domingo, 7 de outubro de 2007

QUADRO: ECOTÓPICOS

Professor Tony é Biólogo e Mestre em Geoquímica e Meio Ambiente pela Universidade Federal da Bahia, leciona em colégios particulares de Valença e cidades circunvizinhas, integra a equipe do curso pré vestibular Exemplo e faz o quadro: ECOTÓPICOS do ALACAZUM aos domingos. Professor Tony e Celeste Martinez

1º TEMA: LIXO E COLETA RECICLÁVEL.
No programa foi discutida uma alternativa sobre a coleta e destinação do lixo. Para minimizar problemas de acúmulo de lixo nas avenidas, perfuração e destruição dos sacos plásticos ou contêineres durante a segregação de materiais feita ocasionalmente por coletores de lixo reciclável e pelos animais de rua, como urubus, ratos e cachorros que abrem os mesmos, foi discutida a mobilização da população no sentido de promover, na residência, a separação do lixo em duas porções diferenciadas tipo, lixo seco (materiais recicláveis como vidros, plásticos, metais e papéis) e lixo úmido (cascas de frutas, restos de alimentos, folhas, fezes de animais domésticos, etc.).
A separação poderia ser útil sobre vários aspectos: o lixo úmido poderia ser enterrado no próprio quintal para decomposição e remineralização da matéria servindo de adubo para as plantas; a procura pelos catadores seria agilizada evitando a abertura dos sacos e a sujeira provocada pelos coletores descuidados; mesmo havendo a mistura na caçamba ou no caminhão de coleta, os catadores do lixão (badameiros), teriam uma chance de remover esses materiais mais facilmente, antes da compactação realizada no local.

2º TEMA: POLUIÇÃO SONORA.
Um dos grandes problemas ecológicos que atingem a sociedade humana nas grandes cidades é a poluição sonora. Foi aberta uma discussão, no programa, sobre os limites de suporte da audição humana regulamentada em 65 decibéis (dB) durante o dia e 60 dB durante a noite em áreas residenciais (Norma Regulamentar Brasileira nº 10151 e n° 001/90 CONAMA), e também sobre índices que resultam em lesão auditiva (85dB), traumas como surdez (100dB), lesão do nervo auditivo (120dB) e destruição do tímpano (140dB). A exposição prolongada, acima dos níveis de suporte, pode levar o indivíduo a ter dificuldade de se comunicar, ter insônia, aumento da pressão sanguínea, complicações estomacais, fadiga física e mental, e impotência.
Os problemas mais freqüentes com a poluição sonora na nossa cidade ficam a encargo dos bares, casas de shows, carros de som, igrejas e vizinhos desrespeitosos.

3º TEMA: POSICÃO DO HOMEM NA CADEIA ALIMENTAR.
A própria visão do homem ao classificar os seres vivos no âmbito ecológico leva-nos a imaginar que cada um ser vivo representa um elo numa cadeia alimentar. São três níveis tróficos de classificação dos organismos: produtores, consumidores e decompositores. Daí surge a pergunta: Qual é a real posição do homem nessa classificação?
A espécie humana já passou pela posição de consumidor herbívoro durante um provável estágio de sua evolução. A grande prova disso seria a presença de uma arcada dentária formada, em grande parte, por dentes abaulados com superfície extensa para a melhor maceração das ervas, e pelo apêndice, órgão desenvolvido em outros mamíferos herbívoros, mas vestigial no homem. Durante algum ponto da evolução, ocorrido antes de 250000 mil anos atrás, hábitos antropofágicos ou talvez escassez de alimentos, levaram o ser humano a trocar, parcialmente, as ervas por carne na sua dieta. A presença de dentes pontiagudos e cortantes na região frontal da arcada dentária e a produção de proteases estomacais, enzimas que digerem proteínas, são argumentos a favor dessa hipótese. A verdade é que essa mudança nos propiciou uma maior reserva de proteínas necessárias para o desenvolvimento do cérebro, órgão que nos torna racionais.
Em fim, somos herbívoros ou carnívoros? Bom, somos coluna do meio, onívoros; essa posição nos torna vulneráveis a problemas como: se comer só ervas, não temos intestino tão comprido, exigido para um melhor aproveitamento de nutrientes essenciais produzidos pelas plantas, nem enzimas ou microorganismos para digerir a celulose, fonte principal de energia na dieta de herbívoros; se comer só carne, nosso intestino é comprido demais e, carnes fibrosas como a carne vermelha, entram em putrefação no intestino e liberam resíduos tóxicos ao organismo gerando prisão de ventre, gases e outros efeitos indesejáveis dessa dieta.
A solução, no entanto, reside em comer carnes brancas como de peixe e frango, que são mais facilmente digeríveis, e aproveitar apenas alguns tipos de sementes, frutas e raízes de reserva, partes da planta onde os nutrientes necessários à sobrevivência do homem são encontrados.

