domingo, 31 de agosto de 2014

Na 365° edição do Alacazum Palavras Para Entreter

Na 365° edição do Alacazum Palavras Para Entreter, apresentação da escritora e locutora, Celeste Martinez e que foi ao ar no dia 24 de agosto de 2014, das 8 às 9 h  transmissão ao vivo 87,9 Rio Una FM, apreciamos a poesia: Impressionista de Adélia Prado, no livro: Bagagem.

Impressionista

Uma ocasião,
meu pai pintou a casa toda
de alaranjado brilhante.
Por muito tempo moramos numa casa,
como ele mesmo dizia,
constantemente amanhecendo.

Adélia Prado

Poesia: O poeta. De Marquinhos e Chico Cordel

Livreto criado pelos poetas Marquinhos e Chico Cordel de Ibotirama, Bahia

O Poeta

O poeta tem o poder em si
De fazer poesias lindas
Como uma flor vermelha
De viagem com idas e vindas.

O poeta também sabe fazer notas
Notas como dó ré, mi
Ele também sabe fazer fá, sol, lá si.

Ele demonstra os sentimentos na poesia
Como se a poesia quisesse expressar seus sentimentos
Ele faz os versos terem sentido
Como se seu coração batesse lento.

Para o poeta a vida é linda
Linda como a poesia
Como uma flor que desabrocha
Como uma linda magia.

Marquinho e Chico Cordel, no livro: Mundo de Poesias, ilustrado por Chico Cordel

domingo, 24 de agosto de 2014

Vídeo de :A casa, de Rubem Braga

A escritora e locutora, Celeste Martinez interpretando a crônica: A casa, de Rubem Braga

Música: Moro onde não mora ninguém, de Agepê e Canário


Na 365° edição do Alacazum Palavras Para Entreter, apresentado pela escritora e locutora, Celeste Martinez e que foi ao ar no dia 24 de agosto de 2014, das 8 às 9 h, transmissão ao vivo 87,9 Rio Una FM, cujo tema: O melhor lugar para se viver, baseado na música: moro onde não mora ninguém de Agepê e Cánario.

Moro onde não mora ninguém

Moro onde não mora ninguém
Onde não passa ninguém
Onde não vive ninguém
É lá onde moro
E eu me sinto bem
Moro onde moro...

Não tem bloco na rua
Não tem carnaval
Mas não saio de lá
Meu passarinho me canta a mais linda
Cantiga que há
Coisa linda vem do lado de lá


Uma casinha branca
No alto da serra
Um coqueiro ao lado
Um cachorro magro amarrado
Um fogão de lenha, todo esfumaçado
É lá onde moro
Aonde não passa ninguém
É lá que eu vivo sem guerra
É lá que eu me sinto bem.




Vídeo- da história do folclore irlandẽs: O jovem que não tinha medo de nada

A escritora e locutora, Celeste Martinez, interpreta, história do folclore irlandês

O jovem que não tinha medo de nada, de Heloisa Prieto

Na 365° edição do Alacazum Palavras Para Entreter, apresentado pela escritora e locutora, Celeste Martinez e que foi ao ar no dia 24 de agosto de 2014, das 8 às 9 h, transmissão ao vivo 87,9 Rio Una FM, cujo tema: O melhor lugar para se viver, baseado na música: moro onde não mora ninguém de Agepê e Cánario, apreciamos a história do folclore irlandês: O jovem que não tinha medo de nada, de Heloisa Prieto, no livro: Lá vem Histórias.

O jovem que não tinha medo de nada

Havia um jovem que não tinha medo de nada. Desde pequeno, quando seus irmãos choravam de medo da chuva, do escuro, de latido de cachorro, ele só ria, porque não tinha medo de nada.

Numa noite muito escura, ele passeava pela floresta quando encontrou um homem semimorto estendido no chão. O home disse:

- Obrigado por vir me ajudar. Estou quase morrendo. Passei a vida inteira sozinho, porque sou muito feio e as pessoas têm medo de mim.

O jovem disse ao doente:

- Não tenho medo de nada. Vou levá-lo para minha casa e cuidar de você. E foi o que ele fez. O homem feio viveu sob os cuidados do rapaz sem medo. Todos na vila lhe diziam que ele era louco de cuidar de um homem-monstro e que ninguém nunca iria visitá-lo. Um dia, o homem feio morreu. O rapaz o enterrrou e enfeitou seu túmulo com flores. Depois, partiu em viagem.

Viajou por muito tempo sem encontrar ninguém em seu caminho. Certa noite, chegou à clareira de uma floresta onde havia um grupo de pessoas gritando. Alguém atirou uma coisa em sua direção e o rapaz a apanhou pensando que fosse uma bola. Só que a coisa era a cabeça humana. Uma cabeça viva, falante, que lhe explicou:

-Você não tem medo de mim?

- De jeito nenhum! - respondeu o rapaz. - Nunca tive e nunca terei medo de nada nem de ninguém.

Mal ele acabou de falar, as pessoas que gritavam e a cabeça que falava desapareceram. Ele se viu sozinho na floresta e prosseguiu em sua viagem. Acabou chegando a uma casa onde morava um homem que lhe ofereceu hospedagem mas o alertou:

- Nesta casa mora um fantasma! Espero que não tenha medo de dormir aqui.

O rapaz mais uma vez disse:

- De jeito nenhum! Nunca tive e nunca terei medo de nada nem de ninguém!

