segunda-feira, 27 de junho de 2011

João, que virou juiz por Galeno Amorim

João nasceu numa família muito pobre. O pai e a mãe não sabiam ler e escrever. Davam duro, de sol a sol, para não deixar faltar a comida na mesa. A família vivia num casebre simples, bem parecido com as favelas dos dias atuais. Nem escritura do imóvel eles possuíam.

Ao completar sete anos, idade de ir para a escola, João foi trabalhar na roça com os pais. O menino se virava como dava: foi vendedor de refresco, catou papel pelas ruas, oferecia banana nas casas da vizinhança. Quando cresceu, foi trabalhar como feirante.

Até que um dia os livros entraram na vida dele. Desde então, João começou a ler e a escrever sem parar. Aos 16 anos, publicou seu primeiro livro. Sempre na escola pública, João primeiro descobriu os clássicos. Leu Dostoiévski ainda jovem e permitiu que cada um dos autores fosse, aos poucos, entrando em sua vida.

Quando se deu conta, já havia entrado pra Faculdade de Direito da USP, no Largo de São Francisco, em São Paulo, a mais famosa do País. Ficou moço e mesmo assim não deixou de ler. E tampouco de evoluir, seja como pessoa, seja na carreira profissional que abraçou.

Hoje em dia, João é juiz de Direito. Dos bons. Publicou outros livros com os poemas que escreveu pela vida afora. Um outro é sobre Direito, sua especialidade. Embora, com o passar dos anos, o tempo tenha ficado escasso para ele, até hoje é um leitor inveterado.

Às vezes, dizem que João faz pequenas revoluções por onde passa. Nas varas judiciais por onde já trafegou, em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, João - que há um bom tempo se tornou o Doutor Gandini - criou inúmeros projetos que têm feito a Justiça paulista operar melhor. Sempre que pode, tem estado à frente de projetos sociais que contemplam os menos favorecidos.

Poeta e juiz, João é um caso singular do extraordinário poder de transformação dos livros.

BRASIL QUE LÊ- A REVISTA DO OBSERVATORIO DO LIVRO E DA LEITURA

domingo, 26 de junho de 2011

O ALACAZUM NA COPA 2014

Salvador escolhe transporte sobre trilhos para a Copa de 2014

Na 225° edição do programa radiofônico ALACAZUM PALAVRAS PARA ENTRETER que foi ao ar no dia 26 de junho de 2011, transmissão pela Rio Una FM 87,9 - Horacio Martinez (artista visual e colaborador do programa ALACAZUM) informou sobre os preparativos para a Copa 2014 que estão acontecendo na cidade de Salvador- Bahia, conforme matéria retirada no site: www.copa2014.org.br

O ALACAZUM NA COPA 2014

Na 225° edição do programa radiofônico ALACAZUM PALAVRAS PARA ENTRETER que foi ao ar no dia 26 de junho de 2011, transmissão pela Rio Una Fm 87,9 - Horacio Martinez (artista visual e colaborador do programa) informou sobre as obras da Arena Fonte Nova. Conforme matéria retirada do site: www. copa2014.org.br

Andamento das obras
Enquanto aguarda a liberação dos recursos, as obras continuam. A demolição e 95% da terraplenagem foram concluídas. Se as empresas cumprirem o cronograma e os recursos forem liberados, a expectativa é de que o avanço físico da obra chegue a 43% até o final do ano.

“Entramos na reta final das fundações, com a cravação de estacas, execução dos blocos de coroamento das mesmas e execução das sapatas de fundação do setor Norte”, diz Góes.

Seguindo o calendário da obra, as próximas fases são a montagem dos pilares, vigas e lajes pré-moldadas, assim como a estrutura de concreto que precisará ser moldada in loco. “O concreto é produzido em uma fábrica montada no próprio canteiro e passa por um teste de resistência”, explica Góes.

O canteiro de obras da arena conta hoje com 750 trabalhadores. São 200 equipamentos em operação, entre eles nove bate-estacas, quatro gruas, três guindastes de alta capacidade e uma central de dosagem de concreto.


