segunda-feira, 8 de novembro de 2010
O HOMEM QUE CALCULAVA DE MALBA TAHAN
Em nome de Allah, Clemente e Misericordioso!
O leão, o tigre e o chacal abandonaram, certa vez, a furna sombria em que viviam e saíram, em peregrinação amistosa, a jornadear pelo mundo, á procura de alguma região rica em rebanhos de tenras ovelhinhas.
Em meio de grande floresta o temível leão, que chefiava, naturalmente, o grupo, sentou-se, fatigado, sobre as patas traseiras, e erguendo a cabeça enorme soltou um rugido tão forte que fez tremer as árvores mais próximas.
O tigre e o chacal entreolharam-se assustados. Aquele rugido ameaçador com que o perigoso monarca, de juba escura e garras invencíveis, perturbava o silêncio da mata, traduzido para uma linguagem ao alcance dos outros animais, queria dizer, laconicamente, o seguinte: Estou com fome.
-A vossa impaciência é perfeitamente justificável! - observou o chacal dirigindo-se humildemente ao leão.- Asseguro-vos, entretanto, que conheço, nesta floresta, um atalho misterioso, do qual as brutas feras jamais tiveram notícia. Por ele poderíamos chegar, com facilidade, a um pequeno povoado, quase em ruínas, onde a caça é abundante, fácil, ao alcance das garras, e isenta de qualquer perigo!
- Vamos chacal! - acudiu, de pronto, o leão.- Quero conhecer e admirar esse recanto adorável!
Ao cair da tarde, guiados pelo chacal, chegaram os viajantes ao alto de um monte, não muito elevado, donde se descortinava uma pequena e verdejante planície.
No meio dessa planície achavam-se, descuidados, alheios ao perigo que os ameaçava, três pacíficos animais: uma ovelha, um porco e um coelho.
Ao avistar a presa fácil e certa, o leão sacudiu a juba abundante num movimento de incontida satisfação. E com os olhos brilhantes de gula, voltou-se para o tigre e rosnou, em tom possivelmente amistoso:
- Ó tigre admirável! Vejo ali três belos e saborosos petiscos: uma ovelha, um porco e um coelho! Tu, que és vivo e esperto, deves saber, com talento, dividir três por três. Faze, pois, com justiça e equidade essa operação fraternal: dividir três caças por três caçadores!
Lisonjeado com semelhante convite, o vaidoso tigre, depois de exprimir com uivos de falsa modéstia a sua incompetência e o seu desvalor, assim respondeu:
- A divisão que generosamente acabais de propor, ó rei, é muito simples e pode fazer-se com relativa facilidade. A ovelha, que é o maior dos três petiscos, o mais saboroso e, sem dúvida, capaz de saciar a fome de um bando de leões do deserto, cabe-vos, de pleno direito. A ovelha será vossa, exclusivamente vossa! Aquele porquinho magro, sujo e despiciendo, que não vale uma perna da bela ovelha, ficará para mim, que sou modesto e com bem pouco me contento. E, finalmente, aquele minúsculo e desprezível coelho, de reduzidas carnes, indigno do paladar apurado de um rei, tocará ao nosso companheiro chacal, como recompensa pela valiosa indicação que há pouco nos proporcionou.
- Estúpido! Egoista! - ruiu o pavoroso leão, tomado de fúria indescritivel! - Quem te ensinou a fazer divisões dessa maneira, imbecil? Onde já viste uma partilha de três por três ser resolvida desse modo?
E, erguendo a pesadíssima pata, descarregou na cabeça do desprevenido tigre tão violenta pancada que o atirou morto a alguns passos de distância.
Em seguida, voltando-se para o chacal, que assistira estarrecido àquele trágico desfecho da divisão de três por três, assim falou:
- Meu caro chacal! Sempre fiz da tua inteligência o mais elevado conceito. Sei que és o mais engenhoso e esclarecido dos animais da floresta, e outro não conheço que possa levar-te a melhor na habilidade com que sabes resolver os mais inextricáveis problemas. Encarrego-te, pois, de fazer essa divisão simples e banal, que o estúpido do tigre (como acabaste de ver) não soube efetuar satisfatoriamente. Estás vendo, amigo chacal, aqueles três apetitosos animais, a ovelha, o porco e o coelho? Somos dois e os animais apetitosos são três. Pois bem: vais dividir os três por dois! Vamos: faze logo os cálculos, pois preciso saber qual é o quociente exato que a mim cabe!
- Não passo de humilde e rude servo de Vossa Majestade - ganiu o chacal, em tom humílimo de respeito. Cumpre-me, pois, obedecer, cegamente à ordem que acabo de receber. Vou, como se fora um sábio geômetra, dividir aqueles três animais por nós dois. Trata-se de uma simples divisão de três por dois! A divisão matematicamente certa e justa é a seguinte: a admirável ovelha, manjar digno de um soberano, cabe aos vossos reais caninos, pois é indiscutível que sois o rei dos animais; o belo bacorinho, do qual estou ouvindo os harmoniosos grunhidos, deve caber também ao vosso real paladar, visto dizerem os entendidos que a carne de porco dá mais força e energia aos leões, e o saltitante coelho, com sua longas orelhas, deve ser, também, por vós saboreado a titulo de sobremesa, já que aos reis, por lei tradicional entre os povos, cabem sempre, como complemento dos opiparos banquetes, os manjares finos e delicados.
- Ó incomparável chacal! -exclamou o leão, encantado com a partilha que acabava de apreciar. - Como são harmoniosas e sábias as tuas palavras! Quem te ensinou esse artificio maravilhoso de dividir, com tanta perfeição e acerto, três por dois?
- A patada com que vossa justiça puniu, há pouco, o tigre arrogante e ambicioso, ensinou-me a dividir, com segurança, três por dois, quando desses dois, um é o leão, outro é chacal! Na matemática do mais forte, penso eu, o quociente é sempre exato e ao mais fraco depois da divisão nem o resto deve caber!
E desse dia em diante, inspiradas na mais torpe sabujice, julgou o astucioso chacal que poderia viver tranquilo a sua vida de bajulador a regalar-se com os sobejos que deixava o sanguinário leão.
Enganou-se.
Decorridas duas ou três semanas, o leão irritado, faminto, desconfiou do servilismo do chacal e deu-lhe violenta patada, matando-o cruelmente.
Cabe aqui advertir.
É que a verdade deve ser dita, redita, e quarenta vezes repetida:
- O castigo de Deus está mais perto do pecador, do que as pálpebras estão dos olhos!
- Eis aí, ó judicioso ulemá Nascif- concluiu Beremiz - eis ai, narrada com a maior simplicidade, uma fábula, na qual assinalamos duas divisões. A primeira foi uma divisão de três por três, que foi indicada, mas deixou de ser efetuada. A segunda foi uma divisão de três por dois, que foi efetuada sem deixar resto.
Ouvidas essas palavras do calculista, fez-se no divã do rei, profundo silêncio. Aguardavam todos, com vivo interesse, a apreciação ou melhor, a sentença do terrível arguidor:
O cheique Nascif Rahal, depois de ajeitar nervosamente o seu gorro verde e passar a mão pela barba, proferiu com certo azedume, o seu julgamento:
- A fábula narrada atendeu, perfeitamente ás exigências por mim formuladas. Confesso que não a conhecia. É, a meu ver, das mais felizes. O famoso Esopo, o grego, não faria melhor. É esse o meu parecer. Allah porém é mais sábio e mais justo.
A narrativa de Beremiz, aprovada pelo cheique do gorro verde, agradou a todos os vizires e nobres muçulmanos. O principe Cluzir Sschá, hóspede do rei, declarou em voz alta:
- Encerra essa fábula que acabamos de ouvir, profunda lição de moral. Os vis bajuladores que rastejam nas cortes, sobre os tapetes dos poderosos, podem, a principio, tirar algum proveito das subserviências, mas, no fim, são e serão sempre castigados, pois o castigo de Deus está sempre bem perto do pecador. Vou narrá-la aos meus amigos e auxiliares, logo que voltar para as terras de Lahore!
Do soberano árabe a narrativa de Beremiz mereceu o qualificativo de maravilhosa. Determinou ainda, o grande emir, que a singular divisão de três por três fosse conservada nos arquivos do Califado, pois a narrativa de Beremiz, por suas elevadas finalidades morais, merecia ser escrita com letras de ouro nas asas transparentes de uma borboleta branca do Cáucaso.
sábado, 6 de novembro de 2010
Na 195° edição do ALACAZUM PALAVRAS PARA ENTRETER