Na mesma noite, o rapaz acordou com um barulho horrível! Saiu  para ver o que estava acontecendo e avistou um touro e um cavalo gigante lutando no telhado da casa. Pensou: " Isso é muito estranho, mais não me dá medo" Medo é uma coisa que nunca tive e nunca terei. Imediatamente os animais desapareceram. Na noite seguinte, a cena se repetiu. O rapaz pensou naquelas mesmas palavras de sempre e os animais também desapareceram. Até que, na terceira noite, o rapaz foi despertado por um velho de aparência bondosa que lhe disse:

- Você é o maior herói de todos os tempos. Tem o coração mais generoso que já encontrei. Sou um fantasma. Morri há vinte anos e agora quero que você herde minha casa e se case com a minha filha. Amanhã ela chegará de viagem. Tenho certeza que você gostará dela.

No outro dia, a filha do fantasma regressou e assim que viu o rapaz sem medo se apaixonou por ele. O rapaz tambem caiu de amores pela menina. Os dois se casaram e tiveram uma longa vida com muitos filhso, que também cresceram felizes e sem medo nenhum.

A casa, de Rubem Braga

Na 365° edição do Alacazum Palavras Para Entreter, apresentado pela escritora e locutora, Celeste Martinez e que foi ao ar no dia 24 de agosto de 2014, das 8 às 9 h, transmissão ao vivo 87,9 Rio Una FM, cujo tema: O melhor lugar para se viver, baseado na música: moro onde não mora ninguém de Agepê e Cánario, apreciamos a crônica: A casa, de Rubem Braga, no livro: Ai de ti, Copacabana.

A casa

Outro dia eu estava folheando uma revista de arquitetura.

Como são bonitas essas casas modernas; o risco é ousado e às vezes lindo, as salas são claras, parecem jardins com teto, o arquiteto faz escultura em cimento armado e a gente vive dentro da escultura e da paisagem.

Um amigo meu quis reformar seu apartamento e chamou um arquiteto novo.

O rapaz disse: “vamos tirar esta parede e também aquela; você ficará com uma sala ampla e cheia de luz. Esta porta podemos arrancar, para que porta? E esta outra parede vamos substituir por vidro; a casa ficará mais clara e mais alegre” E meu amigo tinha um ar feliz.

Eu estava bebendo a um canto, e fiquei em silencio.

Pensei nas casinhas que vira na revista e na reforma que meu amigo ia fazer em seu apartamento. E cheguei a conclusão de que estou velho mesmo.

Porque a casa que eu não tenho, eu a quero cercada de muros altos, e quero as paredes bem grossas e quero muitas paredes, e dentro da casa muitas portas com trincos e trancas; e um quarto bem escuro para esconder meus segredos e outro para esconder minha solidão.

Pode haver uma janela alta de onde eu veja o céu e o mar, mas deve haver um canto bem sossegado em que eu possa ficar sozinho, quieto, pensando minhas coisas, um canto sossegado onde um dia eu possa morrer.

A mocidade pode viver nessas alegres barracas de cimento, nós precisamos de sólidas fortalezas; a casa deve ser antes de tudo o asilo inviolável do cidadão triste; onde ele possa bradar, sem medo nem vergonha, o nome da sua amada; Joana, JOANA! - certo de que ninguém ouvirá; casa é o lugar de andar nu de corpo e alma, e sítio para falar sozinho.

Onde eu, que não sei desenhar, possa levar dias tentando traçar na parede o perfil da minha amada, sem que ninguém veja e sorria; onde eu, que não sei fazer versos, possa improvisar canções em alta voz para o meu amor; onde eu, que não tenho crenças, possa rezar a divindades ocultas, que são apenas minhas.

Casa deve ser a preparação para o segredo maior do túmulo.

Rio, maio, 1957

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Alacazum Palavras Para Entreter em Canudos, Bahia


                            Conheci em Canudos, Bahia, o poeta, Zé Amorim

Mundo de Poesias de Chico Cordel e Marquinhos

Belo encontro na Praça Ives de Oliveira ( Praça do Coreto ) em Ibotirama, Bahia, quando do encerramento do Projeto Itinerante: Faz-se Filmes, quando o Chico Cordel e Marquinhos me ofertaram um exemplar do livro que eles lançaram, chamado: Mundo de Poesias. Obrigada!

A poesia viva de Ibotirama, Bahia


Chico Cordel, que vive em Ibotirama, Bahia, já escreveu um livreto de poema em parceria com o amigo Marquinhos.

Alacazum Palavras para Entreter em Ibotirama, Bahia

Em Ibotirama, Bahia, na função de produtora do Projeto Itinerante: Faz-se Filmes, às margens do Rio São Francisco, conheço Chico Cordel. Bela amizade.

Na 361° edição do Alacazum Palavras Para Entreter

Esta imagem, registrei na cidade de Ibotirama, às margens do rio São Francisco e pensei em um poema meu que diz:

Pegue este fio e siga esta linha
não transforme nada
não processe nada
não transgrida o raciocínio
siga.
é tão denso e fatal o tempo de embarque
que é impossível pensar tudo de vez.
por isso
siga
veja
prossiga
O momento é este fio
e sua vida
é uma linha.

