sexta-feira, 27 de março de 2009

Peço pra não acabar o raso da Catarina

Poema lido na 120° edição do ALACAZUM PALAVRAS PARA ENTRETER do dia 22 de março de 2009

Peço a Deus verdadeiro que olhe o mundo velho
Pra quem segue o Evangelho, quem é poeta e vaqueiro
Agricultor, carvoeiro da região nordestina
Vão mandar uma ruína polui nosso lugar
Peço pra não acabar o raso da Catarina
O lixo atômico chegando, começa logo o arraso
A coivara do atraso fica logo incendiando
Os rios vão se acabando, morre árvore grossa e fina
Peço pra não acabar o raso da Catarina
Todo bode do Uauá, vai deixar de existir
Vão deixar de progredir, as cabras de Curaçá
Toda árvore secará, toda caça se extermina
Ah! Sagrada mãe divina, mande este povo rezar
Peço pra não acabar o raso da Catarina
Chorando o mandacaru, disse assim o xique-xique:
Vão nos colocar à pique, já vem aí o mandú
Que mata até urubu, mata ave de rapina
Desta área nordestina, só escapa quem voar
Peço pra não acabar o raso da Catarina
A alma de lampião resolveu dar um passeio
Mas achou o raso feio, não quis nem pisar o chão
Rezou uma oração sobrevoando a campina
Apontou a carabina, somente pra ameaçar
Peço pra não acabar o raso da Catarina.
Adeiane Weissheimer e Bule Bule

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