FOTOGRAFIA: Canteiro de obras da Arena Fonte Nova (crédito: Nilton Souza/Divulgação)

sábado, 25 de junho de 2011

Na 224° edição do ALACAZUM PALAVRAS PARA ENTRETER


Celeste Martinez - Idealizadora e apresentadora do programa radiofônico ALACAZUM PALAVRAS PARA ENTRETER

Na 224° edição do programa radiofônico ALACAZUM PALAVRAS PARA ENTRETER que foi ao ar no dia 19 de junho de 2011, transmissão pela Rio Una FM 87,9 informamos sobre a importância de se separar o lixo.


sexta-feira, 24 de junho de 2011

Baiano e os novos Caetanos


Na 224° edição do programa radiofônico ALACAZUM PALAVRAS PARA ENTRETER que foi ao ar no dia 19 de junho de 2011, transmissão pela Rio Una FM 87,9 oferecemos como desafio musical a música: O urubu tá com raiva do boi na interpretação de Baiano e os Novos Caetanos

Ode ao amor de Mustafá Rozemberg

Na 224° edição do programa radiofônico ALACAZUM PALAVRAS PARA ENTRETER que foi ao ar no dia 19 de junho de 2011, transmissão pela Rio Una FM 87,9 apreciamos a poesia de Mustafá Rozemberg, médico da cidade de Valença-Bahia e Membro de Academia Valenciana de Educadores Letras e Artes e que foi publicado no Jornal Valença Agora de 16 a 22 de junho de 2011, ano X , n° 320

Ode ao amor

Não me cansa fazer odes vivendo o amor,
Muito menos poder gigante da vontade,
Da encarnação, do apreço, sublime fulgor,
Que me anima mostrar tanta felicidade.

Minha tristeza escondo num saco sem cor,
Desdbotado tornou-se livre da maldade
Transparência chegou ficou ignorando a dor,
Purificando a raiva ganho probidade.

Por que deixar de ver beleza das montanhas
Se elevando aos céus, dando em pedra coração,
Ao vento apaixonado exibindo façanhas?

Desejo extravasar os meus contentamentos.
No riso da criança há paz, animação.
Quero viver cantando novos sentimentos.

Mustafá Rozemberg

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Vira-Volta de Rony Bonn

Na 224° edição do programa radiofônico ALACAZUM PALAVRAS PARA ENTRETER que foi ao ar no dia 19 de junho de 2011, transmissão pela Rio Una Fm 87,9 apreciamos a beleza dos versos de Rony Bonn poeta cachoeirano.


Vira- Volta

Todos os passos
são erros
todos os erros
são voltas
todas as voltas
são medos
todos os medos
revoltas...


Rony Bonn nasceu na heróica cidade de Cachoeira em 7 de setembro de 1970. Sua vida se configura na dedicação de suas linguagens artísticas. Como poeta participou em 1992 da Antologia Quadrado Poético, tem participado de diversos encontros literários destacando-se o segundo Caruru dos Sete poetas; Sambando na Poesia e Poesia Ouvida.
Como artista plástico participou em 1988 com a série Campo minado, exposição coletiva no Solar Ferrão- Salvador; 7° Bienal de Arte do Recôncavo (0bra Depois de Cristo) no Centro Cultural Dannemman em 2004, São Félix, neste mesmo ano expôs na Casa do Maranhão e na Universidade Federal do Maranhão em São Luís; em 2008 com Zylon B resina e olei sobre tela, participou da 9° Bienal de Arte do Recôncavo- Centro Cultural Dannemman, São Féliz.

O avarento: Fábula de Esopo

Na 224° edição do programa radiofônico ALACAZUM PALAVRAS PARA ENTRETER que foi ao ar no dia 19 de junho de 2011, transmissão pela Rio Una Fm 87,9 apreciamos a fábula de Esopo: O avarento. Traduzido do espanhol para o português por Celeste Martinez.

O avarento

Um homem muito avarento resolveu vender tudo que tinha. Converteu em ouro e enterrou o tesouro em um lugar oculto. Todos os dias o avarento visitava seu tesouro. Acontece que um vizinho o observa e lhe roubou o tesouro. Quando o avarento soube ficou desesperado e gritava sem consolo. Um homem que por ali passava e sabedor do fato, disse:
- De que servia um tesouro guardado? Coloque no seu lugar uma pedra e finja que se trata de tesouro. Será tão util quanto o tesouro que você mantinha escondido.

Nenhum valor pode ter aquilo que nunca usamos.

El avaro

Un hombre muy avaro resolvió vender todo cuanto tenía, convertirlo en oro y enterrar al tesoro en un sitio oculto. El avaro se dirigái todos los dias a visitar su tesoro, pero habiendo sido observado por un vecino, éste lo desnterrí y lo guardó para sí. La pesadumbre del avaro no tenía consuelo y comenzó a llorar, a arrancarse los cabellos y a proferir gritos de dolor. Al verlo un hombre y conocer la causa de su dolor, le dijo:
-De qué te servía el tesoro oculto? , coloca en sua lugar una piedra y suponte que se trata de oro. Te será tan útil como el tesoro que mantenías oculto.

Ningún valor puede tener aquello que nunca usamos

Cesaria Evora: Amor di mundo


Na 224° edição do programa radiofônico ALACAZUM PALAVRAS PARA ENTRETER que foi ao ar no dia 19 de junho de 2011, transmissão pela Rio Una Fm 87,9 apreciamos a expressiva musicalidade da cantora cabo-verdiana Cesaria Evora com seu Amor di Mundo.