Celeste Martinez
Livro: Valenciando -antologia de escritores da cidade de valença bahia
Secretaria de Cultura do Governo do Estado da Bahia, ano 2005

terça-feira, 29 de julho de 2014

Quadro: Despertando os Sentidos

Na 361° edição do Alacazum Palavras Para Entreter, o quadro: Despertando os Sentidos

segunda-feira, 28 de julho de 2014

Clasificados Poéticos da Roseana Murray


Na 361° edição do Alacazum Palavras Para Entreter, apresentação da escritora e locutora Celeste Martinez, que foi ao ar no dia 27 de julho de 2014, das 8 às 9 h, transmissão ao vivo 87,9 Rio Una FM, apreciamos Classificados Poéticos da Roseana Murray

Perdi maleta cheia de nuvens e de flores
Maleta onde eu carregava
todos os meus amores embrulhados
em neblina.
Perdi essa maleta em alguma esquina
e algum sonho
e desde então eu ando tristonho
sem saber onde pôr as mãos
Se andando pelas ruas
você encontrar a tal maleta
Por favor me avise em pensamento
que eu largo tudo e vou correndo.

Roseana Murray

Poesia de Celeste Martinez

Na 361° edição do Alacazum Palavras Para Entreter, apresentação da escritora e locutora Celeste Martinez, que foi ao ar dia 27 de julho de 2014, das 8 às 9 h  transmissão ao vivo 87,9 Rio Una FM, apreciamos a poesia de Celeste Martinez.

Pegue este fio
e siga esta linha.
Não transforme nada.
Não processe nada.
Não transgrida o raciocínio. Siga.
É tão denso e fatal
o tempo de embarque que é impossível pensar
tudo de vez.
Por isso
siga,
veja,
prossiga.
O momento é este fio e sua vida é uma linha.

O lobo caluniado

Na 361° edição do Alacazum Palavras Para Entreter, apresentação da escritora e locutora Celeste Martinez, que foi ao ar no dia 27 de julho de 2014 das 8 às 9 h, transmissão ao vivo 87,9  Rio Una FM, apreciamos a leitura: O lobo caluniado.

O lobo caluniado

A floresta era meu lugar. Eu morava lá e cuidava dela. Tentava mantê-la limpa e em ordem. Num dia ensolarado, enquanto estava retirando o lixo que um campista havia deixado, eu ouvi uns passos. Pulei atrás de uma árvore e vi uma menininha meio feia descendo o caminho e carregando uma cesta. Logo desconfiei dessa menininha porque estava vestida de maneira tão estranha - toda de vermelho e com a cabeça coberta de tal forma que parecia não querer que alguém soubesse quem era. Claro que parei para verificar quais eram suas intenções. Perguntei quem era, aonde ia, de onde vinha. Ela me contou uma história mal contada, de que ia para a casa da avó com uma cesta de comida. Parecia ser uma pessoa honesta, mas acontece que ela estava na minha floresta e, de fato, parecia meio suspeita com essa roupa estranha que vestia. Então, resolvi lhe dar uma lição para mostrar como era séria essa história de se pavonear pela floresta sem ser anunciada e vestida dessa maneira.
Deixei-a seguir seu caminho, mas logo corri na frente para chegar na casa de sua avó. Quando vi aquela velha senhora simpática, eu lhe expliquei meu problema e ela concordou que sua neta precisava aprender uma lição. Escondeu-se debaixo da cama, esperando que eu a chamasse quando fosse necessário.
Quando a menina chegou, eu a convidei para ir ao quarto onde eu estava. Eu estava na cama, vestido como sua avó. A menina entrou toda corada e disse alguma coisa malcriada sobre minhas grandes orelhas. Já havia sido insultado antes, tentei então aproveitar suas palavras, sugerindo que minhas grandes orelhas me ajudariam a ouvir melhor. O que eu quis dizer é que gostava dela e queria dar maior atenção ao que ela dizia. Mas, aí, ela fez mais uma gozação, dizendo que meus olhos eram esbugalhados. Agora, você pode entender o que eu estava começando a sentir por aquela menina. Com essa fachada tão bonita, ela escondia era uma pessoa muito desagradável. Mas resolvi lhe dizer que meus olhos grandes me ajudavam a vê-la melhor.
O insulto seguinte realmente me atingiu. Eu tenho um problema com esses meus dentes muito grandes. E essa menina fez uma malcriação a respeito deles. Sei que deveria me controlar, mas pulei da cama e rosnei dizendo que meus dentes me ajudariam a comê-la melhor.
Agora, vejam bem, nenhum lobo nunca comeria uma menininha, todo mundo sabe disso, mas essa menina maluca começou a correr pela casa gritando e eu correndo atrás dela tentando acalmá-la. Eu já tinha tirado a roupa da vovó, mas isso parecia piorar as coisas. Até que, de repente, a porta se abriu com um estrondo e um lenhador grandalhão estava lá de pé comseu machado. Eu o olhei e vi que estava em apuros. Havia uma janela aberta perto de mim e pulei fora.
Gostaria de dizer que esse foi o fim da história. Mas acontece que aquela vovó nunca contou o meu lado da história. Logo se espalhou o boato de que eu era um lobo mesquinho e chato. Todo mundo começou a se esquivar de mim. Não sei bem o que aconteceu com aquela menininha, mas eu não vivi feliz para sempre.

Lief Fearn. In " Direitos humanos no Brasil  conferências para educadores" São Paulo, Editora & Artes Gráficas, 1986

Na 360° edição do Alacazum Palavras Para Entreter


Vídeo da leitura da crônica: O acorde final de Rubem Alves

Crônica: O acorde final de Rubem Alves


Celeste Martinez lendo a crônica: O acorde final de Rubem Alves

Na 360° edição do Alacazum Palavras Para Entreter apresentação da escritora e locutora Celeste Martinez, que foi ao ar no dia 20 de julho de 2014, transmissão ao vivo 87,9 Rio Una FM, apreciamos a leitura da crônica: O acorde final de Rubem Alves.