Na 195° edição do programa radiofônico ALACAZUM PALAVRAS PARA ENTRETER que foi ao ar no dia 31 de outubro de 2010, transmissão pela Rádio Clube de Valença 650 KHZ AM apreciamos a história: Por que a garça fica apoiada em uma perna só de Adilson Martins.
A grande garça vermelha africana fica sempre parada dentor da água, apoiada em uma perna só, e poucos sabem que existe um motivo para isso.
Certa vez, a garça vermelha, em busca de alimento, comeu o rei dos caranguejos.
O fato criou uma grande revolta e os caranguejos, muito zangados, juraram vingar a morte do seu rei.
Reunidos, resolveram que, quando achassem a garça, que sabiam possuir duas pernas vermelhas e brilhantes, morderiam-nas até arrancá-las, deixando a ave sem defesa e acabando com sua vida.
Acontece que o ratão-d´água ouviu a conversa dos caranguejos e foi contar a garça vermelha o plano de vingança dos malvados.
- O que fazer? - perguntou assustada a bela garça.
- Mais cedo ou mais tarde me encontrarão e, arrancando minhas pernas, irão me matar!
Desesperada, a garça pôs-se a chorar, o que deixou o ratão-d´água com muita pena.
- Calma! - pediu o ratão- Tenho uma ideia que poderá salvar a sua vida.
- Que ideia?- perguntou nervosa a bela garça.
- O que os caranguejos procuram é uma ave com duas pernas vermelhas e brilhantes. Basta que você fique sempre apoiada em uma só perna de cada vez"- respondeu o ratão.
E assim foi feito, já que não havia outra saída.
Quando os caranguejos chegaram, encontraram um bicho muito alta, com um grande bico e uma perna só.
Seguindo seu caminho, disseram entre si:
- Nosso inimigo possui duas pernas! Nenhum animal com uma perna só seria capaz de derrotar nosso rei!
É por isso que, a partir desse dia, para enganar os caranguejos, a garça vermelha passou a ficar sempre apoiada em cima de uma perna só.
Retirado do livro: O papagaio que não gostava de mentiras e outras fábulas africanas de Adilson Martins , Ilustrações de Luciana Justiniani Hees.
Garça Vermelha: Ardea purpurea

A garça vermelha é uma grande ave aquática, que se alimenta de peixes e outros animais que encontra nos rios. Ela é migratória: passa o verão na Europa e o inverno na África. É uma ave grande, que pode chegar a 1 metro de altura e 1,5 m entre as pontas das asas abertas. Segundo alguns pesquisadores, a garça vermelha foi a inspiração para a fênix, uma ave mítica que, segundo a lenda, quando chega ao fim de um ciclo de vida, faz um ninho com galhos de canela, entra nele e o incendeia. Ninho e ave se transformam em cinzas e delas surge uma nova fênix, que vai viver pelo mesmo tempo que a antiga viveu.
sexta-feira, 5 de novembro de 2010
LURA
Na 195° edição do programa radiofônico ALACAZUM PALAVRAS PARA ENTRETER que foi ao ar no dia 31 de outubro de 2010, transmissão pela Rádio Clube de Valença 650 KHZ AM apreciamos na abertura do programa a música: Na ri na na interpretação da cantora Lura.
Fonte da imagem:Lura@Magazzini Generali 01.jpg
O MENINO E O JACARÉ

quinta-feira, 4 de novembro de 2010
SOU UM GUARDADOR DE REBANHOS...

Na 195° edição do programa radiofônico ALACAZUM PALAVRAS PARA ENTRETER que foi ao ar no dia 31 de outubro de 2010, transmissão pela Rádio Clube de Valença 650 KHZ AM apreciamaos o poema o belíssimo poema de Fernando Pessoa.
quarta-feira, 3 de novembro de 2010
DESAFIO MUSICAL: ATIRASTE UMA PEDRA