Amor Di Mundo


Nh'amor é doce
Nh'amor é certo
Nh'amor tá longe
Nh'amor tá perto
El ta na nim
‘M ca ta sozim
Ness mundo

Nh'amor ca so di cretcheu
El é amor du criston
Qui ca quré vivé
Na meio di breu

Nh'amor é tudo qu'm tem
El é amor dum irmon
Qu'atè ainda
Ca perdè fê

Tcha'm cantá-bo nh'amor
Ô mundo
Tcha'm canta-bo nh'amor
Pa nô amá

Pa nô amá
Pa nô amá...


Crédito da imagem:almusica.blogspot.com

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Com fúria e raiva, de Sophia de Mello Breyner Andresen


Na 224° edição do programa radiofônico ALACAZUM PALAVRAS PARA ENTRETER que foi ao ar no dia 19 de junho de 2011, transmissão pela Rio Una Fm 87,9 apreciamos a beleza da poesia de Sophia de Mello Breyner Andresen, poetisa portuguesa.


Com Fúria e Raiva

Com fúria e raiva acuso o demagogo
E o seu capitalismo das palavras

Pois é preciso saber que a palavra é sagrada
Que de longe muito longe um povo a trouxe
E nela pôs sua alma confiada

De longe muito longe desde o início
O homem soube de si pela palavra
E nomeou a pedra a flor a água
E tudo emergiu porque ele disse

Com fúria e raiva acuso o demagogo
Que se promove à sombra da palavra
E da palavra faz poder e jogo
E transforma as palavras em moeda
Como se fez com o trigo e com a terra

Sophia de Mello Breyner Andresen, in "O Nome das Coisas"


domingo, 19 de junho de 2011

Livro: Menina-menina princesa de lama de Rosane Villela

Na 224° edição do programa radiofônico ALACAZUM PALAVRAS PARA ENTRETER que foi ao ar no dia 19 de junho de 2011, transmissão pela Rio Una Fm 87,9 informamos sobre o lançamento do livro: Menina-menina princesa de lama da escritora Rosane Villela.

Uma história para tirar os pés do chão

Menina-menina, princesa de lama... desafia a imaginação das crianças e dos pais

Uma aventura no cochicho flutuante do mar... . Mar que sopra a menina em várias outras, num passe de mágica. Sempre ao lado de um menino que nunca se desgruda delas. Quem ele será? Só lendo para saber.

Menina-menina, princesa de lama... (Editora Paulinas) é o terceiro livro de Rosane Villela. Integra a “Coleção Cavalo Marinho - Série Con-Verso”, e é ilustrado pela premiada Giselle Vargas, que carrega no portfólio participação no Brazilian Book Megazine.

Rosane tem no currículo a seleção, pela FNLIJ (Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil), de sua segunda obra, Apanhando a lua..., publicada pela mesma editora, para os catálogos das feiras de Bolonha (2009) e de Frankfurt (2010).

A poética narrativa — com cenário no folclore brasileiro e nas lembranças da autora — conduz o leitor a viajar por um mundo mágico: a reinos encantados, onde bois-zebus passeiam com Curupira, Boitatá, Cuca e Lobisomem; e onde cometas, cavalos-marinhos e dragões levam a menina a mares distantes, castelos verdes de mata, e à lua.

Um navegador de sonhos é como Rosane define seu novo livro. “Sonhos doces, no verde-azul enlameado do rio Paraíba; o rio de minhas raízes, dos povoados ao seu redor, das lendas contadas pela família e empregados da fazenda. E sonhos banhados em sal pelas ondas da memória num outro rio; o Rio de Janeiro, onde sempre vivi”, frisa

Sobre a autora:

Rosane Villela nasceu no Rio de Janeiro e é formada em Letras pela PUC-Rio e em Música pela Escola da Madalena Tagliaferro. Atualmente, dedica-se à Literatura. É autora de Navalha no verso (7Letras/2000) e membro-fundadora da Letra Falante, grupo de discussão de literatura infantojuvenil.

Seu livro Apanhando a lua... (Paulinas/2008) foi selecionado pela FNLIJ (Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil) para catálogos nas Feiras de Bolonha (2009) e de Frankfurt (2010). Tem ensaios, resenhas, contos e poemas publicados em diversas revistas, jornais e na internet.

Serviço

Lançamento: Menina-menina, princesa de lama...