O acorde final

Eu havia colocado no toca-discos aquele disco com poemas do Vinicius e do Drummond, disco antigo, long-play – o perigo são os riscos que fazem a agulha saltar, mas felizmente até ali tudo tinha estado lindo e bonito, sem pulos e sem chiados, o próprio Vinicius, na sua voz rouca de uísque e fumo, havia recitado os sonetos da separação, da despedida, do amor total, dos olhos da amada. Chegara meu favorito, “O haver” - o Vinicius percebia que a noite estava chegando e tratava então de fazer um balanço de tudo o que fora feito e do que sobrara disso. Assim, as estrofes começavam todas com uma mesma palavra, “Resta...” - foi isso que sobrou.

Resta essa capacidade de ternura, essa intimidade perfeira com o silêncio...
Resta essa vontade de chorar diante da beleza, essa cólera cega em face da injustiça e do mal-entendido...
Resta essa faculdade incoercível de sonhar e essa pequenina luz indecifrável a que às vezes os poetas tomam por esperança...

Começava, naquele momento, a última quadra, e de tanta vezes lê-la e outras tantas ouvi-la, eu já sabia de cor suas palavras, e as ia repetindo dentro de mim, antecipando a última, que seria o fim, sabendo que tudo o que é belo precisa terminar.

O pôr-do-sol é belo porque suas cores são efêmeras, em poucos minutos não mais existirão.

A sonata é bela porque sua vida é curta, não dura mais que 20 minutos. Se a sonata fosse uma música sem fim, é certo que seru lugar seria entre os instrumentos de tortura do Diabo, no inferno.

Até o beijo... Que amante suportaria um beijo que não terminasse nunca?
O poema também tinha de morrer para que fosse perfeito, para que fosse belo e para que eu tivesse saudades dele, depois do seu fim. Tudo o que fica perfeito pede para morrer. Depois da morte do poema viria o silêncio – o vazio. Nasceria então uma outra coisa em seu lugar: a saudade. A saudade só floresce na ausência.

É na saudade que nascem os deuses- eles existem para que o amado que se perdeu possa retornar. Que a vida seja como o disco, que pode ser tocado quantas vezes se desejar. Os deuses – nenhum amor tenho por eles, em si mesmos. Eu os amo só por isso, pelo seu poder de trazer de volta para que o abraço se repita. Divinos não são os deuses. Divino é o reencontro.
A voz do Vinicius já anunciava o fim. Ele passou a falar mais baixo.
E eu, na minha cabeça, automaticamente me adiantei, recitando em silêncio o último verso: “ sem saber que é a minha mais nova namorada”.

Foi então que, no último momento, o imprevisto aconteceu: a agulha pulou para trás – talvez tivesse achado o poema tão bonito que ser recusava a ser uma cúmplice de seu fim, não aceitava sua morte, e ali ficou a voz morta do Vinicius repentindo palavras sem sentido: “ sem saber que é a minha mais nova...” , “ sem saber que é a minha mais nova...”, “ sem saber que é minha mais nova...”.

Levantei-me do meu lugar, fui até o toca-discos, e consumei o assassinato: empurrei suavemente o braço com o meu dedo, e ajudei a beleza a morrer, ajudei-a a ficar perfeita. Ela me agradeceu, disse o que precisava dizer “ sem saber que é a minha mais nova namorada...” Depois disso foi o silêncio.

Fiquei pensando se aquilo não era uma parábola para a vida, a vida como uma obra de arte, sonata, poema, dança. Já no primeiro momento, quando o compositor ou o poeta ou o dançarino preparam sua obra, o último momento já está em gestação. É bem possível que o último verso do poema tenho sido o primeiro a ser escrito pelo Vinicius. A vida é tecida como a teia de aranha: começa sempre do fim. Quando a vida começa do fim, ela e sempre bela, por ser colorida com as cores do crepúsculo.


Não, eu não acredito que a vida biológica deva ser preservada a qualquer preço.

“Para todas as coisas há o momento certo. Existe o tempo de nascer e o tempo de morrer ( Eclesistes 3 1-2).

A vida não é uma coisa biológica. A vida é uma entidade estética. Morta a possibilidade de sentir alegria diante do belo, morre também a vida, tal como Deus no-la deu – ainda que a parafenália dos médicos continue a emitir seu bips e a produzir ziguezagues no vídeo.

A vida é como aquela peça. É preciso terminar.
A morte é o último acorde que diz: está completo. Tudo o que se completa deseja morrer.

Do livro: As melhores crônicas de Rubem Alves

quarta-feira, 23 de julho de 2014

Poesia de Cassiano Ricardo

Celeste Martinez e a poesia de Cassiano Ricardo

Vídeo do poema: O Cacto, de Cassiano Ricardo

A escritora e locutora Celeste Martinez, interpretando a poesia: O Cacto, de Cassiano Ricardo.

O Cacto, de Cassiano Ricardo


Na 360° edição do Alacazum Palavras Para Entreter, apresentação da escritora e locutora Celeste Martinez, que foi ao ar no dia 20 de julho de 2014, das 8 às 9 h transmissão ao vivo 87,9 Rio Una FM, apreciamos a poesia: O cacto, de Cassiano Ricardo.

O Cacto

Vamos, todos, brincar de cacto
na areia da nossa tristeza.
Uma folha sobre outra,
em caminho do céu intacto.

