quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Homenagem do Educandário Almir Moraes



A turma do 9° ano do Educandário Almir Moraes, instituição de ensino privado da cidade de Valença, Bahia, elegeu para tema: Escritores Valencianos. Entre os homenageados, Celeste Martinez. Na particularidade da fotografia, bem no centro, minha caricatura. Obrigada!

Eu prestigiei a Feira dos Saberes do Educandário Almir Moraes


Gratificante quando somos reconhecidos pelo que fazemos. O programa radiofõnico Alacazum Palavras Para Entreter nestes 8 anos de atividade têm motivado crianças e adolescentes para a prática da leitura e escrita.

Feira dos Saberes do Almir Moraes

Eu, Celeste Martinez ao lado da jovem Andressa Luz e Filipe, estudantes do Colégio Particular Almir Moraes, na cidade de Valença Bahia. Fui convidada para apreciar a Feira dos Saberes, onde foi escolhido para estudo, a vida de escritores Valencianos, entre eles, eu. O garoto Filipe foi  o encarregado de informar a breve biografia da escritora Celeste Martinez. Quando passeava entre as diversas salas com seus diferentes temas, uma conhecida, me parabenizou por ter sido uma das escolhidas pelos alunos. E frizou: homenagem ainda em vida. Sim, realmente, é motivo de felicidade, saber que jovens reconhecem o trabalho literário de pessoas que vivem na cidade. Obrigada, ao Colégio Almir Moraes e aos dinâmicos jovens que integram a equipe.

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Escutamos Vicente Celestino

Na 368° edição do Alacazum Palavras Para Entreter que foi ao ar no dia 14 de setembro de 2014 apresentação da escritora e locutora Celeste Martinez, transmissão ao vivo 87,9 Rio Una FM no horário das 8 às 9 h apreciamos a música: Patativa, autoria de Vicente Celestino, cantada por ele. Lançamos como desafio musical e o ouvinte-leitor identificou facilmente.
Crédito da imagem: http://www.tvsinopse.kinghost.net/art/v/vicente-celestino.htm





Patativa

Acorda, Patativa, vem cantar
Relembras as madrugas que lá vão
E faz de tua janela o meu altar
Escuta a minha eterna oração
Eu vivo inultilmente a procurar
Alguém que compreende o meu amor
E vejo que é destino meu sofrer
E padecer não encontrar
Quem compreenda o trovador
Eu tenho n'alma um vendaval sem fim
E uma esperança que hás de ter por mim
O mesmo afeto que juravas ter
Para que acabe este meu sofrer
Eu sei que juras cruelmente em vão
Eu sei que preso tens o coração...

Video da poesia: O beijo e o vento de Jucilene C. Muniz


Celeste Martinez, interpreta o poema: O beijo e o vento da escritora e professora Jucilene C. Muniz, de Presidente Tancredo Neves

Poesia: O beijo e o vento de Jucilene C. Muniz

Na 368° edição do Alacazum Palavras Para Entreter, apresentação da escritora e locutora Celeste Martinez e que foi ao ar no dia 14 de setembro de 2014, das 8 às 9 h transmissão ao vivo 87,9 Rio Una FM, apreciamos a poesia: O beijo e o vento da escritora e professora Jucilene C. Muniz, de Presidente Tancredo Neves.

 O beijo e o vento

Beijos que se perderam no vento!
Inocente pensamento que deseja encontrar
Em algum momento! Beijos! Abraços e sentimentos!

Sinceros pensamentos que com a certeza do tempo
Acredita que foram beijos e abraços nunca experimentado
Quanta ilusão cabe dentro de um pensamento!

Nada de beijos e abraços perdidos no tempo
Sabe-se que jamais foram dados!
Talvez em alguns momentos foram roubados
De tais pensamentos que enganaram os sentimentos!

Jucilene C. Muniz
Escritora/ Professora

Vídeo da poesia: Supremacia do Amor de Jéssica Bellém, de Igrapiúna



Celeste Martinez, declama a poesia: Supremacia do Amor, de Jéssica Bellém, de Igrapiúna, Bahia, na 368° edição do dia 14 de setembro de 2014

Supremacia do Amor de Jéssica Bellém de Igrapiúna

Na 368° edição do Alacazum Palavras Para Entreter, apresentação da escritora e locutora Celeste Martinez e que foi ao ar no dia 14 de setembro de 2014, das 8 às 9 h transmissão ao vivo 87,9 Rio Una FM, apreciamos a poesia: Supremacia do Amor, de Jéssica Bellém, que vive em Igrapiúna.

Supremacia do Amor


Rosas vermelhas sobre o nosso leito de amar,
Lençois brancos que exalam o cheiro roubado,
Ardente amor desperta loucos desejos
Atrai a minha boca para ficar unida a sua.

Flutuando nos teus braços, sentindo o teu calor
Tentando controlar o que porfia dentro de mim.
Ès tão lindo meu amado, meu bem-querer
E assim te contemplando, fecho os olhos e te beijo.

Não resisto a esse seu jeito de me olhar,
Sua voz tão meiga me faz carinho com palavras
Sua boca é um convite tentador, eu aceito.
Queres o mesmo que eu, então me consome.

Dono do meu coração, estou aqui, sou sua,
Me toca, me beija, me conduz onde eu devo ir,
Seguirei em ritmo quente e incansável.
Te deixarei sem fôlego, mas tu pedirás mais.