Editora Paulinas (www.paulinas.org.br)

Dia: 13/06/11

Horário: 15h

Local: Salão do Livro – Espaço de Leitura (Centro de Convenção SulAmérica: Rua Paulo de Frontin, 1, Cidade Nova)

Páginas: 24

Formato: 24 x 22

Preço: R$ 16,80

Links da autora: http://rosanevillela.blog.uol.com.br/

http://www.facebook.com/#!/profile.php?id=100000135114254

Informações para a Imprensa

Andréa Drummond & Jaciara Rodrigues

Andréa Drummond – deadrummond@yahoo.com.br

(24) 9264-4518

Jaciara Rodrigues – rjaciara@uol.com.br

(21) 8121-2474


sábado, 18 de junho de 2011

Na 223° edição do ALACAZUM PALAVRAS PARA ENTRETER

Na 223° edição do programa radiofônico ALACAZUM PALAVRAS PARA ENTRETER que foi ao ar no dia 12 de junho de 2011, transmissão pela Rio Una Fm 87,9 apreciamos o belíssimo poema: As sete faces do amor de Carlos Drummond de Andrade


Eu te amo por que te amo
Não precisas ser amante
E nem sempre sabes sê-lo
Eu te amo por que te amo
Amor é estado de graça
E com amor não se paga.

Amor é dado de graça
É semeado no vento
na cachoeira, no eclipse
Amor foge a dicionários
E a regulamentos vários

Eu te amo por que não amo bastante
ou demais a mim
Por que amor não se troca
não se conjuga nem se ama
Por que amor é amor a nada
Feliz e forte em si mesmo

Amor é primo da morte
E da morte vencedor
Por mais que o matem (e matam)
A cada instante de amor.

Carlos Drummond de Andrade

Trio Nordestino

Na 223° edição do programa radiofônico ALACAZUM PALAVRAS PARA ENTRETER que foi ao ar no dia12 de junho de 2011, transmissão pela Rio Una Fm 87,9 oferecemos como desafio musical a mùsica: Amor pra todo Lado na bela interpretação do Trio Nordestino.





Crédito da imagem. www.forrodemanevitor.blogspot.com






quinta-feira, 16 de junho de 2011

Briga no beco, de Adélia Prado


Na 223° edição do programa radiofônico ALACAZUM PALAVRAS PARA ENTRETER que foi ao ar no dia 12 de junho de 2011, transmissão pela Rio Una FM 87,9 apreciamos a divina expressão do poema: Briga no beco de Adélia Prado.

Encontrei meu marido às três horas da tarde
com uma loura oxidada.
Tomavam guaraná e riam, os desavergonhados.
Ataquei-os por trás com mão e palavras
que nunca suspeitei conhecer.
Voaram três dentes e gritei, esmurrei-os e gritei,
gritei meu urro, a torrente de impropérios.
Ajuntou gente, escureceu o sol,
a poeira adensou como cortina.
Ele me pegava nos braços, nas pernas, na cintura, sem me reter, peixe-piranha, bicho pior, fêmea ofendida, uivava.
Gritei, gritei, gritei, até a cratera exauris-se,
Quando não pude mais fiquei rigida,
as mãos na garganta dele, nós dois petrificados,
eu sem tocar o chão. Quando abri os olhos,
as mulheres abriam alas, me tocando, me pedindo graças.
Desde então faço milagres.

Crédito da imagem: inspiracoesreunidas.blogspot.com

O coração, de Castro Alves

Na 223° edição do programa radiofônico ALACAZUM PALAVRAS PARA ENTRETER que foi ao ar no dia 12 de junho de 2011, transmissão pela Rio Una FM 87,9 apreciamos o belíssimo poema de Castro Alves.

O coração

O coração é o colibri dourado
Das veigas puras do jardim do céu,
Um - tem o mel da granadilha agreste,
Bebe os perfumes, que a bonina deu.

O outro - voa em mais virentes balças,
Pousa de um riso na rubente flor.
Vive do mel - a que se chama - crenças-,
Vive do aroma - que se diz - amor _ .


Crédito da imagem: site Overmundo.com.br

terça-feira, 14 de junho de 2011

O barulho que vem do mar de Amália Grimaldi

Obra da escritora e artista visual Amália Grimaldi

Na 223° edição do programa radiofônico ALACAZUM PALAVRAS PARA ENTRETE que foi ao ar no dia 12 de junho de 2011, transmissão pela Rio Una FM 87,9 apreciamos fragmentos iniciais da crônica: O barulho que vem do mar de Amália Grimaldi, publicado no Jornal Valença Agora periodico da cidade de Valença Bahia

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Hoje, faz 123 anos do nascimento de Fernando Pessoa


Que poema de Fernando Pessoa é você? Fiz o teste e deu este resultado:

O Livro do Desassossego, de Bernardo Soares

“A vida é para nós o que concebemos nela. Para o rústico cujo campo próprio lhe é tudo, esse campo é um império. Para o César cujo império lhe ainda é pouco, esse império é um campo. O pobre possui um império; o grande poss...ui um campo. Na verdade, não possuímos mais que as nossas próprias sensações; nelas, pois, que não no que elas vêem, temos que fundamentar a realidade da nossa vida.
Isto não vem a propósito de nada.
Tenho sonhado muito. Estou cansado de ter sonhado, porém não cansado de sonhar. De sonhar ninguém se cansa, porque sonhar é esquecer, e esquecer não pesa e é um sono sem sonhos em que estamos despertos. Em sonhos consegui tudo. Também tenho despertado, mas que importa? Quantos Césares fui! E os gloriosos, que mesquinhos! César, salvo da morte pela generosidade de um pirata, manda crucificar esse pirata logo que, procurando-o bem, o consegue prender. Napoleão, fazendo seu testamento em Santa Helena, deixa um legado a um facínora que tentara assinar a Wellington. Ó grandezas iguais à da alma da vizinha vesga! Ó grandes homens da cozinheira de outro mundo! Quantos Césares fui, e sonho todavia ser.
Quantos Césares fui, mas não dos reais. Fui verdadeiramente imperial enquanto sonhei, e por isso nunca fui nada. Os meus exércitos foram derrotados, mas a derrota foi fofa, e ninguém morreu. Não perdi bandeiras. Não sonhei até ao ponto do exército, onde elas aparecessem ao meu olhar em cujo sonho há esquina. Quantos Césares fui, aqui mesmo, na Rua dos Douradores. E os Césares que fui vivem ainda na minha imaginação; mas os Césares que foram estão mortos, e a Rua dos Douradores, isto é, a Realidade, não os pode conhecer.
Atiro com a caixa de fósforos, que está vazia, para o abismo que a rua é para além do parapeito da minha janela alta sem sacada. Ergo-me na cadeira e escuto. Nitidamente, como se significasse qualquer coisa, a caixa de fósforos vazia soa na rua que se me declara deserta. Não há mais som nenhum, salvo os da cidade inteira. Sim, os da cidade dum domingo inteiro – tantos, sem se entenderem, e todos certos.
Quão pouco, no mundo real, forma o suporte das melhores meditações. O ter chegado tarde para almoçar, o terem-se acabado os fósforos, o ter eu atirado, individualmente, a caixa para a rua, mal disposto por ter comido fora de horas, ser domingo a promessa aérea de um poente mau, o não ser ninguém no mundo, e toda a metafísica.
Mas quantos Césares fui!”
(27/06/1930; em “Livro do Desassossego”)

O poeta Fernando Pessoa tinha uma atração peculiar por Bernardo Soares. Para início de conversa, ele o classificava de semi-heterônimo porque: “não sendo a personalidade a minha, é, não diferente da minha, mas uma simples mutilação dela”. Ou ainda: “Sou eu menos o raciocínio e a afetividade.” É importante destacar que foi por meio de Bernardo Soares, autor de “O Livro do Desassossego”, espécie de diário em prosa poética escrito a partir de 1914 que o poeta Fernando Pessoa mais sinceramente falou de si mesmo.

Para saber mais sobre Fernando Pessoa e seus heterônimos, leia a entrevista com Fernando Segolin, professor de Pós-Graduação de Literatura e Crítica Literária da PUC-SP e “pessoano” por excelência

Hoje, é dia de Santo Antonio

Na 222° edição do ALACAZUM PALAVRAS PARA ENTRETER

Na 222° edição do programa radiofônico ALACAZUM PALAVRAS PARA ENTRETER que foi ao ar no dia 05 de junho de 2011, transmissão pela Rio Una FM 87,9 apreciamos os belíssimos versos cordelista Antônio Vieira, contido no Livro: A peleja da ciência com a sabedoria popular.


Leitor eu vou lhe pedir
Um pouco de atenção
Pra história que vou contar
Por favor não negue, não
É um tema importante
Exige compreensão



Trata-se duma peleja
Travada através dos tempos
Onde as duas contendoras
Andam atrás de um consenso
Contudo, as duas partes
Dão banho de ensinamentos

As duas são importantes
Do mundo, elas são molas
De um lado a ciência
Que tem por sede a escola
Do outro a sapiência
Que o povo tem na caixola

Ambas são imprescindíveis
Representam a própria vida
O debate entre elas
Deixa a coisa esclarecida
Não pode ter vaidade
Ter preconceito ou intriga


As duas se complementam
Se equivalem, também
Quando uma está ausente
Quem procura a outra tem
Uma sempre anda na frente
Sabendo que a outra vem

As duas vêem travando
Acirrada discussão
Querendo ser cada uma
Dona da situação
E no final sempre empatam
Sempre as duas têm razão.