Uns nos ombros dos outros,
um braço a nascer de outro braço,
uma folha sobre outra,
formaremos um grande cacto.

De cada braço, já no espaço,
nascerá mais um braço, e deste
outros braços, qual ramalhete
de flores para um só abraço.

Filhos da pedra e do pó,
fique aqui embaixo o nosso orgulho,
pisado sobre o pedregulho.
Formaremos, num corpo só,

( uma folha sobre outra
uma folha sobre outra,
um braço a nascer de outro braço)
a nossa escada de Jacó.

Pra quê torre de Babel
ou o Empire State, compacto,
se, uns nos ombros dos outros,
chegaremos ao céu, num cacto?

Uma folha sobre outra
e já uma árvore de feridas
por entre os anjos de azulejo
e as borboletas repetidas.

Que fique aqui embaixo a terra;
lá de cima nós tiraremos
uma grande fotografia
do seu rosto de ouro e prata.

Pra provar a Deus que a terra,
numa fotografia exata,
não é redonda, mas chata;
não é redonda, mas chata.

Pra provar, por B mais H
que o homem, animal suicida,
já sabe fabricar estrelas...
Se é que Deus disto duvida.

Que iríamos fabricar luas
( se não fora, para Seu gáudio,
o espião nos ter furtado a fórmula)
mais bonitas do que as Suas.

Vamos, todos, brincar de cacto,
uns nos braços dos outros,
um abraço a nascer de outro braço,
uma folha sobre outra.

Vamos subir, de folha em folha
mais alto do que vai o avião.
Lá onde os anjos jogam pedras
no cão da constelação.

Que outros usem avião a jacto
pra uma viagem em linha reta:
nós, filhos da planície abjeta,
subiremos ao céu num cacto.

Uns nos ombros dos outros,
injustiças sobre injustiças
formaremos um verde pacto...
Vamos, todos, brincar de cacto.

Vamos, todos, brincar de cacto

Na 359° edição do Alacazum Palavras Para Entreter

Horacio Martinez, convidado especial da 359° edição

Na 359° edição do Alacazum Palavras Para Entreter, apresentação da escritora e locutora Celeste Martinez, que foi ao ar no dia 13 de julho de 2014, das 8 às 9 h, transmissão ao vivo 87,9 Rio Una FM, cujo tema: Final da Copa do Mundo 2014, contamos com a presença do artista visual, de nacionalidade argentina, Horacio Martinez, que falou um pouco sobre o futebol.

terça-feira, 15 de julho de 2014

Um argentino no Alacazum

Horacio Martinez - argentino, artista visual, na 359° edição do Alacazum Palavras Para Entreter, que foi ao ar no dia 13 de julho de 2014, das 8 às 9 h, transmissão ao vivo 87,9 Rio Una FM, cujo tema: Final da Copa do Mundo 2014.

Vídeo, do poema: Soneto futebolístico, de Glauco Mattoso


Celeste Martinez, interpreta o poema: Soneto Futebolístico, de Glauco Mattoso

Soneto Futebolístico, de Glauco Mattoso


Na 359° edição do Alacazum Palavras Para Entreter, apresentação da escritora e locutora Celeste Martinez, que foi ao ar no dia 13 de julho de 2014, das 8 às 9 h, transmissão ao vivo 87,9 Rio Una FM, cujo tema: Final da Copa do Mundo 2014, tivemos como convidado, o artista visual argentino Horacio Martinez, em um bate papo descontraído a respeito de futebol. Na abertura do programa fizemos a leitura do texto: Soneto Futebolístico de Glauco Mattoso.



Soneto Futebolístico de Glauco Mattoso

Machismo é futebol e amor aos pés.
São machos adorando pés de machos,
e nesse mundo mágico me acho
em meio aos fãs de algum camisa dez.

Invejo os massagistas dos Pelés
nps lúdicos momentos de relaxo,
servindo-lhes de chanca e de capacho,
levando a língua ali, do chá no rés.

É lógico que um cego como eu
não pode convocar o titular
dum time brasileiro ou europeu.

Contento-me em chupar o polegar
do pé de quem ainda não venceu
sequer a mais local preliminar.

Do livro: Os cem melhores poemas brasileiros do século


O Anjo das Pernas Tortas, de Vinicius de Moraes


Na 359° edição do Alacazum Palavras Para Entreter, apresentação da escritora e locutora Celeste Martinez, que foi ao ar no dia 13 de julho de 2014, das 8 às 9 h, transmissão ao vivo 87,9 Rio Una FM, cujo tema: Final da Copa do Mundo 2014, tivemos como convidado, o artista visual argentino Horacio Martinez, em um bate papo descontraído a respeito de futebol. Na abertura do programa fizemos a leitura do texto: O anjo das pernas tortas, de Vinicius de Moraes.



O Anjo das Pernas Tortas – A Flávio Porto

A um passe de Didi, Garrincha avança
Colado o couro aos pés, o olhar atento
Dribla um, dribla dois, depois descansa
Como a medir o lance do momento.

Vem-lhe o pressentimento; ele se lança
Mais rápido que o próprio pensamento
Dribla mais um, mais dois; a bola trança
Feliz, entre seu pés – um pé de vento -

Num só transporte a multidão contrita
Em ato de morte se levanta e grita
Seu uníssono canto de esperança.

Garrincha, o anjo, escuta e atende : - Gooool!
É pura imagem: um G que chuta um o
Dentro da meta, um L . É pura dança!

Rio, 1962

Visto-me de Brasil, para torcer para a Argentina!