É isso ali
Na 195° edição do programa radiofônico ALACAZUM PALAVRAS PARA ENTRETER que foi ao ar no dia 30 de outubro de 2010, transmissão pela Rádio Clube de Valença 650 KHZ AM apreciamos os poemas de José Paulo Paes.ALFABETO
O A é uma escada
bem aberta, pela qual
se sobe ou se desce.
As duas barrigas
do B nos ajudam
a escrever "Balofo".
O C é uma foice
sem cabo, mas corta. Aliás,
Não há "corte"sem C.
Embora princ[ipio
da palavra "Dedo", o D
parece uma unha.
Tem jeito de garfo
a letra E, assim no fim
da palavra "Fome".
O F deve ir
a um dentista, corrigir
os dentes de cima.
O G engoliu
a própria língua. Por isso
é a letra de "Gago".
O H, uma cama
de lado, mas sem nenhum
dorminHoco em cima.
Na orquestra das letras
o I, de tão fino, é flauta
ou então flautim.
Nessa mesma orquestra
do J um trombone, jorra
música tamb[em.
O L é a única
perna do saci peraLta:
eLe puLa que puLa.
No M, o caMelo
tem suas duas corcovas
já no próprio nome.
N numa porteira
de fazeNda, separando
a casa do pasto.
O O, numa bOca
que, num espanto redondo,
diz apenas: Ò!
segunda-feira, 1 de novembro de 2010
UM DIA BRANCO

um mar de beladona
Um movimento
Inteiro, unido, adormecido
Como um só momento.
Eu quero caminhar como quem dorme
Entre países sem nome que flutuam.
Imagens tão mudas
Que ao olhá-las me pareça
Que fechei os olhos.
Um dia em que se possa não saber.
Sophia de Mello Breyner Andresen
DIA BRANCO

Na 195° edição do programa radiofônico ALACAZUM PALAVRAS PARA ENTRETER que foi ao ar no dia 31 de outubro de 2010, transmissão pela Rádio Clube de Valença 650 KHZ AM, apreciamos a música: Dia Branco na interpretação da cantora brasileira Elba Ramalho contextualizando o poema: Um dia branco de Sophia de Mello Breyner Andresen, poetisa portuguesa.
Composição: Geraldo Azevedo e Renato Rocha
Se você vier
Pro que der e vier comigo
Te prometo o Sol
Se hoje o Sol sair
Ou a chuva
Se a chuva cair
Se você
Se você vier
Até onde a gente chegar
Numa praça na beira do mar
Num pedaço de qualquer lugar
Nesse dia branco
Se branco ele for
Esse tanto, esse canto, esse tão grande amor,
Grande amor,
Se você quiser e vier
Pro que der e vier comigo
Comigo
Comigo
sábado, 30 de outubro de 2010
Na 194° edição do ALACAZUM PALAVRAS PARA ENTRETER
Na 194° edição do programa radiofônico ALACAZUM PALAVRAS PARA ENTRETER que foi ao ar no dia 24 de outubro de 2010, transmissão pela Rádio Clube de Valença 650 KHZ AM apreciamos na introdução do programa versos que refletem a ecologia.
Retirado do livro: SEIS RAZÕES PRA DIMINUIR O LIXO NO MUNDO de Nilson José Machado e SIlmara Rascalha Casadai. Ilustração Vera Andrade. Faz parte do Kit Pontos de Leitura conquistado pelo ALACAZUM quando do I CONCURSO PONTOS DE LEITURA 2008: Homenagem a Machado de Assis do Governo Federal.
Aluna do IFBA representa a Bahia em Olimpíada de Língua Portuguesa
Na 194° edição do programa radiofônico ALACAZUM PALAVRAS PARA ENTRETER que foi ao ar no dia 24 de outubro de 2010, transmissão pela Rádio CLube de Valença 650 KHZ AM apreciamos a crônica da aluna Carolina de Farias C. da Silva- Aluna do primeiro ano de turismo do IFBA, Campus Valença- Bahia
Lição na Praça
Estava sentada há horas no banco estrépido da Praça da República, centro de Valença, pertinho da rua Deocleciano Gomes, onde moro. Nada me chamava atenção. Apenas o cansaço e o sono me tomavam. Três semanas de avaliações e trabalhos escolares esculpidos na minha postura encurvada e no meu olhar caído. De súbito, o som de buzinas me fizeram despertar para um engarrafamento que estava acontecendo à minha frente – nada incomum – uma fileira de carros de variadas cores e diversos modelos, novos e velhos, motoristas estressados e impacientes. Já voltando a abaixar o olhar, um garoto passa correndo em direção à rua. Passaria despercebido por mim, como tantos outros, jeito malandro, roupas velhas, pouca idade (oito a dez anos) e uma caixa que trazia nas mãos. Contudo, não foi assim desta vez. Minha curiosidade feminina foi aguçada e me fez observar o que faria ele indo em direção aos carros. Parou ao lado de um veículo prata e fez sinal para que baixassem o vidro fume. Imediatamente pensei que se tratasse de um assalto, mas logo desisti da idéia pois havia muita gente no local e era só uma criança. A realidade é que a infância está bem mais curta em nosso país, principalmente para os mais pobres. Na minha cidade esse triste fato pode ser fotografado nas ruas. Mas ainda custa admitir e aceitar isso. Bom, no carro, uma senhora de cinqüenta a sessenta anos, aparência cativadora e rosto bondoso, perguntou com tranqüilidade o que ele deseja. O garoto abriu jeitosamente a caixa e mostrou-lhe. O que havia ali dentro? Estique-me um pouco e vi balas, jujubas e pirulitos. A senhora, como eu, fez uma expressão de agrado, deixando o garoto animado. Entregou algumas moedas a ele, pegou umas balas e, num gesto amável, alisou os cabelos enrolados, curtos e pretos do menino. Neste momento, ele parecia estar no melhor de todos os lugares. Fui contagiada por aquela emoção. Em seguida, a idosa abaixou o vidro. O menino ainda estava parado e feliz quando foi despertado por uma garotinha, também com uma caixa na mão, que o impelia a continuar o trabalho. Como saindo de um sonho, o menino seguiu para o próximo carro no qual havia uma jovem. Ao ver os doces, ela afirmou não ter dinheiro. Nesse momento a surpresa: “ Então você passa a mão na minha cabeça?” perguntou o garoto.
A jovem ficou espantada. Novamente sons de buzinas. Ela deveria seguir, pois o semáforo deu passagem. A moça partiu. Foi-se também o menino, dirigindo-se à outra rua. Ficou em mim a emoção e a consciência de carência afetiva dos meninos do lugar onde moro, meninos que apesar de trabalharem o dia inteiro sem garantia de dinheiro, não passam horas sentados, lamentando cansaço e sono. Aprendi que sou dramática.
Carolina de Farias C. da Silva- Aluna do primeiro ano de turismo do IFBA, Campus Valença- Bahia. Participou das Olimpíadas da Língua Portuguesa escrevendo o futuro,organizado pelo Ministério da Educação e a Fundação Itaú Social.
Publicado no Jornal Valença Agora, quinta-feira, de 21 a 27 de outubro de 2010. ano IX n° 286. Lido no programa radiofônico ALACAZUM PALAVRAS PARA ENTRETER do dia 24 de outubro de 2010 (domingo)
sexta-feira, 29 de outubro de 2010
NÃO PERCA AS CRIANÇAS DE VISTA