Calarei a sua voz com um longo beijo,
Nesse instante ficarei apenas te apreciando
Ao som dos teus gemidos não cabe mais movimento,
Apenas se deliciar com a supremacia do amor.

( Poetisa Bellém ) Igrapiúna, Bahia

Na 367° edição do Alacazum Palavras Para Entreter


Vídeo produzido pelo Alacazum Palavras Para Entreter em sua 367° edição comemoração dos 8 anos de aniversário do programa. Como convidado Marcos Restini.

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Acácio Luz, convidado para os 8 anos de sucesso do Alacazum


Acácio Luz, amigo, ouvinte-leitor, Alacazum, convidado especial para participar da 367° edição do 7 de setembro de 2014, quando se comemorou os 8 anos de sucesso, do único programa cultural da cidade de Valença, Bahia.

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Festa de comemoração dos 8 anos de Alacazum por Jamile Guerra






Comemoração do aniversário de 8 anos de sucesso do Alacazum Palavras Para Entreter, em família, organizado pela irmã, professora Jamile Guerra. Bolo feito especialmente por ela para este momento. Muito gratificante, poder contar com a nossa família e comemorar juntos, este festivo dia.

Presente da professora Aleísa Magalhães nos 8 anos de sucesso do Alacazum!

C



Cartão, acompanhado de um belíssimo jarro de Lírios, ofertado pela amiga, professora, Aleísa Magalhães (segundo ano que envia flores ) em comemoração aos 8 anos de sucesso, do único programa cultural da cidade de Valença, Bahia.


8 anos de sucesso do Alacazum Palavras Para Entreter



Celeste Martinez, escritora, idealizadora e apresentadora do programa radiofônico Alacazum Palavras Para Entreter - único programa de cultural da cidade de Valença, Bahia - entre os convidados na 367° edição do dia 7 de setembro de 2014.


Convidados especiais nos 8 anos de sucesso do Alacazum Palavras Para Entreter


Esta fotografia, retrata a manhã de 7 de setembro de 2014, na emissora de rádio Rio Una FM 87,9 quando na 367° edição, comemorou-se o dia 3 de setembro, data comemorativa dos 8 anos de Alacazum como programa radiofônico de incentivo à pratica da leitura, na cidade de Valença Bahia.

Da esquerda para direita: Flávio Restini ( Engenheiro Quimico ), Adilson Pereira ( Empresário ), Lara Vitória ( Estudante e poetiza );  Horacio Martinez ( Artista Visual e Empresário- agachado ); Acácio Luz ( Empresário e Artista ), Carlos Maia ( Defensor Público ) Marcos Restini ( Estudante ) e Igor ( Estudante).

A casa do tento, de Adriana Pereira Santos


Adilson Pereira, ouvinte-leitor Alacazum, convidado especial na 367° edição, quando comemoramos o aniversário de 8 anos do Alacazum Palavras Para Entreter. Adilson, nos presenteou com poesia, escrito por sua irmã Adriana Pereira, que vive no estado de São Paulo. Foi a mais bela interpretação dos belos momentos vividos por uma família que eu já escutei.

Na 366° edição do Alacazum Palavras Para Entreter



Celeste Martinez - escritora, idealizadora e apresentadora do programa radiofônico Alacazum Palavras Para Entreter, interpretando a crônica: Um homem feliz, da Clarice Lispector, no livro: A descoberta do mundo.

Um homem feliz, de Clarice Lispector



Na 366° edição do Alacazum Palavras Para Entreter, apresentado pela escritora e locutora Celeste Martinez e que foi ao ar no dia 31 de agosto de 2014 das 8 às 9 h, transmissão ao vivo Rio Una FM 87,9 apreciamos, novamente, outra crônica da Clarice Lispector, intitulada: Um homem feliz, retirado do livro: A descoberta do mundo.

Um homem feliz


Um dia desses tomei um táxi e acendi um cigarro. Ao primeiro sinal de parada de luz vermelha, o chofer me disse:

- A senhora quer ter a gentileza de me emprestar seus fósforos?

Estendi-lhe a caixa, e quando a devolveu, antes que ele disesse alguma coisa, falei distraidamente por hábito:

- De nada.

E ele:

- Eu ainda não tinha agradecido. Por que é que a senhora disse " de nada " ?

- Ah, não tem importância.

- Me desculpe, mas tem importância. A senhora devia ter esperado que eu dissesse " muito obrigado " e depois é que a senhora ia responder " de nada ".


- Não importa, disse eu um pouco surpreendida.

Mas importava sim. Seu tom, ao ter falado, era o de um homem que defende leis que foram violadas. Era como se ele tivesse caído em terreno perigoso. Olhei-o melhor: e vi quanto aquele homem era pouco livre e como ele precisava sentir-se preso, e aos outros também. Tentei então uma doçura que o suavizasse, e, mais pela entonação da voz que por meio das palavras, eu lhe disse:

- De verdade, moço, não tem mesmo importância...

Mas ele insistiu duro:

- De outra vez a senhora espere que lhe agradeçam.

Nada mais havia a fazer, além do que eu também estava um pouco irritada. Até o fim da corrida não dissemos mais nada. E se há um silêncio mudo era aquele.


Clarice Lispecto, em A descoberta do mundo

O que significa a palavra: Apapachar?