Na 359° edição do Alacazum Palavras para Entreter, cujo tema: Final da Copa do Mundo 2014, tendo como convidado o artista visual, argentino Horacio Martinez , a escritora e locutora Celeste Martinez, disse: Visto-me de Brasil, para torcer pela Argentina!

Poesia de Celeste Martinez

Celeste Martinez recitando o seu poema



Na 359° edição do Alacazum Palavras Para Entreter, apresentação da escritora e locutora Celeste Martinez, que foi ao ar no dia 13 de julho de 2014, das 8 às 9 h, transmissão ao vivo 87,9 Rio Una FM, cujo tema: Final da Copa do Mundo 2014, tivemos como convidado, o artista visual argentino Horacio Martinez, em um bate papo descontraído a respeito de futebol. Apreciamos a poesia da escritora Celeste Martinez, interpretada por ela mesma.


Bato a minha porta e entro. Recolho-me ao quarto.
Perco as chaves.
Acendo as luzes do pensamento
e em suas paredes rabisco frases.
Dispo-me.
Visto-me de invisibilidade
e em suas entrelinhas traduzo-me
Neste amplo e recolhido quarto
existem ESPELHOS
e as únicas janelas existentes
são os meus olhos.
É noite nos poemas tristes
e frio em minha culpa por pensá-los
Caem folhas
corre o vento
desce a chuva sobre as pedras das calçadas,
discorre o sol nas cicatrizes dos corações,
passam homens,
super-homens.
Passam mulheres,
cuidado, frágeis
Passam querubins
passam sonhos transbordantes
cântaros que se derramam dentro do quarto.

Poesia de Celeste Martinez no livro: Valenciando - Antologia de escritores da cidade de Valença Bahia

Na 358° edição do Alacazum Palavras Para Entreter

Celeste Martinez- escritora e locutora do Alacazum Palavras Para Entreter


Na 358° edição do Alacazum Palavras Para Entreter, apresentação da escritora e locutora Celeste Martinez e que foi ao ar no dia 6 de julho de 2014, das 8 às 9 h transmissão ao vivo 87,9 Rio Una FM, socializamos algumas informações do Jornal Valença Agora - parceiro cultural do Alacazum -

domingo, 13 de julho de 2014

Qual a sua dica de leitura?

Exemplar do livro: O meu pé de laranja lima de José Mauro de Vasconcelos, ofertado pelo amigo Vagne Reale e pela amiga Janine Peixoto

Na 358° edição do Alacazum Palavras para Entreter, apresentação da escritora e locutora Celeste Martinez e que foi ao ar no dia 6 de julho de 2014, das 8 às 9 h, transmissão ao vivo 87,9 Rio Una FM, ouvintes-leitores Alacazum sugeriram dicas de leituras.

Dica de Leitura: O menino do dedo verde de Maurice Druon




Na 358° edição do Alacazum Palavras para Entreter, apresentação da escritora e locutora Celeste Martinez e que foi ao ar no dia 6 de julho de 2014, das 8 às 9 h, transmissão ao vivo 87,9 Rio Una FM, ouvintes-leitores do Alacazum sugeriram dicas de leitura. Este exemplar exposto, é da minha biblioteca particular e tem 38 anos de existência.

Qual a sua dica de leitura?


Na 358° edição do Alacazum Palavras para Entreter, apresentação da escritora e locutora Celeste Martinez e que foi ao ar no dia 6 de julho de 2014, das 8 às 9 h, transmissão ao vivo 87,9 Rio Una FM, perguntamos ao ouvinte-leitor Alacazum qual a sua dica de leitura.

Crédito da imagem: Wikipédia

Pesquisas na internet


Na 358° edição do Alacazum Palavras para Entreter, apresentação da escritora e locutora Celeste Martinez e que foi ao ar no dia 6 de julho de 2014, das 8 às 9 h, transmissão ao vivo 87,9 Rio Una FM , socializamos, informação a respeito do cuidado em se pesquisar, principalmente quando se utiliza os recursos da internet. A garota Eloah Rodrigues, que vive na cidade de Niterói, estudando sobre a vida do poeta inglês William Shakespeare, deparou-se com o quadro de informação, ilustrado acima. Existe um recurso da própria enciclopédia eletrônica que dá acesso ao arquivamento de novas informações descartando a que possivelmente esteja incorreta. Foi o que fez a Eloah.

Poesia: Mulheres, autoria de Celeste Martinez

A escritora Celeste Martinez declamando a sua poesia


Na 358° edição do Alacazum Palavras para Entreter, apresentação da escritora e locutora Celeste Martinez e que foi ao ar no dia 6 de julho de 2014, das 8 às 9 h, transmissão ao vivo 87,9 Rio Una FM, apreciamos a poesia: Mulheres, autoria de Celeste Martinez.

domingo, 6 de julho de 2014

Na 357° edição do Alacazum Palavras Para Entreter

 Fonte da imagem: Wikipédia


Nesta edição falamos um pouco sobre os antigos armazéns ou vendas como eram chamadas. Relembramos a venda do senhor Coroinha, na antiga rua da Taboca ( Duque de Caxias ) na cidade de Valença e a venda do Senhor João França no povoado de Gamboa do Morro de São Paulo- Cairu Bahia

Antigas garrafas de refrigerantes da marca Bilz


Antigas garrafas de refrigerantes da marca Bilz  com tampas de porcelana, relatada no texto: O armazém do Barrio de Daniel Cheruna

O Arnazém do Barrio de Daniel Cheruna


Na 357° edição do Alacazum Palavras Para Entreter, apresentação da escritora e locutora Celeste Martinez, que foi ao ar no dia 29 de junho de 2014 das 8 às 9 h apreciamos o relato de Daniel Cheruna cujo tema armazém.