Armazém do Folclore de Ricardo Azevedo


Na 222° edição do programa radiofônico ALACAZUM PALAVRAS PARA ENTRETER que foi ao ar no dia 05 de junho de 2011, transmissão pela Rio Una FM 87,9 apreciamos algumas quadras e trava- línguas contidas no livro: Armazém do Folclore de Ricardo Azevedo. Este livro utilizado pelo ALACAZUM pertence ao KIT PONTO DE LEITURA conquistado no I CONCURSO PONTOS DE LEITURA 2008: HOMENAGEM A MACHADO DE ASSIS DO GOVERNO FEDERAL.

domingo, 12 de junho de 2011

Por que é necessário separar o lixo?

Celeste Martinez- apresentadora do ALACAZUM PALAVRAS PARA ENTRETER

Na 222° edição do programa radiofônico ALACAZUM PALAVRAS PARA ENTRETE que foi ao ar no dia 05 de maio de 2011, transmissão pela Rio Una FM 87,9 informamos sobre a importância da separação dos residuos orgânicos tendo como base o livro: Eu separo o lixo. Este livro pertence ao KIT PONTOS DE LEITURA conquistado pelo ALACAZUM no I CONCURSO PONTOS DE LEITURA 2008: HOMENAGEM A MACHADO DE ASSIS DO GOVERNO FEDERAL.

Bule Bule e Téo Azevedo


Bule Bule e Téo Azevedo

Na 222° edição do programa radiofônico ALACAZUM PALAVRAS PARA ENTRETE que foi ao ar no dia 5 de junho de 2011, transmissão pela Rio Una Fm 87,9 apreciamos a música: Desafio na voz de Bule Bule e Téo Azevedo


quarta-feira, 8 de junho de 2011

5 de Junho : Dia Internacional do Meio Ambiente

Celeste Martinez

Na 222° edição do programa radiofônico ALACAZUM PALAVRAS PARA ENTRETER que foi ao ar no dia 5 de junho de 2011, transmissão pela Rio Una FM 87,9 também comemorado como Dia Internacional do Meio Ambiente apreciamos a poesia: Meio Ambiente de D. Valdelice Barreto que foi publicado no Jornal Valença Agora- periodico da cidade de Valença Bahia.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Literatura de Cordel

Celeste Martinez-apresentadora do ALACAZUM com o livro: A peleja da Ciência com a Sabedoria Popular de Antonio Vieira

Na 222° edição do programa radiofônico ALACAZUM PALAVRAS PARA ENTRETER que foi ao ar no dia 05 de junho de 2011, transmissão pela Rio Una Fm 87,9 apreciamos os versos de cordel de Antonio Vieira.

domingo, 5 de junho de 2011

Na 221° edição do ALACAZUM PALAVRAS PARA ENTRETER

Celeste Martinez declamando a poesia de Moacir Eduão Farias de Irecê-Bahia

Na 221° edição do programa radiofônico ALACAZUM PALAVRAS PARA ENTRETER que foi ao ar no dia 29 de maio de 2011, transmissão pela Rio Una FM 87,9 apreciamos a beleza da poesia do amigo Moacir Eduão Farias lá de Irecê Bahia.


PARTEIRA DE ESPINHOS, MÃE DE TEUS FILHOS

Salvo o sabor que a boca deduz,

a sedução é um tormento

aos póros úmidos.

A pele diz de si a seu amante.

A cor faz-se bela como é.

Do tempero, o reino que apimenta.

Suco vermelho de malagueta

no colo pulsante que atordoa...

Ah! E o perfume?

Rasga a penumbra,

enebria o crepúsculo,

faz a lua trêmula no espaço

como se reflete no mar.

E se cheira assim, que avance

rosa, crisálida, nasciso, margarida.

O jardineiro inquieto sorri,

meio abismado com a cena:

A flor lia Dostoiévski como

compunha uma lira.

A porta estandarte balançava

o lábaro e esperava Rainer Maria Rilke.

Pronto. A noite estava completa em Berlim,

fitada entre espinhos de quiabento,

filosofia de guris que com propriedades de um

Dom Quixote faziam moinhos de vento.

O sertão vai muito além dos retalhos,

das esteiras, do cangaço, do xique-xique.

Os sertanejos - filhos de parteiras - sabem partir pra bem perto:

Das mães parideiras para o mundo!




Dica de Cinema: Troia


Na 221° edição do programa radiofônico ALACAZUM PALAVRAS PARA ENTRETER que foi ao ar no dia 29 de maio de 2011, transmissão pela Rio Una FM 87,9 cujo tema: Guerra de Tróia, a dica de cinema foi da ouvinte-leitora Adenilta que trabalha na Biblioteca Pública Municipal de Valença-Bahia e se chama: Tróia.

Troy, é um filme estadunidense de 2004, dos gêneros épico e guerra, dirigido por Wolfgang Petersen, com roteiro escrito por David Benioff, baseado no poema de Homero sobre a Guerra de Troia.