Na 366° edição do Alacazum Palavras Para Entreter, apresentado pela escritora e locutora Celeste Martinez e que foi ao ar no dia 31 de agosto de 2014 das 8 às 9 h, transmissão ao vivo Rio Una FM 87,9, socializamos o significado da palavra: Apapachar.

Enigma, de Clarice Lispector


Na 366° edição do Alacazum Palavras Para Entreter, apresentado pela escritora e locutora Celeste Martinez e que foi ao ar no dia 31 de agosto de 2014 das 8 às 9 h, transmissão ao vivo Rio Una FM 87,9 apreciamos a crônica: Enigma, de Clarice Lispector, no livro: A descoberta do mundo.


Enigma

Ela estava vestida de uniforme listrado de empregada, mas falava como dona-de-casa. Viu-me subir as escadas cheia de embrulhos e parando para sentar nos degraus – os dois elevadores estavam enguiçados. Ela morava no quinto andar, eu no sétimo. Subiu comigo segurando alguns de meus embrulhos numa das mãos, e na outra o leite que comprara. Quando chegou ao quinto andar, botou o leite em casa dela entrando pela porta de serviço, depois fez questão de segurar meus embrulhos e de subir comigo até o sétimo.
Que mistério era esse: falava como dona-de-casa, seu rosto era o de dona-de-casa, e no entanto estava uniformizada. Sabia do incêndio que eu sofrera, imaginava a dor que eu sentira, e disse: mais vale a pena sentir dor do que não sentir nada.
- Tem pessoas – acrescentou – que nunca ficam nem deprimidas, e não sabem o que perdem.
Explicou-me, logo a mim, que a depressão ensina muito.
E – juro- acrescentou o seguinte: “ A vida tem que ter um aguilhão, senão a pessoa não vive”. E ela usou a palavra aguilhão, de que eu gosto.

Clarice Lispector, em A descoberta do mundo

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Vídeo do relato: História de uma Pianista, de Regina Célia Queiroz Alves

Celeste Martinez, escritora e apresentadora do Alacazum Palavras Para Entreter, interpreta o texto, escrito pela Dona Regian Alves, na 366° edição do Alacazum.

História de uma Pianista, de Regina Célia Queiroz Alves





Na 366° edição do Alacazum Palavras Para Entreter, apresentado pela escritora e locutora Celeste Martinez e que foi ao ar no dia 31 de agosto de 2014 das 8 às 9 h, transmissão ao vivo Rio Una FM 87,9 apreciamos o relato: História de uma pianista, escrito pela dona Regina Célia Queiroz Alves, que vive na cidade de Valença, detentora de um piano que foi doado ao Memorial da Câmara de Vereadores de Valença, Bahia.

História de uma Pianista

Quero falar um pouco, a todos que visitarem esse “Memorial” da História de uma mulher que dedicou toda sua vida à música, em especial ao “ Piano”. Trata-se de D. Maria Herminia Vasconcelos de Queiroz conhecida por muitos de Marêta Queiroz e mui carinhosamente por seus familiares “ Tiêta”. Seu prazer maior era ensinar. Dedicou todo o seu tempo aos serviços da Igreja, como catequista, tocando Harmônio, formando grupo de cantos, etc, etc. Era também poliglota, falava línguas como: Francês, Latim, Castelhano, Espanhol, etc. Era uma poetisa, escritora, emfim foi uma pessoa de grandes conhecimentos e que nos deixou verdadeiro exemplo.
Aprenderem com ela, alguns valencianos que também foram importantes, como: Dr. Rafael Isauro Dantas, Sr. Gentil Paraiso Martins e muito mais. Era professora de Português e de música. Como alunos de piano: Marcos Galvão de Queiroz ( seu sobrinho querido ), Luzia, Manoel Lobão, Diana, Sr. Viriato, por fim, foi minha mestra maior, passando-me seus ensinamentos e seus valores na música, em especial o piano, do quel eu fui escolhida para ser herdeira do mesmo, por ser aluna dedicada.
Hoje o tempo me fez lembrar e agradecer por ter encontrado essa pessoa maravilhosa na minha vida, que me fez experimentar o sentimento musical, tocando na Igreja e também em nosso convívio familiar, alegrando a todos que me ouviam. Obrigada, Tiêta!!!
Mas... a vida vai passando! Ela já passou e tantos outros também, ficando apenas as saudades e as lembranças! Eu também passarei!!! Fica aqui pois, esse relato para quem conhecer este piano saber a história de D. Mariêta Queiroz ou nossa querida Tiêta que fez parte da história de Valença, direta ou indiretamente, principalmente como educadora. Mais uma vez, sinto-me feliz e privilegiada por ter participado dos seus ensinamentos e conhecimentos que me tornaram sua discipula e admiradora! Esse piano foi doado por mim a este Memorial e aqui deixo um pouco da história de minha mestra e da minha também.

Regina Célia Queiroz Alves, Valença, 2014

domingo, 31 de agosto de 2014

Na 365° edição do Alacazum Palavras Para Entreter

Na 365° edição do Alacazum Palavras Para Entreter, apresentação da escritora e locutora, Celeste Martinez e que foi ao ar no dia 24 de agosto de 2014, das 8 às 9 h  transmissão ao vivo 87,9 Rio Una FM, apreciamos a poesia: Impressionista de Adélia Prado, no livro: Bagagem.

Impressionista

Uma ocasião,
meu pai pintou a casa toda
de alaranjado brilhante.
Por muito tempo moramos numa casa,
como ele mesmo dizia,
constantemente amanhecendo.

