sábado, 25 de julho de 2009


Na 137° edição do programa radiofônico ALACAZUM PALAVRAS PARA ENTRETER que foi ao ar no dia 19 de julho de 2009, transmissão pela Rádio Clube de Valença 650 Khz AM, fizemos a leitura de um dos capítulos do livro: “O pequeno Príncipe” de Antoine de Saint-Exupéry. A leitura foi realizada por Violeta Martinez que esta fazendo o curso de Cinema e Audiovisual pela Universidade Federal do Recôncavo da Bahia, UFRB, Brasil, e que participou no ano de 2007 e 2008 do quadro: “A sétima arte” do ALACAZUM.

E foi então que apareceu a raposa:

− Bom dia – disse a raposa.

− Bom dia – respondeu educadamente o pequeno príncipe que, olhando à sua volta, nada viu.

− Eu estou aqui – disse a voz, debaixo da macieira...

− Quem és tu? – perguntou o principezinho. – Tu és bem bonita...

− Sou uma raposa – disse a raposa.

− Vem brincar comigo – propôs ele. – Estou tão triste...

− Eu não posso brincar contigo – disse a raposa. . – Não me cativaram ainda.

− Ah! Desculpa – disse o principezinho.

Mas, após refletir, acrescentou:

− Que quer dizer “cativar”?

− Tu não és daqui – disse a raposa. – Que procuras?

− Procuro os homens– disse o pequeno príncipe. − Que quer dizer “cativar”?

− Os homens – disse a raposa. – têm fuzis e caçam. É assustador! Criam galinhas também.

É a única coisa que fazem de interessante. Tu procuras galinha?

− Não – disse o príncipe. – Eu procuro amigos. Que quer dizer “cativar”?

− É algo quase sempre esquecido – disse a raposa. – Significa “criar laços”...

− Criar laços?

− Exatamente – disse a raposa. – Tu não és ainda para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho necessidade de ti. E tu também não tens necessidade de mim. Não passo a teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras pessoas. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim único no mundo. E eu serei para ti única no mundo...

− Começo a compreender – disse o pequeno príncipe. − Existe uma flor... eu creio que ela me cativou...

− É possível – disse a raposa. – Vê-se tanta coisa na Terra...

− Oh! Não foi na Terra – disse o principezinho.

A raposa pareceu intrigada:

− Num outro planeta?

− Sim.

− Há caçadores nesse planeta?

− Não.

− Que bom! E galinhas?

− Também não.

− Nada é perfeito– suspirou a raposa.

Mas a raposa retomou a seu raciocínio.

− Minha vida é monótona. Eu caço as galinhas e os homens me caçam. Todas as galinhas se parecem e todos os homens também. E isso me incomoda um pouco. Mas se tu me cativas, minha vida será como que cheia de sol. Conhecerei um barulho de passos que será diferente dos outros. Os outros passos me fazem entrar debaixo da terra. Os teus me chamarão para fora da toca, como se fosse música. E depois, olha! Vês, lá longe, os campos de trigo? Eu não como pão. O trigo para mim não vale nada. Os campos de trigo não me lembram coisa alguma. E isso é triste! Mas tu tens cabelos dourados. Então, será maravilhoso quando me tiveres cativado. O trigo, que é dourado, fará com que eu me lembre de ti. E eu amarei o barulho do vento no trigo...

A raposa calou-se e observou por muito tempo o príncipe:

− Por favor... Cativa-me! − disse ela.

− Eu até gostaria − disse o principezinho- as não tenho muito tempo. Tenho amigos a descobrir e muitas coisas a conhecer.




Fragmento do livro: “O pequeno Príncipe” de Antonine de Saint-Exupéry

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