Imagem: Cavalo de Troia feito para o filme Troia, preservado em Çanakkale, na Turquia.

Crédito da imagem e da informação: Wikipédia

Expressão: Presente de Grego


Na 221° edição do programa radiofônico ALACAZUM PALAVRAS PARA ENTRETER que foi ao ar no dia 29 de maio de 2011, transmissão pela Rio Una FM 87,9 cujo tema: Guerra de Troia, informamos sobre a expressão: Presente de Grego.


PRESENTE DE GREGO


A expressão, que significa dádiva ou oferta que traz prejuízo ou aborrecimento a quem a recebe, surgiu em decorrência da Guerra de Tróia. A razão desse conflito está ligada à realização de um concurso em que três deusas (Hera, Afrodite e Atena) disputavam o título de rainha da beleza. Para juiz foi convidado Paris, filho de Priamo, rei de Tróia, a quem as três divindades femininas tentaram subornar; ao final, ganhou Afrodite, que havia prometido dar ao julgador a mais bela mulher do mundo, compromisso que a obrigou a ajudar o troiano no rapto da bela Helena, mulher de Menelau, rei de Esparta. Mais adiante, quando os gregos velejaram para Tróia a fim de recuperar a rainha raptada, os outros deuses tomaram partido de um e outro lado, e por isso Zeus tentou afastá-los da guerra. Mas sua esposa Hera, que apoiava os gregos, usou perfumes para fazê-lo adormecer, e quando Zeus finalmente acordou, os troianos já haviam sofrido pesadas baixas.

A luta em torno dos muros de Tróia durou dez anos (1250 a 1240 a.C.). A Ilíada, do poeta Homero, trata apenas das seis semanas do último ano da guerra, mas o poema é uma história empolgante. Aquiles, a figura central dessa obra histórica, discute com Agamenon, fica furioso e ofendido e por isso se retira magoado para a sua tenda, enquanto os troianos sob o comando de Heitor, filho de Príamo, rei de Tróia, afastam os gregos das muralhas da cidade. Quando Pátroclo morre, Aquiles reaparece para comandar os invasores de volta a Tróia, onde mata Heitor, mas convencido pelos deuses entrega a Priamo o corpo do guerreiro vencido, para que este seja sepultado com as honras de um herói.

Os gregos venceram a guerra com um truque que se tornou famoso. Segundo Thomas Bulfinch, em O Livro de Ouro da Mitologia, “... os gregos começavam a desanimar de conquistar Tróia pela força, mas a pedido de Ulisses resolveram recorrer a um estratagema. Fingiram estar fazendo preparativos para abandonar o sítio, e uma parte dos navios foi retirada e escondida atrás de uma ilha vizinha. Os gregos construíram, então, um imenso cavalo de pau, que fingiram ser um sacrifício oferecido a Minerva, mas que de fato estava cheio de homens armados. O restante dos gregos embarcou então em seus navios, que zarparam, como se estivesse partindo definitivamente. Os troianos, vendo que o acampamento fora levantado e a frota partira, chegaram à conclusão de que o inimigo abandonara o sítio. As portas foram abertas e toda a população saiu para gozar a liberdade há muito negada de passear à vontade no local onde estivera o acampamento. O grande cavalo foi o principal objeto de curiosidade. Todos queriam saber qual seria a sua finalidade. Alguns sugeriam que ele fosse levado para dentro da cidade, como troféu, ao passo que outros se mostravam receosos dele...”

Finalmente, após muita discussão, o cavalo de madeira foi levado para dentro da cidade “ao som de cantos e aclamações triunfais, e o dia terminou festivamente. À noite, os homens armados que se encontravam dentro do cavalo, abriram as portas da cidade aos seus amigos, que haviam voltado com a proteção da noite. A cidade foi incendiada, e a população, entregue ao festim e ao sono, passada a fio de espada e Tróia completamente destruída.”

Vitoriosos, os gregos uniram, de novo, Helena a Menelau, e todos voltaram para casa. Porém um deles, Ulisses, que tivera a idéia do cavalo de madeira, demorou dez anos para chegar em casa, o que resultou no segundo grande poema de Homero, a Odisséia.