Na 194° edição do programa radiofônico ALACAZUM PALAVRAS PARA ENTRETER que foi ao ar no dia 24 de outubro de 2010, transmissão pela Rádio CLube de Valença 650 KHZ AM apreciamos a música: Não perca as crianças de vista com O Rappa, contextualizando a crônica: Lição na Praça da Carolina de Farias C. da Silva- Aluna do primeiro ano de turismo do IFBA, Campus Valença- Bahia .
Não Perca As Crianças De Vista
Composição: O Rappa
Pra enxergar o infinito
Deixo quieto
Os jornais não informam mais
Eo, Eo,
Família, um sonho ter uma família
Família é quem você escolhe pra viver
quinta-feira, 28 de outubro de 2010
Ah, os amigos

Na 194° edição do programa radiofônico ALACAZUM PALAVRAS PARA ENTRETER que foi ao ar no dia 24 de outubro de 2010, transmissão pela Rádio Clube de Valença 650 KHZ AM, apreciamos a crônica: Ah, os amigos de Raquel de Queiroz.
Amizade e amor são qualidades paralelas na vida de cada um; se conhecem, até se estimam, mas nunca se encontram ou se confundem. Aliás, não estou dizendo novidade nenhuma, todo mundo sabe que o namoro, noivado, casamento, amores são relações essencialmente antípodas da amizade. Quer pela sua impermanência, ou, quando são permanentes, pela sua natureza tumultuária, absorvente, egoísta, as relações de amor têm que ter categoria á parte. Transforme em amante o seu amigo ou amiga, e você perde o amigo e terá um péssimo amante, que sabe todos os seus defeitos, lhe conhece do tempo em que você não se enfeitava para ele, não lhe escondia as suas falhas do corpo e da alma, e que, portanto, sabe de todos os seus pontos fracos. Fica impossível.
A primeira lei da boa amizade creio que é ter poucos amigos. Muitos camaradas, colegas, conhecidos cordiais, mas amigos, poucos. E, tendo poucos, poder e saber trata-los. Jamais criar tempo de rivalidade entre os amigos: cada um há de ter sua área específica, sua zona própria de influência. Não vê que cada amigo, por ser o único no seu território, não precisa sequer conhecer os donos dos outros territórios. É que, sendo a nossa alma tão variada nas suas exigências, precisamos de amigos de acordo com os diferentes ângulos do coração. O amigo da comunicação intelectual não pode ser o mesmo amigo da confidência íntima; o velho companheiro da infância não tem nada a ver com o precioso camarada adquirido nos anos de maturidade.
E há outras razões práticas para não misturar os amigos: eles podem se coligar contra a gente, ou se tornar amigos entre si, por conta própria, nos excluindo. Ou também podem se chatear uns com os outros, porque os companheiros espirituais deles nem sempre correspondem aos nossos. Se você adora fulano porque toca em suas cordas nostálgicas, contando-lhe lembranças de mocidade passadas na barranca de um rio em Mato Grosso, o seu amigo intelectual talvez não tolere regionalismo e por isso desdenhe intensamente as barrancas de Mato Grosso. Assim com o futebol, os debates sobre religião, as intrigas políticas, os negócios, o gosto de recordar os sambas de Noel Rosa. Insisto, mantenha com rigor cada amigo no seu compartimento.
Axioma absoluto em assuntos de amizade: amigo é insubstituível. O que um lhe deu jamais outro lhe poderá dar igual. Pode ser um amigo novo para preencher a área vazia deixada pelo amigo que se foi por morte ou briga. Mas só ocupará mesmo aquele espaço físico. E há vezes em quem isso é possível. E o melhor será fechar aquele nicho do coração, dada a dificuldade de encontrar outro ser vivo que satisfaça ante nós as especificações do ausente. Ai de mim, bem o sei. Minha amiga de infância que morreu deixou no meu peito esse santuário vazio.
Respeite seus amigos. Isso é essencial. Não procure influir neles, governa-los ou corrigi-los. Aceito-os como são. O lindo da amizade é a gente saber que é querida a despeito de todos os nossos defeitos. E nisso está outra superioridade da amizade sobre o amor: a amizade conhece as nossas falhas e as tolera e, até mesmo, as encara com condescendência e afeto. Já o amor é só de extremos e, ou se entrincheira na intolerância, ou se anula na cegueira total. Amigo entende, agüenta, perdoa. “Amigo é pra essas coisas”, como diz aquela cantiga tão bonita.
Se você não é capaz de ter amigos, você é um erro da natureza, você é como o unicórnio, o animal de que se fala mas não existe. Porque até os bichos têm amigos; e dizem que, depois da morte, no outro mundo, as almas mantêm sublimadas as amizades cá de baixo, naquela quintessência de excelências que só o céu pode dar.
21.9.1996.
Raquel de Queiroz- retirado do livro Coleção melhores crônica. Seleção e prefácio: Heloisa Buarque de Hollanda
AMIGO É PRA ESSAS COISAS...

Na 194° edição do programa radiofônico ALACAZUM PALAVRAS PARA ENTRETER que foi ao ar no dia 24 de outubro de 2010, transmissão pela Rádio Clube de Valença 650 KHZ AM escutamos a música: Amigo é pra essas coisas com Emílio Santiago, contextualizando a crônica: Ah, os amigos de Raquel de Queiroz.
Composição: Silvio Silva Júnior/Aldir Blanc
-Salve!
- Como é que vai?
- Amigo, há quanto tempo!
- Um ano ou mais...
- Posso sentar um pouco?
- Faça o favor
- A vida é um dilema
- Nem sempre vale a pena...
- Pô...
- O que é que há?
- Rosa acabou comigo
- Meu Deus, por quê?
- Nem Deus sabe o motivo
- Deus é bom
- Mas não foi bom pra mim
- Todo amor um dia chega ao fim
- Triste
- É sempre assim
- Eu desejava um trago
- Garçom, mais dois
- Não sei quando eu lhe pago
- Se vê depois
- Estou desempregado
- Você está mais velho
- É
- Vida ruim
- Você está bem disposto
- Também sofri
- Mas não se vê no rosto
- Pode ser...
- Você foi mais feliz
- Dei mais sorte com a Beatriz
- Pois é
- Pra frente é que se anda
- Você se lembra dela?
- Não
- Lhe apresentei
- Minha memória é fogo!
- E o l´argent?
- Defendo algum no jogo
- E amanhã?
- Que bom se eu morresse!
- Prá quê, rapaz?
- Talvez Rosa sofresse
- Vá atrás!
- Na morte a gente esquece
- Mas no amor agente fica em paz
- Adeus
- Toma mais um
- Já amolei bastante
- De jeito algum!
- Muito obrigado, amigo
- Não tem de quê
- Por você ter me ouvido
- Amigo é prá essas coisas
- Tá...
- Tome um cabral
- Sua amizade basta
- Pode faltar
- O apreço não tem preço, eu vivo ao Deus dará
quarta-feira, 27 de outubro de 2010
Esperando o furação