Adélia Prado

Poesia: O poeta. De Marquinhos e Chico Cordel

Livreto criado pelos poetas Marquinhos e Chico Cordel de Ibotirama, Bahia

O Poeta

O poeta tem o poder em si
De fazer poesias lindas
Como uma flor vermelha
De viagem com idas e vindas.

O poeta também sabe fazer notas
Notas como dó ré, mi
Ele também sabe fazer fá, sol, lá si.

Ele demonstra os sentimentos na poesia
Como se a poesia quisesse expressar seus sentimentos
Ele faz os versos terem sentido
Como se seu coração batesse lento.

Para o poeta a vida é linda
Linda como a poesia
Como uma flor que desabrocha
Como uma linda magia.

Marquinho e Chico Cordel, no livro: Mundo de Poesias, ilustrado por Chico Cordel

domingo, 24 de agosto de 2014

Vídeo de :A casa, de Rubem Braga

A escritora e locutora, Celeste Martinez interpretando a crônica: A casa, de Rubem Braga

Música: Moro onde não mora ninguém, de Agepê e Canário


Na 365° edição do Alacazum Palavras Para Entreter, apresentado pela escritora e locutora, Celeste Martinez e que foi ao ar no dia 24 de agosto de 2014, das 8 às 9 h, transmissão ao vivo 87,9 Rio Una FM, cujo tema: O melhor lugar para se viver, baseado na música: moro onde não mora ninguém de Agepê e Cánario.

Moro onde não mora ninguém

Moro onde não mora ninguém
Onde não passa ninguém
Onde não vive ninguém
É lá onde moro
E eu me sinto bem
Moro onde moro...

Não tem bloco na rua
Não tem carnaval
Mas não saio de lá
Meu passarinho me canta a mais linda
Cantiga que há
Coisa linda vem do lado de lá


Uma casinha branca
No alto da serra
Um coqueiro ao lado
Um cachorro magro amarrado
Um fogão de lenha, todo esfumaçado
É lá onde moro
Aonde não passa ninguém
É lá que eu vivo sem guerra
É lá que eu me sinto bem.




Vídeo- da história do folclore irlandẽs: O jovem que não tinha medo de nada

A escritora e locutora, Celeste Martinez, interpreta, história do folclore irlandês

O jovem que não tinha medo de nada, de Heloisa Prieto

Na 365° edição do Alacazum Palavras Para Entreter, apresentado pela escritora e locutora, Celeste Martinez e que foi ao ar no dia 24 de agosto de 2014, das 8 às 9 h, transmissão ao vivo 87,9 Rio Una FM, cujo tema: O melhor lugar para se viver, baseado na música: moro onde não mora ninguém de Agepê e Cánario, apreciamos a história do folclore irlandês: O jovem que não tinha medo de nada, de Heloisa Prieto, no livro: Lá vem Histórias.

O jovem que não tinha medo de nada

Havia um jovem que não tinha medo de nada. Desde pequeno, quando seus irmãos choravam de medo da chuva, do escuro, de latido de cachorro, ele só ria, porque não tinha medo de nada.

Numa noite muito escura, ele passeava pela floresta quando encontrou um homem semimorto estendido no chão. O home disse:

- Obrigado por vir me ajudar. Estou quase morrendo. Passei a vida inteira sozinho, porque sou muito feio e as pessoas têm medo de mim.

O jovem disse ao doente:

- Não tenho medo de nada. Vou levá-lo para minha casa e cuidar de você. E foi o que ele fez. O homem feio viveu sob os cuidados do rapaz sem medo. Todos na vila lhe diziam que ele era louco de cuidar de um homem-monstro e que ninguém nunca iria visitá-lo. Um dia, o homem feio morreu. O rapaz o enterrrou e enfeitou seu túmulo com flores. Depois, partiu em viagem.

Viajou por muito tempo sem encontrar ninguém em seu caminho. Certa noite, chegou à clareira de uma floresta onde havia um grupo de pessoas gritando. Alguém atirou uma coisa em sua direção e o rapaz a apanhou pensando que fosse uma bola. Só que a coisa era a cabeça humana. Uma cabeça viva, falante, que lhe explicou:

-Você não tem medo de mim?

- De jeito nenhum! - respondeu o rapaz. - Nunca tive e nunca terei medo de nada nem de ninguém.

Mal ele acabou de falar, as pessoas que gritavam e a cabeça que falava desapareceram. Ele se viu sozinho na floresta e prosseguiu em sua viagem. Acabou chegando a uma casa onde morava um homem que lhe ofereceu hospedagem mas o alertou:

- Nesta casa mora um fantasma! Espero que não tenha medo de dormir aqui.

O rapaz mais uma vez disse:

- De jeito nenhum! Nunca tive e nunca terei medo de nada nem de ninguém!

Na mesma noite, o rapaz acordou com um barulho horrível! Saiu  para ver o que estava acontecendo e avistou um touro e um cavalo gigante lutando no telhado da casa. Pensou: " Isso é muito estranho, mais não me dá medo" Medo é uma coisa que nunca tive e nunca terei. Imediatamente os animais desapareceram. Na noite seguinte, a cena se repetiu. O rapaz pensou naquelas mesmas palavras de sempre e os animais também desapareceram. Até que, na terceira noite, o rapaz foi despertado por um velho de aparência bondosa que lhe disse:

- Você é o maior herói de todos os tempos. Tem o coração mais generoso que já encontrei. Sou um fantasma. Morri há vinte anos e agora quero que você herde minha casa e se case com a minha filha. Amanhã ela chegará de viagem. Tenho certeza que você gostará dela.