Na grande epopéia do povo romano, Eneida, escrita por Virgílio, encontra-se a frase: “Eu temo os gregos, mesmo quando eles trazem presentes”. Inspirada na passagem mitológica que colocou um ponto final na Guerra de Tróia, essas palavras confirmam o sentido da expressão “presente de grego”, que outro não é senão o enunciado no início desta página: da dádiva ou oferta que traz prejuízo ou aborrecimento a quem a recebe. Da mesma forma como os troianos pagaram alto preço pelo cavalo de madeira que os gregos lhes deixaram como presente às portas de sua cidade, há mais de três mil anos



FERNANDO KITZINGER DANNEMANN



Tela: Cavalo de Troia em pintura de Giovanni Domenico Tiepolo
Crédito da imagem: Wikipédia


sábado, 4 de junho de 2011

Homero

Representação idealizada de Homero feita no período helenístico (Museu Britânico)

Na 221° edição do programa radiofônico ALACAZUM PALAVRAS PARA ENTRETER que foi ao ar no dia 29 de maio de 2011, transmissão pela Rio Una FM 87,9 cujo tema: Guerra de Troia, informamos sobre Homero autor da Iliada e Odisséia.

Crédito da fotografia: Wikipédia


Guerra de Tróia

Helena de Troia, por Evelyn de Morgan, 1898

Na 221° edição do programa radiofônico ALACAZUM PALAVRAS PARA ENTRETER que foi ao ar no dia 29 de maio de 2011, transmissão pela Rio Una FM 87,9 cujo tema: Guerra de Troia, indagamos do ouvinte-leitor ALACAZUM se Helena segundo a mitologia foi a causadora da guerra de Troia.

Crédito da fotografia: Wikipédia

Paletó de couro de Moacir Eduão Farias

Na 221° edição do programa radiofônico ALACAZUM PALAVRAS PARA ENTRETER que foi ao ar no dia 29 de maio de 2011, transmissão pela Rio Una FM 87,9 apreciamos o poema: Paletó de Couro do poeta Moacir Eduão Farias lá de Irecê Bahia.

Arre! Dê o teu aboio.
Na crina do teu cavalo,
na cristalina do olho.
...Arre! Risque a estrada.

Antes que espinho te crave
vista o gibão, na caatinga.
A chuva na trave não pinga,
mas escorre no rosto.

Arre, diacho!
Que sombra morna no lombo.
Do jumento, tenho dó.

Vergado, o umbuzeiro em cacho...
sopra vesgo, em bruto tombo,
sobra-lhe este paletó.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Expressão: Calcanhar de Áquiles

A Fúria de Aquiles, de Giovanni Battista Tiepolo.

Na 221° edição do programa radiofônico ALACAZUM PALAVRAS PARA ENTRETER que foi ao ar no dia 29 de maio de 2011, transmissão pela Rio Una Fm 87,9 cujo tema: Guerra de Tróia, informamos sobre a expressão: Calcanhar de Áquiles.

De acordo com um fragmento de um Achilleis — a Aquilíada, escrita por Estácio no século I -quando Aquiles nasceu Tétis teria tentado fazê-lo imortal, mergulhando-o no rio Estige; deixou-o, no entanto, vulnerável na parte do corpo pelo qual ela o segurava, seu calcanhar. Não está claro, no entanto, se esta versão do mito era conhecida anteriormente. Em outra versão, Tétis ungiu o filho com ambrósia e o colocou sobre o fogo, para que suas partes mortais fossem queimadas; foi interrompida por Peleu, no entanto, e acabou abandonando pai e filho, furiosa.

Nenhuma das fontes anteriores a Estácio, no entanto, faz qualquer referência a esta invulnerabilidade física do personagem; ao contrário, na própria Ilíada de Homero descreve Aquiles sendo ferido: no livro 21 Asteropeu, o herói peônio, filho de Pélagon, desafia Aquiles nas margens do rio Escamandro; arremessa duas lanças ao mesmo tempo, uma das quais atinge o cotovelo de Aquiles, "tirando um jorro de sangue".

Também nos fragmentos de poemas do Ciclo Épico, onde podem ser encontradas as descrições da morte do herói, Cypria (de autoria desconhecida), Aithiopis (de Arctino de Mileto), a Pequena Íliada (de Lesco de Mitilene), entre outras, não existe qualquer indicação ou referência à sua invulnerabilidade ou ao seu célebre ponto fraco no calcanhar; nas pinturas em vasos feitas mais tarde, que representam a morte de Aquiles, a flecha (ou, em muitas casos, as flechas) o atingem no corpo.


Fonte: Wikipédia

Tendão calcâneo ou tendão de Áquiles


Na 221° Edição do programa radiofônico ALACAZUM PALAVRAS PARA ENTRETER que foi ao ar no dia 29 de maio de 2011, transmissão pela Rio Una Fm 87,9 cujo tema: Guerra de Tróia, informamos sobre a expressão Calcanhar de Áquiles e sobre o tendão de Áquiles tecido fibroso, composto primeiramente porcolágeno, que conecta o músculo ao osso, sendo responsável pela transferência de força entre os dois gerando o movimento da articulação. O tendão de Aquiles é o mais resistente do corpo humano, e o mais suscetível que cruza duas articulações: o joelho e o tornozelo.

Fotografia e informação: Wikipédia