Na 194° edição do programa radiofônico ALACAZUM PALAVRAS PARA ENTRETER que foi ao ar no dia 24 de outubro de 2010, transmissão pela Rádio Clube de Valença 650 KHZ AM apreciamos a leitura da crônica: Esperando o Furação de Affonso Romano de Sant´Anna.
Estava há uma semana atrás na Carolina do Norte, exatamente no estado onde o furação “Floyd” ia bater furiosamente. Na véspera de minha ida, recebi da professora Mônica Rector, que me convidara, um paradoxal email: “o tempo está lindo e há um furação a caminho”.
Quando cheguei o tempo estava realmente lindo. Lindíssimo. A luz do dia perpassava por entre as folhagens dos bosques de carvalhos e pinheiros. Que paz, que harmonia entre as criaturas, a natureza e os objetos. Minha amiga levou-me a passear no bosque ao redor de sua bela casa de madeira, por onde passa um idílico riacho. Mostrou-me pelo chão, troncos abatidos de trinta e tantos carvalhos, que tombaram no furação de 1996.
Um furação está se aproximando e o tempo é lindo.
Sigo com os meus afazeres nas universidades de Chapel Hill e Duke, falando sobre um tema externamente tranqüilo, mas internamente tempestuoso – “Um poeta nos trópicos”. A poesia e os furações estéticos e sociais.
A televisão, no entanto, mostrava o apocalipse se aproximando da Flórida. Vinha a mais de 200 quilômetros por hora, avassalador, numa infernal espiral de água e vento.
Eu olhava pela janela e o sol brilhava. Pensava: “Esse furação vai bater na Flórida e para chegar aqui teria que passar pela Geórgia e Carolina do Sul. Mas a televisão prometia tragédia. A população da costa da Flórida recebe ordens de se retirar. Inicia-se o êxodo com milhares de carros pelas estradas. Os pedágios foram liberados. Caem árvores, inundações ocorrem, cais e píeres tombam n´água.
E a Y[TV anuncia que o furação “Floyd” agora estava vindo para o meu endereço. Com seu olho insano, havia me avistado no meio dos bosques de carvalho e naquela bucólica cada de madeira. Atingira a categoria cinco, equivalente a catástrofe, e atrás dele vinha já outro furação, “Gerd”, igualmente furioso.
Lá vem meu furação subindo a costa e aprendo que a pior tragédia ocorre onde ele pousa desncadeando dezenas de tornados. A televisão me informa que ele escolheu para aterrisar exatamente na minha região.
Em Chapel Hill a população esgota estoques de água mineral, pilhas, baterias e compensados dos supermercados. Compensados são para serem pregados sobre as portas e janelas envidraçadas. Pergunto ao casal que me hospeda, o que fazer. “Nada”- diz Tom- tomar certas precauções e esperar, porque isto é uma loteria, o furação pode descer aqui, adiante ou se desviar”.
Haveria uma recepção para mim naquela noite. Exatamente na noite, em que às 21 horas o furação deveria descer. Sugeri cancelarem o evento, porque imaginei eu e todos os convidados sendo arrebatados como anjos numa espiral cósmica, como só acontecia aos profetas bíblicos.
Penso em ir para um abrigo, pois minha hospedeira é voluntária da Cruz Vermelha, tem uniforme amarelo, botas, crachá e trabalhará num desses abrigos a partir de amanhã cedo. Além do mais, quero ver como se organizam os americanos diante da tragédia anunciada. Com efeito, estavam organizadíssimo. A vizinhança já havia se comunicado por e.mail, um dizendo “sou médico”, outra, “sou enfermeira”, e se colocando á disposição para emergências. A máquina da solidariedade social começava a funcionar. Suspensa a recepção para mim, continuavam os preparativos para a recepção ao furação. E chegam notícias que ele estava atrasado, ia chegar de madrugada, depois, que ia chegar de manhã.
Olho pela vidraça a noite lá fora. Chove e há um vento inquieto. Confirmam-se estragos em cidades a uns 300 quilômetros.
Aguardar assim o furação é como estar na arena enfrentando um touro, mas sem capa e espada.
Aguardar assim o furação é como em certos filmes estar num carro que, de repente, enguiça sobre os trilhos da linha férrea.
Aguardar assim o furação é como estar numa cidade sitiada, sendo atacado pelos mouros ou cruzados.
Aguardar assim o furação é como aquele personagem do conto de Hemingway, que cansado de fugir dos perseguidores deita-se e aguarda o fim.
É assim que se sente o sapo quando o olho da cobra o surpreende e ele, siderado, a vê e espera, impotente, o bote fatal.
Estranhamente, ás dez da noite, como quem está cansado de esperar Godot, desconfiei que a chuva e o vento estivessem me enviando outra mensagem. Não sei exatamente o que era, mas pensei, se ele vier – o touro negro, o minotauro do labirinto, a morte e suas foices – me encontrará tranqüilo.
Resolvi ir dormir, embora a cinco metros de meu quarto vários carvalhos balançassem ao vento me acenando qualquer coisa. Olhei objetos e roupas em torno como a me despedir ou para poder localiza-los no momento de fuga ou resist~encia.
Quando despertei às seis da manhã chovia ainda, mas algo me dizia que a elipse da morte havia se afastado de minha cabeceira. Dormi até as 8h, com o pensamento mágico de quem se diz: quando vier, se vier, me defenderei, olharei no olho do olho da fera.
De novo despertei. E conferi na televisão que a fatalidade havia seguido noutra direção. Abatera outras casas, afundara outros barcos, destroçara outras famílias e propriedades.
Com efeito, eu havia sido poupado.
Como se tudo aquilo não houvesse sido mais que um pesadelo, no final da tarde desse dia que se prometera apocalíptico, o sol brilhou. Brilhou como se sempre estivera ali, como se nenhuma sombra da morte houvesse jamais ameaçado as criaturas.
Dia seguinte saí passeando pelas ensolaradas alamedas de carvalhos e pinheiros, olhando a vida no olho, como no olho, em meio aos furações. Vou aprendendo a olhar a morte.
Affonso Romano de Sant`Anna – retirado do livro: Coleção melhores crônicas . Seleção e prefácio Letícia Malard
O OLHO DO FURAÇÃO