No outro dia, a filha do fantasma regressou e assim que viu o rapaz sem medo se apaixonou por ele. O rapaz tambem caiu de amores pela menina. Os dois se casaram e tiveram uma longa vida com muitos filhso, que também cresceram felizes e sem medo nenhum.

A casa, de Rubem Braga

Na 365° edição do Alacazum Palavras Para Entreter, apresentado pela escritora e locutora, Celeste Martinez e que foi ao ar no dia 24 de agosto de 2014, das 8 às 9 h, transmissão ao vivo 87,9 Rio Una FM, cujo tema: O melhor lugar para se viver, baseado na música: moro onde não mora ninguém de Agepê e Cánario, apreciamos a crônica: A casa, de Rubem Braga, no livro: Ai de ti, Copacabana.

A casa

Outro dia eu estava folheando uma revista de arquitetura.

Como são bonitas essas casas modernas; o risco é ousado e às vezes lindo, as salas são claras, parecem jardins com teto, o arquiteto faz escultura em cimento armado e a gente vive dentro da escultura e da paisagem.

Um amigo meu quis reformar seu apartamento e chamou um arquiteto novo.

O rapaz disse: “vamos tirar esta parede e também aquela; você ficará com uma sala ampla e cheia de luz. Esta porta podemos arrancar, para que porta? E esta outra parede vamos substituir por vidro; a casa ficará mais clara e mais alegre” E meu amigo tinha um ar feliz.

Eu estava bebendo a um canto, e fiquei em silencio.

Pensei nas casinhas que vira na revista e na reforma que meu amigo ia fazer em seu apartamento. E cheguei a conclusão de que estou velho mesmo.

Porque a casa que eu não tenho, eu a quero cercada de muros altos, e quero as paredes bem grossas e quero muitas paredes, e dentro da casa muitas portas com trincos e trancas; e um quarto bem escuro para esconder meus segredos e outro para esconder minha solidão.

Pode haver uma janela alta de onde eu veja o céu e o mar, mas deve haver um canto bem sossegado em que eu possa ficar sozinho, quieto, pensando minhas coisas, um canto sossegado onde um dia eu possa morrer.

A mocidade pode viver nessas alegres barracas de cimento, nós precisamos de sólidas fortalezas; a casa deve ser antes de tudo o asilo inviolável do cidadão triste; onde ele possa bradar, sem medo nem vergonha, o nome da sua amada; Joana, JOANA! - certo de que ninguém ouvirá; casa é o lugar de andar nu de corpo e alma, e sítio para falar sozinho.

Onde eu, que não sei desenhar, possa levar dias tentando traçar na parede o perfil da minha amada, sem que ninguém veja e sorria; onde eu, que não sei fazer versos, possa improvisar canções em alta voz para o meu amor; onde eu, que não tenho crenças, possa rezar a divindades ocultas, que são apenas minhas.

Casa deve ser a preparação para o segredo maior do túmulo.

Rio, maio, 1957

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Alacazum Palavras Para Entreter em Canudos, Bahia


                            Conheci em Canudos, Bahia, o poeta, Zé Amorim

Mundo de Poesias de Chico Cordel e Marquinhos

Belo encontro na Praça Ives de Oliveira ( Praça do Coreto ) em Ibotirama, Bahia, quando do encerramento do Projeto Itinerante: Faz-se Filmes, quando o Chico Cordel e Marquinhos me ofertaram um exemplar do livro que eles lançaram, chamado: Mundo de Poesias. Obrigada!

A poesia viva de Ibotirama, Bahia


Chico Cordel, que vive em Ibotirama, Bahia, já escreveu um livreto de poema em parceria com o amigo Marquinhos.

Alacazum Palavras para Entreter em Ibotirama, Bahia

Em Ibotirama, Bahia, na função de produtora do Projeto Itinerante: Faz-se Filmes, às margens do Rio São Francisco, conheço Chico Cordel. Bela amizade.

Na 361° edição do Alacazum Palavras Para Entreter

Esta imagem, registrei na cidade de Ibotirama, às margens do rio São Francisco e pensei em um poema meu que diz:

Pegue este fio e siga esta linha
não transforme nada
não processe nada
não transgrida o raciocínio
siga.
é tão denso e fatal o tempo de embarque
que é impossível pensar tudo de vez.
por isso
siga
veja
prossiga
O momento é este fio
e sua vida
é uma linha.

Celeste Martinez
Livro: Valenciando -antologia de escritores da cidade de valença bahia
Secretaria de Cultura do Governo do Estado da Bahia, ano 2005

terça-feira, 29 de julho de 2014

Quadro: Despertando os Sentidos

Na 361° edição do Alacazum Palavras Para Entreter, o quadro: Despertando os Sentidos

segunda-feira, 28 de julho de 2014

Clasificados Poéticos da Roseana Murray


Na 361° edição do Alacazum Palavras Para Entreter, apresentação da escritora e locutora Celeste Martinez, que foi ao ar no dia 27 de julho de 2014, das 8 às 9 h, transmissão ao vivo 87,9 Rio Una FM, apreciamos Classificados Poéticos da Roseana Murray

Perdi maleta cheia de nuvens e de flores
Maleta onde eu carregava
todos os meus amores embrulhados
em neblina.
Perdi essa maleta em alguma esquina
e algum sonho
e desde então eu ando tristonho
sem saber onde pôr as mãos
Se andando pelas ruas
você encontrar a tal maleta
Por favor me avise em pensamento
que eu largo tudo e vou correndo.

