terça-feira, 23 de novembro de 2010

Seu coelho e seu Lobo- conto do Equador

Na 198° edição do programa radiofônico ALACAZUM PALAVRAS PARA ENTRETER que foi ao ar no dia 21 de novembro de 2010, transmissão pela Rádio CLube de Valença 650 Khz AM, ofertamos em homenagem a um grupo musical do Equador que visitou a cidade de Valença- Bahia, um conto deste país, contextualizando com música do mesmo país.

Depois de passar fome durante muito tempo, seu coelho botou a cabeça para fora da toca e olhou nervosamente para todos os lados. Seus olhinhos travessos brilharam ao enxergar muito perto dali uma bela horta de cenouras. Voou para lá e devorou quase toda a plantação.
O dono, ao encontrar a sua horta destruída, ficou desolado e decidiu cercá-la, a fim de protegê-la dos coelhos famintos. Seu Coelho olhou bem a cerca, deu um sorriso maroto e não fez o menor caso dela. Cavou um túnel por baixo e novamente devorou as hortaliças.
O dono da horto ficou louco da vida e fez todo tipo de ameaças contra o coelho. Semeou, então, outra vez e preparou uma armadilha para agarrar aquele safado.
Desta vez seu coelho caiu. O camponês trancou-o numa gaiola e passou a alimentá-lo com as melhores verduras.
Seu coelho se sentia muito feliz e a cada dia engordava mais e mais. Foi então que ficou sabendo que o dono da horta estava se preparando para comê-lo. Começou, então, a estudar uma forma de escapar da gaiola. Uma tarde, ao ver seu lobo rondando por ali à procura do que roubar, fez-lhe a seguinte proposta:
- Seu lobo, o senhor não gostaria de garantir a sua comida? Meu amo só me dá carne para comer e eu não gosto nem um pouco. Foi por isso que ele me trancou aqui.
Seu lobo respondeu:
- Obrigado, seu coelho! Eu vou entrar aí agora mesmo para comer toda essa carne.
Quando o dono da horta chegou para dar de comer ao coelho, encontrou o logo no lugar dele. Indignado, o homem deu-lhe uma sova de pau até não poder mais.
Todo estropiado e faminto, seu lobo saiu correndo pelo bosque, jurando vingar-se daquele coelho safado. Ainda não havia andado muito, quando o encontrou descansando numa moita.
- Te peguei, bandido!- exclamou seu lobo enquanto segurava seu coelho pelas orelhas.
-Não fique zangado, seu lobo. Para recompensá-lo da surra, vou lhe mandar uma ovelha muito gorda que tenho lá no alto do morro. Imagine só que banquete vai ter!
Seu Lobo, tentado pela ideia de comer a ovelha soltou seu coelho.
- Fique aqui esperando! Já já eu lhe mando a ovelha. Mas tome cuidado pra não deixá-la escapar, pois ela está muito gorda. Trate de segurá-la de qualquer jeito.
Seu lobo, por sua vez, escondeu-se no capinzal para esperar por sua presa.
Então seu coelho, muito malandro, pegou uma pedra bem grande, embrulhou-a numa pele de ovelha, amarrou bem e fez com que ela rolasse pelo morro abaixo, na direção em que seu lovo se encontrava.
Todo animado, seu lobo aprontou-se para recebê-la. Mas a falsa ovelha, que vinha rolando desde lá de cima, deu uma trombada com ele e arrastou-o para a planície, deixando-o meio morto.
Seu coelho contemplava a cena lá de cima e rolava de tanto rir, vendo seu lobo novamente logrado.
- Auuuuu, auuuu! Não é que esse em-vergonha conseguiu me enganar outra vez? Assim que encontrar esse safado, juro que acabo com ele! - esbravejava seu lobo.
Um belo dia, os dois voltaram a se encontrar. Seu coelho tocava alegremente um pífaro e seu lobo, com sempre muito curioso, aproximou-se e perguntou:
-Como vai, seu coelho?
-Muito bem, obrigado.
- Que instrumento é esse que tem um som tão bonito? Posso ficar escutando essa lindas músicas?- acrescentou seu lobo, que ainda guardava rancor de seu coelho, devido a tudo o que ele lhe havia feito.
Seu coelho,ciente de que seu lobo não tinha a menor ideia do que fosse um pífaro, respondeu-lhe:
- Veja, seu lobo, é assim que se toca. É assim que eu faço. E posso tocar qualquer coisa. Abra bem a boca e vai conseguir tocar tão bem quanto eu.
Então, quando seu lobo estava com a boca bem escancarada, seu coelho olhou lá para dentro e enfiou o pífaro bem no fundo da goela do coitado. E, com os olhos brilhando pela travessura feita, desatou a correr.
Assim, fosse onde fosse, seu coelho, graças à sua astúcia, sempre conseguia enganar seu lobo , sem se deixar agarrar.


Retirado do livro: Contos populares para crianças da América Latina

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