Na 194° edição do programa radiofônico ALACAZUM PALAVRAS PARA ENTRETER que foi ao ar no dia 24 de outubro de 2010, transmissão pela Rádio Clube de Valença 650 KHZ AM, escutamos a música: O olho do furação na interpretação dos Engenheiros do Hawai contextualizando a leitura da crônica: Esperando o furação de Affonso Romano de Sant`Anna .
Composição: Humberto Gessinger
Tudo muda ao teu redor,
o que era certo, sólido
dissolve, desaba, dilui, desmancha no ar
no moinho, giram as pás, e o tempo vira pó
de grão em grão, por entre os dedos, tudo parece escapar
estamos no centro, por dentro de tudo, no olho do furacão
estamos no centro de tudo que gira, na mira do canhão
se for parar pra pensar, não vai sair do lugar
!não tem parada errada, não! no olho do furacão
tudo gira ao teu redor o que era certo, sólido
evapora, vai-se embora, o que era líquido e certo
estamos no centro, por dentro de tudo, no olho do furacã
oestamos no centro de tudo que gira, na mira do canhão
se for parar pra pensar, não vai sair do lugar
!não tem parada errada, não! no olho do furacão
no olho do furacão...
terça-feira, 26 de outubro de 2010
NOVO QUADRO DO ALACAZUM: LEITURA INTINERANTE
Exatamente na edição de número 192 criamos o quadro: Leitura intinerante ou Circulo de Leitura. Consiste na circulação de livros entre ouvintes-leitores do programa radiofônico ALACAZUM PALAVRAS PARA ENTRETER. Aos domingos, mobilizamos para que as pessoas se inscrevam nas diferentes categorias de leitura: Infantil, Infanto-Juvenil e Adulto. Feita a inscrição que deverá ser voluntária e sem nenhum compromisso em resenhar ou visitar o programa para comentar a obra, o ouvinte-leitor ALACAZUM assume a responsabilidade de ler e devolver o livro para que outra pessoa tenha o privilegio de usufruir da mesma leitura. Até o momento estão inscritos: Maria Lúcia, que vive na rua Marechal Deodoro, na categoria adulto; Júlia, que vive na Vila Operária, na categoria Infanto-Juvenil; Manuel que vive no Bairro do Tamarineiro também na categoria Infanto-Juvenil e o garotinho João Victor na categoria Infantil. O ALACAZUM agradece a participação e a colaboração das famílias que tem incentivado a cada domingo os filhos e filhas na prática leitora. Precisamos levar adiante o propósito de tentar transformar o Brasil em um país leitor!
Desafio Musical
sexta-feira, 22 de outubro de 2010
Na 193° edição do ALACAZUM PALAVRAS PARA ENTRETER
- Na 193° edição do programa radiofônico ALACAZUM PALAVRAS PARA ENTRETER que foi ao ar no dia 17 de outubro de 2010, transmissão pela Rádio Clube de Valença 650 KHZ AM, desfrutamos da poesia de Celeste Martinez na abertura do programa.
Celeste Martinez- retirado do livro: Valenciando- antologia de escritores de Valença-Bahia
quinta-feira, 21 de outubro de 2010
Segunda noite do CONTATO teve Twelves e performances eletrônicas
Na movimentada tenda de instalações eletrônicas, o projeto "Universitários fazendo sexo" despertou a curiosidade do público pelo título sugestivo. O trabalho desenvolvido por Amauri de Freitas e Estevan José de Martinez, da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) faz uma analíse da reação das pessoas diante de cenas sutis que sugerem o tema. O vídeo exposto no festival mostra cenas como jovens pintando o termo "sexo" em um quadro numa região movimentada da cidade enquanto um narrador argumenta sobre semiótica. Outra informações, visite:
Projeto de estudantes de Artes Visuais com Ênfase em Multimeios da UFRB selecionado em evento nacional
http://www.contato.ufscar.br/quarto
ESTUDANTES DE ARTES VISUAIS DA UFRB PREMIADOS EM FESTIVAL DA UFSCAR
A HORA DO CONTO
Na 193° edição do programa radiofônico ALACAZUM PALAVRAS PARA ENTRETER que foi ao ar no dia 17 de outubro de 2010, transmissão pela Rádio Clube de Valença 650 KHZ AM apreciamos o conto: A plantação de moedas de tradição sufi.
Retirado do livro: O homem que contava histórias de Rosane Pamplona e Sônia Magalhães
quarta-feira, 20 de outubro de 2010
GROSELHEIRA

terça-feira, 19 de outubro de 2010
Desafio Musical: Que fim levaram todas as flores? com Secos e Molhados