Roseana Murray

Poesia de Celeste Martinez

Na 361° edição do Alacazum Palavras Para Entreter, apresentação da escritora e locutora Celeste Martinez, que foi ao ar dia 27 de julho de 2014, das 8 às 9 h  transmissão ao vivo 87,9 Rio Una FM, apreciamos a poesia de Celeste Martinez.

Pegue este fio
e siga esta linha.
Não transforme nada.
Não processe nada.
Não transgrida o raciocínio. Siga.
É tão denso e fatal
o tempo de embarque que é impossível pensar
tudo de vez.
Por isso
siga,
veja,
prossiga.
O momento é este fio e sua vida é uma linha.

O lobo caluniado

Na 361° edição do Alacazum Palavras Para Entreter, apresentação da escritora e locutora Celeste Martinez, que foi ao ar no dia 27 de julho de 2014 das 8 às 9 h, transmissão ao vivo 87,9  Rio Una FM, apreciamos a leitura: O lobo caluniado.

O lobo caluniado

A floresta era meu lugar. Eu morava lá e cuidava dela. Tentava mantê-la limpa e em ordem. Num dia ensolarado, enquanto estava retirando o lixo que um campista havia deixado, eu ouvi uns passos. Pulei atrás de uma árvore e vi uma menininha meio feia descendo o caminho e carregando uma cesta. Logo desconfiei dessa menininha porque estava vestida de maneira tão estranha - toda de vermelho e com a cabeça coberta de tal forma que parecia não querer que alguém soubesse quem era. Claro que parei para verificar quais eram suas intenções. Perguntei quem era, aonde ia, de onde vinha. Ela me contou uma história mal contada, de que ia para a casa da avó com uma cesta de comida. Parecia ser uma pessoa honesta, mas acontece que ela estava na minha floresta e, de fato, parecia meio suspeita com essa roupa estranha que vestia. Então, resolvi lhe dar uma lição para mostrar como era séria essa história de se pavonear pela floresta sem ser anunciada e vestida dessa maneira.
Deixei-a seguir seu caminho, mas logo corri na frente para chegar na casa de sua avó. Quando vi aquela velha senhora simpática, eu lhe expliquei meu problema e ela concordou que sua neta precisava aprender uma lição. Escondeu-se debaixo da cama, esperando que eu a chamasse quando fosse necessário.
Quando a menina chegou, eu a convidei para ir ao quarto onde eu estava. Eu estava na cama, vestido como sua avó. A menina entrou toda corada e disse alguma coisa malcriada sobre minhas grandes orelhas. Já havia sido insultado antes, tentei então aproveitar suas palavras, sugerindo que minhas grandes orelhas me ajudariam a ouvir melhor. O que eu quis dizer é que gostava dela e queria dar maior atenção ao que ela dizia. Mas, aí, ela fez mais uma gozação, dizendo que meus olhos eram esbugalhados. Agora, você pode entender o que eu estava começando a sentir por aquela menina. Com essa fachada tão bonita, ela escondia era uma pessoa muito desagradável. Mas resolvi lhe dizer que meus olhos grandes me ajudavam a vê-la melhor.
O insulto seguinte realmente me atingiu. Eu tenho um problema com esses meus dentes muito grandes. E essa menina fez uma malcriação a respeito deles. Sei que deveria me controlar, mas pulei da cama e rosnei dizendo que meus dentes me ajudariam a comê-la melhor.
Agora, vejam bem, nenhum lobo nunca comeria uma menininha, todo mundo sabe disso, mas essa menina maluca começou a correr pela casa gritando e eu correndo atrás dela tentando acalmá-la. Eu já tinha tirado a roupa da vovó, mas isso parecia piorar as coisas. Até que, de repente, a porta se abriu com um estrondo e um lenhador grandalhão estava lá de pé comseu machado. Eu o olhei e vi que estava em apuros. Havia uma janela aberta perto de mim e pulei fora.
Gostaria de dizer que esse foi o fim da história. Mas acontece que aquela vovó nunca contou o meu lado da história. Logo se espalhou o boato de que eu era um lobo mesquinho e chato. Todo mundo começou a se esquivar de mim. Não sei bem o que aconteceu com aquela menininha, mas eu não vivi feliz para sempre.

Lief Fearn. In " Direitos humanos no Brasil  conferências para educadores" São Paulo, Editora & Artes Gráficas, 1986

Na 360° edição do Alacazum Palavras Para Entreter


Vídeo da leitura da crônica: O acorde final de Rubem Alves

Crônica: O acorde final de Rubem Alves


Celeste Martinez lendo a crônica: O acorde final de Rubem Alves

Na 360° edição do Alacazum Palavras Para Entreter apresentação da escritora e locutora Celeste Martinez, que foi ao ar no dia 20 de julho de 2014, transmissão ao vivo 87,9 Rio Una FM, apreciamos a leitura da crônica: O acorde final de Rubem Alves.