4º TEMA: DOENÇAS DE VEICULAÇÃO HÍDRICA.
O parasitismo é uma das relações ecológicas mais fascinantes e melhor estudadas. Seu fundamento básico está no fato de duas espécies viverem em estado desarmônico, mas manterem-se vivas. O parasita se beneficia de seu hospedeiro sem matá-lo, pois isso significaria, na maioria das vezes, sua morte também. Porém, um pequeno desequilíbrio na relação, pode se tornar fatal para um dos simbiontes.
A água, principal substância dos seres vivos, é um dos principais meios de veiculação de parasitoses para os seres humanos. Os principais parasitas transmitidos direta ou indiretamente pela água são: as bactérias como salmonela, leptospira e coliformes fecais; vírus como os causadores de hepatite e dengue; protozoários como giárdia e amebas; e vermes como esquistossomo e lombriga.
O quadro sintomático mais freqüente em casos de pessoas infectadas por essas doenças é de náuseas, mal-estar, vômitos, diarréia, crescimento anormal do abdome, flatulência, manchas e edemas na pele, alterações de pigmentação das mucosas, etc. Qualquer um desses sintomas pode ser motivo de encaminhar o indivíduo até um posto de saúde para exames clínicos apropriados.
A forma de prevenir essas enfermidades é fácil de ser administrada, até mesmo em crianças. Hábitos como beber água fervida e/ou filtrada, lavar cuidadosamente frutas e verduras, cozinhar bem os alimentos, comer carnes bem passadas, andar sempre com pés calçados, lavar as mãos sempre antes das refeições e após o uso do sanitário, manter unhas cortadas e limpas e manter instalações sanitárias em boas condições de higiene, resolvem, na maioria das vezes, complicações com parasitoses de veiculação hídrica.

5º TEMA: MANGUEZAIS.
Os manguezais são ecossistemas caracterizados pela vegetação típica, formada por troncos finos, raízes aparentes, folhas abundantes e coriáceas, e pelos sedimentos lodosos, finos e ricos em matéria orgânica. Seu posicionamento ao longo da costa brasileira pode ser explicado pelas regiões de anulação da energia do oceano por barreiras específicas, ao longo da costa, ou também pelas regiões estuarinas de encontro da foz de um rio com o oceano.
Embora o manguezal seja visto, pela grande maioria das pessoas, como uma zona feia e fétida, sua importância suplanta qualquer desejo de vê-lo soterrado e destruído. São zonas berçário para a maioria das espécies que vivem ali como caranguejos, siris, camarões, ostras, lambretas, sururus e chumbinhos, e outras espécies marinhas, principalmente as de peixes. Os nutrientes ali produzidos pela intensa decomposição da matéria orgânica são essenciais para o crescimento das algas, base de toda a cadeia alimentar marinha.
A cidade de Valença tem mais da metade de sua área construída em zonas de soterramento de manguezais. Bairros como Bolívia, Brasília, Loteamento Bahia, Graça, Jacaré, Tento, etc. foram construídos em áreas onde antes era manguezal. A própria orla do rio Una é o retrato dessa realidade.
As alternativas mais urgentes para minimizar esse impacto histórico sobre as valiosas regiões de manguezais da nossa cidade seriam o reassentamento das famílias que vivem nas regiões mais próximas aos manguezais e a recanalização do esgoto dessas áreas para as linhas do esgoto central da cidade, já que a liberação direta de rejeitos humanos nessas áreas perdura por mais tempo pela falta da energia da maré em retirá-los, ação que é minimizada pela atividade do rio. Por outra parte, a canalização e bombeamento do esgoto para uma estação de tratamento de efluentes, parecem sonho, mas pode vir a tornar-se realidade. Resolveriam em grande parte os problemas de impactos diretos e indiretos da liberação do esgoto no rio. Vamos mobilizar os nossos gestores!

Um comentário:

Anônimo disse...

también se podía de cabeza, pero era más costoso..


solosiniz.blogspot.com