Na 193° edição do programa radiofônico ALACAZUM PALAVRAS PARA ENTRETER que foi ao ar no dia 17 de outubro de 2010, transmissão pela Rádio Clube de Valença 650 KHZ AM oferecemos como desafio musical a música: Que fim levaram todas as flores? na interpretação do grupo vocal brasileiro: Seco e Molhados.
sábado, 16 de outubro de 2010
Na 192° edição do ALACAZUM PALAVRAS PARA ENTRETER
Ia um viajante por uma estrada, quando chegou a uma pequena cidade desconhecida.
À entrada da cidade estava sentado um velho, meditando. O viajante o abordou, dizendo:
- Estou vindo de muito longe, procurando um novo lugar para morar. O senhor, que parece ter tanta experiência, diga-me: como são os habitantes desta cidade?
- Responda-me primeiro uma coisa meu filho: como eram os habitantes da sua cidade?
- Bem, não eram pessoas agradáveis- queixou-se o forasteiro - Eram invejosas, mesquinhas e estúpidas.
- Sinto muito - tornou o velho - mas infelizmente aqui você só encontrará pessoas exatamente iguais às que descreveu: invejosas, mesquinhas e estúpidas.
O viajante, decepcionado, ajeitou a mochila às costas e foi embora.
Dali a pouco chegou um outro viajante, que fez ao velho a mesma pergunta. Este tornou a indagar:
- E como eram as pessoas da sua cidade?
- Ah! eram pessoas muito amáveis - explicou o homem -em geral bondosas, generosas e educadas.
- Então, seja bem-vindo - respondeu o velho filósofo, abrindo um sorriso - Pois saiba que as pessoas aqui são exatamente assim: bondosas, generosas e educadas.
Retirado do livro: O homem que contava histórias de Rosane Pamplona e Sônia Magalhães
sexta-feira, 15 de outubro de 2010
IAURETÊ
O grupo de Teatro Palmares Iñaron comemora 33 anos de história com a montagem do espetáculo Iauretê. A peça é uma livre adaptação do conto Meu Tio O Iauaretê de Guimarães Rosa e da obra literária Maíra de Darcy Ribeiro e cruza as histórias de dois personagens: Oxim um místico caboclo onceiro, interpretado por Victor Kizza (Barrela, Uma Mulher Vestida de Sol) e Mehín Índio que ganha vida com a interpretação de Maria Janaína (Água que Lava Alma) e revela a ancestralidade e os impactos da civilização nos povos indígenas brasileiros. Iauretê é adaptado e dirigido por Lia Spósito (Macunaíma, Cangaço, O Trem Baiano) e ainda conta com a direção musical de Bira Reis e a orientação artística de Antônio Godi.
O espetáculo IAURETÊ estréia no dia 14 de outubro no Espaço Cultural Oficina de Investigação Musical - O.I.M localizado na Rua Portas do Carmo, 24 - Pelourinho (ao lado da Casa de Jorge Amado) no Largo do Pelourinho. A temporada da peça no Centro Histórico se estenderá até o final do mês de outubro realizando apresentações todas as quintas-feiras de outubro (14, 21 e 28/10) sempre às 20 horas.
A partir do dia 05 de novembro o espetáculo IAURETÊ iniciará sua temporada no Teatro SESI Rio Vermelho todas as sextas-feiras (05, 19, 26/11 e 03/12) 20 horas até o dia 03 de dezembro (exceto 14 de novembro que o grupo estará cumprindo agenda de viagem).
Confira o nosso blog: www.palmaresinaron.blogspot.com
Ficha Técnica
Texto: IAURETÊ (Adaptação das obras; Meu Tio O Iauaretê de Guimarães Rosa e Maíra de Darcy Ribeiro)
Elenco: Maria Janaina e Victor Kizza
Orientação Artística: Antônio Godi
Direção Musical e Multimídia: Bira Reis
Percussão: Quiones (Zorival Santos)
Produção Executiva: Victor Kizza
Assistente de Produção: Heloisa Jorge
Iluminação: Everton Machado
Assistente Técnico: Nildo
Fotografia: Aldren Lincoln
Programação Visual: Letícia Martins
Victor Kizza
(71) 9188-3292
Grupo de Teatro Palmares Iñaron
www.palmaresinaron.blogspot.com
Favoritos
“Não há senão um caminho. Procure entrar em si mesmo. Investigue o motivo que o manda escrever; examine se estende suas raízes pelos recantos mais profundos de sua alma; confesse a si mesmo: morreria, se lhe fosse vedado escrever? Isto acima de tudo: pergunte a si mesmo na hora mais tranqüila de sua noite: "Sou mesmo forçado a escrever?” Escave dentro de si uma resposta profunda. Se for afirmativa, se puder contestar àquela pergunta severa por um forte e simples "sou", então construa a sua vida de acordo com esta necessidade. Sua vida, até em sua hora mais indiferente e anódina, deverá tornar-se o sinal e o testemunho de tal pressão. Aproxime-se então da natureza. Depois procure, como se fosse o primeiro homem, dizer o que vê, vive, ama e perde. Não escreva poesias de amor. Evite de início as formas usais e demasiado comuns: são essas as mais difíceis, pois precisa-se de uma força grande e amadurecida para se produzir algo de pessoal num domínio em que sobram tradições boas, algumas brilhantes. Eis por que deve fugir dos motivos gerais para aqueles que a sua própria existência cotidiana lhe oferece; relate suas mágoas e seus desejos, seus pensamentos passageiros, sua fé em qualquer beleza — relate tudo isto com íntima e humilde sinceridade. Utilize, para se exprimir, as coisas do seu ambiente, as imagens dos seus sonhos e os objetos de sua lembrança. Se a própria existência cotidiana lhe parecer pobre, não a acuse. Acuse a si mesmo, diga consigo que não é bastante poeta para extrair as suas riquezas. Para o criador, com efeito, não há pobreza nem lugar mesquinho e indiferente.”
Trecho de Cartas a um jovem poeta, de Rilke
- Biografia (em inglês)
- Biografia (em alemão)
- Internationale Rilke-Gesellschaft
- Trechos de Letters of Rainer Maria Rilke
- Life of a poet: Rainer Maria Rilke, de Ralph Freedman
Obras
- Poemas traduzidos para o português
- Poemas traduzidos para o inglês
- Trechos de Histórias de Bom Deus
- Die Letzten
- The Sonnets to Orpheus (em inglês)
- Das Stunden-Buch
- Selected poems
- Die Aufzeichnungen des Malte Laurids Brigge
- The notebooks of Malte Laurids Brigge
- Inner Sky: Poems, Notes, Dreams
Fonte: Boletim PNLL n° 266 de 04 1a 10/10/2010
Edney Silvstre leva Prêmio Jabuti na categoria Romance
Com a obra Se Eu fechar os olhos agora, Edney Silvestre desbanca os consagrados Chico Buarque e Luis Fernando Veríssimo. O livro conta a história de dois meninos que vivem em uma pequena cidade da antiga zona do café fluminense e encontram o corpo mutilado de uma mulher às margens de um lago. O livro também foi eleito o melhor romance estreante de 2009 do Prêmio São Paulo de Literatura.
Fonte: Boletim PNLL n° 226 de 04 a 10/10/2010
quinta-feira, 14 de outubro de 2010
CONTINUAÇÃO DA LEITURA: A BOTIJA DE CLOTILDE TAVARES
MUITO BEM! (Tradição Uigur)
Certa vez, um pobre lavrador semeou um canteiro de abóboras, pensando tirar dali o sustento para si e para sua família.
O tempo, porém, foi inclemente: não chovia, e, por mais que o lavrador se esforçasse, as abóboras foram morrendo uma a uma.
Encontrar água por ali era difícil, e o pouco que se conseguia mal dava para aliviar a sede da família. Mesmo assim, o lavrador, todos os dias, deixava de beber um pouquinho de água para regar uma única abóbora, que mais resistente que as demais, crescia a olhos vistos.
No fim de algumas semanas, a abóbora ficou madura. Era tão grande e bonita que o lavrador achou que poderia conseguir um bom preço por ela. Mas seus vizinhos também eram pobres e o aconselharam a levá-la ao governador da cidade vizinha, ele, sim, um homem muito rico.
O camponês seguiu o conselho e dirigiu-se à cidade, carregando a pesada abóbora até o palácio.
O governador o recebeu com cordialidade e se admirou ao ver tão belo fruto:
- Foi você mesmo quem o cultivou?
- Sim, Excelência.
-Muito bem! -exclamou o governador- E como conseguiu essa proeza numa seca tão prolongada?
-Deixei de beber para poder regá-lo- explicou o homem. - -È o único fruto de minha colheita.
- Muito bem! - tornou a dizer o governador. - E esse fruto único você quer oferecer a mim?
- Sim, Excelência- c0nfirmou o lavrador, esperançoso por uma recompensa.
- Muito bem!- disse novamente o governador, fazendo-lhe, em seguida, sinal para que se retirasse.
O camponês, desapontado, pegou o caminho de volta para casa, sentindo dores no estômago, de tanta fome. Foi quando sentiu um apetitoso cheirinho vindo de uma estalagem. Não podendo resistit, entrou e pediu um assado com batatas. Depois de se deliciar chamou o estalajadeiro e disse:
- Foi o senhor que mandou preparar este assado?
-Sim, eu mesmo- respondeu o estalajadeiro.
- Muito bem! exclamou o lavrador. - E com que ervas ele foi temperado?
- Com alecrim e salsinha.
- Muito bem! repetiu o lavrador. - E o senhor sempre recebe os hóspedes assim, com cortesia?
-Claro! - assegurou o estalajadeiro.
-Muito bem! - disse pela terceira vez o lavrador. E levantou-se para sair.
- Espere ai! - reclamu o dono da estalagem- Como o senhor vai saindo sem pagar?
E os dois travaram tamanha discussão que acabaram sendo levados ao governador. O governador censurou o camponê.
- Então você pensa que pode comer sem pagar nesta cidade?
- Não, senhor, nem ousaria pensar nisso. Mas sou apenas um forasteiro ignorante. Quando vim lhe oferecer a única abóbora que colhi e recebi como pagamento um "Muito bem", pensei que essa fosse a moeda corrente neste lugar.
O governador, envergonhado, reconheceu seu erro. Pagou a conta ao estalajadeiro e deu ao lavrador um saco de ouro tão grande quanto a sua abóbora.
quarta-feira, 13 de outubro de 2010
Descoberto poema inédito de Borges
Quadro: De quem é essa voz? (Desafio Musical )