O acorde final

Eu havia colocado no toca-discos aquele disco com poemas do Vinicius e do Drummond, disco antigo, long-play – o perigo são os riscos que fazem a agulha saltar, mas felizmente até ali tudo tinha estado lindo e bonito, sem pulos e sem chiados, o próprio Vinicius, na sua voz rouca de uísque e fumo, havia recitado os sonetos da separação, da despedida, do amor total, dos olhos da amada. Chegara meu favorito, “O haver” - o Vinicius percebia que a noite estava chegando e tratava então de fazer um balanço de tudo o que fora feito e do que sobrara disso. Assim, as estrofes começavam todas com uma mesma palavra, “Resta...” - foi isso que sobrou.

Resta essa capacidade de ternura, essa intimidade perfeira com o silêncio...
Resta essa vontade de chorar diante da beleza, essa cólera cega em face da injustiça e do mal-entendido...
Resta essa faculdade incoercível de sonhar e essa pequenina luz indecifrável a que às vezes os poetas tomam por esperança...

Começava, naquele momento, a última quadra, e de tanta vezes lê-la e outras tantas ouvi-la, eu já sabia de cor suas palavras, e as ia repetindo dentro de mim, antecipando a última, que seria o fim, sabendo que tudo o que é belo precisa terminar.

O pôr-do-sol é belo porque suas cores são efêmeras, em poucos minutos não mais existirão.

A sonata é bela porque sua vida é curta, não dura mais que 20 minutos. Se a sonata fosse uma música sem fim, é certo que seru lugar seria entre os instrumentos de tortura do Diabo, no inferno.

Até o beijo... Que amante suportaria um beijo que não terminasse nunca?
O poema também tinha de morrer para que fosse perfeito, para que fosse belo e para que eu tivesse saudades dele, depois do seu fim. Tudo o que fica perfeito pede para morrer. Depois da morte do poema viria o silêncio – o vazio. Nasceria então uma outra coisa em seu lugar: a saudade. A saudade só floresce na ausência.

É na saudade que nascem os deuses- eles existem para que o amado que se perdeu possa retornar. Que a vida seja como o disco, que pode ser tocado quantas vezes se desejar. Os deuses – nenhum amor tenho por eles, em si mesmos. Eu os amo só por isso, pelo seu poder de trazer de volta para que o abraço se repita. Divinos não são os deuses. Divino é o reencontro.
A voz do Vinicius já anunciava o fim. Ele passou a falar mais baixo.
E eu, na minha cabeça, automaticamente me adiantei, recitando em silêncio o último verso: “ sem saber que é a minha mais nova namorada”.

Foi então que, no último momento, o imprevisto aconteceu: a agulha pulou para trás – talvez tivesse achado o poema tão bonito que ser recusava a ser uma cúmplice de seu fim, não aceitava sua morte, e ali ficou a voz morta do Vinicius repentindo palavras sem sentido: “ sem saber que é a minha mais nova...” , “ sem saber que é a minha mais nova...”, “ sem saber que é minha mais nova...”.

Levantei-me do meu lugar, fui até o toca-discos, e consumei o assassinato: empurrei suavemente o braço com o meu dedo, e ajudei a beleza a morrer, ajudei-a a ficar perfeita. Ela me agradeceu, disse o que precisava dizer “ sem saber que é a minha mais nova namorada...” Depois disso foi o silêncio.

Fiquei pensando se aquilo não era uma parábola para a vida, a vida como uma obra de arte, sonata, poema, dança. Já no primeiro momento, quando o compositor ou o poeta ou o dançarino preparam sua obra, o último momento já está em gestação. É bem possível que o último verso do poema tenho sido o primeiro a ser escrito pelo Vinicius. A vida é tecida como a teia de aranha: começa sempre do fim. Quando a vida começa do fim, ela e sempre bela, por ser colorida com as cores do crepúsculo.


Não, eu não acredito que a vida biológica deva ser preservada a qualquer preço.

“Para todas as coisas há o momento certo. Existe o tempo de nascer e o tempo de morrer ( Eclesistes 3 1-2).

A vida não é uma coisa biológica. A vida é uma entidade estética. Morta a possibilidade de sentir alegria diante do belo, morre também a vida, tal como Deus no-la deu – ainda que a parafenália dos médicos continue a emitir seu bips e a produzir ziguezagues no vídeo.

A vida é como aquela peça. É preciso terminar.
A morte é o último acorde que diz: está completo. Tudo o que se completa deseja morrer.

Do livro: As melhores crônicas de Rubem Alves

quarta-feira, 23 de julho de 2014

Poesia de Cassiano Ricardo

Celeste Martinez e a poesia de Cassiano Ricardo

Vídeo do poema: O Cacto, de Cassiano Ricardo

A escritora e locutora Celeste Martinez, interpretando a poesia: O Cacto, de Cassiano Ricardo.

O Cacto, de Cassiano Ricardo


Na 360° edição do Alacazum Palavras Para Entreter, apresentação da escritora e locutora Celeste Martinez, que foi ao ar no dia 20 de julho de 2014, das 8 às 9 h transmissão ao vivo 87,9 Rio Una FM, apreciamos a poesia: O cacto, de Cassiano Ricardo.

O Cacto

Vamos, todos, brincar de cacto
na areia da nossa tristeza.
Uma folha sobre outra,
em caminho do céu intacto.

Uns nos ombros dos outros,
um braço a nascer de outro braço,
uma folha sobre outra,
formaremos um grande cacto.