O Armazém do Barrio de Daniel Cheruna

O Armazém do Barrio, estava na esquina de minha casa ( Espanha e Risso ) . Pertencia a Henrique e Pepe Camarasa; o primeiro, muito formal, porém simpático; o segundo mais robusto, não tão politicamente correto e um pouco mais jovem. Viviam os dois solteiros na casa de sua mãe já anciã. A casa que está em pé e sempre foi velha, conserva ainda todos os atributos de quando foi construida. Desabitada, resiste em abrigar seus queridos fantasmas, enfrentando com valentia o transcursso do tempo.

O enorme local que faz parte de uma construção maior, que inclui o que foi a vivenda com seu enorme patio, estava destinado a duas funções bem diferenciadas. Sobre a esquina propriamente dita, o armazém; e com entrada sobre a rua Espanha, o depósito de bebidas onde geralmente havia bicicletas encostadas sobre a parede, esperando a saida de seus donos para levá-los de volta ao lar. As vezes ziguezagueando mais que o prudente, embora as ruas de então não oferecessem demasiado risco. Mais perigosas eram as situações que costumavam apresentar-se na varanda quando alguma discurssão começava dentro do boliche e devia continuar ao ar livre por decisão de Pepe que tinha bem definido os limites da tolerância que não podia transgredir-se para permitir a permanencia dos concorrentes. Por algum motivo ele tinha este setor do negocio sobre sua responsabilidade. Sabia que se tinha que fazer-se cargo da situação aplicando sua autoridade e força bruta, não duvidaria um segundo em tomar cartas no assunto. As regras eram claras; lá fora estava o espaço público, porém ali dentro teriam que respeitar o lugar; do contrario não se permitia pisar novamente. Mas nem todos os clientes eram encrenqueiros, muitos tinham o “porre alegre” e as reuniões tornavam-se verdadeiros entretenimentos. Se palpitava um clima festivo e de camaradagem como em um clube de amigos, onde se falava de tudo e se ria muito; As vezes a alegria se tornava tão transbordante que era necessário moderar a situação para não atrapalhar os clientes que do outro lado faziam suas compras diárias em outro setor do armazem, atendido por Henrique que mantinha com elegância um lápis na orelha direita, ferramenta fundamental de sua atividade. Fazia as contas com numeros grandes e claros sobre uma folha de papel cinza que logo cortaba com a mão e fazia a função de fatura ou ticket. O mesmo papel que usava para enrolar a herva e todos os produtos soltos que eram comuns naquela epoca, como o acuçar moido ou em cubos ( que era a preferida de minha família porque diziam que adocava mais ); produtos que envolvia com uma habilidade incrivel, com bordas tipo as empanada que asegurava perfeitamente sua borda.
Depois da compra nunca faltava “la yapa” ( o caramelo ou alguma outra cortesia da casa ) e o comentário do dia era imprescindivel antes ou depois. Os dotes de comunicador social, fazia dele um experto em varias questões mais principalmente àquelas relacionadas ao tempo. A maioria fazia suas compras em cadernetas ( a negra com capa plástica e folhas com linhas e duas colunas para as anotações). Minha alegria consistia a cada tempo em comprar um alfajor e uma bolita Bilz ( limonada efervercente que conservava seu nome de quando tinha uma bolinha no gargalho para conservar seu lacre hermético)
Outra função social muito importante que cumpria o negocio dos Camarasa era seu telefone de caixão preso na parede da oficina ou deposito de mercadorias onde entravamos, desprendia o auricular, girava varias vezes a manivela fixada a direita do aparelho e dizia a operadora que nos atendia com que numero queriamos comunicar.

Existia outro na padaria em frente porem este era mais popular. Igualmente não era muito a demanda já que muito poucos tinha linha telefonica em suas casas para poder chamar-se; mas em muitos casos nos tirava de apuros e eles jamais se mostravam aborrecidos por ter que emprestar-los; inclusive deixando de atender alguém para guiar-nos até o lugar exato. Para o qual era necessario levantar uma tabua de madeira do mostrador e atravessar o setor do bar saudando atentamente a quem ali estivesse. Tenho em minha mente os altos tetos, o reboco de barro e os pisos de tijolo vermelho. As vitrines de madeira dura e escura como os enormes mostradores e as estantes que cobriam praticamente toda a parede, exibindo tanto comestivel como caldeirões, baldes e bacias. Praticamente um armazém de ramo geral. Do mesmo modo que conservo a recordação dos cheiros, mistura de especieis com umidade que fazia único e reconhecivel o ambiente mesmo com os olhos fechados. Os irmãos eram muito queridos. E eles sabiam; por isso tinham aparentemente uma vida feliz. Sabiam que estavam cumprindo uma importante missão para o seu bairro. Hoje, podem descansar em paz, seguros de que, quem compartilhou essa etapa; os recordaremos sempre e lhes estaremos infinitamente agradecidos por tudo que nos deram.


Video de Celeste Martinez

Celeste Martinez - escritora e locutora do Alacazum Palavras Para Entreter - interpretando a crônica: O amor sem ar ou a quase morte do amor, de sua autoria.

