira a escola. Internacionalizemos as crianças, tratando-as, todas elas, não importando o país onde nasceram, como patrimônio que merece cuidados do mundo inteiro. Ainda mais do que merece a Amazônia. Quando os dirigentes tratarem as crianças pobres do mundo como um patrimônio da humanidade, eles não deixarão que elas trabalhem quando deveriam estudar, que morram quando deveriam viver.
Como humanista, aceito defender a internacionalização do mundo. Mas, enquanto o mundo me tratar como brasileiro, lutarei para que a Amazônia seja nossa. Só nossa!"
Publicado no New York Times, Washington Post e nos maiores jornais da Europa e Japão em agosto de 2001.

"De quem é esta floresta amazônica, afinal?"

Amazônia

Reportagem publicada no jornal americano "The New York Times" no último dia 18 afirmou que a sugestão feita por líderes globais de que a Amazônia não é patrimônio exclusivo de nenhum país está causando preocupação no Brasil.
No texto intitulado "De quem é esta floresta amazônica, afinal?", assinado pelo correspondente do jornal no Rio de Janeiro Alexei Barrionuevo, o jornal diz que "um coro de líderes internacionais está declarando mais abertamente a Amazônia como parte de um patrimônio muito maior do que apenas das nações que dividem o seu território".
O jornal cita o ex-vice-presidente americano Al Gore, que em 1989 disse que "ao contrário do que os brasileiros acreditam, a Amazônia não é propriedade deles, ela pertence a todos nós".Reação
Esta não é a primeira vez que Lula reage às críticas externas sobre a política ambiental brasileira. Em evento no Rio na última segunda-feira, Lula disse que o povo brasileiro é o dono da Amazônia. Ele destacou que é preciso diminuir o desmatamento e as queimadas na região e criticou a interferência de países estrangeiros no debate.
"É muito engraçado que países que são responsáveis por 70% da poluição do planeta agora ficam de olho na Amazônia, como se fosse apenas nossa a responsabilidade de fazer o que eles não fizeram todos os anos passados. O mundo precisa entender que a Amazônia brasileira tem dono. É o povo brasileiro, que são os índios, os seringueiros, os pescadores, mas também somos nós, que temos consciência que é preciso diminuir o desmatamento e as queimadas."

Floresta Amazônica

A Floresta Amazônica é a floresta equatorial que ocupa a maior extensão do território amazônico. É uma das três grandes florestas tropicais do mundo. A hiléia amazônica (como a definiu Alexander von Humboldt) possui a aparência, vista de cima, de uma camada contínua de copas, situadas a aproximadamente 50 metros do solo.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Floresta_Amaz%C3%B4nica

83° edição do ALACAZUM

ALACAZUM PARA VOCÊ!
Fábio Costa - Técnico em Informática - Amargosa- Bahia- Brasil
Maria das Graças Machado Costa - Pedagoga, exercendo a profissão de professora com muito orgulho- Amargosa-Bahia- Brasil
Joaquim José Costa Neto- Caminhoneiro - Amargosa- Bahia- Brasil
Cecílio Bastos -Estudante de Jornalismo- Juazeiro- Bahia- Brasil
Erik Martinez- Argentina
Nuria, Marcelo, Lara e Carolina - Argentina