QUANTO VALE UM REI? (CHINA)
Na 192° edição do programa radiofônico ALACAZUM PALAVRAS PARA ENTRETER que foi ao ar no dia 10 de outubro de 2010, transmissão pela Rádio Clube de Valença 650 KHZ AM, antecipando o Dia Nacional da Leitura ( 12 de outubro ) e o dia da criança, usufruimos da leitura do livro: O homem que contava histórias da Rosane Pamplona e Sônia Magalhães.
Certo rei, tolo e presunçoso, perguntou a seu sábio- e ousado- bobo da corte:
- Diga-me com sinceridade, caro bobo: quanto você acha que eu valho?
- Mil e duzentas moedas de ouro - respondeu o bobo, sem pestanejar.
-Só isso? Você não pensa no que diz?! Fique sabendo que só a coroa que uso vale mil e duzentas moedas de ouro.
-Pois foi exatamente o que calculei - disse, inabalável o bobo.
DIGNIDADE OU RIQUEZA ? ( CHINA )
sábado, 9 de outubro de 2010
Na 191° edição do ALACAZUM PALAVRAS PARA ENTRETER
Ele disse eu te amo. Ela tremeu. E pensou são tão sábias essas tardes feitas de ruas desertas e ruídos distantes. O que estão fazendo agora os passarinhos? Para onde vão depois que nos acordam antes que seja de manhã? Onde se escondem as onze mil e seis espécies de formigas que existem no mundo?
Eu disse eu te amo você ouviu ele perguntou. Ela sentiu frio. E viu uma cortina de plástico que escondia o chuveiro, cheia de desenhos japoneses coloridos. Mentira. Ela ouviu a música que ouvia um dia quando olhava os desenhos japoneses coloridos da cortina de plástico do chuveiro.
Quando você volta ele perguntou. E disse amanhã vai ser um dia triste. Ela respirou fundo. E olhou para o canto onde calmas as malas a esperavam arrumadas. Amanhã vai ser um dia triste.
Tenho medo de te perder ela pensou. Ele não escutou. Ela entendeu que a noite ia ser longa. Abriu a caixa e foi contando pedras, como se contasse histórias. Ela juntava pedras. Não conhecia nada mais eterno do que uma pedra. Nem mais indiferente nem mais frio. Eu vou morrer um dia. Pedras e perdas, ela juntava. Tudo muito pesado e eterno.
Ele insistiu eu te amo. Ela se lembrou de um domingo e viu passar um rio. Olhou uma esquina um quintal uma janela um cachorro. E uma fonte um sino uma estrada um muro. Tenho febre.
Vou com você ela disse. Tenho pena da que virá depois ela pensou.
sexta-feira, 8 de outubro de 2010
Abel chegou, pessoal... de Amália Grimaldi
Abel chegou, pessoal...
No cais do porto atracou
Seu barco tão venturoso
Trazendo a bordo contente
Suas meninas formosas
De ares bem apurados,
Vestindo traje praieiro,
Moda em revista do sul.
Meninas de muitos mimos
Traziam conchas nas mãos
Lembrança do mar a conter
Paisagem de desejo azul...
Abel...
Do seu barco é timoneiro,
Usa chapéu de marinheiro
(com ares de comandante)
Porque também ele
é homem faceiro...
Em tal barco prazenteiro
Passeiro domingueiro faz:
Gamboa...
Morro de São Paulo...
A todos satisfaz...
Segura nau de alegrias,
Enfrenta ágil e valente
Movimento insurgente,
Marolinha e vagalhão
Tal passagem do Galeão,
Quando trovão estronda
Não tem medo de onda
Nem de marola gigante.
Abel...
O seu barco comanda sábio
Das suas meninas cuida bem
E dos amigos também...
Amália Grimaldi - retirado do livro: A casa da rua do cais do Porto- Poesias
quinta-feira, 7 de outubro de 2010
CONTINUAÇÃO DA LEITURA: A BOTIJA DE CLOTILDE TAVARES
quarta-feira, 6 de outubro de 2010
Dica de Leitura

terça-feira, 5 de outubro de 2010
De Amarelo

segunda-feira, 4 de outubro de 2010
O livro dos porquês

Desafio Musical
sábado, 2 de outubro de 2010
Na 190° edição do ALACAZUM PALAVRAS PARA ENTRETER
sexta-feira, 1 de outubro de 2010
A TELEVISÃO E A CRIANÇA
Site: www.artigonal.com