De cada braço, já no espaço,
nascerá mais um braço, e deste
outros braços, qual ramalhete
de flores para um só abraço.

Filhos da pedra e do pó,
fique aqui embaixo o nosso orgulho,
pisado sobre o pedregulho.
Formaremos, num corpo só,

( uma folha sobre outra
uma folha sobre outra,
um braço a nascer de outro braço)
a nossa escada de Jacó.

Pra quê torre de Babel
ou o Empire State, compacto,
se, uns nos ombros dos outros,
chegaremos ao céu, num cacto?

Uma folha sobre outra
e já uma árvore de feridas
por entre os anjos de azulejo
e as borboletas repetidas.

Que fique aqui embaixo a terra;
lá de cima nós tiraremos
uma grande fotografia
do seu rosto de ouro e prata.

Pra provar a Deus que a terra,
numa fotografia exata,
não é redonda, mas chata;
não é redonda, mas chata.

Pra provar, por B mais H
que o homem, animal suicida,
já sabe fabricar estrelas...
Se é que Deus disto duvida.

Que iríamos fabricar luas
( se não fora, para Seu gáudio,
o espião nos ter furtado a fórmula)
mais bonitas do que as Suas.

Vamos, todos, brincar de cacto,
uns nos braços dos outros,
um abraço a nascer de outro braço,
uma folha sobre outra.

Vamos subir, de folha em folha
mais alto do que vai o avião.
Lá onde os anjos jogam pedras
no cão da constelação.

Que outros usem avião a jacto
pra uma viagem em linha reta:
nós, filhos da planície abjeta,
subiremos ao céu num cacto.

Uns nos ombros dos outros,
injustiças sobre injustiças
formaremos um verde pacto...
Vamos, todos, brincar de cacto.

Vamos, todos, brincar de cacto

Na 359° edição do Alacazum Palavras Para Entreter

Horacio Martinez, convidado especial da 359° edição

Na 359° edição do Alacazum Palavras Para Entreter, apresentação da escritora e locutora Celeste Martinez, que foi ao ar no dia 13 de julho de 2014, das 8 às 9 h, transmissão ao vivo 87,9 Rio Una FM, cujo tema: Final da Copa do Mundo 2014, contamos com a presença do artista visual, de nacionalidade argentina, Horacio Martinez, que falou um pouco sobre o futebol.

terça-feira, 15 de julho de 2014

Um argentino no Alacazum

Horacio Martinez - argentino, artista visual, na 359° edição do Alacazum Palavras Para Entreter, que foi ao ar no dia 13 de julho de 2014, das 8 às 9 h, transmissão ao vivo 87,9 Rio Una FM, cujo tema: Final da Copa do Mundo 2014.

Vídeo, do poema: Soneto futebolístico, de Glauco Mattoso


Celeste Martinez, interpreta o poema: Soneto Futebolístico, de Glauco Mattoso

Soneto Futebolístico, de Glauco Mattoso


Na 359° edição do Alacazum Palavras Para Entreter, apresentação da escritora e locutora Celeste Martinez, que foi ao ar no dia 13 de julho de 2014, das 8 às 9 h, transmissão ao vivo 87,9 Rio Una FM, cujo tema: Final da Copa do Mundo 2014, tivemos como convidado, o artista visual argentino Horacio Martinez, em um bate papo descontraído a respeito de futebol. Na abertura do programa fizemos a leitura do texto: Soneto Futebolístico de Glauco Mattoso.



Soneto Futebolístico de Glauco Mattoso

Machismo é futebol e amor aos pés.
São machos adorando pés de machos,
e nesse mundo mágico me acho
em meio aos fãs de algum camisa dez.

Invejo os massagistas dos Pelés
nps lúdicos momentos de relaxo,
servindo-lhes de chanca e de capacho,
levando a língua ali, do chá no rés.

É lógico que um cego como eu
não pode convocar o titular
dum time brasileiro ou europeu.

Contento-me em chupar o polegar
do pé de quem ainda não venceu
sequer a mais local preliminar.

Do livro: Os cem melhores poemas brasileiros do século


O Anjo das Pernas Tortas, de Vinicius de Moraes


Na 359° edição do Alacazum Palavras Para Entreter, apresentação da escritora e locutora Celeste Martinez, que foi ao ar no dia 13 de julho de 2014, das 8 às 9 h, transmissão ao vivo 87,9 Rio Una FM, cujo tema: Final da Copa do Mundo 2014, tivemos como convidado, o artista visual argentino Horacio Martinez, em um bate papo descontraído a respeito de futebol. Na abertura do programa fizemos a leitura do texto: O anjo das pernas tortas, de Vinicius de Moraes.



O Anjo das Pernas Tortas – A Flávio Porto

A um passe de Didi, Garrincha avança
Colado o couro aos pés, o olhar atento
Dribla um, dribla dois, depois descansa
Como a medir o lance do momento.

Vem-lhe o pressentimento; ele se lança
Mais rápido que o próprio pensamento
Dribla mais um, mais dois; a bola trança
Feliz, entre seu pés – um pé de vento -

Num só transporte a multidão contrita
Em ato de morte se levanta e grita
Seu uníssono canto de esperança.

Garrincha, o anjo, escuta e atende : - Gooool!
É pura imagem: um G que chuta um o
Dentro da meta, um L . É pura dança!

Rio, 1962