Crônica: O amor sem ar ou a quase morte do amor de Celeste Martinez

 Na 357° edição do Alacazum Palavras Para Entreter, apresentação da escritora e locutora Celeste Martinez, que foi ao ar no dia 29 de junho de 2014 das 8 às 9 h, transmissão ao vivo Rio Una FM 87,9, apreciamos a crônica: O amor sem ar ou a quase morte do amor, autoria de Celeste Martinez e que foi publicado no Jornal Valença Agora


Estavam as quatro repousadas no coração do poeta quando uma delas, a primeira,resolveu fugir. Andou, Andou, Aonde, Antes, Alguns, Amantes, Admirados Almejavam Augusto a Aurora. Teria que seguir esta sequência, consequência de sua primazia na coordenada alfabética. Saiu em busca do inalcancável. Enquanto isso, no coração do poeta, ouvia-se:

- Mor, mor, mor!

Seria a morte?

Seria a moral da história jamais escrita e tal corvo batia à porta?

Nada indagou este que escreve. Apenas sentiu o que sentia monossílabicamente:

- Mor, mor, mor!

Então a décima terceira letra do alfabeto, olhando em volta notou a falta da primeira. Gritou:

- Ó ò ó ó !

A décima quinta letra aturdida com o grito, sacudiou o companheiro ao lado dizendo:

- Acorda "erre".

- Rato roeu a roupa do rei de roma? - perguntou atônito -

- Não. O " a" fugiu.

- O que será de nós? O que será do amor?

- Precisamos encontrá-la. Disse a consoante. E entre "emes" ò ó" e "erres" elas seguiram. Que sentido teria morar em coração triste?

Mas como escapar da melancolia?

Aproveitaram o espirro do escritor: Atchimmmmmm!

E desceram pelas escadarias dos repetidos "emes".

Fora da aorta uma sílaba apenas: " Mor" - a quase morte do amor.

Porém desejava silabicamente encontrar o "ar" que respiravam mutuamente e retornar ao coração daquele que pinta com palavras a emoção.

De repente, ei-lo: substantivo masculino, primeira letra do nosso alfabeto, sentada na calçada, cabisbaixa tristonha.

- Olá, disse em uníssono o "eme", o "o" e o "erre".

E ao rever as letras juntas, o " a" falou:

- Amigas, quero abraçá-las!

E foi um tal de "a" abraçand o "o", abrançando o "eme", abraçando o "erre". Após seguiram as quatro, digo, seguiu a palabra ao encontro do poeta, que naquela manhã do dia cinco, acordou a prima Vera para esperá-las.

E o amor novamente acomodou-se no coração do poeta que tomado de súbita felicidade escreveu para alguém que muito ama:

Valença, cinco de setembro de 2012
Queri...

Bem, o que foi escrito não será aqui revelado. São coisas do amor. Saga de um triângulo amoroso entre o escritor, palaà sílaba "mor" que trocu o caminhao que conduz a morte pelo Ar do Amor.

Celeste martinez
 

sábado, 5 de julho de 2014

Escutamos: Meu Grito com Agnaldo Timóteo

Na 357° edição do Alacazum Palavras Para Entreter, apresentação da escritora e locutora Celeste Martinez e que foi ao ar no dia 29 de junho de 2014, falamos um pouco sobre armazéns e dedicamos a música: Meu grito, autoria de Roberto Carlos, interpretado pelo cantos Agnaldo Timóteo, à avó Dorinha, 94 anos.

Na 356° edição do Alacazum Palavras Para Entreter

O poeta cordelista, Daniel Pereira ao lado da escritora e apresentadora do Alacazum Palavras para Entreter, Celeste Martinez. Na 356° edição, exclusivamente dedicado ao amigo Daniel, que não via a 30 anos.









A seca do Nordeste do poeta Daniel Pereira

Na 356° edição do Alacazum Palavras Para Entreter, apresentação da escritora e locutora Celeste Martinez e que foi ao ar no dia 22 de junho de 2014 das 8 às 9 h, contamos com a presença do poeta cordelista Daniel Pereira. O cordel " Os temperos da cachaça " foi apresentado e a condutora do programa, amiga de muitos anos do poeta reviveu os fragmentos do livreto: " A seca do Nordeste" que lhe foi ofertado a 30 anos pelo amigo cordelista.

A seca do Nordeste

Eu vou escrever uma história
Não sei se passo no teste
Mais o Pai da Criação
Que tem um poder celeste
Vai me ajudar a falar
Sobre a seca do Nordeste.

Jesus é tão Poderoso
É o Pai da Criação
Não vai deixar o sertanejo
Passar tanta privação
Breve ele manda chuva
Para molhar todo o sertão

Tudo aqui é sofrimento
As fazendas estão deserta
Sem água e sem comida
O gado tem a morte certa
Fome doença e pobresa
É só isto que nos resta.

domingo, 22 de junho de 2014

O amigo Cordelista Daniel Pereira no Alacazum Palavras Para Entreter


Após muitos anos, re-encontro um amigo cordelista Daniel Pereira e o convido ao Alacazum Palavras Para Entreter. Foi uma bela manhã Alacazum regada a versos musicados. Obrigada, amigo!

A seca do Nordeste de Daniel Pereira




Este exemplar de literatura de cordel, autoria do cordelista Daniel Pereira, pertence à escritora Celeste Martinez que recebeu de presente do autor a exatamente 31 anos atrás, em bom estado de conservação, hoje mostra-se para o mundo por que re-encontrei o amigo Daniel Pereira, convidado especial desta 356° edição do dia 22 de junho de 2014, transmissão ao vivo Rio Una FM 87,9